Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 118 - +18

Capítulo 118 - +18

Tradução: Gheo

Capítulo 118


Ele não esperava que ela ficasse tão perplexa.

– Quero que você seja a mulher mais linda onde quer que esteja. Não importa onde seja.

– Mesmo assim, isso é… é demais.

– Você disse que atrairia o olhar de outros homens. Para proteger minha honra.

As bochechas coradas da mulher empalideceram ligeiramente, para depois recuperarem a tonalidade vermelha.

– Claro que sim… Pretendo fazer isso, mas…

– Os homens são uma espécie simples; eles desejam aquilo que lhes parece caro.

Principalmente os tolos que não sabiam o que um diamante Demuers significava. Os lábios de Theodore se curvaram sedutoramente, reprimindo palavras que não podia pronunciar em voz alta. Era, por assim dizer, uma marca. Uma marca que indicava que ela era uma mulher associada aos Battenberg.

A pobre Vanessa não alcançaria seu objetivo facilmente usando aquele colar. A menos que os homens, apavorados, simplesmente a evitassem completamente… E um encontro secreto, para piorar a situação. Em um navio onde simplesmente matar um homem e jogá-lo ao mar seria o fim de tudo — que ousadia.

Vanessa verificou o conteúdo da caixa com uma expressão ansiosa e nervosa, olhando para ele com olhos suplicantes.

– Eu consigo me sair bem mesmo sem isso.

– Será mais fácil assim.

Ele tirou os óculos de Vanessa e acariciou sua bochecha pálida, erguendo seu rosto. Seus olhos cinzentos, mergulhados em pensamentos complexos, encontraram o olhar dele e tremeram levemente. Se ela tinha pensamentos demais, ele simplesmente precisava se livrar deles.

Beijou os pequenos lábios de Vanessa, engolindo a recusa que estava prestes a vir. Separou os lábios assustados e trêmulos dela e aprofundou o beijo suavemente.

Doce, suave e lânguida. A cada vez que suas respirações se misturavam, uma sensação avassaladora de satisfação e alívio o invadia. A sensação de finalmente ter voltado era profunda. Só de ter aquela mulher em seus braços. Só de sentir aquele calor novamente.

Ao erguer Vanessa nos braços, as pernas dela se enrolaram familiarmente em sua cintura. Desabaram na cama, o beijo se aprofundando. Pressionados um contra o outro, sem espaço para sequer um suspiro escapar, sentiam-se através da pele sensível.

– Nngh…

Uma mão deslizou por baixo da bainha solta de sua camisola para agarrar seus seios, arrancando dela um gemido frágil. Ele podia sentir seu pequeno corpo estremecer violentamente a cada vez que seus dedos roçavam com força contra a pele corada.

Era um corpo que sentia prazer de uma forma obscena. A luz do sol, branca como a neve, incidiu sobre sua forma feminina, que fora despida em um instante. Os cantos dos olhos da mulher estavam vermelhos enquanto ela ofegava, sua nudez exposta em vergonha.

Como se lhe concedesse um momento de alívio, Theodore mordeu dolorosamente o lábio inferior dela antes de erguer a cabeça. Segurando as coxas lisas de Vanessa e abrindo-as bem, curvou um canto da boca. Seu olhar era frio, mas continha um calor do qual ele nem sequer tinha consciência.

– Você fica realmente mais bonita quando está completamente nua.



Desde que River Ross voltou, só coisas boas aconteceram. Ela não queria acreditar que sua sorte dependia de outra pessoa, mas era verdade.

Na tarde em que recuperou seu pingente, ela recebeu um telefonema da delegacia informando que haviam encontrado o presente de Blair. Pouco depois, um carteiro entregou os botões de punho, impecáveis e sem um único arranhão.

Um novo patrocinador apareceu no hospital onde o irmão de Mary estava internado, e todo o Sul fervilhava com uma vitalidade incomum devido às expectativas em relação o negócio de corridas de cavalos no qual os Battenberg estavam investindo. Alguns que haviam partido para a capital até retornaram, nutrindo vagas esperanças de que uma ferrovia pudesse ser construída.

Seu tio raramente retornava ao castelo devido a novos empreendimentos comerciais e, consequentemente, ela recebeu mais liberdade.

– Estou muito nervosa.

Vanessa, vestida de azul, estava perto de Rosalind, segurando firmemente seu leque. A cerimônia de lançamento do navio de passageiros, tão magnífica e grandiosa que deixara todos sem palavras, havia terminado. Agora começava o baile que duraria até altas horas da noite.

Blair as acompanhou apenas até as proximidades antes de desaparecer na multidão com Cecily. Vanessa, observando ansiosamente na direção em que haviam sumido, mordeu o lábio por hábito, esquecendo-se de que não deveria.

Será que ela realmente conseguiria encontrar um estranho naquela imensa multidão, onde até mesmo um rosto familiar poderia desaparecer de vista em um piscar de olhos?

Ela só tinha visto o rosto do Visconde B. Dawson em uma fotografia. E uma pequena imagem impressa no canto de um jornal que tinha pelo menos dez anos.

Talvez pressentindo sua expressão sombria, Rosalind riu e puxou-a pelo braço.

– Não precisa ficar tão tensa. Você ainda não fez sua estreia de verdade, então eles vão entender se você agir de uma forma um pouco inexperiente. Aliás, às vezes os homens preferem isso.

– O que eu faço agora?

– Sorria e aceite quando os homens se aproximarem. Dance com eles, converse com eles. Aceite isso… E se aparecer um homem de quem você goste, melhor ainda. No entanto, você deve verificar o histórico familiar dele antes de começar qualquer coisa.

Rosalind, que vinha cochichando baixinho com o leque cobrindo a boca, de repente ergueu levemente o queixo. Um homem caminhava em sua direção.

A festa a bordo estava realmente começando.