Tradução: Amme
Capítulo 121
— O que é isso no seu pescoço? Você não parou de mexer nisso a noite toda.
— Ah, isso?
Corando, Vanessa finalmente baixou a mão que estivera brincando distraidamente com o colar. A renda do vestido escondia a maior parte dele, mas, por algum motivo, ainda sentia vergonha de exibi-lo abertamente. Talvez porque nem sequer fosse seu — apenas algo que havia emprestado para aquela noite.
Após hesitar por um instante, escondeu o colar ainda mais fundo sob a gola do vestido.
— Não é nada.
— Nada mesmo?
Naquele breve instante, Logan deve ter avistado a joia, pois toda a cor sumiu de seu rosto. Como se definitivamente tivesse visto algo que não deveria.
Para ser justa, o colar era extravagante demais se comparado ao restante de seu traje discreto. Provavelmente parecia deslocado também, como uma irmã mais nova que saíra escondida usando as joias da irmã mais velha.
Levemente constrangida, Vanessa puxou a fita do chapéu um pouco mais para baixo, cobrindo o peito.
— É tão ruim assim?
— Não. Não é ruim, exatamente...
— Logan Dawson. Seja sincero comigo.
Quando ela o encarou com seriedade, as bochechas de Logan se tingiram de um leve rubor. Ele desviou o olhar às pressas, subitamente incapaz de sustentar os olhos dela.
— No começo, achei que estivesse enganado, mas... essa coisa que você está usando no pescoço, não é a Lágrima da Sereia?
— Lágrima da Sereia?
Vanessa inclinou a cabeça, repetindo o nome. Calma. Completamente imperturbável. Sua reação só pareceu deixar Logan ainda mais atrapalhado.
— Você sabe... o famoso colar da Dewiers. Não me diga que nunca ouviu falar dele?
Vanessa piscou para ele, os olhos arregalados, e então explodiu numa risada clara e alegre.
— Desculpe. Sua expressão foi engraçada demais. Claro que já ouvi falar. É famoso o bastante para que todos conheçam o nome.
— Certo... bem. Isso é... bom, eu acho...
— O quê, você achou mesmo que fosse o original?
Aliviada agora, Vanessa sorriu com mais leveza.
— Infelizmente, é falso. Peguei emprestado de uma amiga.
— ...Falso? Isso?
— Bem, acho que devem ter usado pedras de qualidade superior à maioria das imitações. Mas a Lágrima da Sereia é praticamente a obra-prima símbolo da empresa. Chegou a ser exibida numa exposição. Quem sairia por aí usando displicentemente a peça original?
Logan a fitou com um olhar indecifrável. Parecia, ao mesmo tempo, sem palavras e estranhamente compadecido dela.
Passando a mão subitamente suada pelo rosto, ele finalmente a encarou com seriedade.
— Vanessa Siren Somerset. —O suspiro que lhe escapou foi profundo, carregado de preocupação. — Você vai precisar se preparar, a partir de agora.
Ela estava prestes a perguntar o que ele queria dizer com aquilo quando a porta se abriu de repente.
Uma luz calorosa e suave inundou seu rosto tão abruptamente que Vanessa fechou os olhos por um instante antes de erguer o olhar.
O que se abria diante dela era um grande salão que parecia quase um enorme jardim de inverno de vidro. Ao contrário do burburinho ruidoso lá fora, aquele lugar carregava um ar de refinada elegância.
Assim que a porta se fechou suavemente atrás deles, Vanessa virou-se instintivamente, apenas para ser conduzida adiante por Logan enquanto se agarrava ao braço dele.
Cortinas brancas tão translúcidas que se podia ver as janelas através delas. Tapetes verde-escuros. Fileiras de mesas redondas. O tilintar suave de taças de cristal se tocando. Risadas refinadas flutuando no ar.
À frente do salão, uma orquestra tocava música clássica, enquanto funcionários impecavelmente trajados se moviam com graça entre os grupos de cavalheiros sentados às mesas, equilibrando bandejas repletas de champanhe e petiscos delicados.
Então Logan ergueu a mão em direção a alguém ao longe.
— Tio-Avô Benjamin.
— Ah, Logan.
Como se uma partida de uíste tivesse acabado de terminar, o idoso que estivera recolhendo suas cartas ergueu o olhar e abriu um largo sorriso. Acenando para que se aproximassem, inclinou-se em direção aos outros cavalheiros mais velhos sentados ao seu redor.
Ao se aproximarem da mesa, Vanessa observou o velho sem piscar.
Não com rudeza, apenas com cuidado. O máximo de cuidado que conseguia.
Ela memorizara a fotografia daquele jornal local de dez anos atrás até o menor detalhe, mas ainda assim não conseguia ter certeza se aquele senhor de aparência gentil era de fato a pessoa que vinha procurando.
— Já vou até aí, viu... só deixe eu terminar essa conversa primeiro. Vão tomando algo enquanto esperam... Sim, sim.
Aparentemente decidindo se mudar para outro lugar, os senhores idosos se levantaram da mesa com estardalhaço. Benjamin Dawson aceitou seu casaco, então se voltou para o sobrinho-neto com uma expressão propositalmente severa.
— Seu moleque. Onde estava? Sua mãe está te procurando desde o início da noite.
