Tradução: Emma
Capítulo 152
— Ah, pelos céus, senhorita.
A mão quente e calejada da criada segurou com firmeza o pulso fino e pálido de Vanessa. Era como se, dado o seu temperamento, aquela fosse a única maneira que conhecia de consolar alguém, abraçá-la e chorar ao seu lado. Vanessa ofereceu-lhe um pequeno sorriso. Era tão típico de Mary.
— Primeiro, preciso ser examinada por alguém que saiba guardar segredo. Podemos estar enganadas.
— ……
— E, se acabar sendo verdade…
Vanessa deu um passo para mais perto e sussurrou. Seus olhos inocentes, cheios de fervor, encararam cautelosamente a criada.
— Se quiser fazer algo por mim — e se não for perigoso demais para você —, poderia me avisar quando meu tio deixar o escritório vazio?
O silêncio durou muito tempo. Não era hesitação. Na verdade, Vanessa teve a impressão de que Mary estava simplesmente gravando aquele momento em sua mente: o quarto onde a luz do sol se inclinava preguiçosamente, o calor pairando no ar como um resquício do verão e o centímetro de pele onde as duas se tocavam.
Os cílios de Mary tremeram enquanto ela apertava o pulso de Vanessa com força suficiente para fazê-lo arder.
— ……
Com a mão livre, Mary acariciou levemente o maxilar macio da sua senhorita. As pontas dos dedos subiram devagar, hesitando antes de tocarem cuidadosamente a curva cheia dos lábios de Vanessa. Sentindo a respiração lenta escapar por eles, Mary fechou os olhos com um leve suspiro.
Como se estivesse diante de algo profundamente lastimável e precioso.
— ……
Quando Mary abriu os olhos novamente, cada traço de emoção suave havia desaparecido de seu rosto.
— Acredito que ele tenha um compromisso com o Conde de Essex de manhã até a noite, daqui a dois dias.
— Daqui a dois dias.
— O escritório costuma ficar trancado quando ele sai. Eu sei onde a chave fica guardada. Vou ajudá-la só desta vez.
Retornando à sua expressão seca e impassível, a criada soltou lentamente o pulso dela.
— Portanto, mantenha a cabeça no lugar. Eu… Também tenho que cuidar da minha própria vida de agora em diante.
Para River Ross. Como tem passado? Provavelmente deve estar se perguntando por que estou lhe escrevendo de repente, mas, quando pensei sobre isso, percebi que nem sequer sei como entrar em contato com você. Quando terminar esta carta, talvez uma maneira milagrosa de enviá-la me ocorra. Se tudo mais falhar, suponho que possa enviá-la ao Almirantado. Em momentos como este, é um alívio que a sua posição seja garantida pelo Estado.
De qualquer forma, não sei quando ou onde você receberá isto, mas espero que esteja bem de corpo e alma. Porque parece que eu—
Vanessa, que vinha movendo a pena ociosamente, parou de repente e releu o que escrevera. O preâmbulo parecia longo demais antes de chegar ao ponto. Estava escrito em um tom excessivamente carregado, quase como um fluxo de consciência. Ela amassou o papel.
River Ross. Não se assuste ao ler isto. Acho que posso estar grávida—
Aquilo parecia focado demais na gravidez. É claro que estava pensando nisso, mas não podia simplesmente jogar o assunto principal na cara dele no momento em que abrisse a carta.
O jardim que você deixou para trás parece um tanto solitário—
…Aquilo era sentimental demais.
Devo estar enlouquecendo.
As bochechas de Vanessa ficaram vermelhas enquanto amassava o papel novamente. Soltou um gemido e encostou a testa contra a escrivaninha. Não estava no estado de espírito adequado para escrever. Até mesmo no manuscrito que enviara no dia anterior, acabará escrevendo repetidamente frases estranhas e sem sentido, apenas para se assustar e apagá-las logo depois.
Ela soltou um suspiro e endireitou a postura. Mergulhando a velha caneta-tinteiro no tinteiro, encarou uma folha de papel em branco com uma nova determinação. Do cemitério de cartas desastrosamente amassadas, Vanessa resgatou algumas frases aproveitáveis.
Caro River Ross,
Estou enviando isto para o endereço do hotel de onde me ligou da última vez. Espero que esta notícia não pese muito sobre você. Parece que estou esperando um filho. Gostaria de discutir isso com você, então espero que retorne o mais rápido possível no dia em que combinamos.
Ela ficou em dúvida se deveria acrescentar “Sua Vanessa”, mas acabou cobrindo o início do “S” com um “V”. A tinta deixou uma mancha, semelhante a uma gota, sobre a caligrafia elegante, mas ela não tinha tempo para começar de novo. Mary devia chegar em breve.
De Vanessa.
Ela segurou o papel e releu a carta inteira mentalmente. Parecia um pouco seca, mas soava como um começo decente. Pelo menos não parecia excessivamente dramática.
Dobrou a carta, colocou-a em um envelope e selou-o cuidadosamente com cera derretida. Na frente, escreveu o nome do hotel que ele mencionou de passagem durante a última ligação. Descobriria o endereço exato amanhã ou depois e pediria a Mary que a enviasse por correio expresso. Assim, a carta chegaria antes que River Ross terminasse seus negócios em Linden.
Logo agora estou grávida
Ela pousou a mão delicadamente sobre o baixo ventre plano. Honestamente, ainda não conseguia sentir nenhuma mudança física. Talvez Mary estivesse reagindo de forma exagerada.
Não terei certeza até que um médico me examine.
Vanessa massageou os ombros, tensos de tanto escrever, e reclinou-se devagar na cadeira. Como o relacionamento deles mudaria depois que River Ross recebesse aquela carta?
O pensamento fez seu coração parecer infinitamente frágil e, ainda assim, um desejo repentino surgiu dentro dela de compartilhar a notícia o mais rápido possível. Aquela sensação era certamente uma forma miserável de expectativa.
River Ross provavelmente não era o tipo de homem que ignoraria o próprio filho. Dadas as posições de ambos, seria difícil que se tornassem um casal capaz de prometer um futuro juntos, mas ela achava que ficaria feliz se ele apenas passasse algum tempo com a criança de vez em quando.
Claro, não podia tirar conclusões precipitadas antes de realmente se encontrar naquela situação.
Eu disse a ele desde o início que ele não precisaria se preocupar com a criança pelo resto da vida.
No momento em que imaginou aquele futuro, uma dor indescritível tomou conta dela. Era tarde demais para se arrepender de ter sido exigente demais em relação ao homem. Ela já havia desenvolvido uma ganância que ultrapassava todos os limites, esquecendo o seu lugar.
Disseram-lhe que a gravidez seria difícil por causa de sua constituição frágil. Por isso, calculou que precisava ter relações com frequência e regularidade para aumentar as chances. Esperava por um homem que fosse, no mínimo, adequado para compartilhar sua cama, e River Ross, que havia chamado sua atenção, acabou sendo mais do que perfeito em todos os sentidos.
Portanto, todas aquelas eram hipóteses inúteis. Mesmo que pudesse voltar naquele dia, escolheria River Ross novamente. Era impossível olhar para qualquer outra pessoa além dele, e apaixonar-se por ele fora simplesmente inevitável.
No fim, fora ela mesma quem desequilibrou a relação contratual, inicialmente justa e igualitária entre os dois. Amor — se é que alguém ousaria chamar aquilo de um problema.
— Senhorita.
A porta abriu-se sem fazer ruído. Vanessa instintivamente guardou a carta em uma gaveta. Mary entrou, atravessando rapidamente o quarto com uma expressão severa.
— A carruagem que transportava o Conde acabou de sair pelo portão principal.
Finalmente.
A tensão retornou aos ombros de Vanessa, que até então estavam suavemente relaxados. Mary enfiou a mão no bolso do avental e tirou uma chave de metal esbelta. Vanessa segurou a ponta da chave, mas Mary não a soltou. Mantendo-a firmemente entre os dedos, deu-lhe um aviso.
— Se tocar em qualquer coisa lá dentro, coloque tudo de volta exatamente como estava. Quando terminar, esconda a chave debaixo do jarro de porcelana em frente à porta do escritório. Eu passarei mais tarde e a colocarei de volta onde estava escondida.
— Muito obrigada, Mary.
As bochechas de Mary coraram involuntariamente antes que ela se recompusesse com uma expressão fria. Como se não tivesse feito nada que merecesse tamanha gratidão. Ou talvez como se estivesse traçando uma linha entre as duas.
— Tenha isto em mente. O que quer que aconteça lá dentro não tem nada a ver comigo.
Na semana anterior, Wyatt havia dispensado a maioria dos serviçais que trabalhavam no solar. Agora, apenas oito pessoas permaneciam naquela vasta mansão: dois lacaios, uma arrumadeira, Mary, o chefe, Harold, o mordomo, o senhor Ross e um motorista.
Graças a isso, o corredor estava excessivamente silencioso, apesar de ser meio-dia. Ainda assim, Vanessa avançava devagar, consciente de possíveis olhares. Parava ocasionalmente para escutar com atenção, verificando se havia qualquer sinal de presença.
— ……
Depois de olhar para a esquerda e para a direita, apressou-se a inserir a chave na fechadura do escritório. Com um leve clique, a tranca se soltou, e a espessa porta de madeira abriu-se como se estivesse sendo sugada para dentro.
