Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 103

Capítulo 103

Tradução: Emma

Capítulo 103


— Seja bem-vindo, Vossa Graça. É uma honra recebê-lo.

O Conde de Essex cumprimentou o jovem duque com um sorriso que ia de orelha a orelha. Se não fosse pelo mínimo de dignidade que um nobre era obrigado a manter, sua deferência era tal que ele teria encostado a testa no chão sem pensar duas vezes.

E com razão — o homem era um Battenberg. Ele controlava não apenas bancos e ferrovias, mas também uma dúzia de usinas siderúrgicas e fábricas de automóveis ao longo do Rio Oltempoz, bem como várias empresas privadas em nome do rei, acumulando uma fortuna muito maior do que a da própria família real.

Ele era, em suma, o titã dos titãs, o homem que detinha a economia de Ingram na palma de sua mão. Mesmo aqueles que se lembravam da infância do duque e que um dia o haviam desdenhado, mesmo aqueles predispostos a menosprezar qualquer homem jovem, já não ousavam duvidar de que todas as conquistas recentes da família eram obra do próprio duque.

O que é precisamente o motivo pelo qual o rei o cobiça tanto, pensou o Conde.

Na verdade, quem poderia permanecer indiferente diante do dinheiro? Além disso, o Sul estava, para todos os efeitos, sofrendo com a miséria.

Os jovens já não desejavam ser servos meeiros. Eles queriam ir para as cidades em vez de arar a terra ou jurar lealdade a um lorde.

Queriam trabalhar, cobertos de graxa da cabeça aos pés, nas magníficas usinas siderúrgicas e fábricas de automóveis de Battenberg, tomar café, ler jornais que custavam alguns trocados e sustentar suas esposas e filhos com esse dinheiro. E ganhavam o dobro do que seus pais jamais haviam ganhado.

Os velhos aristocratas, que por gerações haviam acumulado riqueza a partir de suas vastas terras agrícolas, perderam seus servos e empobreceram. Em vez de reduzirem seus gastos, venderam suas terras. À medida que suas terras diminuíam, o mesmo acontecia com a renda vinda delas e, sem dinheiro, vendiam mais terras. Era um círculo vicioso.

Alguns dos mais espertos pegaram o dinheiro da venda de suas terras como capital inicial e se aventuraram em novos negócios, mas eram uma minoria. A maioria dos nobres que restavam no Sul era composta por tolos que haviam ficado para trás no tempo ou por homens envolvidos em atividades criminosas.

Mas a partir de hoje, tudo isso poderia mudar.

Apertando a mão contra o peito que batia acelerado de excitação, o Conde de Essex escoltou educadamente o duque e sua comitiva até o gabinete. Para quem olhasse para seu rosto sincero e altivo, nunca imaginaria que aquele era o mesmo homem que, momentos antes, estava importunando uma criada.

— Também mandei avisar o Conde Somerset. Ele está hospedado em uma casa de campo não muito longe daqui, então chegará antes que Vossa Graça fique entediado. Mas antes disso, creio que há tempo de sobra para desfrutar de uma xícara de chá quente com um bom conhaque… Por favor, sente-se, Vossa Graça.

Theodore sentou-se no sofá longo como o Conde sugerira. O gabinete apresentava sinais de ter sido arrumado às pressas, provavelmente assim que o Conde recebeu a ligação sobre a visita. As flores, colhidas às pressas do jardim e enfiadas em um vaso, eram um arranjo rudimentar que mal servia ao seu propósito. Os móveis pareciam ter tido suas capas de proteção arrancadas num solavanco, e a poeira nos parapeitos das janelas permanecia intocada.

Em uma tentativa mesquinha de hospitalidade, um balde cheio de gelo e várias garrafas de bebida haviam sido preparados sobre uma mesa. Edgar piscou para as jovens e atraentes criadas que os cumprimentaram.

— Receio que seja um espaço humilde. Eu não esperava que Vossa Graça viesse pessoalmente, então nossas preparações são de certa forma insuficientes….

— Fomos nós que ligamos avisando em cima da hora, então por favor não se preocupe com isso.

— Fico aliviado se isso não ofender a sensibilidade estética de Vossa Graça. Ah, já que está aqui, por que não fica por alguns dias? Estávamos prestes a começar uma caçada esta tarde.

— Era exatamente o que estava esperando….

— Temos que pegar o trem da noite de volta. Antes disso, eu agradeceria se o senhor esvaziasse a sala.

Diante da recusa seca de Theodore, o Conde de Essex deu um sorriso sem jeito e dispensou as criadas. Naquele breve momento, Edgar, que de alguma forma conseguira arrancar um lenço de uma das criadas, deu de ombros para o olhar afiado de Theodore, como quem diz: “O que posso fazer? Sou tão charmoso que elas se atiram em mim."

O Conde de Essex lançou um olhar de soslaio para Edgar, depois limpou a garganta, fingindo não ter visto o pequeno teatrinho, e começou a falar.

— O senhor explicou a situação pelo telefone agora há pouco, mas como Vossa Graça está aqui, gostaria de ouvir um pouco mais de detalhes. O senhor deseja investir no negócio de corridas de cavalos do Sul, diz? O Hipódromo?