Tradução: Gheo
Capítulo 114
Era uma pronúncia arrastada que soava quase como um suspiro de admiração. River Ross tinha um jeito tão peculiar de dizer o nome dela. Atingida por uma onda repentina de euforia, Vanessa piscou, atônita, antes de cerrar os lábios com firmeza.
– O que você está fazendo aqui fora a esta hora?
Um leve traço de divertimento permeava sua voz. Um leve traço de divertimento permeava sua voz. Vanessa mantinha os olhos fixos no chão. Temia que, se seus olhares se encontrassem, esqueceria toda a sua raiva e simplesmente o receberia como um cão ansioso à espera.
Ela permaneceu teimosamente em silêncio antes de se levantar bruscamente da cadeira. Acelerou o passo, passando direto por ele. Deu apenas alguns passos antes que a mão dele agarrasse seu pulso.
– …Solte.
Vanessa murmurou, com as orelhas corando. Ela não queria vê-lo agora. Não assim, completamente despreparada e indefesa, tanto emocional quanto fisicamente. Quem poderia prever que ele apareceria àquela hora, quando nem carros circulavam pela rua, caminhando com as próprias pernas em meio à neblina?
A ideia de que talvez não fosse ele não passava de um mecanismo de defesa. O portão de ferro se abrindo, o som dos sapatos de um homem na trilha, a presença se aproximando…
Seria mentira dizer que ela não esperava por isso, mas, no instante em que ouviu a voz dele, toda a preparação que havia feito desmoronou. Ela não queria parecer patética diante dele.
– Para onde você vai?
– Para o meu quarto… Esqueci uma coisa.
– Você esperou todo esse tempo e agora está indo embora sem nem olhar para mim?
– Isso é… bem, sim, mas por agora… mais tarde…
Vanessa lançou um olhar nervoso em direção à entrada do jardim. Sentia-se extremamente desleixada com seu xale fino e cheio de bolinhas, jogado de qualquer jeito sobre a camisola, o cabelo preso descuidadamente e os óculos de armação grossa.
E, quanto mais esplêndido e cavalheiro ele parecia, pior ela se sentia.
– Achei que seria bom te ver.
– ……
– É ainda melhor do que eu imaginava.
Vanessa parou de tentar soltar o pulso da mão dele. A tensão se dissipou de seu corpo rígido. Tudo por causa de uma simples frase que insinuava que ele não a havia esquecido, que havia pensado nela enquanto estavam separados.
Como último recurso para defender seu orgulho, ela virou a cabeça, evitando seu toque.
– …Por que você tinha que voltar hoje, de todos os dias? Você deveria ter voltado bem mais tarde.
Se ele tivesse vindo ontem, ela teria ficado feliz; se tivesse vindo amanhã, ela o teria esquecido para sempre. Refletindo sobre as próprias palavras, River Ross soltou uma risada curta, percebendo o ressentimento agudo que não conseguira esconder completamente.
– Então fico feliz por não ter chegado tarde demais.
O homem que respondeu era devastadoramente charmoso. Naquele instante, a tensão em seu olhar, que estavam teimosamente fixos no chão, diminuiu ligeiramente. Uma mão grande acariciou sua bochecha, inclinando seu rosto para que o encarasse.
Sem querer ceder tão facilmente, ela fechou os olhos com força. Com uma risada suave, um calor tocou sua testa e depois se afastou. Roçou suas pálpebras, doloridas pela falta de sono, a ponte delicada de seu nariz e, por fim, seus lábios, que se entreabriram em um torpor.
– ……
O beijo terminou num instante e nem sequer foi profundo. River Ross a soltou com naturalidade.
– Seus lábios estão frios, Vanessa.
Ele afirmou isso como uma simples observação.
– Não fique aqui fora assim. Da próxima vez, espere dentro. Mesmo no verão, a temperatura é baixa antes do amanhecer.
– …E se eu acabar quebrando algo importante seu?
– Não me importo. Você pode fazer o que quiser com qualquer coisa que estiver lá dentro.
Ele pegou a chave na caixa de chaves, destrancou o cadeado e entrou. Vanessa, que estava paralisada em intenso conflito interno, finalmente o seguiu.
River Ross colocou a pasta que trouxera sobre a mesa e começou a percorrer o longo galpão, abrindo as cortinas e as janelas. O sol, agora alto, lançava uma luz quente sobre o espaço fresco.
– ……
Partículas de poeira dançando no ar captavam a luz, brilhando como pó de ouro. Vanessa sentou-se em uma cadeira de madeira e observou suas costas enquanto ele se movia. Parecia que, naquela semana em que estiveram separados, Deus o moldara de uma forma ainda mais perfeita.
Beleza, uma dignidade serena e a vivacidade singular da juventude coexistiam harmoniosamente em seus traços elegantes.
As linhas de seu corpo, com coxas torneadas e músculos bem desenvolvidos, que nem mesmo seu elegante terno conseguia esconder, faziam com que seus movimentos mais sutis parecessem quase selvagens.
Ele era um plebeu mais aristocrático do que qualquer nobre. Enquanto observava aquela figura impossível, ela se lembrou subitamente dos rumores que as criadas cochichavam pelas suas costas.
