Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 128

Capítulo 128

Tradução: Amme

Capítulo 128


— Este é seu passe de embarque e a chave da cabine. As cabines B32 e B33 são interligadas. Se a senhorita se aproximar da seção de primeira classe e mostrar isto a um dos tripulantes, eles a acompanharão diretamente até o quarto. Tome cuidado para não perdê-lo. E...

Mary olhou para Vanessa hesitante por um instante antes de, por fim, balançar a cabeça.

— Não é nada. Nos vemos na cabine.

Dito isso, virou-se e se esgueirou para dentro da multidão densa. A fita branca de seu avental desamarrado se arrastava precariamente atrás dela, roçando em estranhos enquanto quase chegava a varrer o chão.

Vanessa se moveu instintivamente como se fosse segurar a fita por ela, mas Mary desapareceu no mar de gente antes que pudesse alcançá-la.

Será que ela vai ficar bem assim?

Mary sempre fora confiável. Mas, naquela noite, parecia estranhamente frágil.

Vanessa ainda observava o lugar onde ela desaparecera quando—

Bum!

O primeiro fogo de artifício explodiu pelo céu noturno.

Preciso me apressar.

Agora que os fogos haviam começado, as pessoas logo inundariam o convés. Se pretendia voltar para a cabine, precisava se mover antes que isso acontecesse.

Vanessa cruzou rapidamente o corredor estreito que corria ao longo da lateral do navio.

Seus pés vinham doendo terrivelmente desde a metade da noite, de tanto andar o dia inteiro em saltos finos, mas ela nunca diminuiu o passo sequer uma vez.

— Posso ver seu passe de embarque?

O tripulante de guarda no portão da escadaria pareceu surpreso com o surgimento repentino de Vanessa, como se ninguém tivesse passado por aquela entrada desde o início da viagem.

— Aqui está.

Vanessa estendeu o pequeno disco redondo que Mary lhe dera.

Depois de inspecioná-lo cuidadosamente, o tripulante finalmente sorriu com educação e abriu o portão para ela, chegando até a oferecer a mão com um aviso de que a maresia deixava o convés escorregadio.

O baile no convés superior estava a todo vapor. Risadas preenchiam a quente noite de verão. Os passos leves e graciosos dos casais dançando valsas se misturavam às melodias de instrumentos afinados com esmero.

Acima de todos aqueles sons que flutuavam suavemente pelo ar como música de fundo, torres de taças de champanhe de hastes longas haviam sido empilhadas bem alto. Champanhe recém-aberto escorria do topo como cascatas cintilantes.

Por um breve instante, Vanessa só conseguiu fitar aquela extravagância toda, atônita. Então, de repente, o mesmo tripulante que conferira seu passe de embarque se apressou em sua direção com uma expressão urgente.

— Senhorita Rosalind?

No início, Vanessa nem percebeu que ele falava com ela. Só depois que ele lhe tocou de leve o ombro é que piscou, confusa.

— Senhorita Rosalind.

— ...O senhor estava falando comigo?

Ao que parecia, depois de conferir a lista de passageiros, ele a confundira com Rosalind. Antes que Vanessa pudesse explicar, o tripulante apressou-se em despejar sua explicação.

— Acabamos de receber a notícia de que houve um problema com as cabines B32 e B33. Por motivos de segurança e reparo, precisaremos que a senhorita desocupe o quarto imediatamente.

— Há um problema com a cabine? De repente?

— Receio não poder revelar os detalhes, mas garanto pela honra do Bellus que não se trata de um defeito grave. No entanto, há... um pequeno inconveniente afetando seu uso, e resolvê-lo pode levar algum tempo.

— Então eu poderia ao menos recuperar minha bagagem por um instante? Todas as minhas roupas estão lá dentro.

— Minhas mais profundas desculpas, mas, por questões de segurança dos passageiros, isso não será possível. Assim que uma nova cabine estiver preparada, um tripulante levará seus pertences pessoalmente para lá.

Vanessa só conseguiu piscar diante do absurdo da situação, sem saber como processar aquilo.

Ainda restariam cabines vazias para transferi-la? Ela ouvira dizer que haviam vendido cada quarto, até os de terceira classe, para recuperar o custo enorme de construção do navio.

— Então... quando a cabine substituta ficará pronta?

— Não posso lhe dar uma resposta exata, mas, se a senhorita continuar aproveitando o baile, resolveremos o assunto o mais rápido possível. Pedimos humildemente sua compreensão, Lady.

Enquanto o tripulante se curvava profundamente em desculpas, os olhares ao redor, que já vinham se voltando para eles, tornaram-se visivelmente mais descarados.

Aflita, Vanessa encerrou a conversa rapidamente e se esgueirou para dentro da multidão de curiosos.

O que eu faço agora?

Seus pensamentos giravam descontroladamente entre os planos arruinados e a atenção repentina voltada para ela. Primeiro, precisava encontrar Rosalyn e explicar a situação. Depois, precisava deixar recado para Mary, que certamente viria procurá-la.

E depois disso, antes que alguém descobrisse, precisava esconder a cópia do testamento...

Sua mente continuava correndo à frente até que, de repente, sentiu uma sombra caindo sobre seu caminho, bloqueando sua passagem.

Vanessa ergueu os olhos. A primeira coisa que preencheu sua visão foi um uniforme naval branco impecável, abotoado com esmero até o pescoço.

— Vanessa.