Tradução: Emma
Capítulo 145
Após três dias mantendo absoluto silêncio a respeito do escândalo, o fervor dos repórteres finalmente começou a esmorecer. Comparado à previsão de Benjamin Dawson de que levaria pelo menos duas semanas, o interesse do público parecia estar esfriando surpreendentemente rápido.
Como se alguém os tivesse varrido todos para fora dos olhos do público de uma só vez.
Apesar do frenesi provocado pelas folhas de fofocas, a imprensa mais conceituada havia evitado em grande parte sensacionalizar o assunto, e isso fez toda a diferença.
Com a atenção se dissipando, os últimos dias tinham sido relativamente pacíficos.
E, desde que ouvira que River Ross retornaria, ela até se pegara se sentindo… Estranhamente à vontade.
— Senhorita, aqui está.
— Obrigada, Mary.
Vanessa puxou para mais perto de si o prato que Mary havia pousado.
Estava cheio de frutas cortadas em pedaços organizados — pêssegos, morangos de verão, amoras — e um par de pedaços de chocolate dispostos entre elas.
Mary encheu o copo meio vazio de suco de maçã e ergueu uma sobrancelha.
— Eu trouxe porque a senhorita pediu… Mas realmente deveria fazer refeições de verdade agora. Está quente, eu sei, mas a senhorita não pode viver de coisas como essa.
Desde a cerimônia de partida, Mary se tornará notavelmente mais calma e silenciosa. Mas, sempre que repreendia Vanessa, aquele antigo tom afiado de sua personalidade ressurgia sem falta.
Estranhamente, era nesses momentos de franqueza que sua humanidade mais se mostrava. E agora, até mesmo aquele tênue calor parecia precioso. Afinal, Mary era a única que restava naquela propriedade que ainda parecia se importar com ela.
Vanessa sorriu gentilmente e assentiu.
— Suponho que estive apenas com a cabeça cheia. Não vou pular o jantar hoje à noite.
Não era inteiramente mentira.
Ultimamente, comer vinha sendo difícil. Ela sabia que precisava se alimentar bem para suportar esse período difícil, mas, sempre que baixava a guarda, sua mão desviava em direção aos doces — chocolates, doces, biscoitos recheados de geleia.
Ela sempre perdera o apetite no calor extremo, mas este verão parecia particularmente severo. Mesmo quando estava sentada e quieta, uma onda súbita de calor subia por seu corpo.
Às vezes, sentia tonturas — como se estivesse enjoada pelo mar, apesar de pisar firmemente em terra firme. Suor frio brotava sem razão alguma. Ela nunca fora particularmente forte para começo de conversa, então talvez fossem apenas as recentes mudanças de temperatura…
— …A senhorita tem ficado bastante na estufa ultimamente.
— Hm?
— O senhor Ross estava preocupado que algo pudesse ter acontecido com a senhorita. Ele disse que você mudou muito em comparação a quando voltou pela primeira vez após se formar. Naquela época, a senhorita estava sempre no roseiral, na biblioteca ou na sala de estar oeste.
A mão de Vanessa congelou, pairando sobre o chocolate em seu prato.
Mary não estava errada. Ultimamente, Vanessa vinha se mantendo deliberadamente distante do roseiral, passando todo o seu tempo na estufa.
Claro que “passar o tempo” significava simplesmente ficar enclausurada na propriedade, trabalhando em pilhas de textos. No início, fizera isso para evitar os repórteres.
Mas, com o passar do tempo, pegou-se genuinamente relutante em retornar ao roseiral. Talvez… Estivesse simplesmente com medo de encarar aquele lugar sem River Ross lá.
— Eu só… Não estive com vontade de ir.
Vanessa baixou o olhar, tentando soar casual, movendo o chocolate devagar contra a língua enquanto falava.
— Ninguém esteve cuidando de lá, então a relva cresceu selvagem de novo. E há mais insetos agora.
— O senhor Ross esteve terrivelmente ocupado. Até mesmo cuidar de apenas uma estufa exige muito esforço, e ele é responsável por três jardins. É natural que não tenha tido tempo para cuidar do roseiral — especialmente por ser tão fora do seu caminho.
— É por isso que sempre gostei de lá. Sempre que eu estava lá, tudo parecia quieto… Até os meus pensamentos.
Após uma breve pausa, Vanessa acrescentou com uma voz mais suave:
— E agora… Acho que só quero ouvir alguém conversando ao meu lado.
Ouvir as criadas tagarelando a lembrava dos dias em que costumava conversar sem fim com Rosalind sem preocupações, sem rumores maliciosos ou escândalos. Exatamente como quando ainda era uma estudante em St. Louis.
Vanessa soltou uma risada fraca, parecida com um suspiro. Talvez, de tudo o que acontecera… Essa fosse a parte mais difícil.
Que Rosalind e Blair não estivessem mais ao seu lado.
Nesse preciso momento, risadas ecoaram através da porta aberta da estufa. Parecia que Ellie, a criada que havia comparecido à sua cerimônia de casamento na Catedral de Bath naquela manhã, acabara de retornar.
Suas bochechas estavam coradas de felicidade enquanto ela distribuía braçadas de flores brancas para as outras.
