Tradução: Gheo
Capítulo 110
– Venha aqui.
– O sol vai nascer em breve.
Wyatt ignorou as palavras da criada e puxou-a pela cintura fina em sua direção. Fazendo-a soltou um breve suspiro quando ele a segurou pelo peito antes que ela pudesse virar o corpo.
– Não importa.
– Se fizermos isso… duas vezes, posso receber mais dinheiro?
– Não se preocupe com dinheiro agora, Mary. Se tudo correr bem, você poderá até se tornar uma condessa.
– Realmente?
– Claro. Agora que você entendeu, deve se comportar bem…
Ele empurrou a criada em direção à estante, levantou sua saia e agarrou seus seios. De frente para os retratos dos condes anteriores pendurados acima, que pareciam observar com desdém aquela exibição vulgar, o Sr. Wyatt soltou uma risada estridente.
– Eu gosto mais quando estou te montando como um cachorro bem aqui.
– …
– Esta biblioteca era um lugar de que minha mãe biológica gostava particularmente. Ela queria tirar todas as empregadas bonitas da minha vista.
Seu pai e o retrato de sua mãe estavam pendurados lado a lado. Parentes tão nobres quanto seus pais estremeceram, convencidos de que ele estava possuído por um demônio desde o nascimento. Insistiram que seria melhor enviar alguém como ele para um mosteiro ou para o Novo Mundo antes que arruinasse a reputação da família, alertando que, se o deixassem em paz, ele só traria grandes danos ao nome Somerset mais tarde.
É claro que agora todos eram fantasmas mortos. Seu pai rigoroso, sua mãe que ocasionalmente o cobria de um afeto sufocante apenas quando sentia vontade e até mesmo seu irmão mais velho, que permanecera em silêncio durante todas as situações terríveis… De certa forma, as preocupações de seus parentes eram justificadas. Afinal, foi ele quem acabou herdando tudo. Sobreviver significava ser forte. Sempre.
Embora tudo o que me resta agora seja apenas uma pequena faixa de terra.
Houve um tempo em que ele se sentava contente em meio às ruínas deixadas pela partida deles, destruindo sistematicamente as glórias de Somerset como vingança contra a família que o abandonara. As consideráveis economias que lhe restavam foram gastas para pagar suas dívidas pessoais; comprou uma casa e convidou mulheres incessantemente e, como prometido, deu algum apoio financeiro à gangue com a qual estivera envolvido antes de retornar para a família. E contraiu ainda mais dívidas em nome de Somerset.
Há três anos, os freios começaram a ser acionados em sua vida devassa e sem fim. Com o dinheiro esgotado, as heranças desperdiçadas em jogos de azar e todos os investimentos arruinados, a última coisa à qual se agarrou foi o negócio de produção ilegal de uísque. Mesmo assim, viu-se reduzido a catar as migalhas deixadas pelos verdadeiros figurões.
Mas agora tudo será completamente diferente.
A herança do irmão — que ele planejava vender, como quem abate um cordeiro bem alimentado no momento certo — lhe trouxera uma nova oportunidade. Um bilhete para entrar na inesgotável terra dourada dos Battenberg.
– Ah…
Um gemido irrompeu dos lábios violentamente abertos da criada, como um canhão em celebração. Uma saudação à Era de Ouro de Somerset, que seria restabelecida em sua geração.
Esse foi o seu legado, construído sobre a morte e a traição.
A desculpa de estar indisposta tornou-se realidade no início da noite. Vanessa, que tinha ido para a cama sem jantar, revirou-se na cama com uma febre desagradável, e só acordou encharcada de suor frio. A princípio, era difícil distinguir entre sonho e realidade.
Ela foi atormentada a noite toda por um sonho em que alguém a perseguia. Pensou ter ouvido gritos, visto um lobo pingando sangue ou ouvido passos logo atrás. No fim, a luz fraca de um farol em pane iluminou pessoas caídas na rua.
Foi um pesadelo tão profundamente desagradável que, só de pensar nele, ela sentia um arrepio na espinha.
– Mary?
Vanessa olhou em volta, encarando a escuridão azul-profunda da madrugada, e chamou por Mary. Achou que a empregada estivesse no quarto vizinho, mas não adiantou puxar a campainha. Diante do silêncio, concluiu que ela devia ter saído do quarto ainda mais cedo.
Vanessa esperou mais um pouco até o sol nascer completamente antes de se levantar da cama.
Queria dar uma pequena caminhada antes que todos acordassem. Apenas para clarear as ideias confusas, sem demorar muito…
Olhando para o guarda-roupa, Vanessa decidiu simplesmente enrolar um xale fino sobre sua camisola. Já que pretendia ir ao jardim de rosas de qualquer maneira, não precisaria se vestir completamente. Mesmo que River Ross não estivesse lá, pelo menos poderia evitar olhares curiosos. Caminhou rapidamente pelo corredor e desceu as escadas. No exato momento em que pisou no hall de entrada do primeiro andar, dois homens parados perto da porta da frente perceberam sua presença e viraram a cabeça.
– Vanessa.
