Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 109

Capítulo 109

Tradução: Gheo

Capítulo 109


O Sr. Wyatt levantou-se da cama da empregada com uma sensação de satisfação. Era uma rotina rara e prazerosa. Fazia quanto tempo que não sentia apenas pura gratificação, sem aquela morna sensação de intrusão estranha?

Ele soltou um suspiro profundo. O prazer proporcionado pelo corpo jovem e firme de uma mulher era sempre intenso, mas as inevitáveis dificuldades da vida o estavam envelhecendo. Eram, em sua maioria, questões financeiras.

Mas, pelo menos por enquanto, ele poderia se livrar dessas preocupações. Essa esperança lhe trouxe uma nova vitalidade. Puxando as calças para cima, ele colocou um charuto na boca e pegou a carteira que estava por perto. Após um momento de reflexão, tirou cinco notas de cinco libras e as entregou à empregada.

– Aqui.

A empregada, que ajeitava a saia amarrotada sem expressão, pegou o dinheiro com as duas mãos. Ele ficou satisfeito ao ver os olhos dela se arregalarem levemente em surpresa. Era assim que a generosidade de um homem se manifestava quando havia a possibilidade de uma grande quantia de dinheiro chegar.

– …Por que essa generosidade toda, assim do nada?

– Se eu lhe der, aceite com prazer.

Ele disparou as palavras com impaciência e acendeu o charuto. De todas as mulheres com quem estivera ao longo da vida, aquela empregada era a melhor, mas seu rosto comum e sem sensualidade sempre fora um defeito. Afinal, os homens sempre foram dependentes das mulheres.

O Sr. Wyatt soltou uma baforada de fumaça de charuto e pegou a garrafa de uísque no console. A bebida, meio vazia, era forte como aguardente caseira, perfeita para ficar bêbado.Tomando um gole da bebida, perguntou de repente, como se tivesse se lembrado de algo.

– E quanto a Vanessa?

– Ela foi para a cama cedo ontem à noite, dizendo que não estava se sentindo bem.

– Como ela anda hoje em dia?

– Ela está bem.

O Sr. Wyatt franziu a testa.

– Não tem mais nada a dizer? Você vem me dando a mesma resposta ultimamente.

– Ela simplesmente não é do tipo que exige muita atenção. Raramente faz exigências.

A criada ainda segurava as notas na mão. O jeito como examinava o uniforme sugeria que estava pensando em onde guardá-las para não perdê-las enquanto trabalhava. Havia alguns criados que tinham o hábito de furtar na Mansão Gloucester.

Contanto que não tocassem na propriedade do patrão, o Sr. Wyatt geralmente os deixava em paz. Era um mal necessário para manter aquela mão de obra barata.

– Nada de novo?

Ele esvaziou a garrafa de uísque, observando a expressão da empregada. Observou-a atentamente, à procura daquela peculiar mudança de expressão típica de quem mente ou esconde um segredo. A empregada ficou em silêncio por um breve instante.

– Nada, não em particular.

O Sr. Wyatt soltou um suspiro profundo.

– Eu odeio mentiras.

– Não é mentira.

Ele olhou em silêncio para o rosto assustado da empregada. Então, ergueu a mão e deu um tapinha na bochecha dela, afagando-a.

– Sua vadia. Você aceitou dinheiro, não foi? Para ficar calada.

– Eu não…

– Não? Então onde exatamente ela conheceu o duque?

– O Duque?

– Parece que você tem sido bastante negligente em suas obrigações.

Ele arrancou as notas da mão da empregada, devolvendo apenas três. Os lábios da empregada tremeram de humilhação, mas, desta vez, ela rapidamente enfiou o dinheiro entre as meias. Por baixo da saia levantada, ele pôde ver a coxa presa pela cinta-liga e os vestígios do que havia deixado para trás, já secos.

– …

Aquela visão, estranhamente, reacendeu sua luxúria. Um vigor o invadiu, como se ele tivesse voltado aos vinte anos, quando a simples visão de uma mulher o fazia ferver de desejo. Percebendo tardiamente a mudança em seu humor, a empregada se apressou em fugir, mas ele foi mais rápido.

– …Preciso mesmo descer agora. Pediram-me para ajudar a preparar o café da manhã…

– Você também faz isso?

– Estamos com falta de pessoal.

– Há bastante tempo. E, apesar de estarmos com pouco pessoal, pago generosamente, não é?

O Sr. Wyatt soltou uma risada seca ao ouvir as próprias palavras. Parecia um pouco ridículo, mas não era totalmente mentira. O que ele lhes pagava mensalmente era metade do salário de um empregado "de verdade", mas, para patifes, meretrizes e batedores de carteira como eles, até isso era excessivo.

Em que momento eles já tinham visto tanto dinheiro? Quando foi que alguma vez trabalharam em uma mansão como esta?

A criada pareceu hesitar por um momento, depois baixou os braços fracamente.