Tradução: Amme
Capítulo 132
Toda vez que ela entreabria os lábios para falar, o ar entre eles tremia suavemente. Cada um dos sentidos de Theodore se estreitaram, focados especialmente naquela mulher diante de si.
A mão que vinha acariciando a bochecha suave de Vanessa deslizou lentamente até sua garganta, fechando-se ao redor com uma pressão quase possessiva.
Sob a palma da sua mão, sentiu o pulsar de seu coração, descontroladamente rápido — como sempre acontecia sempre que ele a tocava.
Ela jamais conseguia esconder nada dele direito. Era o tipo de mulher que mal reagiria se ele decidisse apertar sua palma ao redor de sua garganta com mais força agora mesmo.
E, apesar dessa fragilidade, ela confiava nas pessoas de forma imprudente. Nunca hesitava em se lançar a qualquer coisa que acreditasse ser certa, como se a própria vida não tivesse valor algum que merecesse ser pesado em sua balança antes de tomar a decisão.
Se ele estava verdadeiramente bravo, então este era o motivo. Não os rumores absurdos em torno de Logan Dawson. Mas a disposição tola dela de se arriscar por coisas triviais.
Sua ingenuidade em enviar cartas a empresas envolvidas com gangues, sem sequer perceber o perigo. Sua suavidade — como um animal recém-nascido, sem garras para se defender.
— Ah...
A respiração de Vanessa acelerou. Como se ela tivesse se lembrado das vezes em que ele a prendera completamente sobre si.
A ponta de sua orelha, mal visível através dos cabelos, ficou vermelha. Até o som de sua respiração trêmula, lhe era encantador. Ela era uma mulher que parecia preciosa até mesmo a olhos como os dele — criados em meio ao que havia de mais refinado no mundo.
Logo, como outros homens poderiam vê-la de forma diferente?
— Casamento é difícil.
As palavras que dissera antes ao primo não continham exagero, ou arrogância vazia. Mesmo nos momentos em que Vanessa parecia perfeitamente adequada a ele, aquilo ainda era a única coisa em que jamais poderia ceder.
O instante em que o Duque de Battenberg reconhecesse publicamente a existência de uma amante, de qualquer forma que fosse, seria o instante em que o próprio nome dela se tornaria uma fraqueza fatal. E nenhuma pessoa jamais poderia ser colocada em pé de igualdade com sua casa.
Era exatamente por isso que conhecê-la tão profundamente era desnecessário. Depois que todos os processos incômodos e as fofocas inevitáveis da sociedade passassem, ele ainda queria que Vanessa permanecesse intocada pelo escândalo.
Exatamente como ela era agora. De olhar claro. Inocente. Encarando o mundo com uma curiosidade infinita no olhar. E, quando precisasse dela, queria que ela permanecesse exatamente onde sempre estivera.
Naquele jardim de maio.
— Fale, Vanessa.
— ...Como se realmente me amasse.
Ele soltou uma risada baixa. Ela ainda era irremediavelmente romântica, apesar de tudo.
Theodore baixou lentamente a cabeça até a testa repousar contra a curva esguia do pescoço dela.
Seria aquilo amor? Ele ainda não sabia. Provavelmente não. O amor que conhecia — os casamentos nascidos dele — eram como engolir vidro estilhaçado.
Uma espécie de loucura. Todos aqueles momentos destrutivos. O ódio venenoso e as maldições lançadas no rosto um do outro. Móveis quebrados espalhados pelos cômodos. Zombaria. Risos afiados e lágrimas amargas.
E, depois que cada súplica desesperada finalmente consumia a ambos, apenas uma fome animalesca restava.
Aquilo era o amor.
Ele consumia as pessoas de forma monstruosa. Podia começar de modo elegante, mas o final era sempre o mesmo. Eventualmente, as pessoas passavam a se odiar. Ou a ressentirem umas às outras. Ou enojarem-se completamente da existência uma da outra.
E, por mais que tentasse imaginar, não conseguia visualizar Vanessa fazendo esse tipo de coisa com ele. O que significava, naturalmente, que fosse lá o que fosse aquilo entre eles, não podia ser algo tão profundo.
— Se eu lhe dei essa impressao, sinto muito.
O mundo sempre se dividira, para Theodore, segundo uma única regra simples: Coisas dignas de sua atenção. E coisas que não se encaixavam na primeira categoria.
Vanessa, de alguma forma, pertencia a ambas. Ela o interessava por ser incomum. Ainda assim, era gentil o bastante para que ele nunca precisasse monitorá-la obsessivamente.
Direta e justa em sua bondade, como uma árvore que jamais se curvaria facilmente. E, por causa disso, às vezes ele precisava de reafirmação.
Mesmo quando ela estava bem diante de si.
Mesmo quando já estava ao alcance de suas mãos.
Ele admitia com facilidade que a queria por inteiro. Queria-a tão completamente que dificilmente havia forma simples de expressá-lo. Agora mesmo, imediatamente.
— Eu te desejo, Vanessa.
Como quem verifica a coleira que ele mesmo prendera, Theodore pressionou os lábios contra a pele da garganta suave de Vanessa.
Na verdade, pensar fora desnecessário desde o início.
O verão ainda não terminara, e a mulher diante dele era irresistível.
A mulher que piscava para ele através de olhos turvos era insuportavelmente bela. A suavidade do corpo dela. O seu calor. Os gemidos encharcados de uma umidade impotente, por mais que ela tentasse contê-los.
O modo como seus seios balançavam de modo quase obsceno, cada vez que ele investia com força dentro dela.
