Tradução: Emma
Capítulo 13
— Uma proposta?
— Eu quero comprar você.
— Me comprar?
— Literalmente. Quero passar a noite com você. Irei lhe pagar... Uma boa quantia.
Theodore soltou uma risada irritada, e as bochechas da senhorita Vanessa empalideceram. Aquilo era uma encenação ridícula. Fazer uma proposta dessas logo no primeiro encontro, enquanto fingia ser uma donzela inocente e inexperiente com homens.
O olhar de Theodore percorreu lentamente a figura de Vanessa, coberta de lama, com as mãos tremendo. Seu rosto, pálido como a morte, parecia prestes a desmaiar. Não era o rosto de alguém apaixonada, nem tomado pelo desejo, nem mesmo por uma paixão juvenil.
— Senhorita Vanessa.
Ao ouvir seu nome pronunciado como um suspiro, os ombros de Vanessa estremeceram.
— Acho que já dispensamos as formalidades. Diga-me o motivo.
Vanessa, ficando cada vez mais pálida sob o peso da vergonha, engoliu em seco. Talvez tivesse percebido uma pequena possibilidade no fato dele não ter recusado-a imediatamente.
— Eu preciso de um filho.
— Um filho?
— Qualquer homem serviria, mas preferiria que você fosse o pai. Claro, vou compensá-lo adequadamente. Irei criar a criança com todo o amor que puder oferecer. A ausência de um pai não fará diferença. Nunca mais entrarei em contato com você.
Cada palavra que saía de sua boca era surpreendente.
Theodore soltou uma risada vazia.
— Então quer me pagar para vender meu sêmen? É isso que estou entendendo?
Com aquela formulação direta, o rosto de Vanessa ficou vermelho como uma maçã.
— É... Mais ou menos isso, mas... Dizer dessa forma...
— O significado muda se o enfeitar com palavras bonitas?
— Bem, não... Exatamente...
— Vanessa. Sua voz, ao pronunciar seu nome, era incrivelmente suave, quase elegante. Por um momento, foi quase enganosa.
— Perdeu a cabeça por causa do calor?
Theodore acendeu lentamente um cigarro enquanto aguardava sua resposta. Normalmente, não daria uma segunda olhada para uma mulher dizendo absurdos como aqueles. Se ainda não tinha ido embora, era porque estava bastante entediado nos últimos dias, o jardim de rosas banhado pelo sol de maio estava exuberante, e a senhorita Vanessa, coberta pelo orvalho e desesperada em seu pedido, era bastante bonita.
Ela parecia uma rosa de verão encharcada pela chuva, tão delicada que um único toque poderia deixá-lo igualmente molhado.
— Deveria ao menos me demonstrar algum respeito como dama...
— Se queria respeito, deveria ter feito uma proposta melhor. Em vez de oferecer dinheiro depreciando a si mesma.
A senhorita Vanessa agora tremia como se estivesse diante de um criminoso. Agira de forma tão ousada, mas não conseguia suportar ouvir aquela vulgaridade sendo devolvida contra ela. Theodore sorriu de canto, mantendo o olhar sobre ela.
Os fios dourados que caíam sobre seu pescoço delicado pareciam raios de sol, suas bochechas coradas eram vibrantes. Seus olhos levemente erguidos, como os de um gatinho assustado, seu nariz perfeitamente esculpido, seus lábios vermelhos, a linha clássica de sua mandíbula e sua pele extraordinariamente pálida, que parecia tão macia quanto creme sob seu toque.
Mesmo para alguém acostumado às beldades da capital, Vanessa possuía uma beleza singular.
Se sua curiosidade inicial tivesse sido apenas interesse por alguém aparentemente desesperada, seu rosto havia comprado o restante de sua paciência.
— A vida é tão entediante assim? — perguntou ele, erguendo lentamente o olhar de suas orelhas avermelhadas.
— Entediante o suficiente para querer desperdiçá-la com alguém como eu?
— ...Sim.
Theodore observou aquela tentativa desafiadora com uma estranha ausência de irritação. Ele conseguia imaginar por que a senhorita Vanessa desejava tão desesperadamente um filho. Os rumores de que o conde de Somerset estava oferecendo a sobrinha como moeda de troca já se espalhavam pelos círculos sociais de Ingram.
O costume de preservar a castidade antes do casamento havia sido discretamente quebrado há muito tempo, e uma criança impediria um escândalo irreversível. Devia ser desesperador e terrível para ela. Se fosse vendida daquela forma, passaria o resto da vida servindo a um velho.
Compaixão humana. Se não fosse por isso, ele já a teria considerado louca e ido embora.
— Esta proposta também não é tão ruim para você. Tenho uma renda anual de trinta mil libras, à qual poderei ter acesso quando tiver um filho. Irei lhe pagar vinte mil libras por ano durante cinco anos.
— Ah, somente isso?
— Se isso não for suficiente, estou disposta a pagar mais depois. Podemos redigir um contrato estipulando uma porcentagem dos meus rendimentos futuros.
Suas condições despejadas às pressas eram patéticas. Theodore soltou uma risada preguiçosa.
— Mas o que posso fazer? Não estou exatamente precisando de dinheiro.
Uma centelha de desafio retornou ao rosto abatido de Vanessa.
— Eu sei que seu tio, o senhor Ross, está desviando dinheiro das taxas de administração. Tenho provas.
Ah, então agora estava recorrendo à chantagem. Ele deu uma risada baixa. Quanto mais aquela conversa avançava, mais parecia uma peça divertida.
— Desvio de dinheiro?
— Do valor que ele recebe pela manutenção do jardim.
— E como descobriu isso?
— ...Eu vi os livros contábeis.
— Você investigou o velho jardineiro para me chantagear?
