Tradução: Emma
Capítulo 136
— Se algo tão desgraçado quanto uma guerra realmente está por vir, então é mais um motivo para aproveitar a noite. Podemos deixar a nação nas mãos dos nossos bravos oficiais da marinha.
— Senhores e senhoras, antes que o bombardeio comece, vamos tomar mais um copo de conhaque?
A sugestão desencadeou uma explosão de risadas barulhentas. Entre os convidados que se misturavam e trocavam piadas fúteis, havia um bom número de oficiais da marinha também.
Vanessa, abrindo caminho ansiosamente pela multidão em busca de Rosalind, parou bruscamente ao avistar costas familiares.
Um oficial de cabelos escuros, com o quepe da marinha puxado para baixo.
Por um instante aterrorizante, pensou ter realmente encontrado River Ross, e seu coração deu um salto violento. Mas, quase imediatamente, percebeu que havia confundido um completo estranho com ele.
O porte, o rosto, até a voz — Tudo era diferente. Como conseguira confundi-lo com River Ross, nem que fosse por um segundo?
O que há de errado comigo?
Ela só recuperou totalmente os sentidos depois de cruzar, por acaso, o olhar de outro oficial várias vezes seguidas. Assustada, Vanessa abaixou rapidamente os olhos.
— A senhorita está bem?
Ela acabara de apoiar a mão no corrimão e estabilizar a respiração quando uma sombra caiu sobre ela.
Um dos oficiais com quem trocara olhares momentos antes agora estava parado diretamente à sua frente, bloqueando seu caminho.
Vanessa ajustou nervosamente a fita do chapéu, tentando esconder a expressão desconcertada.
— Não é nada.
— Mas me pareceu que estávamos nos encarando o tempo todo. Estou enganado?
— Eu estava procurando por alguém. Ele também é oficial da marinha, então acabei olhando várias vezes. Peço desculpas se o deixei desconfortável.
— Se está procurando alguém, talvez eu possa ajudar. Senhorita…
— Vanessa. Vanessa Siren Somerset.
A expressão que atravessou o rosto do homem foi de puro choque.
Vanessa quis observá-la melhor, mas ele mascarou a reação quase instantaneamente. Endireitou a postura de repente e lhe prestou uma continência tão excessivamente formal que a deixou surpresa.
— …Parece que cometi uma grave indelicadeza.
Depois disso, encontrou mais dois oficiais que reagiram de forma assustadoramente semelhante. Aproximavam-se dela com evidente interesse, mas, assim que ouviam seu nome, recuavam sem jeito, exibindo expressões confusas.
— Senhorita Vanessa?
Vanessa virou-se bruscamente ao ouvir seu nome.
— …?
Teria imaginado aquilo? Na direção de onde a voz parecera vir havia apenas cavalheiros e damas desconhecidos.
Ela hesitou por um instante antes de voltar a caminhar, mas, de repente, um homem atravessou a multidão e bloqueou seu caminho.
— Por favor, espere um momento. Estou procurando pela senhorita a noite inteira.
— …Por mim?
— A senhorita poderia me conceder alguns minutos? Em vez de conversarmos aqui, talvez possamos nos sentar em algum lugar mais reservado e tomar um chá.
Vanessa o encarou com crescente desconfiança.
O que exatamente estava acontecendo? Pela maneira como falava, aquele homem claramente estava procurando especificamente por ela.
— Sinto muito, mas terei de recusar. Meus acompanhantes estão me esperando.
— Levará apenas um instante. Ah, e ainda não me apresentei. Não sou uma pessoa suspeita. Sou repórter de uma revista…
— Vanessa! Aqui!
Bem quando a insistência do homem fazia o rosto de Vanessa perder lentamente a cor, uma voz vibrante ecoou por entre a multidão.
Uma jovem acenava energicamente enquanto chamava seu nome. Era Rosalind.
— Rosalind!
No instante em que a viu se aproximar, Vanessa foi tomada pelo alívio.
Rosalind parou bem diante dela, ignorando quase completamente o homem. Suas bochechas estavam coradas de entusiasmo e, pela aparência, era evidente que estivera aproveitando intensamente a festa a bordo do navio.
— Procurei você por toda parte. Venha para o convés da frente. A Mary também está lá.
Sem sequer lançar um olhar ao homem, Rosalind segurou firmemente o braço de Vanessa e a puxou consigo. Ainda perplexa, Vanessa fez um pequeno aceno de desculpas ao estranho antes de segui-la.
Era um comportamento incomumente rude para Rosalind.
— Continue olhando para a frente, Vanessa. Não faça contato visual com ninguém.
— O que, em nome de Deus, está acontecendo?
— Está me perguntando? Onde você esteve a noite toda? Ethan e eu procuramos você por todos os cantos.
— Você esteve com Ethan esse tempo todo?
— Tínhamos muito assunto para colocar em dia e acabamos conversando por horas. Depois, Mary nos disse que havia desaparecido, e passamos as últimas horas te procurando…
Rosalind respondeu automaticamente, mas logo franziu o nariz, como se percebesse que aquilo não era o mais importante naquele momento.
— Ethan foi buscar bebidas. Eu subi ao convés para descansar um pouco e, por acaso, a vi. Sorria, Vanessa.
Ao ouvir a ordem, Vanessa sorriu por reflexo. Rosalind imediatamente retribuiu com um sorriso exageradamente alegre e a abraçou por um breve instante.
Mas as palavras que sussurrou diretamente no ouvido de Vanessa soaram muito mais como uma repreensão.
— Onde diabos esteve? Mary disse que não conseguia encontrá-la, que a cabine precisava de reparos de repente e, pelo visto, você não deixou sequer um recado para mim…
— Rosalind.
— Você não pode simplesmente desaparecer sem dizer nada. Sabe o quanto fiquei preocupada?
— Sinto muito. Ontem eu só estava… Um pouco sobrecarregada…
Rosalind permaneceu em silêncio por um momento, encarando a desculpa desajeitada de Vanessa. Por fim, soltou um longo suspiro.
— Bem, agora que sei que você está viva, suponho que isso já seja suficiente.
Então seus lábios se curvaram em um sorriso travesso.
— Embora, sinceramente, seja um pouco decepcionante. Um rumor muito interessante começou a circular enquanto você estava fora.
— Um rumor interessante?
Rosalind assentiu. Em seguida, com os olhos brilhando de excitação, encarou Vanessa diretamente.
