Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 107

Capítulo 107

Tradução: Gheo

Capítulo 107


Independentemente da mudança de opinião que tivera sobre Vanessa e do contrato "justo e igualitário" que haviam estabelecido, Theodore considerou isso uma recompensa razoável e suficiente por um verão que, no geral, havia sido agradável.

Afinal, ele havia enganado Vanessa e se deliciado com o mal-entendido dela. Edgar, alheio a isso, pareceu bastante chocado, supondo que Theodore tivesse chegado a tais extremos apenas por amor.

– Você pretende investir muito ouro nesta terra sem valor, mas não vai se casar com ela?

Theodore relaxou ligeiramente a postura ereta, recostando-se na cadeira.

– Ela é uma mulher de muito valor, e o casamento não oferece nenhuma vantagem adicional. Estou perfeitamente satisfeito com as coisas como estão.

– …A senhora sabe que está fazendo tudo isso?

– Claro que não. E ela não precisa saber.

Edgar olhou fixamente para o primo, estranhamente sem palavras.

– Eu realmente não digo isso com frequência. Não, eu nunca imaginei que diria isso a você…

– O quê?

– Só não se arrependa disso depois, Theodore.

– ……

– O quê… Por quê… Por que você está me olhando assim?

Edgar parecia um tanto ridículo, estremecendo com os braços erguidos em posição defensiva, como se estivessem prestes a trocar socos como faziam quando tinham seis ou sete anos.

– Diga de novo.

– Dizer o quê?

Edgar, repassando brevemente a conversa que tiveram ao receber a ordem, perguntou desconfiado:

– Seu nome? Theodore?

– Que estranho. Soa mal vindo de você.

– …Uau.

Quando Edgar, estarrecido, estava prestes a retrucar, a porta que estava firmemente fechada se abriu de repente. O Conde de Essex atravessou a sala apressadamente e sentou-se em frente a eles. Seu rosto rechonchudo exibia uma esperança infundada em relação ao futuro, sugerindo que a conversa anterior havia corrido bem.

– Oh, céus. Sinto muito por tê-lo(a) feito esperar tanto tempo.

O Conde acomodou-se em seu assento, levando a mão à cabeça e fingindo coçar os poucos fios de cabelo que lhe restavam.

– Quanto ao nosso acordo… Vossa Graça está investindo tanto no desenvolvimento do sul que eu gostaria de poder lhe ceder o terreno por uma mixaria. Contudo, terras rurais não são algo de que eu possa abrir mão conforme a minha vontade. É algo que minha família protege há muitas gerações…

– Então você tem um preço diferente em mente.

– Hum, bem, francamente sim… Meu assessor chegará em breve com os nossos termos. O Conde de Somerset também deverá chegar em dez minutos.

– Excelente.

Theodore checou o relógio de bolso e o fechou com um estalo. Dez minutos eram tempo suficiente para avaliar alguém.

Ele cruzou elegantemente as longas pernas, apoiando as mãos levemente entrelaçadas sobre o joelho.

O gesto simples exalava uma aura opressiva que desmentia a idade do jovem duque.

– Agora, vamos coordenar os termos.



– Como a senhora sabe, o testamento foi registrado em cartório sem qualquer problema. Não entendo por que continua insistindo nisso.

Vanessa mordeu o lábio ansiosamente e apertou o telefone com mais força. Ouvindo a voz burocrática do outro lado da linha, ela se sentiu como uma criança fazendo uma birra terrível.

– Não estou questionando a validade do documento. É que foi ele quem autenticou o testamento dos meus pais, e eu gostaria de me encontrar com ele para discutir algo.

– Isso não me parece ser algo em que eu possa te ajudar.

– Só preciso do endereço dele.

– Se você deseja identificar a pessoa que autenticou o testamento, deve ir ao tribunal estadual. O nome e o endereço do advogado que o autenticou estão registrados lá.

– Eu já pesquisei tudo isso.

– …Você já pesquisou tudo?

Vanessa endireitou a coluna, como se a pessoa do outro lado da linha pudesse vê-la. Ela se recusou a deixar transparecer sua intimidação.

– George Heather. Atualmente desaparecido. Solteiro, sem parentes conhecidos. Cheguei a ir ao endereço que consta como seu escritório, mas me disseram que fechou há anos. E…

Era uma conexão que ela mal conseguira encontrar depois de garimpar os registros antigos no tribunal de Somerset. Perder essa chance estava fora de cogitação. Após uma breve hesitação, decidiu arriscar com cautela

– Confirmei também que, durante o período em que o Sr. Heather atuou como conselheiro da nossa família, o senhor também estava registrado no mesmo endereço comercial.