Tradução: Emma
Capítulo 137
— Bem, aparentemente alguém neste navio afirma ter visto o Duque de Battenberg!
Apesar da declaração dramática, os olhos de Rosalind não demonstravam qualquer entusiasmo. Sua voz soava quase artificialmente animada, enquanto seu olhar permanecia assustadoramente sereno.
Para qualquer observador, seria impossível acreditar que ela era a mesma jovem encantadora que, instantes antes, acenava com as bochechas coradas de animação.
Essa estranha dissonância fez Vanessa hesitar por um breve momento.
— Dizem que a pessoa que espalhou o boato viu o Duque de perto várias vezes. Ela jura que ele embarcou usando um uniforme comum da marinha, exatamente igual ao dos marinheiros.
— Um uniforme comum? Nem mesmo o de um oficial? Por que um Duque iria tão longe?
— Existem várias teorias. Alguns dizem que é para conspirar com o Primeiro-Ministro, outros acreditam que seja apenas por negócios… E há até quem afirme que…
— Shh, Rosalind. As pessoas podem ouvir.
Rosalind, que enumerava as possibilidades nos dedos com um entusiasmo crescente, interrompeu-se e soltou uma risada clara e sonora.
Observando-a com mais atenção, Vanessa percebeu que o rubor em seu rosto não vinha da alegria ou da empolgação, mas da irritação e da raiva.
Como se tivesse acabado de sofrer uma humilhação terrível.
A imagem daquele sorriso cuidadosamente mantido tremendo, prestes a desmoronar, permaneceu gravada na memória de Vanessa, mesmo uma semana depois.
— Vanessa. Você não está curiosa para saber qual é a última teoria?
Vanessa já não conseguia lembrar exatamente como responderá.
Naquele exato instante, o sol começara a surgir no horizonte, e todos os presentes no convés romperam em exclamações de admiração.
Em meio àquela agitação, era difícil prestar atenção a qualquer conversa, principalmente a uma pela qual não tinha verdadeiro interesse.
Percebendo sua indiferença, Rosalind inclinou levemente a cabeça e perguntou, curiosa:
— Você realmente não parece interessada no Duque.
— Claro que não… Eu nem sequer o conheço. Seja lá o que ele tenha feito, isso não tem nada a ver comigo.
Diante da resposta direta, Rosalind ficou olhando para ela por um instante antes de soltar uma breve risada vazia.
A tensão em seu rosto começou a desaparecer lentamente, dando lugar a um visível alívio, como se toda a raiva e a mágoa de momentos antes tivessem simplesmente evaporado.
— Você tem razão. Não vale a pena se importar com alguém assim.
Na época, Vanessa apenas achou aquela mudança de humor da amiga curiosamente encantadora.
Ela sabia que Rosalind não era o tipo de pessoa que espalhava boatos sem fundamento, mas estava preocupada demais com seus próprios problemas para refletir mais profundamente sobre aquilo.
É claro que, mesmo que tivesse percebido algo naquele momento, nada teria mudado.
Ainda assim… Talvez pudesse ter consolado melhor a amiga.
Rosalind havia ido enfrentar sua própria indignação em nome de Vanessa, sem jamais deixar que ela transparecesse em seu rosto diante dela.
[Últimas Notícias! Duque B Investe Pesadamente no Sul — O Preço: Uma Mulher?]
Os dedos de Vanessa apertaram com força o jornal barato de um centavo.
[…espera-se que o Duque B participe ativamente da criação daquele que promete ser o maior hipódromo da região sul. A iniciativa contrasta fortemente com seu histórico de investimentos. Embora seja oficialmente apresentada como um esforço para promover o desenvolvimento equilibrado da região, nossa investigação aponta para um acordo secreto com o Conde E. O preço, segundo rumores, seria a Senhorita V, sobrinha de seu sócio comercial — uma jovem pertencente a uma família de prestígio que recentemente alcançou a maioridade…]
O artigo prosseguia por várias colunas, mas a maior parte do conteúdo era exagerada ou completamente inventada.
Ainda assim, ao ocultar os nomes por meio de iniciais — B, V e outras —, a história adquiria uma aparência suficientemente plausível.
É claro que aquela matéria não fora publicada em jornais respeitados, como O Ingrian ou O Diário de Linden.
Mesmo assim, às vezes uma única manchete desses tabloides de fofocas — os preferidos das criadas — exercia uma influência muito maior do que qualquer jornal de prestígio.
Bastava observar a maneira diferente como os empregados da casa haviam começado a tratá-la.
Eles realmente acreditam no que está escrito neste pasquim.
Vanessa dobrou o tabloide e o colocou sobre a pilha cada vez maior de publicações.
Semanários femininos, revistas mensais e jornais de fofoca. Ao todo, quatorze exemplares.
Como raios as coisas haviam saído tanto do controle?
