Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 122

Capítulo 122

Tradução: Amme

Capítulo 122


— Para quê?

— Como vou saber? Embora eu aposte que seu boletim escolar chegou pelo correio expresso.

Os dois cavalheiros trocaram, ao mesmo tempo, olhares igualmente incomodados. A julgar pela intimidade natural entre eles, era evidente que Logan adorava o tio-avô.

— Mas, mais importante, você não vai apresentar a jovem ao seu lado?

— Ah, certo. Esta é a Senhorita Vanessa Somerset. Ela disse que queria lhe perguntar algo, Tio-avô.

— Eu sou Vanessa Siren Somerset.

Vanessa estendeu graciosamente uma das mãos.

Se fosse uma jovem dama já bem adaptada à alta sociedade, provavelmente teria apenas feito uma reverência diante de um cavalheiro idoso como ele. Moças da idade dela costumavam tratar homens mais velhos com uma sutil condescendência, como se fossem relíquias a serem toleradas com educação.

Mas para Vanessa — que passara o dia inteiro tropeçando em uma experiência desconhecida atrás da outra — manter a postura ereta e um sorriso suave já era desafio suficiente.

Naquele momento, tudo o que podia fazer era confiar nos manuais de etiqueta de St. Louis e nas lições que sua instrutora de etiqueta lhe incutira à força.

E também nos conselhos de Rosalyn.

Benjamin pareceu levemente surpreso com a saudação antiquada, mas rapidamente abriu um sorriso encantado, limitando-se a fingir um beijo no topo da mão enluvada dela.

Mesmo depois, continuou sorrindo afetuosamente para si mesmo até que Logan lhe lançou um olhar, levando o velho a pigarrear, sem jeito.

— Somerset? Ah... agora que você menciona...

O velho estreitou os olhos como quem vasculha lembranças antigas, então soltou de repente uma exclamação suave.

— Sim. Sim, claro... lembro-me de ter conhecido seus pais há muito tempo. Meu Deus. Naquela época, você era só uma menininha minúscula.

Finalmente.

Vanessa sorriu alegremente, escondendo a tensão nervosa que tremia por baixo do sorriso.

— Ouvi dizer que o senhor já foi advogado de meus pais. Então suponho que devemos ter nos conhecido por aquela época, embora, infelizmente... eu não me lembre.

— Você era jovem demais. Cinco anos, talvez?

— Por favor, sinta-se à vontade comigo.

Por um breve instante, o velho a observou com seus olhos azul-claros. Então sorriu novamente, um sorriso suave marcado pelas rugas profundas da idade e da experiência.

— Isso seria mesmo possível? Presumi que você viria aqui como cliente.

Apesar de sua gentileza, ainda havia um brilho penetrante em seu olhar que o tempo jamais havia desgastado.

Vanessa acalmou a respiração.

Benjamin Dawson parecia um homem honesto.

Ainda assim, esse julgamento vinha de uma garota que recém havia completado vinte anos de idade, cuja experiência de mundo era dolorosamente limitada. Alguém cujas únicas saídas independentes haviam sido o internato e a igreja.

Ela não confiava em seus próprios instintos quando o assunto eram adultos. Adultos eram peritos em usar máscaras, e ela sabia que ainda lhe faltava a habilidade de enxergar através delas.

Especialmente aquele senhor idoso à sua frente.

Havia nele um peso de experiência que a fazia sentir que, por mais que ela escondesse ou sondasse com cautela, ele perceberia instantaneamente o sentido oculto por trás disso e o traria à luz.

Bem, advogados eram treinados justamente para esse tipo de coisa...

Tentar esconder informações ou sondar indiretamente provavelmente não vai funcionar com ele.

Já decidida, Vanessa apertou levemente a mão no braço de Logan.

— Logan. Sinto muito, mas você poderia nos dar um momento?

— Hm?

— É... um assunto de família um tanto delicado.

— Ah.

Logan, que vinha observando distraidamente a conversa, finalmente se levantou do assento com uma risada sem jeito.

— Certo. Claro. Vou só beber um whiskey soda ali.

— Não se empolgue e beba demais, Logan. E cuidado para não exagerar com a bebida.

— Tio-avô, ainda pareço uma criança para você, por acaso?

Então ele se virou para Vanessa. Com um charme exageradamente antiquado, Logan segurou a mão dela e curvou-se levemente sobre ela, piscando um olho de forma brincalhona. As bochechas haviam corado de rosa sem que ele sequer percebesse.

— Não esqueça o favor que lhe fiz. Pretendo cobrar um preço bem caro por ele.

Depois de lançar uma saudação zombeteira ao tio-avô, ele seguiu para o outro lado do salão.

Vanessa observou a figura dele se afastando por um instante.

Sinceramente... ela não sabia bem como explicar aquilo. Em algum momento, o comportamento de Logan começara a parecer estranhamente diferente para ela.

Não conseguia identificar o motivo, tampouco conseguia explicar direito o desconforto que florescia dentro dela, mas isso fazia seu coração bater de um jeito peculiarmente inquieto.

Vanessa pressionou de leve uma mão contra o peito. Aquela sensação era completamente diferente da forma como seu coração disparava sempre que pensava em River Ross.

— Então, Senhorita Vanessa.

Perdida em pensamentos, Vanessa ergueu a cabeça ao ouvir seu nome.

O sorriso caloroso havia desaparecido. Em seu lugar, sentava-se um advogado frio e de olhar penetrante. O homem mais velho a olhou diretamente.

— Qual é exatamente o motivo de você ter ido tão longe a ponto de usar o Logan para se encontrar comigo?