Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 144

Capítulo 144

Tradução: Emma

Capítulo 144


— Não creio que essa seja uma questão com a qual a senhorita deva se preocupar, Senhorita Morton.

— O senhor vai precisar de um escudo.

A palavra o fez parar. Um escudo.

Theodore estava prestes a chamar um serviçal para fazê-la ser retirada, mas conteve-se.

— Esse escândalo é sórdido demais para uma mulher solteira carregar. Se continuar assim, ninguém irá querer ter qualquer relação com ela. Ela será completamente banida da sociedade.

— ….

— Um simples caso com um plebeu teria sido melhor. Mas rumores de que ela vendeu o próprio corpo por dinheiro… Não importa para o que estivesse preparada, isso é muito pior. Jornais, revistas, cada encontro social — ela será despedaçada como uma espécie de bruxa monstruosa. Quantas pessoas o senhor acha que conseguiriam suportar isso sem quebrar?

— A senhorita exagera.

— Se a senhorita Vanessa estivesse prestes a se tornar uma duquesa, eles relutantemente fingiriam aceitá-la… Mas diga-me — o senhor pretende se aliar a Somerset? Com aquela família?

Hayley ergueu o canto dos lábios, como se já soubesse a resposta.

— Não há razão para suportar perdas desnecessárias. O senhor já calculou isso, não calculou?

— ….

— Há apenas uma maneira de restaurar a reputação da senhorita Vanessa. Convencer a todos de que o escândalo não passa de uma mentira maliciosa. Um anúncio de noivado seria suficiente. Ajudaria ainda mais se parecêssemos… Profundamente apaixonados.

— A senhorita acha que eu me casaria para proteger a reputação daquela mulher?

— Se os seus sentimentos fossem sinceros o suficiente para dar a ela a “Lágrima da Sereia”, então sim.

— Por que precisa ser a senhorita?

— O senhor não terá escolha a não ser me escolher.

Ela puxou o copo de conhaque para si sem a menor hesitação.

— Eu não me importo com quem o senhor tome como amante.

— Isso é porque a senhorita ama o Edgar, não é mesmo?

Pela primeira vez, a expressão composta de Hayley Morton vacilou. A confiança que ela ostentava como uma máscara deslizou, revelando algo muito mais frágil por baixo. Seu olhar baixou, algo que Theodore nunca tinha visto antes nela.

— …Amor é um luxo. Eu quero uma posição mais elevada. E quero que issso dure para sempre.

— ….

— Ouvi dizer que o senhor é infértil.

Theodore ergueu o copo preguiçosamente.

Esse rumor há muito circulava na alta sociedade. Um duque de vinte e três anos, ainda sem noiva, então tais cochichos eram inevitáveis.

O que poucos sabiam era que ele próprio o havia espalhado.

Uma desculpa conveniente para silenciar as exigências de sua avó, evitar um casamento real e cortar a amaldiçoada linhagem Battenberg que herdara de seus pais detestáveis.

Apesar da severidade do rumor, as coisas não tinham saído inteiramente como planejado. Mas agora, havia pelo menos um resultado que se alinhava perfeitamente com seus interesses.

Uma maneira de encerrar a linhagem legal e silenciosamente.

— O senhor só precisa de um filho meu. Isso é tudo o que terá de suportar. Como Edgar é seu primo, a linhagem nem sequer será diluída.

Era um cálculo tão preciso que chegava a ser risível.

— Depois disso, não irei interferir com quem quer que o senhor escolha, onde quer que vá. Posso viver silenciosamente em uma propriedade no campo, uma duquesa apenas em nome. Ou posso proteger sua amada amante da crueldade da sociedade… Farei qualquer coisa. Desde que conceda o nome Battenberg à criança que eu gerar — a criança de Edgar.

Seu olhar aguçou-se novamente ao fixar-se nele.

— E esse se tornará o escudo mais confiável para proteger a senhorita Vanessa pelo resto da sua vida.



À medida que o verão se aproximava do fim, o calor não se dissipava. Tornava-se mais feroz, mais implacável.

O frescor pairava apenas brevemente no início das manhãs e nas madrugadas. Ao meio-dia, o sol abrasador derramava-se sobre os jardins exuberantes de Gloucester. Era o tipo de dia em que o suor brotava mesmo sem se fazer absolutamente nada.

Vanessa encostou a bochecha na mesa redonda de madeira, tomando lentamente suco de maçã gelado.

Estarei de volta logo.

Era uma voz que ela não ouvia há muito tempo de River Ross. Só então seu coração voltou a bater, ela pôde respirar. Só então sentiu o ar pesado e úmido do verão.

Por que uma frase tão simples significava tanto?