Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 146

Capítulo 146

Tradução: Emma

Capítulo 146


Vanessa observava a cena com olhos distantes.

Uma noiva feliz.

Quando tentava se imaginar naquele papel, sempre parecia algo estranhamente não natural — como algo que não se encaixava direito. E, no entanto, ali estava aquilo, existindo com tanta facilidade na realidade. De certa forma… Ela até se sentia um pouco invejosa.

— Pergunte a Harold se podemos dar uma licença especial para a Ellie. Ela acabou de se casar e mantê-la separada do marido até o fim de semana parece demais. Um par de dias de folga não vai incomodar meu tio.

— …A Ellie ficaria feliz.

Após acompanhar Ellie com o olhar por um momento, Mary pareceu se lembrar de algo e falou novamente.

— Ah, isso me lembra. O jardineiro retornou.

— Retornou?

Os olhos de Vanessa se arregalaram enquanto ela piscava rapidamente.

O jardineiro. Por um momento, ela perguntou se havia ouvido errado.

— Quem?

— O senhor River Ross. Uma carruagem chegou por volta do meio-dia e ele desceu dela. As criadas lhe ofereceram uma refeição, mas ele recusou e foi direto para os seus aposentos no jardim.

Vanessa levantou-se num pulo sem pensar. Então, percebendo o quão estranho aquilo devia ter parecido, afundou-se rapidamente de volta no assento. Seu sangue corria tão rápido que a deixava tonta, com os batimentos cardíacos martelando alto em seus ouvidos.

Apenas ouvir que ele estava lá, que ela poderia vê-lo se fosse ao roseiral agora mesmo—

Mantenha a calma. Não demonstre suas emoções. Seja composta e elegante. Era o tipo de conselho exaustivamente incutido nas damas em Saint Louis. E, como sempre, mais fácil de dizer do que de fazer.

Vanessa abanou o rosto nervosamente, mas não conseguiu suportar por mais tempo e levantou-se novamente.

— Acho que deveria descansar um pouco. O sol está quente demais…

Era praticamente apenas uma desculpa. Mas ela já não se importava com como aquilo poderia soar. Apressou-se para fora da estufa, apenas para ser parada por Mary.

— Espere um momento, senhorita.

Mary deu um passo à frente e a virou. Com mãos hábeis, amarrou novamente a fita frouxa de sua blusa. Sua expressão, de olhos baixos sob cílios calmos, não revelava nada.

Nenhuma simpatia por uma jovem dama apaixonada. Nenhum desprezo por uma mulher envolvida em escândalo. Nem mesmo o menor lampejo de julgamento.

Como se mal tivesse energia para se preocupar com qualquer coisa além de consertar o que estava fora do lugar.

— O jantar estará pronto no horário. Não se atrase.

Mary disse por fim, limpando as mãos uma na outra. Com isso, caminhou para frente.

Vanessa permaneceu ali, momentaneamente sem palavras enquanto observava a figura da criada se afastar, para logo em seguida voltar a si e seguir na direção oposta.

A princípio, forçou-se a andar devagar, atenta aos olhos alheios. Mas, assim que alcançou um caminho isolado, seu ritmo acelerou sem restrições.

O portão de ferro que levava ao jardim estava escancarado.

Diferente da versão mais sombria e soturna que imaginara enquanto o evitava, o lugar estava tão belo quanto sempre. A cada passo, o perfume das flores de verão erguia-se denso e embriagador no ar. Lavandas selvagens e rosas do final de verão cercavam aquele pequeno refúgio como uma parede viva.

Vanessa empurrou a porta do depósito sem hesitar e deu um passo para dentro.

Seus olhos não conseguiram se ajustar imediatamente à penumbra, mergulhando sua visão na escuridão. Mas ela estava cheia de expectativa demais para sequer pensar em esperar. Estendeu a mão, tateando o caminho lá dentro.

— River? Você está aqui?

Sua voz cautelosa ecoou suavemente. Por um momento, pareceu que o espaço estava vazio.

Então, passos familiares vieram.

Do outro lado, um homem emergiu, erguendo o tecido pendurado atrás de si, com a luz do sol às suas costas. Ao mesmo tempo, a escuridão que nublava sua visão recuou.

— Vanessa.

Sua expressão fria suavizou-se em um leve sorriso ao vê-la. Não era um sorriso particularmente caloroso e, ainda assim, agitou o coração dela como uma ráfaga súbita de vento.

Como se fosse atraída, Vanessa deu um passo para mais perto de River Ross. Sem perceber, estendeu a mão em direção ao belo rosto dele e roçou suavemente os dedos pela bochecha dele.

Ela precisava sentir. Saber que ele realmente estava ali.

— ….

As pontas de seus dedos tremeram ligeiramente enquanto traçavam a linha firme do queixo dele, seus lábios ordenadamente fechados, a ponte suave de seu nariz, os contornos afiados de seus olhos.

River Ross soltou uma risada silenciosa, parecida com um suspiro, e inclinou a cabeça só mais um pouco ao toque dela.

Como se estivesse fazendo a vontade dela como uma fera domada. Embora seus olhos fossem tudo, menos gentis.

— Você está ficando audaciosa agora, tocando-me tão livremente sem sequer um traço de medo.