Tradução: Emma
Capítulo 14
Ele era quem estava sendo chantageado, mas quanto mais conversavam, mais pálida ela ficava. Ela morde o lábio.
— Achei que você pudesse recusar. Eu investiguei isso só por garantia… Como precaução.
— Então, se eu recusar, o pobre jardineiro vai para a prisão?
— E-essa não era a minha intenção!
Com as orelhas ardendo em um tom carmesim, ela gaguejou uma desculpa.
— Tudo bem se recusar depois de ouvir isso. Mas seria problemático se você espalhasse por aí, então eu investiguei. Minha intenção era te silenciar, para evitar que falasse…
Era surpreendente que a chantagem dela servisse para proteger um segredo, mas a ingenuidade dela ao revelar seu plano após um pouco de resmungo era inacreditável.
— Mas, sério, não vai reconsiderar? Não tenho a intenção de lhe causar nenhum problema. Não vai tomar muito do seu tempo. Nós poderíamos nos encontrar algumas vezes primeiro…
— Vanessa. Quer que eu lhe dê um conselho?
— Sim?
— Antes de recorrer à chantagem, deve avaliar seu oponente. Que cartas você tem na mão e o que essas cartas significam para ele.
Os olhos ingênuos dela agora pareciam totalmente confusos. Ele se perguntou se ela sequer entendia. Theodore sorriu de lado, continuando: — Eu ficaria triste se aquele velho fosse levado por causa da sua acusação. Mas o que te faz pensar que isso é uma fraqueza tão grande?
Não seria uma quantia significativa de desfalque de qualquer forma. Em uma mansão pobre e isolada como esta, quanto ele poderia ter levado? No máximo algumas milhares de libras? Ele poderia pagar isso de volta várias vezes.
Parecia que essa jovem senhorita não sabia que problemas que podiam ser resolvidos com dinheiro eram os problemas mais fáceis do mundo.
— Mas o senhor Ross é seu tio.
— Já passou pela sua cabeça que a família pode não ser uma fraqueza tão grande assim?
Ela parecia estranhamente chocada. Era quem havia feito a proposta ultrajante e chocante, mas estava tão afetada pelas palavras dele.
— Então, é realmente um não?
— Parece um sim?
— Homens… Fariam isso comigo, mesmo que tivessem que pagar…
As palavras, proferidas com uma expressão atordoada, traziam um tom de verdade. Agora ele entendia a fonte da confiança inicial dela. O cálculo de que, com sua beleza, ela não poderia de forma alguma ser rejeitada.
A proposta da senhorita Vanessa em si não era novidade, apenas uma variação de uma história antiga e cansativa. Desde o momento em que ele pisou na sociedade pela primeira vez até agora, as mulheres que se aglomeravam ao seu redor cantavam a mesma música.
‘Posso lhe oferecer mais riqueza, mais prestígio, mais herdeiros…’
Presumindo que ele se entregaria de bom grado por riqueza, prestígio ou pela continuação de sua linhagem.
Comparada às mulheres que professavam admiração eterna ou caíam em lágrimas por traumas de infância, a oferta da senhorita Vanessa era, pelo menos, uma alternativa interessante. Uma chantagem, nada menos.
— Se só queria dormir comigo, deveria ter confessado seu amor em vez disso.
Por isso. Era por isso que queria conhecê-la.
— Eu poderia ter sido convencido.
Por isso tinha lhe dado a resposta errada, aquela que ela nem sequer tinha considerado. Os olhos de Vanessa se arregalaram, como se o pensamento nunca tivesse cruzado sua mente.
Ao contrário de sua proposta cansada, seus olhos claros e inocentes refletiam a imagem dele.
— Mas, River. Isso seria enganoso. Dizer que te amo quando não te amo.
Ele semi fechou os olhos, como se estivesse de frente para o sol, e olhou para ela antes de soltar uma risada sem humor. Então, seduzi-lo com um falso amor era enganoso, mas oferecer seu corpo por dinheiro era uma troca justa? Ela era estranhamente cheia de princípios, mas ao mesmo tempo não convencional.
— Então as negociações falharam.
— E-espere. Então, tudo o que preciso fazer é amar você?
Vanessa agarrou desesperadamente a manga dele quando ele se virou para sair. Ela se aproximou mancando, a testa cheia de gotas de suor. A dor em seu tornozelo torcido parecia estar piorando.
— Talvez.
Quanto mais pálida ela ficava, mais bonita parecia. Seus lábios vermelhos e trêmulos e seus olhos piedosos despertavam um senso básico de crueldade dentro dele. Theodore sorriu de lado, inclinando a cabeça.
— O que quer que ofereça em troca, recorre à chantagem ou persiste obstinadamente… Acaba se eu não me mover, não é?
— O que quer dizer?
— Se eu fico excitado por você ou não parece ser a questão mais importante.
Vanessa piscou seus olhos arregalados, sua expressão mostrando que ela entendia pouco do que ele dizia. Theodore deu uma tragada profunda em seu cigarro, preso entre os dedos indicador e médio, e então usou essa mesma mão para segurar a bochecha pálida dela.
A fumaça acre flutuou, nublando sua mente. Finalmente, um olhar de perplexidade cruzou o rosto de Vanessa enquanto ela olhava para em direção a ele. Ele estaria louco se achasse aquilo satisfatório?
— O que você está…?
Ele abaixou a cabeça e capturou os lábios protestantes dela com os seus.
