Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 140

Capítulo 140

Tradução: Emma

Capítulo 140


— Quanto a mim, estou perfeitamente bem. Saudável como sempre. Mas e você? O Logan disse que você passou por alguns problemas.

— Passei por alguns dias bastante perturbadores, mas nada grave demais. Embora repórteres desconhecidos continuem rondando Gloucester.

— Essas folhas de fofocas implacáveis não vão se aquietar por pelo menos duas semanas. Não temos tempo, então vou direto ao ponto.

— E-espere um momento.

Tentando acalmar os nervos, Vanessa prendeu o telefone entre a bochecha e o ombro e serviu-se de um copo d'água. Como se percebesse o estado dela, Benjamin Dawson esperou em silêncio.

— Tudo bem… por favor, prossiga.

— Eu investiguei aquela pintura que você mencionou…

Ele colocou uma ênfase incomum na palavra “pintura".

— De fato, há indícios que coincidem com o que você descreveu. Claro, é cedo demais para tirar conclusões, mas… Por enquanto, a suspeita que você levantou parece bastante plausível.

Vanessa mordeu o lábio inferior.

Uma pintura. Evidências sugestivas.

Só poderia significar uma coisa: o testamento poderia ter sido forjado. E, se isso fosse verdade… Significava que alguém havia interferido indevidamente na morte de seus pais.

— Calma. Respire, criança…

No momento em que um rosto emergiu em sua mente — alguém que tinha mais a ganhar com a morte de seus pais —, sua visão escureceu.

Agarrando a borda da mesa, Vanessa lutou para se manter de pé.

— Isso é… Realmente verdade?

— No meu julgamento, sim. Para ter certeza, precisaríamos prosseguir por meios… Oficiais, mas acessar isso não será fácil. Parece que eles também estão sendo cautelosos do lado deles.

Ele interrompeu a frase de propósito.

Pelo contexto, parecia se referir a procedimentos legais — talvez uma ordem judicial ou um pedido formal de divulgação de documentos. Ficava claro que ele falava considerando a possibilidade de a ligação estar sendo monitorada.

— Então, em vez disso, será melhor nos encontrarmos pessoalmente. O pintor disse que quer vê-la antes de decidir se vende a obra. Teremos que discutir o preço cara a cara; isso não é algo para se conversar pelo telefone.

— Eu irei até o senhor. Onde devo encontrá-lo?

— Estarei em Bath na próxima semana. Podemos nos encontrar brevemente lá.

Houve um leve farfalhar de papel, como se ele estivesse consultando sua agenda.

— Você tem papel e caneta por perto?

— Sim, bem aqui ao meu lado.

— Vou lhe passar o endereço. Está pronta?

Vanessa mergulhou a pena no tinteiro e inclinou-se sobre a mesa.

— Sim.

— Welder Tea House, Bloco 4, Rua Roderick, nº 17, sala 203. Às três da tarde. E Vanessa…

A voz dele tornou-se firme, carregada de advertência.

— Se você pretende comprar a pintura, precisa vir sozinha.



Apesar de ser meio-dia, nem um único raio de luz penetrava no quarto.

Cortinas de um verde-escuro intenso cobriam todas as janelas, arrastando-se até o chão. A única iluminação vinha de algumas velas de incenso quase completamente consumidas.

Blair encarou a cena, atônito.

Em sua memória, aquele sempre fora um cômodo refinado e elegante. Agora, porém…

Em vez de xícaras de chá, a mesa estava tomada por copos cheios de bebida alcoólica, enquanto garrafas de vinho vazias — ou pela metade — encontravam-se espalhadas pelo chão. Uma garrafa de conhaque rolou até seus pés, e Blair a deteve com a ponta do sapato.

Ao som discreto, a mulher estirada na espreguiçadeira soltou um grito áspero.

— Eu já disse… Para não me incomodar!

Reprimindo um suspiro, Blair deu um passo à frente.

— Sou eu, Mamãe.

— …Blair?

Ao reconhecer a voz do filho, Louise ergueu-se às pressas, ainda atordoada, tentando recompor a própria aparência desalinhada.

Com os olhos fundos, Blair encarou a mãe, que exalava um forte cheiro de álcool.

— Meu Deus… É você mesmo?

Os olhos dela, avermelhados pela bebida, brilhavam com lágrimas contidas.

— Você deveria ter… Me avisado que viria. Eu… Nem percebi que era você…

— Quando foi que a senhora começou a beber?

— Eu não sei. Só… Um pouco. Eu me senti… Melhor…

— E o Papai?

— Ele… Provavelmente chegou em casa ao amanhecer de hoje. Não, espere… Não foi isso… Ele disse que tinha negócios em Amiens. Ou foi ontem? Talvez há três dias… Alguma coisa sobre a fábrica…

Louise forçou um sorriso enquanto fitava o filho.

— Então… Você vai ficar aqui por um tempo? Seria melhor permanecer em casa até o casamento, não acha? Sim… Deveríamos chamar a Cece amanhã de manhã e…

— Não.

Blair afastou gentilmente, mas com firmeza, a mão pálida dela de seu braço.

— Vou romper meu noivado com a Cece, Mamãe.