Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 112

Capítulo 112

Tradução: Gheo

Capítulo 112


Ele descobriu algo sobre o advogado? Ou pior… sobre o River Ross?

Vanessa encarou-o, dominada por um medo extremo. A cada respiração, um terror culpado a invadia.

No instante em que a mão do tio se aproximou de sua cabeça, Vanessa estremeceu. Vendo a sobrinha recuar instintivamente, o Sr. Wyatt soltou uma risada curta.

– De qualquer forma, pretendo passar este inverno em Lyndon. Consegui um patrocinador poderoso, então o dia em que retornaremos à alta sociedade da capital não está longe. Isso também é bom para você. Se tiver sorte, poderá fisgar um homem com mais dinheiro do que Lowden.

Ele deu uns tapinhas no ombro dela e se virou. Em meio a toda aquela conversa confusa, ela havia captado uma coisa: seu tio não sabia de sua rebeldia. Ainda não. E parecia que ele pretendia continuar a colocá-la no mercado matrimonial, expandindo agora seu território do sul para a capital.

Sociedade da capital.

À medida que sua mente clareava um pouco, um pensamento repentino lhe ocorreu.

Talvez esta seja a minha chance.

Vanessa seguiu o Sr. Wyatt apressadamente, descendo os degraus da entrada.

– Com licença, tio.

O Sr. Wyatt, prestes a entrar no carro, olhou para trás, irritado. Vanessa apressou-se a falar antes que ele pudesse perder a paciência.

– Eu poderia ir com o senhor para a festa no barco daqui a alguns dias?

– …Festa no barco?

– A cerimônia de lançamento do novo navio de cruzeiro construído pela Santra.

Ele fez um som de “tsk” com a língua. Era uma das coisas que o tio dela fazia quando estava profundamente descontente. Nesses momentos, ele rapidamente se tornava tão selvagem quanto um tirano.

Aconteceu pouco depois de ela ter ido morar com ele. Uma jovem empregada doméstica foi espancada tão brutalmente que quebrou o braço, tudo por culpa de Vanessa. O motivo? A empregada não lhe havia sido suficientemente respeitosa.

Tudo o que ela fez foi responder uma vez. O incidente deixou a empregada com uma deficiência permanente na mão direita. Depois disso, Vanessa fez de tudo para evitar contrariar o tio.

Ela sorria quando ele a insultava e anestesiava as próprias emoções. Relatava cada detalhe trivial da sua agenda quando planejava sair. Talvez não tenha sido a melhor estratégia. Quando o Sr. Wyatt percebeu o quanto isso a controlava, parou de bater nela diretamente e passou a espancar as criadas e os empregados.

Ela achava difícil entender por que dizer que queria levar flores aos túmulos dos pais o irritara, mas não se deteve nisso. Todos só queriam que ela fosse uma bonequinha quieta. E, no entanto, apesar de tudo isso…

– Vi a lista de convidados no jornal. Nosso sobrenome estava lá, então presumi que o senhor iria.

Seus esforços, no início daquele ano, para amá-lo e compreendê-lo haviam chegado ao fim, e ela estava prestes a se desapegar do último resquício de afeto que lhe restava.

– Se o senhor estiver muito ocupado, eu vou com Rosalind.

– …

Um longo silêncio se seguiu. Ela percebeu que o Sr. Wyatt não estava satisfeito com sua sugestão, mas não podia voltar atrás. Segundo o jornal, a lista de convidados incluía um Visconde B. Dawson.

Ela precisava desesperadamente daquele advogado. Ele era o único que havia trabalhado com seus pais e a quem ela poderia recorrer. Os outros eram muito idosos, haviam se mudado para o exterior ou já estavam mortos.

Se eu tivesse lido o testamento logo após a morte dos meus pais…

Após o funeral, assim que começou a viver na mansão Gloucester, ela ficou tão ocupada que nem sequer pensou no testamento.

O Sr. Wyatt a enviou para um convento local sob o pretexto de educá-la, e lá ela aprendeu línguas antigas, aritmética e literatura. Foi somente graças à insistência da madre superiora que ela conseguiu ir para Saint Louis.

Mesmo depois disso, seu tio continuou controlando seu entorno com uma estranha meticulosidade. Ele excluiu apenas duas pessoas: os gêmeos Winchester, que eram nobres demais para ele controlar.

Uma amargura insuportável surgiu ao pensar em Blair, mas Vanessa se obrigou a manter a calma e lançou a isca que provavelmente mais interessaria ao Sr. Wyatt.

– Dizem que é o maior navio de cruzeiro de Ingram, então muitos cavalheiros estarão presentes.

– Agora que você mencionou, parece que me lembro. Recebemos um convite.

– Ouvi dizer que há até apostas sobre se o Duque de Battenberg ou Sua Majestade, o Rei, comparecerão.

Ao ouvir as palavras dela, o Sr. Wyatt soltou uma gargalhada repentina e sonora. Surpresa com a mudança abrupta de comportamento dele, Vanessa recuou um pouco. O Sr. Wyatt, que parecia estar ponderando sobre algo, ele deu leves tapinhas no ombro dela com uma expressão amável.

Não estava claro se ele estava dando permissão ou negando. Mesmo assim, o fato de ele não tê-la recusado diretamente lhe dava esperança.

– Leve Mary. E comporte-se quando chegar lá.

Ele disse isso enquanto entrava no carro. Vanessa ficou genuinamente surpresa, pois não esperava que ele realmente concordasse. Ela imediatamente juntou as mãos e agradeceu.

– Claro. Muito obrigada pela sua permissão…

Antes que ela pudesse terminar, a porta do carro bateu na cara dela, como se ele não tivesse mais tempo para conversa fiada.

– …

Vanessa ficou ali parada por um longo tempo, observando o carro até que ele desapareceu como um ponto na distância. Às vezes, era difícil manter a firme resolução que tomara ao conhecer o tio: nunca odiar ninguém.

Mas…

Por mais que ela o odiasse, rezava para que fosse inocente.

Era um desejo contraditório e sincero.