Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 115

Capítulo 115

Tradução: Gheo

Capítulo 115


O boato havia se espalhado a partir do corretor de imóveis. Segundo a informação vazada — de forma muito banal — pelo homem cuja família ganhava a vida negociando terras na região havia gerações, o novo vizinho era um jovem rico e incrivelmente bonito.

As empregadas, meio incrédulas e meio céticas sobre por que um homem tão perfeito compraria uma casa naquele lugar rural isolado, acabavam concordando com a cabeça sempre que olhavam para River Ross. Se um homem morava no armazém de outra pessoa, qual era o problema em comprar uma mansão abandonada?

Assim que o boato foi aceito como verdade, as criadas ficaram ainda mais animadas. Cochichavam em tom de brincadeira, imaginando se o Conde tentaria apresentar a jovem à nova família e, caso isso acontecesse, ofereciam-se para ir no lugar de Mary a fim de "descobrir a verdade" sobre ele.

– As empregadas estavam dizendo que um cavalheiro está se mudando para a mansão abandonada.

– É assim mesmo?

– Há uma antiga mansão a caminho de Lear Kost. Dá para vê-la daqui em um dia claro. Corre o boato de que o comprador é um jovem oficial da marinha.

Ele lançou um breve olhar para Vanessa antes de continuar a desabotoar os punhos da camisa, como se a notícia não tivesse importância. Ela apoiou o queixo na mão e prosseguiu.

– A antiga família Lennox usava a casa como residência de verão, mas ela está abandonada há tanto tempo que dizem que só os reparos custarão uma fortuna.

A vista lá de cima era, sem dúvida, esplêndida, mas o lugar havia sido deixado ao abandono desde a morte do antigo proprietário, tornando-se pouco mais que uma ruína. Era um fardo para a família, impossível de vender, até que esse senhor apareceu de repente e pagou uma quantia considerável por ela.

– Disseram que foi porque o antigo Almirante Lennox, o único da família que se opôs obstinadamente à venda, finalmente deu sua permissão depois de saber a identidade do comprador…

Claro, tudo isso não passava de um boato infundado, impossível de acreditar completamente.

– As empregadas dizem que todo tipo de material valioso vindo do sul está sendo levado para a mansão. Elas acham que ele pode ser alguém de status muito elevado.

– Ah, isso.

– Sabia disso, River? Você viu isso no caminho para cá?

– Algumas vezes.

Ele parecia ter pouco interesse no assunto. Por outro lado, esse era o tipo de fofoca que interessava aos sulistas locais, pessoas que viveriam e morreriam naquela terra. River Ross era um forasteiro, prestes a partir; era natural que não se importasse. Além disso, mesmo que ambos estivessem na marinha, como ele poderia saber da vida pessoal de todos os outros oficiais?

A conversa morreu abruptamente, e Vanessa estava mexendo sem jeito nas pétalas de uma rosa no vaso quando ele colocou uma caixinha sobre a mesa.

– Quase me esqueci.

Era uma pequena caixa de joias. Vanessa fitou River Ross, confusa, e depois voltou a atenção para a caixa sobre a mesa. Forrada com um rico veludo vermelho, parecia cara à primeira vista.

Lenços, perfumes, guarda-sóis, luvas. Joias não estavam na lista de presentes "apropriados" que uma mulher poderia receber de um homem. Enquanto Vanessa olhava, perplexa, River Ross, depois de afrouxar a gola da camisa, virou-se com uma expressão que parecia perguntar por que ela ainda não o tinha aceitado.

Dividida, Vanessa abriu a caixa com cautela. Aceitasse ou não o presente, era educado ao menos dar uma olhada.

– Oh… Meu Deus.

Ao abrir a tampa, ela foi ofuscada por um brilho intenso que refletia a luz do sol. Olhando incrédula para dentro da caixa, Vanessa retirou o pingente com a mão trêmula.

Era o pingente de peridoto que ela havia perdido na feira noturna. Aquele que comprara com todo o seu orçamento como presente de passagem para a vida adulta, a pedra combinando perfeitamente com a cor dos olhos de Rosalind e Blair. Ela temia que, mesmo se fosse encontrado, estivesse muito danificado para ser um presente apropriado, mas, surpreendentemente, estava impecável. Nem um arranhão sequer.

– Fui contatado por um agente quando estava a caminho daqui; eles o encontraram. Parece que ainda estão à procura da abotoadura.