Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 141

Capítulo 141

Tradução: Emma

Capítulo 141


Por um momento, Louise pareceu nem sequer processar o que acabara de ouvir. O sorriso radiante que estampava o rosto enquanto contemplava o filho congelou. Então, num instante, toda a cor desapareceu de sua face, deixando-a pálida a ponto de inspirar pena.

— Blair… Acho que bebi demais.

Com o olhar desfocado, ela estendeu a mão e acariciou a bochecha e os cabelos dele, como se precisasse confirmar que ele era real. Em seguida, soltou uma risada clara e ressonante. Como uma bêbada tentando escapar da realidade, seus lábios trêmulos, que momentos antes pareciam prestes a lançar maldições, curvaram-se em um sorriso cuidadosamente composto.

— Devo ter cochilado por um instante. Estou até ouvindo coisas…

— Pretendo pedir Vanessa em casamento assim que romper meu noivado com Cece.

— Eu realmente deveria…Parar de beber de vez…

— Vim para lhe contar isso. A senhora tem o direito de saber.

O sorriso desapareceu lentamente dos lábios que murmuravam como se ela sequer estivesse o ouvindo. Em seu lugar surgiram o choque, a raiva, o desprezo… E algo afiado, quase cruel.

Seus olhos se arregalaram como se estivessem diante de algo absolutamente inconcebível.

— Vou resolver o noivado com a família Bronte ao longo desta semana. Imagino que a senhora não vá querer me ver por algum tempo, então ficarei na propriedade do sul — Aquela preparada para o meu casamento. Assim que tudo estiver resolvido, partiremos para Nord.

— Blair!

O grito estridente rasgou o ar como um trovão. Com os punhos cerrados, ela golpeou repetidas vezes o peito e os ombros do filho, tremendo de fúria.

— Você tem ideia de como eu o criei? Do que suportei… Por você?!

— Então são boas notícias. A senhora não precisará mais suportar nada.

— Você acha que será perdoado por isso? Por tratar a própria mãe dessa maneira? Por causa de uma garota insignificante… Como pôde?!

— O nome dela é Vanessa. Não "uma garota insignificante".

Blair segurou os pulsos de Louise e os abaixou com firmeza. Seu rosto estava frio; sua voz, mais fria ainda.

— E ela é a única filha da amiga que a senhora mais estimou em toda a vida.

— Blair Fabian Winchester!

— Se a senhora não me considera mais seu filho, isso não faz diferença para mim. Não vim pedir permissão.

Louise levou uma mão pálida à testa.

— Blair… Por favor…

— Pretendo me casar com Vanessa no início do próximo ano. Até lá, permanecerei no sul. Se algum dia a senhora decidir nos abençoar, será muito bem-vinda. Nós a receberemos com carinho.

Os lábios trêmulos dela se retorceram em um sorriso estranho, tingido de amargura.

— E ela está disposta a se casar com você? Por vontade própria?

— A mente das pessoas pode mudar a qualquer momento. Principalmente agora, quando a tão preciosa posição dela está prestes a desmoronar por completo.

Louise o encarou, atônita, como se tivesse acabado de receber um golpe. Seu olhar vazio parecia à beira de um abismo sem fundo.

— …Foi você? Aquele boato sórdido…

Blair inspirou profundamente, engolindo o gosto amargo que subia pela garganta. A expressão dela, como se aquilo fosse uma revelação chocante, arrancou dele uma risada baixa.

Tivessem eles arquitetado, incentivado ou apenas assistido de camarote, a situação miserável de Vanessa era, na verdade, fruto da ação conjunta de três homens.

Todos haviam desempenhado seu papel.

Para usar aquela pobre garota da forma mais conveniente. Ou para empurrá-la até o desespero, até que não lhe restasse alternativa senão segurar a mão de um deles.

"Tudo o que o jovem lorde precisa confirmar era uma coisa…"

Como era mesmo o rosto daquele repórter?

"Se ele viu o Duque perto de Gloucester. Ou se testemunhou a jovem encontrando-se com o Duque alguma vez."

Não era preciso inventar nada. Bastaria um único aceno afirmativo.

Ao ler a resposta na expressão impassível de Blair, Louise soltou uma risada vazia. Suas mãos tatearam desesperadamente a mesa em busca de álcool.

Por fim, encontrou uma garrafa de vinho ainda pela metade. Tentou arrancar a rolha frouxa, mas seus movimentos eram desajeitados, típicos de uma bêbada. Depois de várias tentativas frustradas, sua respiração tornou-se irregular.

Blair deu um passo à frente para tirar a garrafa de suas mãos…

— Então eu prefiro…!

Crash. Com um grito que mais parecia um lamento, Louise arremessou a garrafa contra a parede com toda a força. O vidro explodiu em estilhaços, espalhando vinho por toda parte.

— Então eu prefiro…

Sangue escorria por seu tornozelo pálido, onde alguns cacos haviam rasgado sua pele.

Oscilando em direção ao filho, com os olhos vermelhos, desfocados e vazios, como se já nem tivesse consciência das próprias palavras, Louise agarrou o colarinho dele com mãos trêmulas.

— Então me mate primeiro… Mate a sua própria mãe…

— Estou cansado desta discussão.

Blair afastou as mãos dela com frieza, como quem apenas ajeitava as próprias roupas.

— Alguma vez eu realmente desafiei a senhora? Por que não consegue entender que isso é importante para mim?

— Qualquer mulher, menos ela!

O grito estridente voltou a rasgar o ambiente.

Naquele breve instante de hesitação, Louise aproveitou a oportunidade. Segurou a mão grande do filho e a pressionou contra o próprio rosto banhado em lágrimas.

— Traga qualquer mulher deste mundo, menos ela… Blair, por favor… Você precisa confiar na sua mãe…

— Eu não consigo entender por que a senhora odeia tanto a Vanessa.

Louise ergueu os olhos cheios de lágrimas e o encarou diretamente.