Difícil de Atravessar [Novel]

Antes do exame de entrada na faculdade, Shi Sui foi forçada a se mudar para a casa da família de um amigo de seu pai, onde conheceu o filho deles, Yan Tingli. Naquele momento, o jovem estava de pé na escada com um suéter de gola alta preto, toda a sua presença fria e desolada, olhando para ela como se ela não fosse nada. Ele parecia não reconhecê-la, mas Shi Sui conhecia Yan Tingli. Ele era refinado e bonito, o famoso aluno honorário da escola, amado por inúmeras garotas. Ela nunca imaginou que, a portas fechadas, até mesmo um bom aluno pudesse descartar sua pele externa e devorar pessoas sem cuspir os ossos. “Quero te beijar.” “Eu não quero.” “Seja boazinha, abra a porta agora.” Irmã tímida e gentil × canalha refinado O protagonista masculino tem um desejo possessivo muito forte, é bastante louco e bom em se disfarçar, mas é um apaixonado. Atenção: Aqueles com altos padrões morais para o protagonista masculino não devem ler.

Capítulo 42 - Tente fugir mais uma vez...!

Capítulo 42 - Tente fugir mais uma vez...!

Hard to Cross

Tradutora: Haru

Yoru Scanlator

Capítulo 42 - Tente fugir mais uma vez...!

Depois de mais de dez horas de voo extremamente puxadas.

Ao chegar, já era noite em Los Angeles, com uma lua brilhante e poucas estrelas. Shi Sui levantou a cabeça e olhou para o céu azul-escuro. Naquele momento, ela sentiu como se estivesse em outra vida.

Ela voltou de repente para o dormitório. Sua colega de quarto, que tinha acabado de encerrar uma festa no dormitório ontem, saiu esfregando os olhos. Ao vê-la na porta, ela exclamou surpresa em inglês: "Lily, como assim você voltou?"

Shi Sui empurrou a mala pela porta e respondeu, bem direto: "Eu só quis voltar do nada."

Depois de se formar na graduação, Mihuizi tinha voltado para a China, e Luna era a nova colega de quarto de Shi Sui na pós-graduação uma rainha da vida social que amava dar festas.

Por causa disso, quando Shi Sui abriu a porta do quarto e viu garrafas de vinho e cartas de jogo espalhadas por todo lado, ela parou na entrada, sem ter muito o que fazer.

"Oh, desculpa." Luna correu para pegar as garrafas, mas suas mãos não estavam firmes, e meia garrafa de vinho que ainda tinha derramou no chão de novo.

"Desculpa", Luna repetiu, "desculpa..."

Shi Sui fez um gesto cansado com a mão: "Tudo bem, eu limpo."

Depois da viagem exaustiva, ela não tinha fechado os olhos por um dia e uma noite.

Depois de limpar toda a bagunça, ela estava completamente acabada.

Shi Sui nem arrumou a cama, só se jogou reta no tapete, fechou os olhos e caiu num sono profundo.

Quando acordou de novo, a luz forte do dia entrava pela janela, e um sol quentinho caía nas bochechas dela.

O dormitório estava bem silencioso. Provavelmente pra não incomodar ela, Luna tinha saído cedo.

Olhando a hora, já era quase meio-dia. Shi Sui tinha dormido por mais de dez horas.

Apertando a cabeça tonta enquanto se sentava, Shi Sui olhou ao redor.

Esse quartinho do dormitório onde ela tinha morado por quase três anos não era grande, basicamente cabia uma cama, uma escrivaninha e uma janelinha ao lado da cama que sempre deixava o sol entrar.

Fazia muito tempo que Shi Sui não dormia tão bem.

Cada canto da casa nova em Hangzhou era decorado de forma impecável, carregando o esforço dos pais dela.

Mas, comparando, ela não dormia tão profundamente lá quanto dormia aqui.

Depois de ficar um tempo pensando no nada, Shi Sui finalmente ligou o celular, que estava no modo não perturbe.

Antes de embarcar no avião, Shi Sui tinha mandado mensagem pros pais, sem falar que estava voltando pra faculdade, usando a desculpa de viajar pra fora do país.

Os dois ficaram confusos.

Li Yin perguntou no grupo da família: [Por que você quer viajar pro exterior do nada?]

Shi Sui respondeu: [Me deu vontade de fazer uma viagem do nada]

Li Yin: [Quando você volta? O Xiao Li vai com você?]

Shi Sui respondeu só o que quis: [A gente vê]

Vendo a mensagem, Li Yin olhou pra Shi Yue, sem ter muito o que fazer: "Essa menina tá ficando cada vez mais teimosa."

"Ela já é adulta, deixa ela." Shi Yue disse, com uma indulgência infinita.

Desde que souberam que Shi Sui e Yan Tingli estavam namorando havia cinco anos e que já estavam até na fase de falar de casamento, os dois ficaram meio em choque.

Sim, Suisui já não era mais uma criança. Depois de três anos sozinha no exterior, ela tinha virado uma adulta ainda mais independente do que eles.

Depois de responder os pais, Shi Sui prendeu a respiração por um momento antes de rolar a tela pra baixo e abrir a conversa com Yan Tingli.

Estava vazia.

Ele não tinha mandado nada pra ela.

O peito de Shi Sui não relaxou por causa disso; pelo contrário, foi tomado por uma ansiedade ainda maior.

Depois de pensar por um bom tempo, ela de repente lembrou de algo e achou a conversa com Gao Linhan. Depois de digitar e apagar várias vezes: [Vocês estão ocupados hoje?]

Ele respondeu só depois de um tempo, com aquela sensação típica de quem tá morto de trabalho: [A gente tá ocupado todo dia]

Ótimo.

Shi Sui respondeu: [Então vai lá trabalhar]

Mas a essência fofoqueira do Gao Linhan nunca quebrava - mesmo ocupado, ele não esquecia de perguntar: [Você e o Irmão Yan vão casar?]

Yan Tingli tava planejando anunciar pro mundo inteiro? Shi Sui soltou um sorriso de deboche.

Talvez o ar livre da América tivesse devolvido a confiança dela, e pela primeira vez ela respondeu de forma grossa: [Casar é o caralho]

Ué? Yan Tingli não tinha dito hoje de manhã que ia sair por alguns dias pra casar e passar a lua de mel?

Quase assim que Yan Tingli mencionou que ia se ausentar, o departamento técnico inteiro estava se segurando pra não comemorar, só faltava fazer uma festa.

Deus sabe o quão sufocante e aterrorizante era trabalhar sob Yan Tingli.

A inteligência e a capacidade de reação de Yan Tingli estavam em uma dimensão completamente diferente das pessoas normais. Mesmo eles já sendo elite entre elites, tentar acompanhar o raciocínio dele era cansativo a ponto de dar vontade de morrer.

Quando o trabalho não ficava bom, pela criação que ele teve, ele não xingava, mas levar aquele olhar meio sorrindo, indiferente, e sentir o desprezo vindo de uma dimensão superior era pior do que levar grito.

Agora que Yan Tingli não estava lá, qual era a diferença de ter férias?

Vendo a resposta da Shi Sui assim, o entusiasmo do Gao Linhan travou por um segundo.

Brigaram de novo?

Não! Vocês têm que casar, sim!

Ele correu pra digitar a pergunta: [Mas o Irmão Yan não disse-]

No meio da frase, uma voz gentil surgiu de repente atrás dele: "Conversando bem?"

Gao Linhan estremeceu feio, e o celular caiu no chão com um "clac". Ele girou a cadeira e deu de cara com os olhos sorridentes de Yan Tingli, olhando pra ele.

"Cof, Irmão Yan."

O olhar de Yan Tingli desceu devagar até o celular no chão.

Gao Linhan entendeu na hora, pegou o celular e rolou a tela na frente de Yan Tingli.

Eles só tinham trocado algumas mensagens.

Yan Tingli encarou aquilo, frio, por um bom tempo.

Uns nós dos dedos apoiaram no encosto da cadeira. Gao Linhan sentiu ele se inclinando mais perto, como se estivesse cravando as próximas palavras na cabeça dele: "Se ela te perguntar, só diz que eu tô na empresa."

"Entendeu?"

Mesmo sem saber o motivo, Gao Linhan nunca foi muito de ter princípios: "Entendi, entendi."

Do outro lado, Shi Sui olhava pro celular, pensativa.

Parecia que Yan Tingli estava bem ocupado ultimamente e ainda não tinha percebido que ela tinha ido embora.

Shi Sui mordeu um hambúrguer, semicerrando os olhos pro sol do lado de fora da janela, prestes a soltar um suspiro de alívio.

Na tela, a conversa de Yan Tingli pulou com uma mensagem nova: [Sua mãe e seu pai disseram que você foi viajar. Pra onde você foi passear?]

Shi Sui encarou essa mensagem por um bom tempo, e o cérebro dela demorou uma eternidade pra processar.

A conversa estava normal demais.

Normal a ponto de parecer que ela só tinha saído pra passear uns dias, e Yan Tingli, depois de saber, perguntou como quem não quer nada.

Sem saber qual truque ele estava fazendo agora.

Shi Sui desligou o celular, sem expressão, sem responder.

Os dias de volta na Califórnia trouxeram paz pro coração de Shi Sui.

Ela descansou por vários dias seguidos, acordava e ficava vendo séries, e ia dormir tarde. Não tinha trabalho complicado pra encarar, nem o 3.0 vigiando cada segundo dela.

Tudo estava tão confortável.

De vez em quando, Shi Sui perguntava escondido pro Gao Linhan como estavam as coisas, e as respostas eram sempre parecidas Yan Tingli parecia estar trabalhando, sem fazer nada fora do normal.

Isso deixava Shi Sui ao mesmo tempo estranhando e com uma sensação de inquietação bem sutil.

Mas ela já tinha vindo no modo "vai ou racha" mesmo.

Se Yan Tingli quisesse fazer alguma coisa, ela não conseguiria impedir de qualquer jeito. Então era melhor ficar longe e parar de lutar. A essa distância, ele teria mais trabalho pra vir até aqui.

Depois de terminar as séries naquela noite, Shi Sui foi dormir bem satisfeita. Justo quando fechou os olhos, o celular vibrou.

Shi Sui franziu a testa, no automático foi ligar o modo não perturbe, mas quando viu a mensagem na tela, ela sentou na cama na hora, encarando direto o que Yan Tingli tinha acabado de mandar: [Suisui, que tal 6 de setembro? O almanaque diz que é bem auspicioso.]

Que tal 6 de setembro? Que tal o quê? Depois de amanhã já seria 6 de setembro no horário da China. O que ele queria fazer?

Um monte de pontos de interrogação pipocou na cabeça de Shi Sui.

Nesse momento, apareceu outra mensagem na tela: [Pro nosso aniversário de casamento]

Psicopata!

Shi Sui, irritada, digitou: [No seu sonho!]

Depois de responder, ela jogou o celular pro lado, deitou no travesseiro e se forçou a dormir.

Esse sono foi bem leve, e Shi Sui acordou cedo de manhã.

Assim que abriu a porta do quarto, ela viu Luna voltando de fora, bocejando e usando maquiagem da Arlequina.

Ao ver Shi Sui, o bocejo de Luna parou pela metade: "Eu te acordei?"

"Não, eu acordei sozinha." Shi Sui olhou pra ela, curiosa. "Você foi aonde?"

"Na festa de cosplay da faculdade!" Falando isso, Luna disse animada: "É organizada junto pelo clube de dança e o de música, lá no auditório da faculdade. Tem tanta gente indo lá toda noite."

Shi Sui, que nesses dias só ia e voltava entre o apartamento e o refeitório, realmente não sabia disso.

"Lily, se você continuar enfiada no quarto, nem o sol de Los Angeles vai impedir você de criar mofo." Luna disse, exagerando, "Por que você não vai se divertir comigo?"

Shi Sui piscou, meio tentada pelo que ela disse.

Depois de descansar tantos dias, o corpo dela estava mesmo lento demais e precisava de alguma atividade.

Além disso, ela não tinha certeza se Yan Tingli não apareceria do nada e viria direto pro apartamento dela. Comparando, participar de atividades parecia mais seguro.

"Então vamos juntas hoje à noite." Shi Sui concordou.

Luna bocejou de novo: "Tá, mas deixa eu dormir primeiro."

Luna tinha uma energia absurda cinco horas de sono já deixavam ela 100% de novo.

Quando ela acordou e viu Shi Sui ainda de camisola vendo séries, ela soltou um "ah": "Você tá planejando ir pra festa de cosplay assim?"

Shi Sui percebeu: "Todo mundo tem que ir de cosplay?"

"Qual é a graça de não ir?" Luna puxou ela pela mão, animada: "Vem comigo, eu tenho uma roupa perfeita pra você."

"Ta-da!" Luna tirou um vestido branco super trabalhado, com detalhes bem elaborados e um véu, do meio da bagunça de roupas de cosplay dela.

Shi Sui olhou as "manchas de sangue" vermelhas no meio do vestido e perguntou, surpresa: "Isso é cosplay de quê?"

"Uma noiva vampira!" Luna colocou a cabeça pra fora de trás do vestido, fez joinha e disse: "Combina muito com você."

"Por quê?" Shi Sui ficou confusa.

"Seus olhos são bem escuros, e seu cabelo também é preto." Luna disse. "Fica bem atmosférico."

Shi Sui pensou em como o preto tinha um simbolismo meio sinistro no Ocidente, e em como vampiros em filmes e séries sempre usavam esses elementos.

Mesmo não gostando desse simbolismo, ela respeitou a cultura local e não disse nada.

"Ah, é mesmo," Luna pegou outro conjunto, um vestido vermelho sexy a personagem anjo com meias-liga de suspensório que ela ia fazer hoje - "Lily, você pode me ajudar na maquiagem?"

Shi Sui, com o histórico dela em artes, claro que conseguia fazer maquiagem de cosplay complexa com facilidade. Ela sorriu e concordou.

Essa sessão de maquiagem foi quase até escurecer, antes de Shi Sui terminar de arrumar ela e Luna.

Luna elogiou sem economizar: "Você é a noiva vampira mais linda de hoje."

"E eu sou o anjo mais lindo e sexy."

Shi Sui olhou pra ela e sorriu.

Pra combinar com a personagem, ela usou de propósito a base mais branca possível, deixando o rosto inteiro extremamente pálido, com manchas de sangue bem realistas nos cantos da boca.

Bem no centro do vestido, na altura do peito, também tinham manchas de sangue impressas de propósito.

Shi Sui se olhou no espelho essa aparência, junto com uma expressão morta, realmente parecia meio sinistra de primeira.

A festa começava às oito da noite.

Shi Sui não ia muito a festas grandes, então ela olhou ao redor com curiosidade.

O lugar era enorme, com música e iluminação bem agitadas. Vários personagens clássicos circulavam por ali, cada um dançando e se mexendo no ritmo. A cena inteira estava muito animada.

Luna era uma expert social e conhecia gente demais.

Assim que elas entraram, várias pessoas vieram cumprimentar.

Vendo Shi Sui do lado dela, foram generosos nos elogios: "Nossa, você é a noiva vampira mais perfeita que eu já vi."

Shi Sui sorriu de volta, feliz.

Tinha que admitir que, de vez em quando, participar desse tipo de coisa e socializar era realmente relaxante.

Depois de dar algumas voltas pelo local com Luna, Shi Sui sugeriu que descansasse um pouco.

O salto alto que ela estava usando hoje também era da Luna e não servia direito. Achando um canto mais quieto pra sentar, Shi Sui, sem perceber, pegou o celular pra rolar a tela.

Aí ela viu a mensagem mais recente que tinha pipocado no WeChat, do Yan Tingli: [Tô te vendo, minha noivinha]

As pontas dos dedos de Shi Sui tremeram quando ela levantou a cabeça de supetão.

Mas, naquele momento, a música do lugar inteiro ficou mais alta e mais frenética, as luzes mais ofuscantes, e cada vez mais gente foi se espremendo lá dentro. Junto com os gritos e berros que explodiram pelo salão, o clima chegou no auge.

Tentar achar Yan Tingli no meio de tanta gente com fantasias estranhas era praticamente impossível.

Ao mesmo tempo, vários parceiros de cosplay começaram a aparecer na frente de Shi Sui, chamando ela pra tirar foto.

O visual dela hoje chamava atenção demais. Vários "Capitães Américas", "Homens-Aranha" e "Deadpools" vinham puxar assunto. Shi Sui mal dava conta de responder.

Mas o olhar dela ficava rodando pela multidão.

Depois de recusar o pedido desse "Homem-Aranha" pra dar um beijo na bochecha, Shi Sui ia se levantar e sair quando, de repente, um suspiro impressionado se espalhou pela multidão.

Uma voz masculina, clara e fina como neve, fria e agradável, com um sotaque britânico naturalmente nobre: "Minha noiva imortal, você me espera nas sombras?"

Quando Yan Tingli veio andando, a multidão abriu caminho automaticamente pra ele, mas os olhares acompanharam cada passo.

Ele usava a máscara mais comum distribuída no local, deixando à mostra só a linha do maxilar fria e branca e os lábios que, na luz fraca, pareciam especialmente vermelho-escuros.

Yan Tingli vestia apenas o terno preto mais comum do guarda-roupa dele, com um broche vermelho-escuro, cor de sangue de pombo, preso na lapela.

Mas ele era alto, com uma postura esguia e reta.

Andando sem pressa, ele parecia um vampiro aristocrata da Idade Média.

Nem Shi Sui conseguiu desviar o olhar por um instante, chegando até a sentir o coração batendo no mesmo ritmo dos passos dele se aproximando.

Até Yan Tingli meio ajoelhar na frente dela.

Antes de Shi Sui conseguir reagir, a panturrilha dela foi segurada por nós dos dedos frios, e ela sentiu de novo o toque de uma corrente metálica na perna.

Os cílios dela tremeram.

Ela viu, sem conseguir impedir, ele prender com calma a tornozeleira com rastreador de novo no tornozelo dela. Uma onda de raiva subiu no peito dela. Na hora, o pé de salto tentou chutar ele, mas Yan Tingli pareceu prever o movimento e primeiro tirou o salto dela.

No segundo seguinte, no meio dos gritos e da euforia da galera, Shi Sui sentiu o corpo ficar leve quando ele a ergueu com um braço, e com a outra mão pegou com naturalidade os saltos que não serviam.

"Eu vim buscar minha noiva pra levar pra casa."

Ele a segurava firme - Shi Sui com certeza não conseguia se soltar.

Notando os flashes das câmeras ao redor, ela ficou ao mesmo tempo com vergonha e irritada e, por fim, enfiou o rosto corado no peito dele.

Só o peito de Yan Tingli vibrava com uma risada calma e confiante.

Pelo menos ele teve vergonha na cara de usar máscara.

Mas e ela???

Shi Sui lançou um olhar furioso pra ele e, onde ninguém podia ver, beliscou com força a lombar dele com os dedos.

Yan Tingli a carregou pra fora do local. À medida que o barulho distante ia sumindo, ele arrancou a máscara, o sorriso fingido desapareceu, e o olhar dele finalmente virou aquela frieza gelada de quem estava pronto pra acertar as contas.

Shi Sui foi jogada no banco de trás do carro.

O queixo dela foi erguido, os lábios dele desceram, e as pontas dos dedos esfregaram os lábios dela de um jeito meio bruto, tentando apagar as manchas de sangue que ela tinha pintado nos cantos da boca pra ficar real.

Shi Sui ficou irritada e mordeu ele: "O que que você tá fazendo? Tá doendo."

A expressão de Yan Tingli era indiferente: "Tira isso. Eu não gosto."

Aí ele enfiou a mão atrás das costas dela, puxando o zíper pra baixo, prestes a tirar a roupa dela.

Shi Sui deu um tapa na mão dele, furiosa, xingando: "Você não consegue olhar o lugar? Onde a gente tá? Faculdade!"

Yan Tingli, teimoso, ainda tentou tirar a roupa dela, dizendo sem emoção: "A roupa, tira. Eu não gosto."

Shi Sui: "..."

Talvez mudar de ambiente tivesse deixado as "asas" de Shi Sui mais duras sem ela perceber. Ela levantou o queixo: "Eu não tô nem aí se você gosta ou não. Eu não vou trocar de roupa aqui."

"Tem roupa reserva no carro." O rosto de Yan Tingli mostrou que a paciência dele tinha acabado. "Troca."

Shi Sui encarou ele com aqueles olhos preto e branco.

Aqui não tinha pais, nem colegas, nem 3.0 vigiando o tempo todo.

Nada mais podia esmagar os pensamentos reais dela. Shi Sui disse, calma: "Yan Tingli, você não entende? Eu odeio a sua tirania e esse jeito de me forçar, por isso eu sempre quero fugir de você."

Os olhos de Yan Tingli ainda carregavam aquela frieza obsessiva, e o tom era cheio de deboche: "Você acha que ainda tem capacidade de fugir das minhas mãos?"

Shi Sui ficou em silêncio por alguns segundos.

De repente, ela apontou pela janela do carro para um prédio em frente ao prédio principal da faculdade.

"Três anos atrás, eu assisti do refeitório você ficar ali, me procurando o dia inteiro, e depois ir embora."

Shi Sui olhou pra ele quieta enquanto falava.

Ela sentiu os nós dos dedos de Yan Tingli apertarem os dela com mais força.

Com uma força que quase parecia querer esmagar, a voz dele ficou meio rouca, palavra por palavra: "Você acha que eu não conseguia adivinhar?"

Shi Sui olhou pra ele, surpresa.

"O resultado já é suficiente pra mim." Yan Tingli disse sem expressão. "Pelo menos, daqui pra frente, você não consegue mais sair da palma da minha mão."

Shi Sui cerrou os dentes: "Mas eu nunca vou caminhar até você por vontade própria. É isso que você quer também?"

Yan Tingli encarou ela por um bom tempo, os cílios baixando, se movendo devagar.

Depois de um tempo, um arco de deboche apareceu no canto da boca dele enquanto ele segurava o queixo dela e virava o rosto dela pra encarar ele de frente: "A gente não vem vivendo assim todos esses anos?"

Shi Sui não conseguiu rebater isso.

"Não tem problema," Yan Tingli continuou, esfregando os lábios dela com os dedos, tirando com calma o restinho do "sangue" pintado: "Desde que eu esteja feliz."

Shi Sui olhou pra ele, sem forças, sem conseguir dizer mais nada.

Então Yan Tingli baixou a cabeça com força e beijou os lábios dela, agora limpos, sem permitir recusa.

Teimoso, "consumindo" o último resquício das manchas de sangue irritantes.

Enquanto beijava, ele falou como se fosse pra si mesmo: "Eu escolhi uma data boa pro nosso casamento."

"Amanhã de manhã, a gente vai no cartório de Los Angeles pra casar, e depois na embaixada pra autenticar."

"Quando a gente voltar, a gente fala pra sua mãe e pro seu pai que casou em Los Angeles e já aproveitou e fez lua de mel."

Cada frase fazia a coluna de Shi Sui travar.

E Yan Tingli parecia incapaz de ver a expressão dela, só continuando a olhar com nojo pro vestido manchado de sangue que ela estava usando.

Ele odiava coisas azaradas assim, odiava esse tipo de roupa sem vida.

Os nós dos dedos dele continuaram puxando o zíper atrás, sem pedir, sem perguntar.

Mas Shi Sui desviou, pálida, o peito subindo e descendo, a cabeça completamente vazia tão vazia que não vinha nada.

O corpo inteiro dela só gritava "foge".

Shi Sui empurrou a porta do carro e saiu correndo, sem ligar pro pé descalço encostar no chão.

Yan Tingli, sem expressão, deu passos longos, saiu do carro e bateu a porta com força.

Em dois passos ele alcançou, pegando a mão dela por trás.

A criação dele desde pequeno fazia ele falar num tom calmo e claro isso estava gravado nos ossos.

Por mais instável que ele estivesse por dentro, isso nunca aparecia de forma óbvia por fora.

Mas agora, o peito dele subia e descia enquanto ele encarava ela como uma fera que estava esperando há muito tempo e finalmente não aguentou mais.

"Shi Sui," Yan Tingli levantou a voz pela primeira vez, palavra por palavra, rouca como se a garganta tivesse sido raspada por carvão em brasa: "Tenta fugir mais uma vez!"

Shi Sui se virou, encarando ele com teimosia: "Você só sabe me forçar."

"Então eu nunca vou caminhar até você por vontade própria."

Yan Tingli apertou o pescoço dela de repente, perguntando sem expressão: "Você acha que eu não tenho coragem de te trancar?"

"Se você me trancar," a expressão de Shi Sui estava calma como água parada, "então eu simplesmente morro."

Os cantos dos olhos de Yan Tingli ficaram cada vez mais vermelhos. Ele abriu um sorriso, quase tremendo enquanto ria.

"Bom." Ele disse rindo, "então deixa eu te estrangular agora."

Shi Sui ergueu o pescoço, encarando ele com raiva: "Vai, estrangula. Eu te falei, eu prefiro morrer do que casar com você!"

Quando as palavras dela caíram.

Depois de muito tempo, a expressão de Yan Tingli foi de sombria para uma quietude antiga, como um poço sem ondas.

O olhar dele chegou num ponto que quase fez Shi Sui sentir medo.

Foi a primeira vez que Shi Sui sentiu de verdade a escuridão sem limites de Yan Tingli, quase engolindo ela completamente irracional, e com certeza não eram as briguinhas de antes.

A atividade principal da escola inteira era a festa de cosplay no auditório.

Ali, só tinha o vento passando e uma tensão tão forte que parecia até solidificar o ar.

"Um ano atrás, eu comprei uma mansão com porão em Los Angeles." Ele inclinou a cabeça, sorrindo de um jeito estranho. "Mesmo eu não querendo que chegasse nisso."

Ele falava enquanto avançava.

O olhar dele caiu sobre ela como uma rede fina, fazendo Shi Sui tremer inteira.

"Mas você me forçou a isso," Yan Tingli sorriu feliz, mas nos olhos só tinha um vazio confuso.

Ele murmurou, em voz baixa: "O que eu quero sempre foi simples."

"Sempre simples."

Por que ela não dava pra ele nem que fosse um pouquinho?

Por quê?

Suisui.

Shi Sui balançou a cabeça e recuou, mas não tinha pra onde fugir.

A mão fria de Yan Tingli segurou a dela. Sob o céu noturno, o rosto dele realmente parecia o de um vampiro sombrio medieval.

Uma brisa passou, fazendo as folhas verdes no topo das árvores farfalharem.

O olhar de Shi Sui passou, impotente, pelo ombro de Yan Tingli, encarando um ponto vazio.

Ela estava cansada a ponto de se render.

As palavras "vamos nos casar" estavam na ponta da língua.

De repente, ela viu uma coisa. As pupilas de Shi Sui tremeram, e todo o sangue do corpo dela virou gelo na mesma hora.

O corpo dela reagiu mais rápido que a cabeça.

Shi Sui empurrou Yan Tingli com força.

Ao mesmo tempo, um tiro agudo ecoou no campus silencioso.

Shi Sui olhou pra baixo e viu a omoplata perfurada, o vermelho escorrendo e se misturando com o "sangue" pintado no peito, impossível de distinguir um do outro.

Ela só conseguia ver uma quantidade enorme de sangue fresco tomando toda a visão dela.

Shi Sui ainda olhou uma última vez para a expressão pálida, infantil e indefesa de Yan Tingli depois que ela empurrou ele pro lado.

Um pensamento absurdo atravessou a mente dela o castigo cármico dela tinha chegado tão rápido assim?!