Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 102

Capítulo 102

Tradução: Emma

Capítulo 102


— Soltem esse homem imediatamente, ou vou chamar um policial!

— Ora, veja só, senhorita — disse um dos homens que prendiam o vagabundo ao chão, com um sorriso cínico. — A senhorita deve ser de fora da cidade, mas esta não é a primeira vez que este sujeito apronta uma dessas.

— Ele tem uma crise sempre que vê um carro com uma cor esquisita. É um golpe para arrancar dinheiro fingindo que foi atropelado.

— Recebemos várias reclamações de moradores só esta semana. Ele é uma figura e tanto.

O homem que havia bloqueado seu caminho tirou um distintivo de policial do bolso. Vanessa olhou do distintivo para o vagabundo que se debatia, com os olhos cheios de perplexidade.

Enquanto isso, a confusão se tornou mais violenta. Então, de alguma forma, os membros do vagabundo ficaram moles. Assustada, Vanessa tentou se aproximar, mas foi bloqueada mais uma vez.

— Isso aconteceu na nossa jurisdição, então nós cuidaremos do assunto.

— Mas ele parecia prestes a morrer. Estava sangrando tanto….

— Provavelmente é sangue de porco. Ele guarda em uma pequena bolsa e joga em si mesmo.

Vanessa olhou desorientada para o sangue que secava em suas mãos. Tudo aquilo era sangue de porco? Parecia exatamente com sangue humano. E o sangue continuara fluindo firmemente de sua testa….

— A sua criada está vindo.

Às palavras do policial, ela se virou para ver Mary se apressando na direção delas com uma bacia de água. O rosto da criada estava pálido, como se pensasse que Vanessa estava sendo importunada por baderneiros.

— Não se preocupe com esse aqui. Vamos mantê-lo na delegacia esta noite e mandá-lo para casa amanhã, quando estiver mais calmo.

— …Eu chamei um médico. Vou com vocês até a delegacia, então ao menos deixem que ele seja examinado.

— A senhorita está sendo irrazoável. Temos muitas outras coisas para resolver.

— Minhas desculpas por não poder atender aos caprichos de uma nobre dama.

O homem que prendia o vagabundo com o joelho curvou-se como um serviçal da corte, e risadas secas irromperam da multidão. As bochechas de Vanessa coraram diante do deboche desconhecido, mas ela reuniu o pouco de coragem que lhe restava e se ergueu com altivez.

— Se o conhecem tão bem, qual é o nome dele?

— Que nome teria um vagabundo? Por favor, siga o seu caminho. Causar uma cena aqui seria uma imprudência.

— Senhorita.

Mary, que havia se aproximado, chamou-a baixinho. Conforme o impasse se prolongava, murmúrios de reclamação sobre o caminho bloqueado começaram a surgir entre os espectadores. Sem outra escolha, Vanessa recuou, e os policiais arrastaram o vagabundo inconsciente para longe. Mary, que compreendera a situação a partir da breve troca de palavras, parou ao lado dela.

— Um golpista, era o que ele era? É, eu imaginei.

Vanessa, ainda confusa, observava as figuras dos homens se afastando. O distintivo que haviam lhe mostrado era real, o que tornava claro em quem ela deveria confiar. No entanto, não conseguia se livrar da imagem dos olhos piedosos do vagabundo, ou da convicção em sua voz quando dissera que as pessoas que vinham buscar por ele chegariam.

— Como eles sabiam que eu era de fora da cidade?

— Bem, é uma cidade pequena. Suponho que esta água sirva apenas para lavar suas mãos agora.

— …

— Vamos.

Enquanto Mary a incentivava, Vanessa olhou para baixo para lavar as mãos e viu algo no chão, aos pés delas.

— Espere, Mary. Debaixo do seu pé…

Vanessa se agachou e pegou um medalhão coberto de poeira. Embora só o tivesse visto brevemente, reconheceu-o na hora. Era o mesmo que o vagabundo usava no pescoço. Deve ter caído no chão durante a luta violenta com os policiais.

Ela compreendeu imediatamente por que o homem dava tanto valor. Era feito de ouro, o trabalho artesanal delicado e bonito, e parecia tão familiar que lhe deu uma sensação de déjà vu. Tinha certeza de que já o vira em algum lugar antes. Isso é….

— Não é lindo?

A cabeça de Vanessa virou-se bruscamente. A voz fora tão vívida como se alguém tivesse sussurrado em seu ouvido.

— Isto é algo que a Mamãe emprestou para o Papai. Se você virar assim, ele abre, e assim, ele tranca, para que você possa guardar algo precioso dentro.

— Uau.

— O Papai vai encomendar um retrato em miniatura para colocar aqui dentro. Assim ele pode ver sua filhinha sempre que sentir saudades dela, não é?

Seguindo a memória, ela virou o medalhão uma vez. O fecho solto e quebrado soltou-se com um estalido, e um pedaço de papel que estava guardado dentro caiu no chão. Parecia o retrato de alguém, ou uma fotografia antiga e desbotada. Com a mão trêmula, ela o pegou.

— Senhorita?

Vanessa ergueu a cabeça devagar ao som da voz de sua criada. Seu rosto, desprovido de qualquer cor, estava estranhamente frio.

— Preciso pedir um telefone emprestado. Tenho que avisar que surgiu um assunto urgente e não poderei ir.

— Espere. A senhorita não vai para Essex?

— Não. Tenho outro lugar onde preciso ir.

— Ir… Para onde?

Vanessa dobrou o retrato e o guardou de volta no medalhão.

— Para Gloucester.