Tradução: Emma
Capítulo 11
Um delicado rubor floresceu no rosto pálido de Mary.
— Ah. O sobrinho do senhor Ross?
— Aquele homem… É sobrinho do senhor Ross?
— Sim. O nome dele é River Ross.
Vanessa encarou Mary com os olhos arregalados. O senhor Ross, mesmo sob a luz mais favorável possível, estava longe de ser bonito, e seus cabelos eram mais castanhos do que negros. Além disso, sua lembrança da aparência de River Ross… Vanessa interrompeu o próprio pensamento.
Quem saberia agora, afinal? Ninguém nessa mansão se lembra daqueles tempos.
— Ele serve como Oficial na Marinha. Ouvi dizer que lutou recentemente na Batalha de Potsdam e recebeu uma licença prolongada por seus serviços.
Mary, continuou falando sem parar sobre ele, parecia estranhamente animada. Suas bochechas coradas tinham o frescor de alguém recém-apaixonada, mas, quando estava prestes a continuar, sua expressão tornou-se subitamente sombria, como se tivesse tomado consciência de uma realidade amarga.
— De qualquer forma, ele não é o tipo de pessoa que você esperaria encontrar em um lugar como este.
No início, Vanessa pensou que Mary pudesse estar enganada. Mas então duas outras criadas lhe deram exatamente a mesma resposta. River Ross. Sobrinho do jardineiro Hugh Ross e um respeitável oficial da Marinha de Ingram.
Aparentemente solteiro, vinte e três anos de idade, alto, forte, gentil e diligente o bastante para se voluntariar a ajudar o tio doente em Gloucester durante sua licença de verão e, acima de tudo, com aquele rosto.
Vanessa, com uma expressão séria, mordiscou a ponta da caneta. Escritas no papel, aquelas características pareciam ainda mais inacreditáveis.
— Vanessa, no que está pensando tão intensamente? Rosalind, com uma bolsa de gelo sobre a testa, aproximou-se arrastando os pés. Quanto havia bebido na noite anterior? Seu rosto de ressaca estava excepcionalmente pálido.
Rosalind apoiou o queixo sobre a cabeça de Vanessa e pegou a folha que estava sobre a mesa. — Este é o protagonista do seu novo romance? Um homem da Marinha?
— Algo assim. — respondeu Vanessa, piscando calmamente seus olhos cinzentos.
— Algo assim?
— Se quiser se livrar de algo que não quer vender, basta garantir que ninguém queira comprar.
— O quê?
— E se surgir um defeito tão grave que ninguém ouse adquiri-lo?
Era uma forma indireta de se expressar, consciente de possíveis ouvidos indiscretos, mas o significado era claro. Rosalind encarou Vanessa incrédula, depois balançou a cabeça e se deixou cair novamente no sofá.
— Um pequeno defeito não vai deter seu tio. Ele pode se sentir confortável dentro de Gloucester, mas, no instante em que sai da mansão, parece coberto por olhos atentos.
— É exatamente por isso que parece perfeito.
Diante daquela resposta misteriosamente ameaçadora, Rosalind voltou a se sentar. O rosto delicado de Vanessa normalmente transmitia suavidade, mas seus olhos ligeiramente puxados para cima, semelhantes aos de um gatinho, frequentemente causavam uma impressão diferente.
Tímida, mas ousada. Geralmente dócil, mas, quando tomava uma decisão, raramente voltava atrás.
Exatamente como a própria Vanessa.
— Que plano perverso está tramando?
Vanessa sorriu levemente para a confusa Rosalind. Sentiu uma pontada de culpa por esconder seus planos da amiga mais próxima, mas não tinha intenção alguma de envolvê-la nisso.
O escândalo precisava pertencer exclusivamente a Vanessa Siren Somerset. Nesse sentido, River Ross era perfeito. Se tudo viesse à tona, ele poderia simplesmente retornar para a Marinha ou se voluntariar para uma missão no exterior e, como plebeu, não possuía reputação aristocrática a proteger.
Seu status de sobrinho de um jardineiro também era ideal para destruir sua própria reputação. Além disso, ele havia alcançado o posto de Oficial em uma Marinha repleta de aristocratas, apesar de ser um plebeu. Só isso já era prova suficiente de sua competência.
Os atributos físicos dele também são bastante impressionantes.
Vanessa, depois de avaliá-lo com a mesma casualidade com que alguém avaliaria um animal de criação, pousou a caneta sobre a mesa e sorriu. Quanto mais pensava no assunto, mais convencida ficava de que ele era um apóstolo enviado por Deus para salvá-la. Pela primeira vez na vida, Vanessa decidiu acreditar no destino.
Durante vários dias, Vanessa observou River Ross discretamente à distância. Não havia necessidade de fazer mais do que isso. Bastava sentar-se junto à janela da sala de estar para vê-lo trabalhando no jardim.
Havia percebido que River Ross parecia tão pouco familiarizado com jardinagem quanto ela própria. No entanto, adaptava-se a novas tarefas mais rápido do que qualquer outra pessoa. Agora parecia alguém que passara a vida inteira podando árvores secas, cavando a terra e aparando arbustos, embora jamais perdesse sua precisão militar e sua compostura.
— Vanessa. Você deveria estar prestando atenção em mim. —Vanessa, que inconscientemente procurava River Ross entre os trabalhadores reunidos, voltou à realidade.
Blair, parado na quadra de tênis do outro lado, observava-a com um sorriso divertido. — Se não se concentrar, vai perder de novo.
Vanessa suspirou e apertou a raquete de tênis, assumindo sua posição. Simplesmente não conseguia entender o que havia acontecido com aqueles gêmeos, que raramente conseguiam acordar cedo pela manhã.
