Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 158 - +18

Capítulo 158 - +18

Tradução: Gheo

Capítulo 158


Ele sabia que ela havia descoberto sua identidade. E parecia que o Duque não tinha mais intenção de participar daquela farsa superficial.

Não trema. Mantenha a calma.

Vanessa encontrou o olhar dele, forçando os olhos a assumir uma expressão de compostura. O rosto do homem que a encarava era simplesmente sereno. Não havia sequer um traço da culpa, da dor ou da tristeza que ela vagamente imaginara.

O Duque parecia apenas um pouco mais cansado do que o normal. Seus olhos frios e profundos logo se enrugaram num sorriso sereno.

– Presumi que, pelo fato de você ter vindo de tão longe, já soubesse, Vanessa. Lamento não ter lhe contado a verdade antes.

”Lamento”. Essa única palavra a atingiu em cheio, com uma dor lancinante. Para ela, foi um choque tão profundo que nenhuma palavra seria capaz de descrevê-lo.

A lembrança do momento em que ela decidiu amá-lo parecia tão distante. Ela não conseguia acreditar que a pessoa cujo calor sentira, cuja respiração compartilhara e a quem entregara seu coração fosse uma pura ilusão. Será que ele sequer ousaria imaginar o que ela sentia?

Mesmo nos momentos em que sentiu que poderia desabar completamente, ela se manteve firme pensando em “River Ross”. Ela havia decidido seguir em frente rumo a um amanhã melhor, em vez de se entregar ao pranto. Ela vivia com a crença de que havia pelo menos uma pessoa que estaria ao seu lado na chuva e rolaria na lama com ela.

Sim. Às vezes, eram essas pequenas coisas que sustentavam o nosso mundo. Por isso ela conseguia ficar tão triste por causa de meras palavras. Porque eu te amava.

– Pretendia concluir tudo na próxima semana e avisar você em um momento oportuno. Em uma situação um pouco mais confortável e melhor do que está.

Parecia que ele se arrependia apenas daquela parte. Como se um pequeno detalhe no relacionamento deles tivesse simplesmente dado errado. Como se fosse um erro que pudesse ser corrigido a qualquer momento, bastando conversar sobre ele.

Mesmo que não houvesse mais nada que pudesse ser desfeito.

Talvez tenha sido mesmo uma questão trivial.

Se ele tivesse confessado a verdade com os próprios lábios antes que ela descobrisse, independentemente do método, e se tivesse buscado o perdão sinceramente, tudo teria sido melhor do que é agora. No mínimo, ela não teria sido tomada por esse sentimento terrível.

Que ela acabara amando um homem cujo próprio nome era uma mentira. Vanessa soltou uma risada oca ao se deparar com a realidade. Sentia-se como se tivesse sido envolvida em uma história verdadeiramente perversa. Uma forte sensação de impotência e perda a invadiu, acompanhada de tremores.

Ela sentia como se não conseguisse respirar direito. Toda aquela situação e o homem à sua frente eram simplesmente muito estranhos.

– Sente-se por agora e vamos conversar.

Ele falou calmamente, fazendo-lhe um convite enquanto ela permanecia ali, o rosto tão pálido como se fosse desmaiar a qualquer momento. Vanessa, que estava prestes a se sentar no sofá oferecido pelo Duque, mudou de ideia e balançou a cabeça negativamente. Endireitou as costas e os ombros, forçando-os mesmo quando sentia que iam ceder.

– Não pretendo ficar muito tempo, Ri... bem, eu... eu só vim conversar. Para obter uma resposta definitiva sobre o nosso contrato.

– Você encontrou a resposta que queria?

– No mínimo, confirmei que o homem com quem fiz o acordo não era você.

Uma inteligência fria brilhou em seus olhos, que estavam arqueados como os de um gato. Seus lábios, mordidos com força para suprimir as emoções que a invadiam, tremeram levemente. Após um breve silêncio, ela falou novamente.

– Já não sei como te chamar. Nem como devo falar contigo.

– ……

– Qual era aquele contrato? Aquele que estava no escritório do meu tio…

– Esse contrato não tem nada a ver com este assunto.

– …Pensei que você estivesse sendo chantageado ou algo assim.

Vanessa olhou para ele com olhos que pareciam prestes a chorar e então soltou uma risada de autodepreciação. Se aquele contrato de investimento era uma forma de pagamento ou não... não importava mais. A relação de confiança entre eles havia sido completamente distorcida. Não havia como ela acreditar em nada do que ele dissesse agora.

– Vanessa.

O pomo de Adão do Duque subiu e desceu lentamente enquanto ele a observava. Ele puxou displicentemente a gravata, que parecia estar apertando-o. Foi nesse momento que ela percebeu os olhos do homem, que se mostrara tão sereno, distorcidos pela impaciência.

– Não chore.

– Eu não estou chorando. Por que eu choraria…?

Vanessa mordeu o lábio trêmulo mais uma vez. Se ao menos ela pudesse controlar suas emoções à vontade. Ela não queria mostrar um lado frágil de si mesma na frente daquele homem nunca mais.

Ela não queria confundir aquele toque, enxugando as lágrimas que escorriam por sua bochecha, com gentileza.

A vida continua, aconteça o que acontecer. Ela aprendeu com a experiência que até mesmo os momentos que pareciam fatais podiam ser suportados se ela simplesmente resistisse. Foi assim que ela sobreviveu à traição do tio e sorriu como se estivesse bem. Ela precisava dessa força agora.

– Minha exigência é a mesma do início. Quero que nosso relacionamento termine aqui de forma definitiva.

– O período contratual ainda não terminou, Vanessa.

Vanessa tentou chamá-lo pelo nome, mas fechou a boca. River Ross. Ela não conseguia mais chamar aquele homem por aquele nome, o nome que não lhe causava repulsa. Theodore. Seu vínculo com o Duque não era tão profundo.

Enquanto ela hesitava, o homem continuou em voz baixa.

– Então, ainda somos amantes.

– ……

– E, como já disse, estou bastante satisfeito com a nossa relação. Portanto, proponho que prorroguemos provisoriamente este contrato.

– Você está… me pedindo em casamento agora?

O rosto do homem, silhuetado contra o pôr do sol, estava envolto em sombras profundas e indecifráveis. Não era fácil sequer adivinhar sua expressão, mas era evidente que o Duque a estava observando.

Vanessa olhou para ele com olhos confusos.

– Você me ama?

– Como fomos parar nesse assunto?

– Eu… eu te amo.

– Que bom ouvir isso. É fofo.

Ele riu com força e apertou firmemente a bochecha branca de Vanessa com sua mão grande. As pontas dos seus dedos ásperos traçaram o corte em seus lábios ressecados, como se o tivesse incomodado desde o primeiro instante em que o viu.

Ela podia sentir um leve calor no olhar azul profundo que a observava. Como o de um homem que realmente a amava. Seus longos cílios baixos projetavam sombras tênues sobre seu belo rosto.

– ……

Ele inclinou a cabeça para mais perto. Seus lábios finalmente se encontraram, e ele mordeu os dela, mas não com dor.

Vanessa soltou um suspiro ao sentir aquele calor. Era terrível. Que seu coração ainda batesse tão forte por aquele homem. O fato de ele ter derrubado com tanta facilidade os muros que ela pensava ter construído com tanta firmeza.

As pontes de seus narizes se roçaram, e suas respirações se entrelaçaram suavemente quando ele mudou de posição. O Duque só a soltou quando ela começou a ofegar, com o rosto corado. Só então uma estranha sensação de alívio começou a surgir lentamente na expressão séria do homem.

– O amor é sempre uma fraqueza terrível, Vanessa. Justo agora que você finalmente se permitiu ser pega por mim deste jeito.

Era verdade. O amor era assim tão terrível? Uma única lágrima se formou no fim de sua respiração trêmula. Quando ela piscou lentamente, a lágrima caiu em sua bochecha.

– Estou comprando e reformando uma mansão e um terreno perto de Gloucester. Vou agilizar o cronograma para que você possa se mudar assim que a obra estiver concluída. Posso até mesmo mudar o jardim de rosas exatamente como está, se você quiser.

– …Não. É melhor pararmos de nos ver.

– Diga-me se há alguma condição que você queira impor.

– Eu já te disse. Decidi que quero ter um filho com outro homem.

Vanessa o empurrou com as duas mãos. Por um instante, os olhos azuis profundos de Theodore assumiram um brilho predatório e escureceram.

– Se você me disser para cumprir o período contratual, que era até o final deste mês, eu cumprirei até lá, mas não quero estendê-lo. Além disso, pretendo estar ocupada com outros compromissos durante o tempo restante.

– Outro homem? Quem?

– Qualquer pessoa. Então, vim dizer que não precisa mais vir me ver…

De repente, todo o seu corpo foi agarrado com brutalidade. A língua dele forçou a passagem entre seus lábios e se entrelaçou violentamente com a dela. Não era um beijo suave que parecia tocar sua alma como antes; era um beijo feroz e voraz, como se ele pretendesse devorá-la da cabeça aos pés.

– Ah, ngh…

Ele ergueu seu corpo esguio e quente, pressionando-a contra si. Puxou sua longa saia até as coxas e a fez envolver sua cintura com as pernas brancas e expostas.

Não havia qualquer vestígio de compostura em seu rosto impaciente. Era como se sua postura fosse uma máscara que ele mal conseguia manter desde o início.

Depois de lhe dar um beijo tão intenso que parecia prestes a lhe roubar o último suspiro, ele a carregou nos braços e atravessou o corredor. Vanessa olhou para o homem com a visão turva. Mesmo deitada na cama, a realidade não lhe retornou.

– Ngh…

Seus seios inchados roçavam demais contra o corpo rijo dele... Ela mal conseguiu recobrar os sentidos e empurrou seus ombros. Seus pulsos estavam presos à cama.

– Mesmo que você… faça isso, nada vai mudar…

Seus lábios se entrelaçaram novamente. Ela soltou um gemido suave.

– Ri…

Outra vez.