Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 101

Capítulo 101

Tradução: Emma

Capítulo 101


Vanessa olhou ao redor, nervosa. Ela desesperadamente esperava que alguém ajudasse, mas qualquer um cujos olhos cruzassem os dela se apressava em desviar o olhar. Vanessa ajudou o vagabundo a se ajeitar em uma posição mais confortável enquanto respondia.

— Apenas tente se acalmar. Alguém virá para ajudá-lo em breve….

— N-não minta para mim! Você… Está tentando chamá-los, não está?

O homem, que vinha tremendo como se fosse exalar seu último suspiro a qualquer momento, encarou-a e gritou. Mas sua explosão feroz durou pouco. Ele caiu em um acesso de tosses curtas, lutando para se sentar.

— Eu… Prefiro morrer… A voltar para eles!

— Eu entendo. Por favor, apenas se acalme.

Vanessa deu leves tapinhas nas costas franzinas do homem, esperando a tosse passar. O lenço em sua mão era lamentavelmente inadequado para estancar o fluxo de sangue. Ela olhou ansiosamente na direção para onde Mary havia corrido e depois apoiou o vagabundo, que parecia prestes a perder a consciência. Ela precisava mantê-lo falando. Se ele desmaiasse naquele estado, certamente morreria.

Vanessa escolheu suas palavras com cuidado, tentando não provocá-lo.

— É verdade que a ajuda está vindo. Eu não estou mentindo. Primeiro, vamos deixar um médico examinar você….

— N-não! Não chame ninguém. Está ouvindo? N-não chame ninguém.

Ele parecia tomado por um terror profundo. Se pudesse se mover, teria empurrado Vanessa para o lado e fugido. O vagabundo olhou ao redor desorientado e depois agarrou o pulso dela com força.

— D-diga àquele desgraçado. Diga a ele que eu tenho provas, provas irrefutáveis… Provas que poderiam arrastá-lo para diante de um magistrado neste exato instante….

— Um magistrado?

— Sim. O dono daquele carro… Ele me p-pagou para matar alguém….

Naquele instante, sem perceber, Vanessa soltou o braço do homem que delirava. Vendo a mudança na expressão dela, ele continuou, com os olhos cheios de ansiedade.

— Quando consertei o motor, usei… Peças contrabandeadas. Eu me lembro do… Som incomum que ele fazia. E a cor definitivamente era a mesma.

Um calafrio percorreu a espinha dela. Aquele homem havia cometido um crime terrível e a estava confundindo com uma cúmplice da pessoa que o encomendara….

Tudo por causa do som do motor antigo e peculiar do carro e de sua pintura.

E a cor é tão de mau gosto. Esta deve ser a única carruagem desta cor em todo Sul….

Os lábios de Vanessa, pálidos e sem sangue, começaram a tremer. Por que as palavras de Mary vieram à sua mente bem naquele momento, ela não sabia dizer.

Será que ele tem alguma ligação com o seu tio?

Por um momento, um pensamento horrendo cruzou sua mente. Um pensamento tão vil que ela se sentiu enojada de si mesma por apenas tê-lo.

Isso é um absurdo.

Por que ela sequer levará as palavras daquele homem a sério, para começar? Não passava de delírios de um vagabundo qualquer.

Dos três carros que seu tio Wyatt possuía, aquele era o mais antigo e dilapidado. Raramente era usado, apenas quando ela precisava ir a Bath, e de resto permanecia estacionado na garagem. E a cor, como Mary dissera, era de fato peculiar.

Havia sido um veículo barato do excedente militar, pintado por cima com uma camada de tinta azul-pálida em uma tentativa de parecer elegante. Um carro como aquele seria o único de seu tipo em toda a Ingram. Talvez fosse verdade….

— Que prova irrefutável é essa da qual fala?

Enquanto ela perguntava, uma profunda suspeita finalmente nublou o rosto do vagabundo. Ele estreitou os olhos, escrutinando o rosto dela, e então, como em um momento de percepção, soltou um som gutural e metálico.

Era impossível dizer se era um grito ou um gemido. Ele tateou freneticamente o próprio peito imundo. Algo de ouro puro reluziu por entre os fardamentos cinzentos e esfarrapados. A luz estava tão fora de lugar que não podia ser confundida.

Bem no momento em que ela tentou ver melhor, o vagabundo arfou e agarrou o objeto com a mão direita. Uma fina corrente de metal esticou-se, como se estivesse prestes a arrebentar.

— Quem… Quem é você?

— Eu sou da família Somerset….

— Achamos ele! Ah, lá está aquele desgraçado aprontando de novo.

Assim que Vanessa estava prestes a responder, três homens abriram caminho pela multidão que se aglomerava e se aproximaram. O vagabundo, ao avistá-los, começou a ofegar de terror. Ele imediatamente empurrou Vanessa para o lado e tentou fugir, arrastando suas pernas sem reação.

— Olhe para ele, tentando dar outro de seus golpes inúteis.

Os homens avançaram e agarraram o vagabundo por ambos os braços, puxando-o para pé. Ele lutou violentamente, mas foi rapidamente forçado contra o chão, enquanto um pano sujo era enfiado em sua boca. Lágrimas misturadas com sujeira escorriam de seus olhos, arregalados de terror.

— Esperem!

Vanessa ergueu a voz, tentando pará-los, mas o homem que parecia ser o líder deles bloqueou seu caminho. Ela vacilou por um momento diante da presença intimidadora dele, mas rapidamente ergueu a postura e o encarou.