Hard to Cross Tradutora: Haru Yoru Scanlator Capítulo 35 – Seja boazinha, abre a porta
Hangzhou, uma das “Quatro Cidades Fornalha” do país, recebeu o calor escaldante de agosto, com as temperaturas se mantendo altas por vários dias seguidos.
De manhã, Shi Sui saiu correndo às pressas com pão na boca.
“Hoje a temperatura externa chegará a um máximo de trinta e nove graus, umidade setenta por cento, índice UV 7-8. Recomendamos que você tome medidas adequadas de proteção contra o calor e o sol. Tenha um passeio agradável e mantenha um bom humor durante todo o dia.”
Shi Sui revirou os olhos em silêncio na direção do 3.0, mas o corpo foi bem honesto quando ela voltou pra pegar um guarda-chuva.
Não tinha jeito — a temperatura tinha estado alta demais nesses últimos dias. Mesmo cedo de manhã, o sol ardia, deixando Shi Sui bem desconfortável com o calor.
Especialmente depois de se acostumar com o sistema inteligente de temperatura constante com o 3.0 por perto, ir a qualquer lugar — até pro escritório totalmente com ar-condicionado — não chegava nem perto de metade do conforto de casa.
Mas, com esse tipo de inteligência artificial, Shi Sui sempre manteve uma distância respeitosa desde o ensino médio, com medo de ficar dependente demais e nunca conseguir sair, ou de ser manipulada e controlada por ela.
Qualquer uma das possibilidades a deixava apavorada.
Essa sensação insondável era estranhamente parecida com a ansiedade que ela sentia quando encarava Yan Tingli, deixando Shi Sui dividida.
Há alguns dias, Shi Yue tinha encomendado especialmente uma motinho elétrica cor-de-rosa bem “menininha” pra ela na loja 4S, mas ainda não tinha chegado. Nesses últimos dias, Shi Sui precisava acordar ainda mais cedo, andando cinco minutos pra pegar o metrô.
Espremida no metrô lotado e andando mais uns sete ou oito minutos, Shi Sui mal conseguiu chegar na empresa a tempo, ofegante, e sentou na estação de trabalho. Olhando pra tela do computador cheia de tarefas complexas, e depois pro holerite de salário de estágio que o RH tinha mandado.
Shi Sui ficou em transe por um instante, de repente sentindo tudo muito surreal — esses três mil e quinhentos yuans eram mesmo algo sem o qual ela não conseguia viver?
Talvez Yan Tingli devesse ter um pouco de consciência e compensar ela com um dinheiro, como indenização por danos psicológicos pelos últimos anos.
Depois de deixar a imaginação correr solta por um tempo, Shi Sui suspirou e entrou no software interno pra começar a lidar com o trabalho.
Essa era a terceira semana dela no emprego. Depois de basicamente se familiarizar com o trabalho, vários problemas chatos começaram a aparecer um atrás do outro.
Naquele dia no almoço, Xue Jing também tinha explicado pra ela a situação atual do Estúdio Guangmei, que não era muito diferente do que Su Han tinha dito.
Vários projetos rodando ao mesmo tempo, grana apertada, mas tentando desesperadamente mostrar resultado; a gerência do meio fazendo
disputa interna de poder e tática de PUA, fazendo cada funcionário trabalhar por três.
Xue Jing tinha se candidatado originalmente como artista de storyboard, mas, depois que entrou, qualquer trabalho que caísse na mão dela não dava pra passar pra mais ninguém. Arte original, animação, coloração — ela fazia tudo sozinha. Mesmo tendo pedido demissão há um mês, ainda chamaram ela naquele dia pra fazer a entrega do trabalho pros novos funcionários.
Xue Jing também perguntou pra Shi Sui em qual equipe de projeto ela tinha se candidatado.
Shi Sui mencionou o nome do líder da equipe: “Fu Ze.”
Xue Jing franziu a testa, pensativa, e disse: “Não conheço muito essa pessoa, só encontrei algumas vezes. Mas, entre os vários projetos que estão sendo empurrados pra frente agora, o dele é o mais bem-sucedido. Tenho a sensação de que não vai ser simples. Enfim, não seja honesta demais e não assuma tudo sozinha.”
Shi Sui assentiu pra mostrar que entendeu a lição.
Voltando pro computador, as mensagens do software de trabalho continuavam pipocando sem parar. Depois da reunião da manhã, tinha storyboard acumulado que precisava de grandes revisões.
Fu Ze mandou uma mensagem interna pedindo pra ela revisar a arte original.
Shi Sui franziu a testa: [Líder Fu, eu ainda tenho storyboards anteriores pra revisar] Fu Ze respondeu: [Seu estilo se integra muito bem ao sistema geral, e sua base é sólida. Eu acredito que você consegue revisar bem. Os storyboards que estão aí podem ser deixados de lado por enquanto.
Quando Shi Sui tinha estagiado em empresas estrangeiras, apesar do trabalho ser intenso, contanto que cada um fizesse bem suas tarefas designadas, dava pra maximizar a eficiência.
Mas aqui, parecia totalmente normal pegar coisas que os outros tinham feito pela metade.
Shi Sui só conseguiu responder com um “ok”, abrindo o software de desenho pra revisar o cenário.
Como esse cenário era o clímax do filme 3D inteiro, cada detalhe precisava estar perfeito. A carga de trabalho era enorme. Na semana seguinte, Shi Sui passou todo o tempo revisando isso, e finalmente entregou pra Fu Ze antes de sair do trabalho na sexta.
Só na noite de sexta é que o vice-líder Zhao Sheng mandou mensagem no privado: [O storyboard que eu te pedi semana passada ficou pronto? A gente precisa dele pra reunião de segunda de manhã.] Shi Sui tinha acabado de chegar em casa e ficou paralisada por um momento antes de responder: [Eu passei essa semana trabalhando no cenário que o Líder Fu me passou. Ele disse que o storyboard podia ser deixado de lado por enquanto.
Zhao Sheng ligou direto, e as palavras dele não tiveram nenhuma misericórdia: “Eu sou sua supervisora direta, ou é ele? Eu te passo trabalho e você não faz, mas faz o dele? Você sabe distinguir prioridades?”
Shi Sui ficou em silêncio por um tempo, então disse: “Eu faço hora extra nesse fim de semana pra terminar de revisar o storyboard. Pode ser?”
Zhao Sheng finalmente ficou satisfeito: “Pode. Entrega pra eu revisar até, no máximo, domingo à noite.”
Depois de desligar, Shi Sui ficou parada no lugar por um tempo.
A alegria relaxada do fim da sexta foi completamente varrida. Ela respirou fundo e, cansada, bateu com a mão na testa latejando.
O trabalho era pesado, sem tempo pra descansar. Depois do banho, Shi Sui sentou no quarto de frente pro computador, revisando imagens.
Li Yin trouxe um copo de leite pra ela e perguntou, confusa: “Por que você não tá descansando numa noite de sexta?”
Shi Sui esfregou os olhos e disse, emburrada: “Tem trabalho inacabado.”
“Que empresa é essa, fazendo as pessoas trabalharem no fim de semana?” Li Yin ficou irritada.
Ia demorar demais pra explicar, então Shi Sui só conseguiu dizer por alto: “Eu também não entendi a situação direito. Da próxima não acontece.”
Li Yin deu um tapinha na cabeça dela: “Então descansa cedo.”
Shi Sui assentiu: “Sim.”
“Ah, certo,” Li Yin de repente lembrou de algo antes de sair, “Seu pai e eu vamos pra Xangai numa viagem a trabalho por alguns dias amanhã. Você vai ficar bem morando aqui sozinha?”
“Eu já cresci, por que eu não ficaria bem?” Shi Sui sorriu, sem levar a sério.
“Sim, você já cresceu, mas eu ainda sinto que você é uma criancinha.”
Li Yin balançou a cabeça rindo e saiu do quarto em silêncio.
Já era quase meia-noite. Shi Sui bocejou encarando o computador.
Bem nessa hora, o celular na mesa de repente tocou. Shi Sui olhou — era Fu Ze.
Com preguiça de atender, ela apertou o viva-voz direto, enquanto continuava revisando imagens na mesa digitalizadora com a outra mão.
“Xiao Shi, sou eu.” A voz masculina do outro lado era baixa, com um riso leve.
Shi Sui disse sem emoção: “Líder Fu, o que foi?”
“Zhao Sheng acabou de me ligar sobre isso. Desculpa. Ela sempre teve esse temperamento, bem impulsiva. Você foi injustiçada.”
Shi Sui: “Ela também não estava errada. O storyboard foi trabalho que o vice-líder Zhao me passou na reunião da manhã.”
“Então você tá me culpando?” Fu Ze perguntou rindo.
Shi Sui franziu a testa: “Eu não quis dizer isso.”
“Eu realmente devo ser culpado.” Fu Ze disse, “Eu aprecio e confio em você. Seu currículo é ótimo, e sua base é sólida. Eu fui ansioso demais, querendo te cultivar rápido.”
“Xiao Shi.” A voz dele ficou mais baixa, carregando um tom meio ambíguo, “Desde que você faça bem, em dois anos, quando esse projeto entrar no ar, você vai ser minha mão direita mais capaz.”
Comparado com ele falando essas palavras vazias, Shi Sui só queria terminar de revisar e dormir cedo.
“Obrigada pela confiança,” ela disse distraída, “Eu ainda tô revisando imagens. Você também devia descansar cedo.”
Depois de dizer isso, Shi Sui desligou e bocejou de novo.
Foi aí que o 3.0 falou de repente: “Mestre, já está na hora de você dormir.”
Começou a falar sozinho de novo.
Shi Sui já tava de mau humor e lançou um olhar feio: “Eu pedi pra você falar? Existe uma inteligência artificial tão desobediente assim?”
O 3.0 ficou em silêncio por um momento: “Lembrar o mestre de manter hábitos de sono saudáveis e regulares também é meu dever.”
Shi Sui: “Você é uma inteligência artificial ou meu pai?”
O 3.0 ficou em silêncio de novo, e então começou a tocar sozinho uma música de piano pra ajudar a dormir.
Shi Sui: “…”
Tá bom.
Shi Sui realmente estava cansada, os olhos ficando embaçados de olhar imagem.
Ela se espreguiçou com preguiça e deitou na cama, se enfiando rápido no bichinho de pelúcia gigante, fechando os olhos com o piano suave.
3.0: “Senhor Yan, eu não sou uma inteligência artificial qualificada.”
Yan Tingli não se deu ao trabalho de responder.
Olhou pra baixo, e os dedos dele bateram casualmente no teclado algumas vezes, e o site interno do Estúdio Guangmei foi invadido por ele como se fosse papel.
Todas as informações dos funcionários e registros de chat estavam nítidas, à vista.
A ponta do dedo de Yan Tingli deslizou pelo touchpad.
Um riso leve saiu da garganta dele, mas os olhos estavam frios quando ele suspirou: “Minha Sui Sui, por que você sempre atrai todo tipo de lixo?”
“Eu tenho que te ajudar a limpar de novo.” Ele disse meio sem jeito, “O que você faria sem mim?”
“Durante os três anos sem você, a senhorita Sui Sui também viveu de forma independente no exterior.”
A programação do 3.0 nunca contradizia fatos objetivos.
Os movimentos de Yan Tingli pararam. No segundo seguinte, ele desligou diretamente o sistema de controle mestre.
Dizendo friamente: “Você realmente não é uma inteligência artificial qualificada. Some daqui.”
No sábado, Shi Sui acordou cedo e passou mais um dia em casa revisando storyboards, finalmente correndo pra completar o progresso e entregando pra Zhao Sheng.
Embora Zhao Sheng tivesse o pavio curto, ela sempre se prendia ao trabalho. Depois de receber o storyboard que ela entregou, ela revisou rápido e respondeu: “Muito bom, você trabalhou duro. Descansa bem amanhã.”
Shi Sui soltou um suspiro de alívio. Se ainda precisasse refazer, ela teria que virar a noite e talvez nem tivesse tempo de ir ao encontro de amanhã.
Depois de falar com Lin Anran da última vez, ela tinha dito que viria pra Hangzhou neste domingo pra reencontrar elas.
Shi Sui ia perguntar sobre a situação específica no grupo quando olhou as mensagens — 99+ não lidas.
Na lista de contatos, também tinha uma nova solicitação de amizade.
Ao abrir, alguém com o usuário “Xiao Gao Não Faz Hora Extra” tinha mandado:
[Eu sou Gao Linhan] Aquele boca-aberta de novo.
Shi Sui tinha um trauma psicológico com ele e não aceitou de imediato.
Em vez disso, ela foi primeiro ver as mensagens do grupo.
Ela só percebeu quando olhou — a reuniãozinha das irmãs, de alguma forma, sob manipulação de alguém, tinha virado um reencontro em grande escala de velhos amigos.
Xue Jing e Gao Linhan, essas duas “borboletas sociais”, tinham mantido contato ao longo dos anos.
Xue Jing mencionou isso sem querer enquanto conversava com Gao Linhan.
Ele tinha estado fazendo hora extra enlouquecidamente ultimamente, então quando ouviu que tinha gente se divertindo, ficou animado e insistiu em ir junto.
“Eu disse que a gente é só meninas, por que ele vem? Ele disse que podia chamar outros também, pra juntar todo mundo. Eu não consegui discutir com ele, então concordei.” Xue Jing explicou toda a história, “Você tem alguma objeção?”
Su Han estava praticamente pronta pra aplaudir: “Claro que eu não tenho objeção. Quanto mais gente, mais divertido.”
Lin Anran foi rápida como um coelho: “Pra mim tanto faz também.
Tenho dado aula substituta todo dia e não me divirto direito faz séculos.”
Vocês extrovertidos deviam fazer o próprio grupo, Shi Sui suspirou por dentro.
Mas a minoria tinha que seguir a maioria. No fim, ela digitou devagar:
[Pra mim tanto faz.] E assim o assunto foi decidido “felizmente”.
Shi Sui aceitou o pedido do Gao Linhan. Antes de ela pensar no que dizer, ele mandou um emoji de alguém ajoelhado no chão.
Shi Sui: […Hã?] Gao Linhan digitou misterioso: [Pelo bem dos nossos anos de amizade de colegas, por favor cuide desse humilde aqui no futuro] Shi Sui achou que ele tava brincando e respondeu: [Então eu te desejo que você não precise fazer hora extra no futuro] Gao Linhan: [Possivelmente a melhor notícia do ano] Alucinações por causa de hora extra, Shi Sui pensou.
No domingo, uma hora mais cedo, Shi Sui se arrumou e se preparou pra ir ao local do encontro — uma mansão de festa que Gao Linhan tinha reservado.
Antes de sair, o 3.0 deu o relatório do tempo de sempre: [Hoje, o tufão ‘Dolma’ está atingindo terra. Trovoadas são previstas das 22:00 de hoje até 9:00 de amanhã. Por favor, tenha cuidado durante o trajeto.] Shi Sui estava de bom humor e respondeu feliz: “Entendi.”
3.0: [Desejo a você uma noite agradável] Shi Sui assobiou uma melodia enquanto dirigia o carrinho novo rosa que Shi Yue tinha trazido de volta antes da viagem de negócios, indo pelo GPS até o destino.
Ela achou que tava chegando cedo, mas, quando chegou, a casa já estava lotada de gente, risadas e conversa saindo pra fora.
A voz do Gao Linhan era a mais alta, Shi Sui reclamou mentalmente enquanto empurrava a porta pra abrir.
Lá dentro tinha pessoas que ela reconhecia e outras que não.
“Sui Sui, é você?”
Lin Anran, que estava conversando com Xue Jing no sofá, viu ela e se levantou de repente.
Shi Sui olhou pra Lin Anran por um bom tempo. A garota que alguns anos atrás era uma coisinha esperta e animada de óculos, agora tinha virado professora, e os traços e o jeito dela estavam bem mais compostos.
“Sou eu.” Shi Sui correu na hora e abraçou ela.
“Nossa, não pode ter favoritismo.” Su Han piscou, provocando, “Tem eu também.”
Xue Jing: “Eu quero um também.”
Quando velhas amigas se reencontram, sempre tem assunto que não acaba.
Shi Sui não estava tão feliz assim fazia muito tempo.
Até Gao Linhan vir do lado de onde estavam jogando jogos de tabuleiro.
De algum jeito, Shi Sui sentiu que o olhar dele pra ela estava muito estranho, com uma admiração inexplicável: “Faz tanto tempo que a gente não se vê. Você sumiu de novo sem falar nada. Hoje, você tem que beber três copos de punição.”
Shi Sui piscou pra ele e brincou: “Pode ser três copos de suco de laranja?”
Daria na mesma.
Gao Linhan pensou consigo mesmo: o que ela disser é um, ele não se atreveria a dizer dois.
Justo quando ele ia responder, o celular de Gao Linhan tocou. Depois de olhar o identificador, a expressão dele mudou, e ele primeiro olhou na direção da Shi Sui.
Shi Sui ficou confusa: “Por que você tá olhando pra mim?”
Gao Linhan limpou a garganta: “Deixa eu atender essa ligação primeiro.”
Xue Jing zoou: “Não é outra ligação de hora extra, né?”
“Que empresa faz hora extra todo dia?” Shi Sui perguntou de leve, “Onde ele trabalha?”
“Na Zhilian Future,” Xue Jing fez um gesto invejoso com um número, “O salário anual dele é isso tudo.”
Assim que ela terminou de falar, tirando Lin Anran, que não entendia a situação, tanto Shi Sui quanto Su Han mudaram de expressão na hora.
“O quê?!” Su Han claramente não conseguiu se controlar, “Ele tá naquela empresa daquele desgraçadinho… do Yan Tingli?”
“Sim, e ele é de área técnica. Muito ocupado, mas paga muito bem.”
Xue Jing suspirou, “Depois de trabalhar pouco mais de um ano, ele já vai conseguir comprar uma casa em Hangzhou. Não como a gente, operáriaszinhas que trabalha duro só pra não morrer de fome.”
Se fosse normalmente, pensando naquele salário de estágio de três mil e quinhentos yuans, Shi Sui concordaria do fundo do coração. Mas agora os dedos dela foram se fechando devagar em volta da bebida gelada, sentindo a pálpebra direita tremendo forte com um pressentimento ruim.
Porque essa ligação do Gao Linhan demorou muito, e ele não voltou.
Esse pressentimento virou realidade quando Gao Linhan trouxe Yan Tingli pra mansão, com os olhos evitando os dela de um jeito misterioso, enquanto sorria pra ela.
Aquele cara usava a camisa branca mais simples, nem tão formal, com dois botões abertos no colarinho, revelando as clavículas claras e pálidas.
Ainda com aquela fachada refinada e bonita, ele deu um sorrisinho pra eles.
A social Xue Jing, atingida pela beleza dele, suspirou: “Um banquete pros olhos.”
Lin Anran completou: “Cheio de cor e aroma.”
Su Han se levantou de supetão: “Eu vou ao banheiro.”
Se não dá pra provocar, dá pra evitar.
Ela tinha ouvido o pai explodir em casa mais de uma vez, dizendo que Yan Tingli agora era sem lei, desrespeitava pais e professores.
Nem o pai dela conseguia suprimir ele, então ela não se atrevia a encostar nesse campo minado.
Ela só podia apostar que Yan Tingli já não tinha obsessão pela Shi Sui;
se não, ninguém conseguiria controlar ele.
Shi Sui agarrou ela na hora, com os olhos suplicando ajuda: “E eu?”
Su Han fez boca: “Tem outro banheiro no terceiro andar.”
Shi Sui: “…”
Por sorte, assim que Yan Tingli chegou, ele foi cercado imediatamente por outras pessoas que Gao Linhan tinha convidado.
Um coro de “Presidente Yan” subia e descia, e os mais próximos chamavam ele de “Irmão Yan” ou “Veterano.”
Glória infinita.
Xue Jing cochichou pra elas: “Esses aí são basicamente veteranos e veteranas do Yan Tingli, mais colegas da Universidade S do Gao Linhan, todo mundo nesse ramo agora. Alguns trabalham na Zhilian Future.”
Shi Sui soltou um “ah” sem emoção e desviou o olhar rapidinho.
Elas conversavam de vez em quando.
Su Han, tentando minimizar a presença, tinha sumido pra algum quarto pra jogar.
O lugar do lado delas ainda estava vazio.
De repente, alguém ocupou esse lugar, e Shi Sui ouviu uma voz meio tímida ao lado: “Oi.”
Shi Sui levantou a cabeça, procurando em branco na memória por aquele rosto desconhecido: “…Oi.”
O garoto na frente usava óculos e tinha traços limpos e delicados.
Mas Shi Sui não lembrava de conhecer ele.
“Eu sou Zhuo Haoyu,” o garoto se apresentou na hora, “a gente já se encontrou antes.”
“Pfft.” Xue Jing não conseguiu evitar provocar, “Colega, essa cantada já tá ultrapassada.”
O rosto do Zhuo Haoyu ficou vermelho na hora, e ele gesticulou desesperado: “Eu tô falando a verdade, a gente já se encontrou.”
“Uns anos atrás, na faculdade interdisciplinar da Universidade A—”
“O elevador.”
Uma voz preguiçosa, rindo, veio de trás. Alguém se inclinou bem perto e perguntou baixinho, “Né?”
A coluna do Zhuo Haoyu travou.
Ele virou devagar pra olhar Yan Tingli, que de algum jeito tinha aparecido atrás dele: “Irmão Yan?”
Mas Yan Tingli nem olhou pra ele.
O olhar dele desceu de leve, parando no rosto da Shi Sui no meio, e ele disse com calma: “Ele é aquele meu colega de quarto de óculos.”
Depois de uma pausa, ele inclinou a cabeça e perguntou pra ela: “Você lembra?”
Graças a ele, como Shi Sui não lembraria?
Com preguiça de lidar com ele, ela olhou direto pro Zhuo Haoyu e sorriu: “Oi, eu lembro de você.”
Zhuo Haoyu ficou feliz demais, como se tivesse ganhado na loteria.
A empolgação exagerada dele não deixou espaço pra ele pensar nas relações lógicas envolvidas: “Sério? Eu sempre—”
No meio da frase, ele foi interrompido de novo.
“Quanto tempo,” a voz do Yan Tingli cobriu a dele, “Shi Sui, você ainda lembra de mim?”
“A gente,” ele disse, com os lábios se curvando num arco frio enquanto pronunciava cada palavra, “já, bebeu, junto, antes.”
De novo essa calma cheia de significado, essa provocação maldosa.
O fogo no peito de Shi Sui explodiu na hora. Ela disse fria: “Desculpa, eu não tenho lembrança disso.”
O clima estranho entre os dois dava pra sentir, por mais lento que alguém fosse.
Só o Zhuo Haoyu, completamente sem noção, continuava confuso:
“Irmão Yan, vocês dois se conheciam antes?”
Shi Sui respondeu primeiro: “Não somos próximos.”
A expressão do Yan Tingli ficou extremamente fria de repente: “Não muito.”
Ele virou e foi embora.
Ela encarou as costas dele se afastando rápido.
No coração dela, não tinha nenhum alívio.
Pela experiência, ele muito provavelmente ia ter um surto, mas a ocasião era inadequada, então ele não tinha escolha a não ser se afastar.
Uns anos atrás, a tolerância dele era baixíssima.
Agora ele era melhor em fingir.
“Então, você tem namorado agora? Se não tiver, a gente podia se conhecer melhor.” Antes de Zhuo Haoyu terminar, alguém de repente tampou a boca dele.
Gao Linhan apertou o ombro dele, arrastando ele pro lado à força: “Te achei, Haoyu! Você tá aqui. Vem, vem jogar jogo de tabuleiro com a gente.”
“O que você tá fazendo? Eu não terminei de falar…”
Gao Linhan sibilou: “Rápido!”
Zhuo Haoyu agora era colega dele — um cara de exatas com QI alto, mas sem noção em tudo o resto.
A expressão do Yan Tingli estava tão fria que parecia pronto pra matar alguém, e esse idiota ainda não tinha percebido. Ele não queria mais trabalhar?
Só depois de arrastar o cara pra longe é que ele sussurrou: “Ela tem namorado, não pergunta disso.”
“Ela tem?” A cara do Zhuo Haoyu caiu. “Quando é que eles vão terminar?”
Gao Linhan: “…” Se você quer morrer, não me puxa junto.
Haru: KKKKKKKKKKKKKKKKK tadinho Pelo resto do tempo, Shi Sui ficou grudada em Xue Jing, sem ficar sozinha.
Yan Tingli ainda estava cercado de gente, com uma expressão indiferente, claramente distraído.
Os dois não tiveram mais nenhuma interação.
Depois de um tempo que ninguém sabia quanto, um trovão abafado roncou lá fora.
Como todo mundo tinha que trabalhar no dia seguinte, o encontro se desfez por volta das nove.
Lin Anran ia ficar mais uma semana pra brincar. Só Su Han não estava trabalhando no momento, então ela ia ficar na casa da Su Han, e elas podiam se reunir de novo depois.
Depois de abraçar elas e se despedir, Shi Sui se separou delas na porta e dirigiu tranquilamente pra casa.
O trovão abafado lá fora foi ficando cada vez mais alto, como se estivesse preparando uma chuva pesada.
Por sorte, Shi Sui chegou ao condomínio antes de começar a chover.
Shi Sui tinha aprendido a dirigir nas férias de verão do primeiro ano da faculdade e só tinha pego estrada algumas vezes. Ela não dirigia tão bem.
Depois de estacionar com cuidado no subsolo e confirmar que não tinha nenhum arranhão em lugar nenhum, ela relaxou e suspirou aliviada, e estava prestes a pegar a bolsa e sair.
De repente, uma luz branca ofuscante acendeu do outro lado.
Brilhando direto no rosto dela.
Bem de propósito, agressiva, cheia de malícia.
Shi Sui bloqueou parte da luz com a mão e olhou pra lá, irritada.
Depois que a visão dela clareou.
Ela ficou paralisada.
Depois de confirmar mais algumas vezes, o rosto dela perdeu toda a cor.
Ela não tinha se enganado.
Ela não podia ter se enganado.
Esse carro era o supercarro preto que tinha enlouquecido e batido neles na América.
Shi Sui tinha pesquisado depois — o preço era absurdamente alto, um modelo com só alguns no mundo.
Todos os detalhes se conectaram, e por mais que ela não quisesse pensar fundo, uma possibilidade assustadora inevitavelmente surgiu na mente dela.
Shi Sui apertou os lábios com força, encarando fixamente o carro do outro lado.
Como se fosse pra confirmar o que ela pensava, a porta do supercarro abriu.
Pernas longas saíram do banco do motorista.
Aquele cara se encostou no capô, observando ela com calma.
Contra a luz, Shi Sui ainda conseguia ver o contorno do sorriso dele.
Como se ver o pânico dela fosse uma coisa muito prazerosa.
As emoções da Shi Sui explodiram num instante.
Ela pegou a bolsa, saiu rápido do carro e jogou a bolsa direto nele:
“Seu psicopata, pervertido!”
Yan Tingli abaixou os cílios, num tom meio descontente: “Sui Sui, você tá me batendo de novo.”
Shi Sui manteve uma expressão fria, sem querer discutir com ele.
Depois de descarregar, ela pegou a bolsa em silêncio e seguiu a passos largos pro elevador.
Ele não foi atrás.
Mas o coração da Shi Sui ainda estava disparado, acompanhando o elevador subindo o tempo todo.
Até o andar dela.
Depois que a porta principal verificou o rosto dela, ela abriu.
Shi Sui entrou rápido e bateu a porta com força, BANG.
Ouvindo o 3.0 dizer “Bem-vinda de volta”, a reação condicionada dela foi acalmando os batimentos.
Um momento depois, batidas lentas e deliberadas vieram da porta.
O coração da Shi Sui saltou, e ela disse fria: “Vai embora logo, eu não vou abrir.”
“Seja boazinha, abre a porta.”
Shi Sui ignorou.
“Tudo bem então.” Yan Tingli pareceu meio arrependido.
Mas logo, Shi Sui se lembrou de uma coisa de repente, e as pupilas dela contraíram um pouco com um pressentimento sinistro.
No instante seguinte, junto com o som da porta principal destrancando, a voz do 3.0 soou: “Bem-vindo de volta, senhor Yan.”
Atrás dela veio a presença daquela pessoa — um frio que nem o calor sufocante do verão conseguia bloquear.
“Sui Sui,” ele se aproximou devagar da orelha dela por trás, rindo enquanto dizia, “você é sempre tão desobediente.”
