Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 113

Capítulo 113

Tradução: Gheo

Capítulo 113


O "passeio" de River Ross estava se prolongando mais do que o esperado. Mais de uma semana havia se passado desde o dia em que ele prometera voltar, e ele ainda não retornara. Todas as manhãs, Vanessa perguntava a Mary se alguma carta havia chegado para ela, demorava-se desnecessariamente ao telefone ou lia os jornais em busca de notícias sobre acidentes navais.

A princípio, ela estava apenas chateada por ele ter faltado ao encontro combinado. Depois de uns três dias, a preocupação começou a tomar conta. Passada uma semana inteira, resolveu começar a se acostumar com a ausência dele.

Talvez River Ross nunca tenha tido a intenção de voltar. Assim como os soldados tantas vezes esquecem os amores que deixam para trás.

Vanessa pegou Dahlia no colo, que puxava sua saia exigindo brincadeira, e desceu até o jardim de rosas. Envolto na névoa da manhã, o jardim parecia desolado, mas também exuberante, com uma estranha vitalidade. Os arbustos de urze, que já haviam crescido até a altura dos joelhos, competiam para florescer em belos tons de violeta, e pássaros aquáticos, vindos do rio próximo, pousavam nos galhos, chilreando.

Ela apanhou um par de rosas de fim de verão, murchas sob o peso do orvalho da manhã. Dahlia empurrou o nariz úmido para a frente para cheirá-las, fungou e depois espirrou.

Vanessa apoiou os cotovelos nos braços da cadeira ao lado do galpão. Perguntava-se se, por algum milagre, conseguiria sentir a presença dele ali, mas era uma esperança vã.

– Devo te colocar no chão?

Ao que parece, Dahlia sentiu um cheiro interessante, esticou o pescoço e se contorceu, então Vanessa a colocou cuidadosamente no chão. Observando a cadela pular entre as ervas daninhas e rolar várias vezes, Vanessa imaginou que ela estaria toda enlameada e feliz ao meio-dia.

O sorriso no rosto de Vanessa, que se formara enquanto observava Dahlia brincar, foi desaparecendo gradualmente.

Se ele realmente foi embora para sempre, terá levado todos os seus pertences?

Existiam maneiras de descobrir, se ela realmente quisesse saber. Bastava abrir a porta do galpão. Isso seria suficiente para lhe dizer se ele havia partido para sempre ou se apenas pretendia retornar mais tarde.

River Ross mantinha a chave do galpão pendurada na caixa de chaves, quase em desafio, como se não se importasse se alguém abrisse a porta e roubasse tudo o que possuía. Vanessa olhou para a caixa de chaves, dividida, e então balançou a cabeça em negativa.

Mas ele ainda pode voltar.

Se fosse apenas uma ruína vazia, ela não teria nenhuma objeção. Mas aquele barracão ainda era o espaço privado de River Ross. Ela não podia simplesmente invadir e vasculhar suas coisas, não quando ele nem estava presente. Mesmo nos relacionamentos mais íntimos, cortesia e respeito eram necessários.

Ou talvez eu simplesmente queira negar isso… a possibilidade de River Ross ter ido embora sem dizer uma palavra.

Vanessa reprimiu o pensamento autodepreciativo que lhe subiu à garganta. De qualquer forma, essa sentimentalidade confusa e essa evasão chegariam ao fim naquele dia.

Se ele não entrar em contato comigo até esta noite — ou, no máximo, até o amanhecer de amanhã…

Vanessa soltou um profundo suspiro.

Então terei que respeitar a decisão dele. Isso significará que ele não deseja mais me ver.

Vanessa apoiou os cotovelos nos braços da cadeira e o queixo nas mãos. Seu olhar distante recaiu sobre o galpão pintado de branco. Aquele espaço, abandonado por tanto tempo, havia passado por diversas transformações pelas mãos de River Ross e agora renascera como um santuário bastante aconchegante.

Um prédio abandonado estava fadado a se deteriorar rapidamente. E Vanessa esperava, sinceramente, que aquele lugar permanecesse um espaço acolhedor e agradável por muito, muito tempo.

Depois que ele for embora, talvez eu possa transformar o interior em um escritório de escrita.

Mesmo que o desfecho tivesse se mostrado inadequado, o lugar em si era irrepreensível. Na verdade, Vanessa tinha certeza de que poderia continuar a amá-lo, amar River Ross, a lembrança de seus vinte anos e aquele jardim em maio…

Ela pretendia preservar aquelas lembranças ali, sozinha e em paz. Afinal, ansiar e amar alguém em particular era um ato que não prejudicava ninguém.

– Au! Au, au!

Dahlia, que estava perseguindo insetos na grama, de repente ergueu as orelhas. Ela ficou rígida e latiu. Então, Vanessa a viu disparar bravamente, como se fosse espantar um intruso.

Vanessa manteve o olhar fixo no colo, esperando que o som dos passos se aproximasse ou desaparecesse por completo.

O som de passos firmes cessou no exato momento em que a ponta familiar do sapato de um homem surgiu em seu campo de visão. Acima, sua longa sombra se estendia sobre ela, bloqueando o sol como um toldo.

– Vanessa.