Tradução: Emma
Capítulo 140
— Quanto a mim, estou perfeitamente bem. Saudável como sempre. Mas e você? O Logan disse que você passou por alguns problemas.
— Passei por alguns dias bastante perturbadores, mas nada grave demais. Embora repórteres desconhecidos continuem rondando Gloucester.
— Essas folhas de fofocas implacáveis não vão se aquietar por pelo menos duas semanas. Não temos tempo, então vou direto ao ponto.
— E-espere um momento.
Tentando acalmar os nervos, Vanessa prendeu o telefone entre a bochecha e o ombro e serviu-se de um copo d'água. Como se percebesse o estado dela, Benjamin Dawson esperou em silêncio.
— Tudo bem… por favor, prossiga.
— Eu investiguei aquela pintura que você mencionou…
Ele colocou uma ênfase incomum na palavra “pintura".
— De fato, há indícios que coincidem com o que você descreveu. Claro, é cedo demais para tirar conclusões, mas… Por enquanto, a suspeita que você levantou parece bastante plausível.
Vanessa mordeu o lábio inferior.
Uma pintura. Evidências sugestivas.
Só poderia significar uma coisa: o testamento poderia ter sido forjado. E, se isso fosse verdade… Significava que alguém havia interferido indevidamente na morte de seus pais.
— Calma. Respire, criança…
No momento em que um rosto emergiu em sua mente — alguém que tinha mais a ganhar com a morte de seus pais —, sua visão escureceu.
Agarrando a borda da mesa, Vanessa lutou para se manter de pé.
— Isso é… Realmente verdade?
— No meu julgamento, sim. Para ter certeza, precisaríamos prosseguir por meios… Oficiais, mas acessar isso não será fácil. Parece que eles também estão sendo cautelosos do lado deles.
Ele interrompeu a frase de propósito.
Pelo contexto, parecia se referir a procedimentos legais — talvez uma ordem judicial ou um pedido formal de divulgação de documentos. Ficava claro que ele falava considerando a possibilidade de a ligação estar sendo monitorada.
— Então, em vez disso, será melhor nos encontrarmos pessoalmente. O pintor disse que quer vê-la antes de decidir se vende a obra. Teremos que discutir o preço cara a cara; isso não é algo para se conversar pelo telefone.
— Eu irei até o senhor. Onde devo encontrá-lo?
— Estarei em Bath na próxima semana. Podemos nos encontrar brevemente lá.
Houve um leve farfalhar de papel, como se ele estivesse consultando sua agenda.
— Você tem papel e caneta por perto?
— Sim, bem aqui ao meu lado.
— Vou lhe passar o endereço. Está pronta?
Vanessa mergulhou a pena no tinteiro e inclinou-se sobre a mesa.
— Sim.
— Welder Tea House, Bloco 4, Rua Roderick, nº 17, sala 203. Às três da tarde. E Vanessa…
A voz dele tornou-se firme, carregada de advertência.
— Se você pretende comprar a pintura, precisa vir sozinha.
Apesar de ser meio-dia, nem um único raio de luz penetrava no quarto.
Cortinas de um verde-escuro intenso cobriam todas as janelas, arrastando-se até o chão. A única iluminação vinha de algumas velas de incenso quase completamente consumidas.
Blair encarou a cena, atônito.
Em sua memória, aquele sempre fora um cômodo refinado e elegante. Agora, porém…
Em vez de xícaras de chá, a mesa estava tomada por copos cheios de bebida alcoólica, enquanto garrafas de vinho vazias — ou pela metade — encontravam-se espalhadas pelo chão. Uma garrafa de conhaque rolou até seus pés, e Blair a deteve com a ponta do sapato.
Ao som discreto, a mulher estirada na espreguiçadeira soltou um grito áspero.
— Eu já disse… Para não me incomodar!
Reprimindo um suspiro, Blair deu um passo à frente.
— Sou eu, Mamãe.
— …Blair?
Ao reconhecer a voz do filho, Louise ergueu-se às pressas, ainda atordoada, tentando recompor a própria aparência desalinhada.
Com os olhos fundos, Blair encarou a mãe, que exalava um forte cheiro de álcool.
— Meu Deus… É você mesmo?
Os olhos dela, avermelhados pela bebida, brilhavam com lágrimas contidas.
— Você deveria ter… Me avisado que viria. Eu… Nem percebi que era você…
— Quando foi que a senhora começou a beber?
— Eu não sei. Só… Um pouco. Eu me senti… Melhor…
— E o Papai?
— Ele… Provavelmente chegou em casa ao amanhecer de hoje. Não, espere… Não foi isso… Ele disse que tinha negócios em Amiens. Ou foi ontem? Talvez há três dias… Alguma coisa sobre a fábrica…
Louise forçou um sorriso enquanto fitava o filho.
— Então… Você vai ficar aqui por um tempo? Seria melhor permanecer em casa até o casamento, não acha? Sim… Deveríamos chamar a Cece amanhã de manhã e…
— Não.
Blair afastou gentilmente, mas com firmeza, a mão pálida dela de seu braço.
— Vou romper meu noivado com a Cece, Mamãe.
