Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 105

Capítulo 105

Tradução: Emma

Capítulo 105


Edgar encarou Theodore com o olhar vago, completamente sem palavras. Ele não conseguia decidir o que era mais surpreendente: se o fato de seu primo não negar a existência de uma mulher escondida, ou se o fato de ele estar chegando a tais extremos por uma mera amante. Passando a mão seca pelo rosto repetidamente, Edgar finalmente soltou um riso de incredulidade.

— Você vai despejar milhões de libras nas mãos gananciosas do Rei por uma única carta régia, apostar o nome dos Battenberg em uma corrida de cavalos e depois me dizer que não está falando sério?

— O Rei organiza suas próprias corridas, então dificilmente isso é uma novidade.

— E, no entanto, lembro-me de que Vossa Graça detestava esse tipo de coisa.

— Não tenho motivos para preferi-las. Não importa o quão elegantemente os nobres se sentem e apreciem o espetáculo, em sua essência, ainda é apenas jogo de azar.

— …E, tendo isso em mente, realmente pretende sujar as mãos nisso.

Theodore entrelaçou as mãos sem pressa.

— Há alguma razão para eu não fazer isso? Não é como se eu estivesse colocando o nome da família à venda.

— E se você não vender esse seu precioso nome de família, quem, então, apresentará como investidor?

— De Muerse.

— A empresa de processamento de diamantes.

Edgar, que estava encarando Theodore surpreso, caiu em uma gargalhada sonora.

— Agora sim, isso é uma bolada.

A notícia de que a De Muerse — a empresa dos Battenberg com a maior porcentagem de ativos em dinheiro — estava envolvida nisso significava que um novo hipódromo, o maior não apenas do Sul, mas de todo o continente, poderia ser construído. E isso significava que o Duque estava realmente falando sério sobre este empreendimento…

Então ele quer dizer apenas que não colocará o nome da família em exibição.

Na verdade, todos sabiam que os Battenberg estavam por trás da De Muerse. De quem mais seriam esses bolsos fundos, comprando impiedosamente cada mina no Novo Mundo? Edgar olhou para Theodore, com o rosto agora completamente desprovido de riso.

— Seja honesto comigo.

— Sobre o quê.

— Você está realmente tendo todo esse trabalho por uma única mulher? Não importa o quanto eu pense sobre isso, não faz o menor sentido. É mais lógico assumir que está escondendo algo.

— …

— Se você não me contar a verdade, não vou deixar isso passar.

Theodore olhou para o primo com uma expressão de incredulidade.

— E o que acontece se não deixar passar?

— Então eu vou correndo até a Duquesa Viúva e conto tudo sobre o seu pequeno caso. Como o cão fiel que sou.

— Você se vende por um preço muito baixo.

— E quem sabe que informações esta boca barata pode vazar para os repórteres?

Embora parecesse uma reclamação infantil, a ameaça era muito real, dada a capacidade de Edgar de levá-la adiante. A rara seriedade em seus olhos enquanto olhava para ele sugeria que não era um blefe vazio.

Theodore pegou a xícara de chá da mesa e a inclinou, como se inspecionasse a cor do líquido. Poeira flutuava na superfície do chá claro e avermelhado, que já começara a esfriar. Exatamente como aquele espaço — respeitável por fora, mas de péssima qualidade quando observado de perto.

— Eu não estou brincando com isso. Se você não se explicar direito, vou ligar para a Duquesa Viúva agora mesmo…

— Há uma nova gangue que vem ganhando poder rapidamente nos últimos tempos.

Theodore abriu a boca, colocando a xícara de chá de volta no pires. Edgar, que estava prestes a se levantar da cadeira num pulo, sentou-se rapidamente de novo.

— Uma gangue? E o que isso tem a ver com isso?

— Parece que eles ganharam um bom dinheiro operando uma rede ilegal de apostas em corridas de cavalos. Começaram no Leste e agora expandiram seu território para o Sul. No processo, vêm molhando a mão de pessoas aqui e ali para legalizar seus negócios.

— Entendo.

— E quando ficaram sem capital, começaram a comerciar bebida alcoólica ilegal.

As palavras que Theodore proferiu com tanta naturalidade continham informações explosivas o suficiente para virar toda a Ingram de cabeça para baixo. Edgar, de boca aberta, esperou que seu primo continuasse.

— Dizem que começaram a vender a bebida ilegal há cerca de três anos. Nove libras o galão, duzentos galões por semana, e parece que estão exportando todo o estoque para o Norte no Novo Mundo.

— E-espere um pouco… Duzentos galões? Isso é sequer possível para uma gangue iniciante?

— Não é totalmente impossível se você tiver o apoio certo. Há membros do Parlamento que vêm recebendo contribuições políticas regulares desses contrabandistas.

Edgar esfregou o rosto com as mãos secas repetidamente. Se essa informação fosse verdadeira, seria apenas uma questão de tempo até que a Câmara dos Lordes de Ingram fosse lançada ao caos.

— Parece que são mais do que apenas um ou dois.

— Pelo menos de três a cinco. Sua Majestade acredita que no centro de tudo isso está a família Morley, a família do Primeiro-Ministro.

— O Primeiro-Ministro… Consigo entender por que Sua Majestade estaria vendo vermelho.

— Ele vem procurando uma oportunidade para derrubá-lo há anos.