Tradução: Gheo
Capítulo 119
Enquanto um grupo animado trocava cumprimentos e passava, um cavalheiro apareceu, com os cabelos penteados para trás com pomada. Ao contrário dos homens que o precederam, seu rosto ainda conservava um traço de jovialidade.
Abrindo os braços como se estivesse cumprimentando um amigo de longa data, ele apertou a mão estendida de Rosalind com um toque teatral. Enquanto os dois compartilhavam um breve reencontro, Vanessa estreitou os olhos para o homem. Ele lhe parecia familiar de alguma forma.
Será que nós já nos conhecemos antes? Se ele é amigo de Rosalind, talvez tivéssemos nos cruzado uma ou duas vezes...
Enquanto ela quebrava a cabeça tentando se lembrar do nome dele, o homem, depois de dar um beijo nos nós dos dedos de Rosalind, virou-se para olhá-la com um toque de surpresa.
– E… senhorita Vanessa.
Atordoada por ele saber seu nome com precisão, Vanessa hesitou, agarrando o tecido da saia. Se Rosalind não a tivesse cutucado com o cotovelo, talvez não tivesse conseguido estender a mão a tempo.
O homem pegou delicadamente a mão dela, que estava estendida de forma um tanto desajeitada. Vanessa percebeu que ele a segurou por um instante a mais do que quando beijou a de Rosalind. Finalmente soltando-a, ele se endireitou, interrompendo sua reverência, e piscou o olho de forma brincalhona.
– Somos colegas de turma que se encontram pela primeira vez em anos, e eu nem sequer recebo um "olá"?
– Não a provoque, Logan.
Rosalind interrompeu suavemente com uma mudança elegante de postura, bloqueando sua visão de Vanessa.
– Você mal dirigiu a palavra a ela em Saint Louis. Esperar uma recepção calorosa agora demonstra uma clara falta de consciência.
– Mas nós estivemos na mesma turma durante três anos inteiros.
– Ela está apenas nervosa. Não dormiu bem na noite passada.
Nesse momento, os olhos do homem se arregalaram antes de ele soltar uma risada agradável.
– Como posso dizer… A personalidade dela é inesperadamente adorável.
– Vanessa sempre foi fofa. O que você achava dela?
– Ela parecia simpática, com certeza, mas não parecia exatamente fácil de abordar.
– Isso só aconteceu porque vocês, rapazes, a colocaram em um pedestal e a veneraram como uma deusa.
– …O que isso quer dizer?
Vanessa, completamente perplexa com o rumo imprevisível da conversa, interrompeu de forma atrapalhada. O homem deu de ombros e respondeu prontamente.
– Pense na época. Estávamos todos presos naquele lugar horrível, e havia tão poucas moças bonitas para começar. É claro que isso inclui você, Rosalind.
– Sinto-me verdadeiramente honrada.
Sem ter certeza se havia entendido o sarcasmo ou não, o homem sorriu, mostrando os dentes, e coçou a nuca enquanto continuava.
– No começo, vários caras tentaram se aproximar de você seriamente. Mas, depois de verem você se encolher e fugir quando o Mason tentou falar com você, todos desistiram. Eles concluíram que, se você fugia de um rosto como o dele, o resto de nós não tinha a menor chance.
– Vanessa tinha todos os motivos para isso. Vocês pareciam bastante ameaçadores.
– Bem, depois de assistirmos de camarote, chupando o dedo, finalmente chegamos a um acordo mútuo para deixá-la como território inviolável.
Território inviolável.
Ela sabia que os rapazes costumavam cochichar pelas suas costas, mas nunca imaginou que fosse algo assim. Presumiu que estivessem fofocando sobre sua pobreza ou a má reputação do tio, então não deu importância.
Naquela época, cada dia era uma luta. Seu foco era totalmente voltado para melhorar as notas. Ela acordava ao amanhecer para ir à biblioteca, dividia o horário do almoço entre as refeições e o trabalho voluntário no campus. Se conseguisse provar sua excelência, ser escolhida como representante estudantil e obter a carta de recomendação do reitor, talvez conseguisse…
Ela esperava, em vão, que seu tio a deixasse fazer o exame de admissão para a Universidade de Oltempos.
– Eu… não fazia ideia… de nada disso.
Vanessa parou de falar, desviando o olhar. Mesmo sendo uma história antiga, suas bochechas queimavam de vergonha.
