Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 120

Capítulo 120

Tradução: Gheo

Capítulo 120


É claro que, se soubesse, não teria mudado nada. A maioria dos rapazes de Saint Louis já tinha parceiras para casamento arranjado. Podiam ter sido sinceros por um momento, mas, à medida que a formatura se aproximava, inevitavelmente priorizariam suas famílias e noivas. Assim como o sábio Blair.

– ...Vanessa, olhe para lá.

No momento em que Logan estava prestes a falar, Rosalind agarrou o braço de Vanessa e puxou com força. De forma atípica para alguém tão serena, ela pareceu incapaz de controlar uma onda momentânea de emoção.

Vanessa virou a cabeça na direção do olhar de Rosalind. A princípio, a multidão densa bloqueou sua visão, mas então, em meio às pessoas dispersas e às risadas estridentes, ela viu um homem e uma mulher de braços dados.

– São Eden Harley e a Srta. Stanley.

Vanessa os observava atentamente com olhar cauteloso. Ao contrário de Eden Harley, que parecia um tanto abatido devido às sucessivas missões militares, a Srta. Stanley estava radiante e bela. Quando a mulher cobriu a boca com um leque e sussurrou algo, o homem se inclinou para ouvir, um leve sorriso brincando em seus lábios.

Rosalind, pálida como um fantasma, mordeu o lábio. Ela parecia completamente devastada, mas, ao mesmo tempo, furiosa.

– Eden me mandou uma carta dizendo que viria de licença. Ele perguntou se poderíamos nos encontrar na festa a bordo e, claro, eu disse que sim. Eu deveria ter imaginado que ele traria a Srta. Stanley junto...

– Você vai contar para Eden Harley o que vimos no café?

Rosalind assentiu com a cabeça, mantendo os olhos fixos neles.

– Achei que seria melhor contar para ele pessoalmente, então fiquei guardando para mim. Esperei até o Eden sair de licença. Mas pensar que, mesmo depois disso, ela ainda pôde ser tão descarada...

Rosalind levou a mão à boca, com uma expressão ansiosa. Quando estava prestes a roer as unhas — um velho hábito de quando estava nervosa — Vanessa segurou sua mão no ar e a abaixou com firmeza. Os olhos confusos da amiga se voltaram para ela.

– Não faça isso. Vá conversar com o Eden, Rosalind.

– ...O quê?

– Você está fazendo isso porque está preocupada. Seja o que for, você deveria ir conversar com ele. Só não mencione o encontro com a Srta. Stanley logo de cara... Pode haver circunstâncias que desconhecemos. Pode ser que não seja nada.

Rosalind hesitou, mas, quando Eden Harley se aproximou do convés, ergueu o queixo como se estivesse tomando uma decisão. Em seguida, empurrou Vanessa na direção de Logan, que parecia perplexo com a súbita mudança de rumo dos acontecimentos.

– Você poderia cuidar da Vanessa por um instante? É a primeira vez dela em um evento como este.

– Ah, eu?

– Não vou demorar. Apenas a acompanhe até o salão e encontre uma mesa para ela. Estou lhe pedindo um favor, Logan Dawson.

Dawson?

Naquele instante, uma luz se acendeu na mente de Vanessa. Ela olhou para Logan Dawson com um brilho repentino. Sob seu olhar intenso, um leve rubor coloriu as bochechas do homem.

– Dawson? Você é aquele Dawson?

– ...Não sei o que você quer dizer com isso, Dawson, mas se você está procurando pela família do Visconde Dawson, então sim, sou eu.

Logan Dawson deu de ombros e respondeu em tom de brincadeira. Parecia que a familiaridade que ela sentia não vinha dele, mas de sua família. Afinal, ela havia passado os últimos dias vasculhando jornais antigos, concentrada inteiramente em encontrar o rosto daquele advogado.

– Gostaria de conhecer o Sr. Benjamin Dawson. Por acaso ele veio com você?

– Meu tio-avô? Você?

Ele inclinou a cabeça para trás, retribuindo a pergunta. A questão em sua mente estava claramente estampada em seu rosto.

– Ouvi dizer que ele trabalhou com meu falecido pai. Tenho algumas perguntas sobre a época em que seu testamento foi redigido.

– Ah.

Acenando com a cabeça em sinal de compreensão, ele examinou os arredores. Então, como se estivesse localizando a direção, estendeu a mão.

– Ele provavelmente está... lá dentro, jogando uíste com os outros cavalheiros. Devo guiá-la?

– Sério? Você sabe para onde ir?

– Bem, já tenho experiência suficiente. Todos os navios de passageiros têm layouts semelhantes.

– Graças a Deus. Estou completamente desorientada...

Vanessa o seguiu a passos rápidos, acariciando o colar escondido sob a renda do vestido como se fosse um talismã. River Ross lhe dissera que era uma imitação e que não precisava se preocupar se o perdesse, mas... bem. Aos seus olhos, parecia excessivamente caro. E objetos caros, além da condição social de alguém, sempre despertavam curiosidade desnecessária.

Foi por isso que ela hesitou até o último momento. Mas a única razão pela qual ela finalmente usou aquele colar, como River Ross desejara, foi simples. Ela era grata pelo desejo dele de que ela, que se sentia tão miserável e isolada ali sozinha, pudesse brilhar mais intensamente.

– Diga, Somerset.