Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 12

Capítulo 12

Tradução: Emma

Capítulo 12


Blair, inquieto desde o início da manhã, finalmente conseguiu arrastá-la para a quadra de tênis. Vanessa ajustou a raquete, perdida em pensamentos. Por volta dos dez anos de idade, ela era bastante competitiva, mas agora aquilo apenas parecia cansativo.

Enxugou o suor que escorria pelo queixo com o dorso da mão. A blusa encharcada de suor grudava de forma desconfortável em sua pele. — Quer parar se estiver cansada? — ofereceu Blair, jogando-lhe uma garrafa de água.

Vanessa assentiu com entusiasmo. Diferentemente dela, Blair parecia tão revigorado como se tivesse acabado de fazer uma caminhada leve. Depois de esvaziar sua própria garrafa de água, ele entregou a raquete a um servo próximo. — Rosalind estava preocupada. Ela me disse para te deixar exausta, assim não conseguiria pensar em mais nada.

— Ah... então era por isso que estava tão insistente...

— Vamos entrar. Vai ser perfeito tomar um banho e depois almoçar em Bath. Vou deixar que Rosalind consiga a permissão do seu tio.

Justo quando ela concordava prontamente, viu River Ross parado sozinho no caminho isolado que levava ao jardim de rosas, tendo habilmente escapado do grupo de servo que o seguia como tubarões. Sem pensar, deixou escapar: — Espere, Blair.

— Por quê?

— Acabei de lembrar de algo que preciso dizer ao senhor Ross. Não vai demorar.

— É urgente?

— Vá na frente. Eu te alcanço logo.

— Ei, não me empurre. Ele fingiu tropeçar com o leve empurrão dela e olhou para trás com uma expressão curiosa. — Você não vai me dispensar para encontrar outro homem, vai?

— ...Blair.

— Tudo bem, tudo bem. Deu de ombros, pegou sua garrafa de água e a toalha, e saiu da quadra. Assim que Vanessa teve certeza de que ele havia desaparecido de vista, virou-se e começou a caminhar rapidamente. O leve cheiro de tabaco forte no ar a deixava cada vez mais ansiosa.

Para onde ele foi? Estava bem aqui agora há pouco...

O caminho para o jardim de rosas estava tomado por ervas daninhas crescidas sem controle, que escondiam o chão sob seus pés, e a terra ainda estava lamacenta por causa da chuva de alguns dias antes.

Vanessa, após chegar ao fim da trilha com certa dificuldade, deparou-se com um portão de ferro trancado. Aquele era o único caminho que ligava o jardim dos fundos, onde ficava a quadra de tênis, ao jardim de rosas.

Se River Ross estivesse tentando sair, teria passado por ela ao menos uma vez. Então, se não passou...

Isso significa que ele está lá dentro.

Vanessa observou o jardim com olhos conflitantes. O portão era alto demais para ser escalado usando sua saia longa e volumosa, e as roseiras mortas agarradas às grades o tornavam perigoso. Ele carregava as marcas de três anos de abandono, o período em que ela esteve no internato.

Não posso hesitar.

Vanessa fechou as mãos como se fortalecesse sua determinação. Ficar parada e hesitar não mudaria nada. Rapidamente, ajoelhou-se, enfiou o braço entre as grades e apalpou embaixo de uma estátua inclinada.

Eu deixei a chave aqui em algum lugar...

Será que sua memória de infância estava falhando? Não importava o quanto esticasse o braço, não conseguia sentir nada metálico. Então ouviu um farfalhar e o som de passos se aproximando.

Ela se levantou depressa. O som vinha cada vez mais perto, diretamente em sua direção. Em seu pânico, Vanessa pisou numa tábua solta sem perceber. A madeira fina se partiu e seu pé esquerdo afundou.

— Ai! Ela gritou, caindo no chão. Todo o peso de seu corpo recaiu sobre o tornozelo torcido, fazendo uma onda de dor excruciante percorrer seu corpo.

Vanessa gemeu, segurando o tornozelo. Só então se lembrou do aviso do mordomo para não se aproximar do jardim. Ele havia dito que haviam escavado o terreno por causa da instalação elétrica... era irônico ter se esquecido completamente disso em sua busca obstinada pelo próprio objetivo.

Quando um sentimento de desgraça a atingiu, coberta de lama, uma sombra escura caiu sobre ela, como uma geada inesperada em um jardim de verão. — O que está acontecendo aqui?



Theodore, com um cigarro apagado pendendo dos lábios, olhou para a mulher estendida no chão. Sentia como se tivesse se tornado, de repente, um personagem de uma peça barata — um papel que não queria, forçado a subir num palco contra a própria vontade.

As mulheres eram sempre assim.

Quando estavam perto dele, deixavam coisas cair, perdiam o caminho para seus alojamentos, tropeçavam em terreno plano e adoeciam de repente. Cada situação era dramática e absurdamente clichê.

Claro, a situação da senhorita Vanessa parecia um pouco mais séria do que uma simples doença fingida. O tornozelo visível sob a saia coberta de lama estava inchando rapidamente e adquirindo uma coloração arroxeada. Theodore estreitou seus olhos caracteristicamente frios e estendeu a mão para ajudá-la a se levantar, movido mais pelo hábito de um soldado de proteger os vulneráveis do que por qualquer cortesia aristocrática.

— Você...

A senhorita Vanessa arfou, agarrando seu braço com uma mão úmida e suja de lama. Seu aperto não era particularmente forte, mas parecia desesperado, quase feroz. — Tenho uma proposta para você, River Ross.