Tradução: Emma
Capítulo 16
A expressão perplexa dela era divertida. Assim como a maneira como repetia a mesma frase, como alguém que enfrenta uma imensa decepção e derrota. Ele tinha achado o falatório constante dela irritante, mas agora, ao vê-la assim, sentiu um leve…
Um sentimento sem sentido agora.
Ele apagou o cigarro calmamente na cigarreira e passou por ela. O aroma remanescente em seus lábios foi momentaneamente incômodo, mas apenas isso.
— Ela está olhando para você de novo.
Diante das palavras de River Ross, Theodore ergueu os olhos do plantio das mudas. Ele seguiu o olhar de seu subordinado e seus olhos encontraram o rostinho de Vanessa. Assustada por ter sido pega, se escondeu como um gato surpreso, e ele não pôde deixar de soltar uma risadinha.
Já fazia uma semana desde aquele dia, e ela vinha o rondando, mantendo uma certa distância. Sempre que ele desviava os olhos do trabalho, podia sentir o olhar dela, e lá estava. Vanessa. Às vezes se escondia atrás de uma árvore, às vezes de uma janela do segundo andar, hoje na entrada do jardim…
A essa altura, Theodore tinha que admitir que havia subestimado a sua tenacidade.
— Vai deixá-la em paz?
Theodore deu de ombros à pergunta de River, que estava ao seu lado.
— O que mais posso fazer? Ela é sobrinha do meu patrão.
— Que tal revelar sua verdadeira identidade? Se for estranho contar à própria senhorita, talvez pudesse mencionar sutilmente ao conde de Somerset…
— Esse seria o dia em que a velha descobriria onde estou. E eu seria arrastado para o altar.
— Você não gosta de casamento?
— Eu não gosto do ódio, do desprezo e do engano que inevitavelmente se seguem.
Era uma perspectiva excessivamente cínica para um homem em idade de casar. Mesmo após ouvir a resposta clara, River hesitou por um longo momento, como se tivesse mais a dizer, mas não conseguiu encontrar coragem para falar. Percebendo isso, Theodore se virou para ele.
— Se tem algo a dizer, diga.
— Bem… Mesmo que você continue a esconder sua identidade, não seria melhor pelo menos mudar de alojamento?
— Alojamento? Por quê?
— Me pesa a consciência que esteja usando o depósito como alojamento. Por mais limpo e organizado que o tenha deixado, o jardim de rosas em si praticamente não foi tocado. Não seria melhor se você usasse a cabana do meu tio, e meu tio e eu usássemos o depósito?
— Seu tio fez uma cirurgia na coluna na semana passada. Quer que eu pegue a cama de um paciente e durma confortavelmente sozinho?
— Tudo deve estar sendo inconveniente para você.
— É perfeitamente tolerável. Comparado à cabine de um navio, é espaçoso, e fica até em solo firme.
— Ficar em uma vila próxima…
River engoliu suas palavras tolas diante do olhar reprovador de seu superior. Se ele pisasse em qualquer uma das vilas ou propriedades da família Battenberg, o paradeiro do duque estaria estampado nas manchetes dos jornais de amanhã.
Nesse sentido, Gloucester, no sul, sem nenhuma ligação com sua família, era a melhor escolha para Theodore. O conde, que outrora fora um grande nobre, agora estava reduzido ao ponto de não conseguir pisar na capital. Um conde que havia sido banido de sua família e expulso da sociedade décadas atrás, e que nunca mais tinha posto os pés na capital desde então.
Um lugar isolado onde tudo era antigo, onde o único jornal chegava uma vez por semana, trazido pelo carteiro da cidade vizinha movimentada.
Havia alguns pequenos inconvenientes, mas… Nos dias de hoje, era uma localização incomparavelmente excelente.
Às vezes, havia alegria em uma vida simples. Movimentar o corpo, lavar-se, comer, dormir, acordar com o nascer do sol… Talvez até a velha aprovasse a fuga saudável de seu neto, dada a sua aversão particularmente forte aos jovens nobres que frequentavam clubes sociais.
Theodore deu tapinhas encorajadores no ombro de seu leal subordinado e caminhou em direção à macieira que havia começado a dar frutos. Eles passaram algum tempo em um silêncio confortável, colhendo os frutos pequenos, atacados por insetos ou os que cresciam de forma irregular.
Cultivar árvores frutíferas em um jardim era considerado indigno, mas essa família já estava muito abaixo dos padrões em todos os aspectos.
As pinturas famosas penduradas nos corredores eram todas falsificações, os tapetes eram de qualidade inferior e ásperos, e até mesmo o brasão da família, que deveria ter sido fundido em ouro, era uma imitação barata misturada com cobre.
As pratas, que deveriam ser administradas pelo mordomo, pareciam ter sido vendidas há muito tempo. A essa altura, cultivar suas próprias frutas dificilmente seria uma mancha na reputação.
Nessa casa, havia apenas uma coisa que podia ser considerada genuína. a senhorita Vanessa, que, desde os seis ou sete anos de idade, cativava toda Ingram com seu rosto bonito.
— Oh?
Diante da exclamação repentina de River, ele instintivamente olhou para cima. A coisa “genuína” vinha mancando na direção deles.
