Difícil de Atravessar [Novel]

Antes do exame de entrada na faculdade, Shi Sui foi forçada a se mudar para a casa da família de um amigo de seu pai, onde conheceu o filho deles, Yan Tingli. Naquele momento, o jovem estava de pé na escada com um suéter de gola alta preto, toda a sua presença fria e desolada, olhando para ela como se ela não fosse nada. Ele parecia não reconhecê-la, mas Shi Sui conhecia Yan Tingli. Ele era refinado e bonito, o famoso aluno honorário da escola, amado por inúmeras garotas. Ela nunca imaginou que, a portas fechadas, até mesmo um bom aluno pudesse descartar sua pele externa e devorar pessoas sem cuspir os ossos. “Quero te beijar.” “Eu não quero.” “Seja boazinha, abra a porta agora.” Irmã tímida e gentil × canalha refinado O protagonista masculino tem um desejo possessivo muito forte, é bastante louco e bom em se disfarçar, mas é um apaixonado. Atenção: Aqueles com altos padrões morais para o protagonista masculino não devem ler.

Capítulo 39 - Sui Sui, A Gente Finalmente Pode...

Capítulo 39 - Sui Sui, A Gente Finalmente Pode...

Hard to Cross

Tradutora: Haru

Yoru Scanlator

Capítulo 39 - Sui Sui, A Gente Finalmente Pode...

O quarto não estava com o ar-condicionado ligado. Como se estivesse armando chuva, o ar estava extremamente abafado, como se até o vento tivesse solidificado, pressionando de forma ainda mais mortal o peito de Shi Sui, que já estava sufocado.

A racionalidade dela perdeu o controle. Com uma expressão gelada, ela tentou tirar aquelas coisas de brinquedo das mãos.

As correntes bateram na porta de madeira maciça, fazendo barulho de metal.

Atrás dela, Yan Tingli soltou risadas leves e debochadas, lembrando de um jeito ainda mais cortante o quão ridícula e inútil era a luta dela naquele momento.

Shi Sui só conseguiu se virar e acertar cotoveladas nele desesperadamente.

Ele abaixou o olhar com indiferença, segurando os pulsos finos dela, com a ponta dos dedos acariciando devagar.

Ainda bem que ele tinha colocado um revestimento macio por dentro. Senão ele ficaria com pena desse par de pulsos lindos.

"Yan Tingli," com as mãos presas e em desespero, Shi Sui passou a bater a cabeça nele, "O que exatamente você quer fazer?!"

"Quero fazer com você," Yan Tingli passou a mão carinhosamente na testa dela, respondendo devagar, "isso conta?"

Shi Sui ficou chocada com a falta de vergonha dele, encarando-o com os olhos como se fossem soltar fogo.

Ela respirou fundo, sem querer se enrolar com ele nesse tipo de besteira. Virando o rosto, perguntou o que ela sempre quis saber: "Como exatamente você entrou aqui?"

Os dedos de Yan Tingli roçaram na bochecha dela enquanto ele se inclinava, olhando pra ela com inocência: "O tio e a tia não contaram pra Sui Sui que essa casa já foi comprada por mim?"

"Agora, esse lugar é meu." Ele fez uma pausa, então sorriu e disse: "É nosso."

O rosto de Shi Sui ficou pálido de repente, completamente incrédula.

"Isso mesmo." Yan Tingli sorriu, "O tio e a tia sempre te tratam como criança."

Falando isso, a bochecha de Shi Sui foi puxada pra fora por ele do nada, e o tom dele ficou pesado de repente: "Mas eles não sabem que tipo de criança é essa, tão desobediente, nunca me escutando?"

Shi Sui olhou pra ele, o cérebro funcionando rápido.

A única coisa que poderia deixar Yan Tingli tão irritado era o incidente de hoje à noite, em que ela rejeitou ele e ainda deixou Fu Ze levar ela pra casa.

Ela tentou se manter calma e disse sem emoção: "Eu vou pedir demissão e não vou ter mais contato com ele."

Yan Tingli riu baixinho, se inclinando pra encostar a bochecha na dela, a voz voltando a ficar suave: "Embora essas palavras sejam bem obedientes, e eu goste de ouvir."

"Mas esse lixo não vai precisar que você peça demissão."

A indiferença casual no tom dele era a mesma de sempre.

Shi Sui não tinha simpatia sobrando pra Fu Ze - ela só podia desejar boa sorte.

Percebendo que o humor de Yan Tingli tinha estabilizado um pouco, o coração dela acalmou e ela disse suavemente: "Então você pode destrancar isso agora?"

Ele pareceu confuso: "Por que eu destrancaria você?"

Shi Sui aguentou: "Eu já disse que não vou me envolver com Fu Ze. Não só com ele mas com mais ninguém. Então você devia destrancar agora."

Ela já conseguia sentir que, em tão pouco tempo, a temperatura da pele dele encostando na dela estava subindo cada vez mais.

A noite estava abafada, e no quarto não tinha nem um fio de brisa.

As costas dela foram começando a suar, misturando e se juntando com o suor de Yan Tingli - pegajoso e pesado.

Esse cheiro de suor e calor misturado podia acordar facilmente algumas memórias ambíguas e sensuais, até fazendo os sentidos passarem por cima da razão, deixando coisas perigosas ainda mais fáceis de acontecer.

Shi Sui nunca teve muita confiança no autocontrole do próprio corpo.

E pior ainda.

Essa reação secreta parecia ser muito fácil daquele cara perceber também.

Yan Tingli apoiou o queixo no ombro dela, soltando risadas abafadas e roucas da garganta. O ar quente da respiração dele circulou atrás da orelha dela: "Isso são duas coisas diferentes."

"O que você quer dizer?"

"Quero dizer que eu querer te trancar e ele te dar carona são duas coisas diferentes." Yan Tingli falou sem pressa.

Então hoje à noite foi premeditado por ele?! Choque e raiva passaram pelos olhos de Shi Sui.

"Então o que eu tenho que fazer pra você me soltar?!"

Yan Tingli apoiou o queixo no ombro e no pescoço dela.

Uma névoa escura se juntou no canto das sobrancelhas dele quando ele começou a beliscar de leve a pele na nuca dela, dando passos longos pra trás, levando ela na direção do quarto.

Shi Sui percebeu a intenção dele na hora, alarmes explodindo na cabeça dela.

Mas os membros dela estavam fracos, e até a resistência e a luta pareciam uma concordância relutante.

Ela ficou irritada e com raiva até Yan Tingli pressionar ela com facilidade na caminha do quarto.

Por cima dela, ele sussurrou com os olhos curvados: "A Sui Sui sabe há quanto tempo eu tô esperando por hoje?"

Shi Sui estava cheia de rebeldia: "Quem liga pra quanto tempo você esperou?"

"Três anos." Ele respondeu sozinho.

Os olhos escuros de Yan Tingli encararam ela profundamente, a voz vaga, o tom estranhamente calmo: "Três anos atrás, eu também esperei por você naquela casa por três dias."

Os cílios de Shi Sui tremeram de leve.

As palavras dele puxaram ela fácil praquele verão selado na memória, aquele verão que ela ainda não ousava lembrar em detalhes.

Ela não se atreveu a encarar os olhos dele e desviou o olhar devagar.

Os nós dos dedos de Yan Tingli seguraram o queixo dela de repente, forçando ela a olhar pra ele, dizendo frio: "Olha pra mim."

Ele encarou ela, o olhar frio, como se estivesse preso em alguma memória, os lábios curvando num arco gelado.

"Naquela noite, deitado nessa cama, eu já tinha pensado em como te punir."

"Naquele dia eu tava pensando, quando eu te pegasse, eu ia trancar a Sui Sui nessa cama." O tom de Yan Tingli subiu um pouco, "Treinar você pra virar um cachorrinho que não conseguiria me deixar nem de dia nem de noite."

Ao ouvir isso, a espinha de Shi Sui tremeu, e o corpo inteiro dela arrepiou: "Seu louco, psicopata!"

Ela instintivamente tentou dar um tapa nele.

No segundo seguinte, as algemas nos pulsos dela fizeram barulho, lembrando ela da situação desesperadora.

Os movimentos de Shi Sui travaram - ela quase gritou.

Ela esticou a perna pra chutar ele, mas o tornozelo dela foi facilmente segurado e acariciado de forma ambígua.

Yan Tingli olhou pra baixo e pensou um pouco: "Ainda tá errado."

Ele ficou irritado: "Da próxima vez, eu devia fazer pra Sui Sui um par de algemas bonitas de tornozelo."

"Afinal, correr é com os pés."

Esse monólogo deixou Shi Sui ainda mais furiosa e quebrada.

Se os encontros anteriores com Yan Tingli tinham sido só provocações de gato e rato, hoje fez Shi Sui sentir de novo, na pele, aquela noite de anos atrás em que ele tinha trancado ela no apartamento.

Era um tipo de medo que parecia que ia explodir o couro cabeludo.

Shi Sui finalmente não aguentou, enterrando a cabeça no peito de Yan Tingli, os dedos agarrando a roupa dele com força, usando todos os truques que ela costumava usar.

"Irmão Tingli, eu tava errada."

"Me desculpa."

"Eu não devia ter mentido pra você. Por favor, só me deixa ir."

As pupilas de Yan Tingli se moveram devagar, caindo nos olhos dela vermelhos.

Ele encarou ela por muito tempo e repetiu: "Te deixar ir?"

A voz dele saiu meio abafada.

"Você ainda tá me pedindo pra te deixar ir, mesmo agora?"

"Então o que mais você quer?!" Shi Sui falou chorando.

Ela não conseguia pensar no que mais Yan Tingli poderia querer dela nada além do rancor acumulado por ter sido enganado e feito de bobo ao longo dos anos, não querendo que ela tivesse uma vida boa.

"O que eu quero," Yan Tingli murmurou rindo, "o que mais eu quero..."

Os pensamentos dele pareciam longe.

Então ele olhou pra ela, os olhos cheios de teimosia negra, e disse indiferente: "Não importa o que eu queira, achar que eu vou te deixar ir você tá sonhando."

A última esperança nos olhos de Shi Sui apagou. Ela apertou os lábios, com uma expressão que parecia pronta pra chorar.

Mas ela se forçou a segurar. Se apoiando no último fio, ela se sentou e começou a desabotoar a camisa dele, falando sem freio: "Eu vou fazer com você. Vamos fazer agora."

"Não é isso que você quer? Eu vou te satisfazer agora e te servir direitinho."

"Quando você cansar, você me deixa ir então?"

Yan Tingli agarrou a mão dela com uma força que parecia que ia esmagar.

Ele olhou pra ela por muito tempo, a expressão mostrando um tipo de vazio atordoado.

Shi Sui não tinha energia emocional pra perceber direito.

Mas ela ainda sentiu alguma coisa ele parecia, sem perceber, à beira de uma tristeza transbordando.

Ela falou algo errado? Por que ele tava triste? Não deveria ser ela a mais devastada?

A cabeça de Shi Sui ficou uma bagunça. No segundo seguinte, Yan Tingli avançou nela como uma fera que escapou da jaula.

A caminha, com só 1,45 m de largura, rangiu.

Isso lembrou Shi Sui daquela cama de madeira sempre prestes a quebrar, lá na cidadezinha.

Yan Tingli segurou o queixo dela com o polegar e o indicador, numa posição em que ela só podia obedecer, sem ter como escapar.

Ele não esperou nem um segundo antes de abaixar a cabeça pra abrir os lábios e os dentes dela, a língua entrando fácil, indo fundo na garganta dela, lambendo cada canto da boca.

A língua de Shi Sui foi mexida e sugada por ele não importava como ela tentasse se esconder, ela não conseguia escapar.

Ela não aguentou esse beijo que parecia querer engolir ela.

Ela tentou empurrar ele.

Mas as algemas prenderam, e os braços não abriam.

“Já não tá aguentando?" Yan Tingli se afastou um pouco, os lábios ainda molhados com a saliva dela, zombando: "Então você tem muita coisa pra aguentar hoje à noite."

Depois disso, Shi Sui foi colocada com as pernas abertas, sentada em cima dele. As palmas dele pressionaram a cintura dela com malícia, esfregando pra cima e pra baixo.

Yan Tingli beijava ela enquanto soltava risadas debochadas.

"Seu corpo sempre é mais honesto que sua boca." O tom dele parecia indiferente: "Não engana ninguém."

Shi Sui também sentiu vergonha dessa reação maldita, mordendo os dentes sem soltar som.

"Então quem tá servindo quem?" Yan Tingli, insatisfeito com a reação dela, falou sem expressão no ouvido dela, "Eu te servindo, ou você me servindo, Sui Sui?"

Ele levou ela pro banheiro do chuveiro da casa antiga.

O sofrimento que Yan Tingli teve nessa vida provavelmente foi todo por causa dela. Antes era a cama rangendo e quebrada da cidadezinha, agora era o chuveiro mal regulado da casa antiga, que alternava quente e frio.

Ele não esperou nada, pegou ela uma vez no chuveiro apertado, segurando a cintura dela.

E sem proteção.

No passado, Yan Tingli ainda perguntava a opinião dela de um jeito hipócrita, mas dessa vez foi descarado, bruto e maldoso.

Os movimentos dele estavam extremamente lentos, como se quisesse deixar cada célula sentir por completo.

Quando não conseguia segurar o prazer, ele mordia a nuca dela pra segurar os sons na garganta.

Fazia tempo demais sem isso, os cílios de Shi Sui tremeram ela não aguentava muito, as mãos se encolhendo contra a parede molhada, deixando marcas úmidas.

Ela queria se soltar, mas não dava.

Então ela apelou, mexendo no registro do chuveiro.

A temperatura ficou variando entre quente e frio, descendo pela coluna dele. Ele zombou e revidou em outro lugar. Os dedos de Shi Sui apertaram tanto que quase ficaram brancos.

Da última vez com água quente, a travessura de Shi Sui deu ruim.

O chuveiro ficou quente a ponto de arder. O braço de Yan Tingli na cintura dela apertou enquanto ele soltava um som abafado.

Yan Tingli soltou um som entre irritado e divertido.

No mesmo momento, Shi Sui abriu os olhos, fingindo que nada tinha acontecido enquanto ajustava o chuveiro de volta.

Mas os rastros brancos escorrendo entre as pernas dela não dava pra esconder.

Shi Sui não gostava da sensação de ficar com coisas dentro, dizendo sem emoção: "...Eu preciso me limpar."

Yan Tingli jogou o cabelo dela pro lado, rindo: "Espera até você estar cheia pra limpar."

Saindo do banho, Shi Sui foi jogada na caminha.

A cama de 1,45 m não conseguia acomodar o corpo alto de Yan Tingli quando ele deitava.

Ele parecia deliberadamente não ligar o ar-condicionado.

A pessoa mais arrumada e limpa do mundo, a atitude dele na cama era totalmente diferente.

Como se toda aquela meleca e suor de repente não fossem mais sujos.

Recém-saída do banho, Shi Sui já estava coberta de suor fino, murmurando: "Calor... muito calor..."

"Aguenta." Yan Tingli ignorou, virando ela e soltando uma algema, prendendo na armação da cama.

Por trás, ele encostou em cada centímetro da pele dela ao máximo pegajoso, encharcado.

Yan Tingli não tinha o hábito de usar perfume.

O corpo dele ainda tinha o cheiro do sabonete de sempre - fresco, um cheiro de menta quase sedutor.

Shi Sui sempre gostou desse cheiro.

Ela suspeitava que isso era uma arma especial do Yan Tingli - erva-do-gato feito só pra ela.

Agora esse cheiro, misturado com fluidos e várias outras coisas, quase fez a consciência de Shi Sui flutuar, todos os sentidos dela afundando nisso sem controle.

Nesse desejo tonto, Shi Sui lembrou daquele contato próximo com Theodore há muito tempo, a resistência instintiva e a rejeição daquela hora.

De repente, ela sentiu um desespero esmagador.

Parecia que...

Ela só gostava fisicamente, só gostava fisicamente de Yan Tingli.

A chuva finalmente desabou.

Lá fora, relâmpagos e trovões explodiam, e um vento fresco atravessou o quarto abafado.

Quando o vento passou no rosto dela, a consciência de Shi Sui finalmente clareou um pouco.

Mas Yan Tingli ainda estava atrás dela, aparentemente incansável.

Ele nunca parava de manter contato com a pele dela, como se só assim confirmasse que ela existia.

Enquanto, com uma voz tremendo de prazer, sussurrava no ouvido dela: "Esses anos foram uma grande busca para mim. Finalmente te encontrei."

Shi Sui fechou os olhos, cansada e sem forças.

Depois de um tempo desconhecido, na consciência nebulosa dela, parecia que o amanhecer estava chegando.

A cintura dela doía, as pernas estavam dormentes, os joelhos também.

Ela realmente não aguentava mais e pediu pra ele terminar.

"Me implora," ele disse.

Shi Sui nunca bancava a durona na cama: "Por favor."

"Não é assim que se implora." Ele virou ela pra ficar de frente, os olhos escuros sem fundo.

Parecia que, quando a conexão física se estabelecia, as palavras não conseguiam mais ser frias e duras.

Era exatamente isso que Shi Sui mais temia.

Quando as memórias do passado abriam nem que fosse uma frestinha, depois nunca mais dava pra separar direito.

Três anos passaram, memórias atravessando como montanhas e rios.

A mais nítida ainda era aquele verão de três anos atrás, um dia de tempestade igual, o bangalô baixo.

Naquela época, os olhos de Yan Tingli eram muito brilhantes, completamente diferentes de agora.

Shi Sui olhou pra ele, as emoções virando e revirando no peito.

Ela finalmente fechou os olhos e, com a mão livre das algemas, envolveu o pescoço dele, beijando suavemente seus olhos.

Foi um beijo leve, como uma pena passando.

Mas os cílios de Yan Tingli tremeram rápido, e a mão na cintura dela apertou na hora.

Alguns segundos depois, ele abaixou a cabeça, mas não disse nada.

Logo depois, ele terminou em silêncio o último ato íntimo.

Assim que relaxou, as pálpebras de Shi Sui começaram a pesar, prestes a desmaiar.

Yan Tingli levou ela ao banheiro pra limpar.

Mas Shi Sui não percebeu nada. Ela estava realmente exausta - assim que fechou os olhos, caiu num sono profundo.

Shi Sui abriu os olhos algumas vezes no meio.

Mas hoje era sábado, e depois de dias seguidos de trabalho mais a noite inteira, a força dela tinha acabado. Yan Tingli também tinha hábitos de sono bons e não acordou ela.

Então Shi Sui não ligou pra nada, fechou os olhos e virou pro lado pra continuar dormindo.

De qualquer forma, o que tinha que ser feito com Yan Tingli já tinha sido feito, o céu que tinha que cair já tinha caído quanto mais poderia cair?

Mas a realidade provou que o céu realmente podia continuar caindo.

Shi Sui acordou completamente só na tarde do dia seguinte.

Nessa hora, Li Yin apareceu no quarto, olhando em choque pra ela e Yan Tingli abraçados na cama.

Principalmente.

As algemas que tinham ficado na mão dela a noite toda agora estavam presas na armação da cama de um lado, e do outro lado estavam na mão de Yan Tingli.

Ele tinha acordado bem antes dela.

Vestido adequadamente com uma camisa.

Só com dois botões abertos, mostrando algumas marcas vermelhas ambíguas na clavícula e no pescoço.

Sem conseguir esconder o clima cheio de desejo.

Enquanto Shi Sui, de frente pra Li Yin, ainda não tinha entendido a situação.

A expressão de Yan Tingli mostrou a quantidade certa de pânico quando ele se levantou imediatamente.

Mas no segundo seguinte, o pulso dele foi preso pela algema. Ele olhou pra Shi Sui, com um tom que também parecia constrangido: "Sui Sui, usa a chave pra me destrancar isso."

Que chave? Onde estava a chave? Shi Sui ainda não sabia nem onde era o mecanismo pra abrir essas algemas.

Mas Yan Tingli só mencionou uma vez. No segundo seguinte, ele virou a cabeça e olhou pra Li Yin com culpa: "Tia, eu vou te explicar agora mesmo."

"Por favor, fique tranquila, eu vou assumir responsabilidade pela Sui Sui. Eu posso casar com ela imediatamente."

Li Yin finalmente entendeu a situação, constrangida ao extremo. Ela assentiu e fechou a porta rápido: "Vocês dois se arrumem primeiro antes de conversarmos."

Quase no instante em que a porta fechou, o constrangimento que Yan Tingli tinha colocado desapareceu.

Na frente dela, ele torceu e pressionou, destrancando as algemas com facilidade.

Enquanto se aproximava pra beijar a bochecha dela, perguntando com falsa preocupação: "A sua mãe viu a gente, o que a gente faz?"

"Não se preocupa." Ele continuou sorrindo, "Eu vou dar pra sua mãe uma explicação razoável."

"Quando o seu pai e a sua mãe aprovarem," Yan Tingli sussurrou, acariciando a bochecha dela que ia ficando pálida, "a gente pode casar."

As pupilas de Shi Sui se moveram devagar, e só nesse momento ela finalmente percebeu o cálculo dele.

Desde que ela voltou pro país ou melhor, desde anos atrás - todo o esquema mirando nela já tinha começado.

Tudo que Yan Tingli preparou estava esperando por esse momento.

No primeiro dia de volta ao país, o jantar com os dois lados da família ameaçando ou seduzindo Song Jie pra plantar uma semente possível no coração dos pais dela.

Depois, usando vários meios pra provocar e monitorar ela.

Forçando ela a voltar pra esse lugar, fazendo ela ceder e dormir com ele num colapso.

Então, usando uma desculpa pra fazer Li Yin, que tinha acabado de voltar da viagem e não sabia a verdade, vir pra casa antiga e ver essa cena.

Por fim, usando a boa imagem que construiu ao longo dos anos para contar aos pais dela uma história plausível.

A partir daí, mesmo com dez bocas, ela não conseguiria explicar direito, ficando presa pra sempre com ele.

Ondas de frio desceram pela espinha de Shi Sui.

Ela balançou a cabeça enquanto recuava devagar.

Yan Tingli parecia não conseguir ver a expressão dela.

Ele inteiro estava num estado de prazer e empolgação extremos, juntando os braços pra abraçar ela com força.

"Sui Sui."

"A gente finalmente pode casar."