Difícil de Atravessar [Novel]

Antes do exame de entrada na faculdade, Shi Sui foi forçada a se mudar para a casa da família de um amigo de seu pai, onde conheceu o filho deles, Yan Tingli. Naquele momento, o jovem estava de pé na escada com um suéter de gola alta preto, toda a sua presença fria e desolada, olhando para ela como se ela não fosse nada. Ele parecia não reconhecê-la, mas Shi Sui conhecia Yan Tingli. Ele era refinado e bonito, o famoso aluno honorário da escola, amado por inúmeras garotas. Ela nunca imaginou que, a portas fechadas, até mesmo um bom aluno pudesse descartar sua pele externa e devorar pessoas sem cuspir os ossos. “Quero te beijar.” “Eu não quero.” “Seja boazinha, abra a porta agora.” Irmã tímida e gentil × canalha refinado O protagonista masculino tem um desejo possessivo muito forte, é bastante louco e bom em se disfarçar, mas é um apaixonado. Atenção: Aqueles com altos padrões morais para o protagonista masculino não devem ler.

Capítulo 31 - Yan Versão Louco Pro

Capítulo 31 - Yan Versão Louco Pro

Hard to Cross Tradutora: Haru Yoru Scanlator Capítulo 31 – Yan Versão Louco Pro

Shi Sui marcou de se encontrar com Theodore para o primeiro encontro presencial formal deles na Praia de Santa Monica. A brisa do mar ali era agradável, e, ao entardecer, quando o sol vermelho se punha a oeste, dar uma volta ali era mesmo um lugar refrescante e romântico. Aproveitando esse encontro, Shi Sui finalmente memorizou a aparência de Theodore. Embora ele fosse mestiço sino-americano, tirando o cabelo loiroplatinado, a estrutura óssea dele tendia mais para traços orientais suaves. Especialmente quando aqueles olhos negros olhavam para baixo, de leve, na direção dela. Isso fez as pupilas de Shi Sui se dilatarem, deixando-a em transe por um bom tempo. Então Theodore sorriu. Quando ele sorria, os olhos se curvavam em luas crescentes, com vincos profundos de pálpebra dupla. Isso era bem diferente das pálpebras finas daquela pessoa, que sempre sorria sem que o sorriso chegasse aos olhos, daquele jeito frio. Shi Sui imediatamente voltou a si, baixando o olhar discretamente. “Embora eu tenha crescido na América, minha mãe é chinesa, e meu chinês também não é ruim.” Theodore normalmente se comunicava com ela em chinês.

Shi Sui sorriu: “De fato, é bem bom.” Eles fizeram um jantar farto num restaurante à beira-mar. No geral, o comportamento de Theodore era cavalheiro e gentil, e ele era especialmente bom em deixar garotas felizes. Sob as luzes amarelas e quentes, ele não economizou nos elogios: “Seus olhos são como os de Afrodite… você é a chinesa mais bonita que eu já vi.” “Os seus olhos” Shi Sui sorriu de leve, dizendo baixinho “ …eu também gosto muito deles.” O clima daquela noite, no geral, foi bem agradável, e Shi Sui não rejeitou o contato com ele. Antes de se despedirem, Theodore sugeriu que esperava que ela pudesse beijá-lo. Shi Sui não concordou. Embora ela entendesse que, na cultura de encontros daqui, homens e mulheres beijam e se abraçam depois de só um encontro, e até têm relações mais íntimas, nada disso se aplicava a ela. Ela era, por natureza, alguém que seguia regras. Além disso, aquela única vez na vida em que ela saiu da linha quase tinha esgotado toda a força e energia dela. Então, Shi Sui expressou a ele sua atitude e ponto de vista conservadores, preferindo primeiro se conhecerem de forma mútua e confirmarem a relação antes de dar o próximo passo no contato. Se ele não conseguisse aceitar isso, eles poderiam ser apenas amigos, e não havia necessidade de perder mais tempo depois.

Theodore olhou para ela por um bom tempo, com decepção evidente nos olhos. Achando que esse encontro terminaria rapidinho ali, ela não esperava que, alguns dias depois, Theodore fizesse um segundo convite, dizendo que aceitava o ponto de vista dela e que estava disposto a ficar com ela de um em um até que ela quisesse. No vídeo, Zhou Xuyan, com uma máscara facial, expressou aprovação do comportamento de Theodore: “Nossa, esse cara não é ruim. Você pode continuar conhecendo ele.” Shi Sui assentiu: “ Então eu vou te ouvir.” Zhou Xuyan achou divertido: “O que você quer dizer com ‘me ouvir’? Eu não estou arrumando um homem pra mim. E você? Você não gosta dele? Não ficou mexida?” Shi Sui pensou por um tempo e então disse devagar: “Eu não desgosto dele.” Zhou Xuyan falou: “Não desgosta? Bem, eu também não desgosto daqueles caras que correm atrás de mim, mas eu não estou disposta a ficar com eles. Tem alguma coisa que você goste muito nele? Alguma característica?” Olhos. Essa resposta surgiu imediatamente na mente de Shi Sui. Mas, no segundo seguinte, ela sentiu um pânico inexplicável e disse rápido:

“Talvez a gente tenha se conhecido por pouco tempo. Deixa eu ter mais contato com ele mais algumas vezes.” Zhou Xuyan disse: “É verdade. Então continue sua avaliação.” Nos dois meses seguintes, Shi Sui arrumou tempo para se encontrar com Theodore mais algumas vezes. Eles foram a exposições de arte no centro, ouviram concertos, ou fizeram caminhadas e tiraram fotos em parques nacionais. Toda vez que se encontravam, Theodore pedia um beijo. No começo, Shi Sui conseguia recusar com firmeza, mas, depois de muitas vezes, vendo ele lançar aquela luz ferida dos olhos negros na direção dela, ela não pôde evitar suavizar um pouco a recusa. “Sui.” Ele já tinha aprendido o nome chinês dela e a chamava por um único caractere. “Eu não tenho charme? Estou muito frustrado.” Shi Sui olhou para ele com um coração como água parada, sem saber o que dizer. “Tá bom.” Theodore deu de ombros, com uma expressão nada boa. Sobre isso, a estrategista Zhou Xuyan concluiu: “Namoro precisa de um certo impulso físico. Vocês dois só saem pra ver exposições e passear por parques. Por que você não tenta ser um pouco mais íntima com ele?” Shi Sui: “Vamos ver.” Mas uma inquietação impossível de explicar surgiu no coração dela.

Até agora, tirando o fato de ele ser ansioso demais pra dar o próximo passo, o desempenho de Theodore em outros aspectos ainda era decente. Então por que ela ainda não tinha impulso nenhum de se aproximar dele? Percebendo que isso estava ocupando energia mental demais, Shi Sui simplesmente parou de pensar nisso e se jogou de volta no trabalho criativo. Logo, chegou a primavera. Nesse momento, do outro lado do oceano, os setores nacionais de finanças e tecnologia foram explodidos por uma notícia. No começo de março, a Zhilian Future realizou sua cerimônia de toque do sino na NASDAQ, nos EUA. Assim que listou, o preço das ações disparou exponencialmente naquele dia, com a avaliação se aproximando dos cem bilhões de dólares previstos pelos especialistas, chegando por fim a um valor assustador de 120 bilhões de dólares. Naquele dia, a coletiva de imprensa foi realizada na bolsa da NASDAQ. O atual presidente da Zhilian Future, Yan Zecheng, acompanhado do vicepresidente Song Jie e outros principais membros do conselho, compareceu à coletiva para a mídia. Os passos anteriores foram todos de rotina, mas o local inteiro chegou ao ápice quando Yan Zecheng apresentou seu filho, o atual diretor técnico e presidente executivo da Zhilian Future, Yan Tingli. Os flashes das câmeras alcançaram uma frequência de milhares por segundo. Não por outro motivo, e sim porque aquele rosto era jovem demais, de um jeito inacreditável.

Ninguém conseguia acreditar que uma tecnologia tão revolucionária, capaz de abalar o mundo, tivesse saído das mãos daquele jovem diante deles. Quando Yan Tingli apareceu, ele usava um casaco preto moderno de estilo chinês, com design de botões diagonais, e os punhos tinham detalhes discretos com bordados em dourado-escuro, fazendo com que ele parecesse ainda mais culto, bonito e nobre a um nível impossível de medir. Quando os repórteres se aglomeraram com perguntas, ele sorriu de leve, e suas pupilas escuras varreram calmamente a plateia abaixo. “Fiquem à vontade, pessoal. Eu vou compartilhar tudo o que eu sei e não vou esconder nada.” A abertura de capital da Zhilian Future não só deixou toda a bolsa da NASDAQ em ebulição, como também quase revitalizou o mercado de ações A, que estava bem morno. Quando a notícia chegou ao país nas primeiras horas da manhã, ela explodiu as manchetes de vários setores domésticos e, numa velocidade absurda, empurrou todas as ações de conceito relacionadas a “CN” no mercado A para limites de alta consecutivos. As notícias de entretenimento sobre o vídeo da coletiva de Yan Tingli também incendiaram a internet inteira com uma velocidade explosiva sem precedentes. A mídia ocidental até exagerou, chamando ele de “o príncipe gênio da IA vindo do Oriente” . Todas as principais revistas de negócios, incluindo editores das áreas financeira, tecnológica e de entretenimento, esgotaram seus recursos e meios, todos fazendo fila para tentar entrar em contato com esse jovem presidente Yan em alta. Shi Sui foi pega de surpresa ao ver o rosto de Yan Tingli de novo.

Foi quando Theodore levantou a edição mais recente da Forbes, apontou para o rosto do jovem na capa e, meio brincando, disse a ela: “Meu amigo disse que eu pareço um pouco com ele. Sui, o que você acha?” Naquele momento, Shi Sui estava desenhando storyboards no gramado de sempre. Ao ouvir a voz de Theodore, ela virou a cabeça. No segundo seguinte. A caneta de desenho na mão de Shi Sui caiu no chão, enquanto ela encarava, em branco, o rosto da capa. Ela ficou em transe por um bom tempo. Fazia quanto tempo desde a última vez que eles se viram? Shi Sui se esforçou para pensar. Ela não conseguia lembrar direito. Mas devia ter sido um tempo muito, muito longo. Tão longo que, quando viu aquele rosto de novo, ela precisou distinguir com cuidado se a pessoa diante dos olhos dela e o garoto naquela foto enterrada lá no fundo do rolo da câmera eram a mesma. Naquela época, ele nem queria tirar foto, mas agora ele aceitava aparecer em capas de revista. Na imagem, o jovem não estava usando aqueles ternos bem cortados, padronizados, e sim uma peça preta moderna de estilo chinês com botões diagonais, com delicados padrões de bambu verde bordados no peito.

Shi Sui tinha que admitir que esse tipo de roupa ficava ridiculamente bem nele. A descrição da capa, “Príncipe do Oriente” , não era exagero. O olhar dela desceu. Ela viu Ping’an estirado de forma preguiçosa sobre as pernas do jovem, posicionadas de maneira casual, semicerrando os olhos, sonolenta, para a câmera. Na maior revista de negócios do mundo, ele havia levado casualmente uma gatinha de rua e aparecido junto com ela na capa. Vendo Shi Sui encarar a capa da revista por um longo tempo, até mesmo com os olhos ficando vermelhos, Theodore ficou confuso. Ele guardou a revista e acenou com a mão na frente dela: “Ei, para de olhar. Mesmo que você olhe, esse homem não é seu.” Shi Sui voltou a si, enxugou os olhos e então retirou o olhar em silêncio. Ela estendeu a mão branca e delicada: “Me deixa ver a revista.” Theodore: “Não vou te dar.” Shi Sui então guardou o tablet e se levantou. “Pra onde você vai?” Diante da frieza dela, Theodore se sentia cada vez mais insatisfeito. Várias vezes ele quis desistir, mas, pensando em todo o tempo que já tinha desperdiçado, desistir agora seria ainda mais inútil. Essa contradição o deixava ainda mais irritado. Shi Sui olhou para ele: “Comprar a revista.”

“Então eu te mostro” disse Theodore. Shi Sui se sentou de novo e folheou a revista. A parte seguinte da entrevista estava, como de costume, cheia de perguntas profissionais, todas em inglês, com um vocabulário um pouco difícil, que Shi Sui tinha dificuldade para entender. Quando chegou às perguntas pessoais finais, os dedos dela pararam, e o olhar se fixou naquele trecho de texto. Repórter: “Esse gato é seu? Ele é muito fofo.” “Sim.” “Qual é o nome dele?” “Ping’an.” “Oh? Que nome interessante. Tem alguma história por trás?” “O anterior se chamava Suisui.” Como estava em inglês, esse “Suisui” também foi escrito em letras fonéticas como “Suisui” . “Oh! Belo nome” o repórter continuou, perguntando “então onde está o seu Suisui?” “Fugiu.” “Que pena.” “Não necessariamente. Se fugir de novo, eu simplesmente tranco.” “Oh! Você é muito interessante.” “Muito interessante? Eu também acho.”

“Preciso te lembrar” disse Theodore ao lado, entediado “que você está encarando essa revista há meia hora.” Shi Sui voltou a si e devolveu a revista a ele, sem expressão: “Obrigada.” Theodore então se apoiou para se levantar da grama, colocou a revista ao lado do próprio rosto e, ainda sem desistir, perguntou: “Eu e ele realmente parecemos?” “Não parecem.” Shi Sui arrumou a mochila, respondendo distraída. “Por quê?” “Não parecem em nada.” Shi Sui caminhou em direção ao dormitório. Se fossem parecidos nem que fosse um pouco, ela não teria passado tanto tempo sem sentir absolutamente nada. De repente, Theodore pareceu perder todo o interesse. Dando de ombros, ele a observou se afastar: “Ei, amanhã a gente vai à praia. Você vem ou não?” Os passos de Shi Sui pararam, e ela assentiu em concordância. Algumas coisas também precisavam ser esclarecidas com ele. Ela não podia ter sentimentos por ele, então não havia necessidade de desperdiçar mais tempo. Naquela noite, Shi Sui voltou e teve sonhos muito longos. Ela sonhou novamente com o verão daquela pequena cidade. Yan Tingli, com o cabelo molhado e todo desgrenhado, competindo com ela para ver quem pulava mais pedras na água, sorria de forma radiante quando ganhava.

Eles encontraram Ping’an, com dois meses de idade, nos arbustos. Ele puxou a mão dela de forma teimosa, dizendo que aquela era a gata deles, que pertencia aos dois. Quantos anos Ping’an tinha agora? Ela não conseguia lembrar direito. A cena mudou. Chegou àquele dia chuvoso, com Yan Tingli parado em frente ao prédio principal o dia inteiro, com o rosto pálido. Ela o viu se dissolver pouco a pouco na multidão. Por fim, o sonho, de alguma forma, mudou para outro lugar. Tudo estava escuro ao redor, ela ouviu o som de correntes, e o corpo inteiro não conseguia se mover. Dedos frios se apertaram em torno do pescoço dela, e Yan Tingli riu baixo junto ao ouvido dela, usando o tom ameaçador de que ela mais tinha medo: “Você ainda ousa aparecer na minha frente.” “Então vamos ficar trancados juntos por uma vida inteira, tudo bem?” Shi Sui acordou de repente, sobressaltada, apenas para perceber que estava coberta de suor, e as bochechas também estavam molhadas de lágrimas. O coração dela estava dolorido e assustado ao mesmo tempo, ainda sem conseguir sair das emoções do sonho. Olhando para a janela, onde o dia estava apenas começando a clarear, ainda eram pouco mais de quatro da manhã, mas o céu já dava sinais de luz.

O sol da Califórnia era realmente bom, mas, naquele momento, Shi Sui sentiu uma saudade imensa de todos em casa, saudade da terra natal com suas quatro estações bem definidas, das chuvas de verão e da neve no inverno. Ela queria voltar para o lado dos pais, ser a pessoa comum mais simples e feliz. Trabalhar durante a semana, dormir até mais tarde e fazer compras nos fins de semana. Não existia verão sem fim. Mas existiam amigos e família. E também. Yan Tingli. Ela murmurou esse nome no coração. Embora não quisesse repetir os mesmos erros de antes, poder voltar para casa, ficar um pouco mais perto dele, e ocasionalmente ouvir Zhou Xuyan e os outros comentarem alguma notícia recente sobre ele já seria muito bom. “Você parece muito cansada” disse Theodore, erguendo uma sobrancelha quando passou para buscá-la de carro na tarde seguinte. Shi Sui colocou a mão sobre os olhos: “Tive um pouco de insônia ontem à noite.” “Tudo bem” disse Theodore. As conversas recentes deles estavam assim. Shi Sui conseguia sentir a atitude displicente dele, e só pensava em encontrar uma oportunidade adequada para cortar o contato. Depois de um jantar nada especialmente gostoso, Theodore sugeriu ir a um bar para se divertir e cantar para ela.

Theodore pediu bebidas para ela, mas Shi Sui as deixou ali, sem dar um único gole. Mesmo assim, ele subiu no palco com entusiasmo e cantou uma música para ela, acompanhado pelo piano. Com a bela música de piano, o humor de Shi Sui melhorou um pouco, e ela estava disposta a encerrar a relação deles de forma mais suave. Quando saíram do bar, a noite já estava bem avançada. No banco do motorista, Theodore não ligou o carro imediatamente. Ele virou a cabeça, os olhos escuros fixos no rosto dela, e disse com suavidade: “Sui, a gente se conhece há cinco meses.” “Nesses cinco meses, eu só estive em contato com você. Você é a primeira garota com quem eu fui tão sério.” Ele puxou o pulso de Shi Sui e colocou a mão dela sobre o peito dele. “Você não sabe o que eu sinto por você?” Shi Sui apertou os lábios e disse, de forma fria: “Solta minha mão primeiro.” “Não vou soltar.” Ele disse de forma autoritária: “Eu quero te beijar.” Essas palavras fizeram Shi Sui congelar de choque. Ela sentiu o coração dar um pulo depois de um longo tempo, como uma pena roçando de leve, mas foi algo passageiro. Talvez a distração dela tenha sido interpretada como consentimento. Os olhos de Theodore escureceram enquanto ele se aproximava. Shi Sui o observou se aproximar lentamente, sem desviar de imediato.

Ela realmente estava um pouco curiosa para saber se conseguiria aceitar a proximidade de um homem de quem não desgostava particularmente. Até sentir o cheiro misturado de tabaco e suor no corpo dele, quando ele chegou perto. Esse odor estranho e difícil de descrever fez Shi Sui franzir a testa imediatamente e rejeitar por instinto: “Não.” Mas um farol de carro foi mais rápido que a voz dela. A luz branca e intensa cortou como uma lâmina. Ela ficou tão ofuscada que teve que cobrir os olhos com a mão. Virando a cabeça, ela não conseguia enxergar nada. Só conseguiu ouvir o som ensurdecedor do motor de um supercarro preto vindo direto na direção deles, a uma velocidade imprudente. Quinhentos metros. Trezentos metros. Cem metros. Com uma espécie de loucura desenfreada. “Porra, ” Theodore ligou o carro às pressas e girou o volante, tão em pânico que mudou para o inglês “quem deixou esse lunático entrar aqui?” Os movimentos dele ainda foram um passo mais lentos. Vendo que iam colidir, Shi Sui cobriu os olhos, o grito preso na garganta. Felizmente, aquele supercarro parecia ter calculado tudo com precisão. No último momento, ajustou levemente a direção e raspou pelo carro deles. O som do atrito foi agudo e estridente, fazendo um barulho de arrepiar. Shi Sui tampou os ouvidos.

Depois que o barulho do motor diminuiu e o supercarro virou uma esquina e desapareceu na noite. Mas, por muito tempo depois disso, o coração dela, que tinha saltado até a garganta, ainda não tinha se acalmado. As pupilas dilatadas, ela encarava fixamente à frente. Agora há pouco. Naquele instante, ela realmente sentiu que estava a apenas um passo da morte. Aquele carro tinha vindo com a intenção de morrer junto com eles. A América tinha muita gente louca — ela queria voltar para casa ainda mais. Shi Sui pensou. Theodore saiu do carro para olhar a grande área de pintura arrancada, xingando sem parar. Shi Sui se recompôs e também saiu do carro. Ela não tinha mais energia para continuar e disse a Theodore: “Eu não tenho sentimentos por você. Vamos encerrar por aqui.” A expressão de Theodore ficou ainda pior. Ele chutou o carro várias vezes e soltou vários “porra” seguidos, sem ficar claro se estava xingando ela ou aquele carro. Shi Sui ficou ainda mais indiferente, saiu da rua dos bares e pegou um táxi de volta para a faculdade. Depois que ela foi embora, Theodore voltou para o bar.

Um guitarrista que ele conhecia se aproximou e perguntou: “E aí, ainda não conseguiu pegar?” “Nem fala, encontrei uma freira... ” ele chutou uma cadeira “não transei com ela e ainda perdi tanto tempo.” Risos de deboche vieram de todos os lados. Quanto mais pensava nisso, mais inconformado Theodore ficava. Depois de várias bebidas, ficou ainda mais difícil controlar o desejo. Ele lambeu os lábios: “Faz tempo que não encontro alguém tão pura assim — dormir com ela seria excitante.” “Mas você não conseguiu nem chegar perto — ela nem bebe álcool.” Pensando em Shi Sui, praticamente impenetrável, Theodore chutou a cadeira de novo, irritado. Só tarde da noite ele saiu cambaleando do bar, bêbado. A rua dos fundos do bar estava cheia de música, e pessoas bêbadas estavam jogadas à beira da estrada. Encostado no carro, fumando um cigarro, ele jogou a bituca no chão. Quando se virou, pelo canto do olho, viu aquele supercarro — um modelo do qual só existiam poucos no mundo; ele não podia estar enganado. Os olhos de Theodore brilharam com uma luz cruel, e ele estava prestes a se aproximar. Então, uma voz com um sotaque britânico nojento soou atrás dele, fantasmagórica e leve: “Está me procurando?” Theodore levantou a cabeça de repente. Viu um homem parado atrás dele, sem saber desde quando.

Camisa preta, absurdamente alto. Mas o rosto estava escondido na escuridão, indistinto, apenas um queixo branco e frio visível. Theodore arregaçou as mangas: “Então foi você que estragou minha boa noite e ainda arranhou meu carro?” O homem riu baixo: “Você deveria agradecer por a sua “boa noite” não ter dado certo.” “Caso contrário, não seria só o seu carro que teria sido danificado.” O tom desse homem era refinado, mas Theodore sentiu algo sinistro, como uma cobra venenosa subindo pela espinha, sibilando junto ao pescoço. “O que você quer?” “Fazer algumas perguntinhas simples.” Theodore o encarou com cautela. “Qual mão você usou para tocar nela agora há pouco?” Theodore zombou: “O que isso tem a ver com você?” O homem riu de novo, com um certo prazer excitado. “Tudo bem também.” Ele assentiu enquanto murmurava: “Então vamos inutilizar as duas.” Antes que Theodore pudesse reagir ao significado aterrador daquelas palavras, foi chutado ao chão pelo homem que saiu da escuridão. O álcool no estômago dele revirou, e ele quase vomitou na hora. O homem tinha passado por treinamento sistemático de combate e conhecia o corpo humano como a palma da mão.

Os golpes eram rápidos e impiedosos, todos mirando nos pontos mais dolorosos. Theodore quase não tinha capacidade de resistência, muito menos de revidar. Até que a mão direita dele foi pisada pelo sapato do homem. “Espera!” ele disse rápido “Foi a mão esquerda! Eu usei a mão esquerda!” “É mesmo...?” disse o homem, sem pressa, com um certo tom preguiçoso “Mas eu também não gosto da sua mão direita.” Ele chegou a se agachar, dizendo num tom estranho: “Ela é grande?” Ele inclinou a cabeça para examinar e então assentiu: “Parece bem grande mesmo.” C/T Haru: Ele ouviu a Suisui chamar a mão do cara de grande e pegou raiva da mão do cara kkkkkkkkkkkkkk “Que nojo.” O tom dele era arrastado. Theodore, ouvindo aquele monólogo, achou que aquela pessoa devia estar doente. No segundo seguinte, ele soltou um grito agudo de dor. Os dedos foram esmagados contra o chão, a sola do sapato girando, enquanto a voz do homem voltava a soar animada: “Então vou te punir fazendo você não poder tocar piano por um ano.” Theodore nunca tinha visto um lunático assim. A mente dele girava rápido, tentando pensar em uma forma de se salvar. “Sui? Você está aqui por causa da Shi Sui?” Assim que as palavras saíram da boca dele.

O homem pisou ainda mais forte e perguntou suavemente: “Quem te deu permissão para chamar o nome dela?” Ah, que psicopata! Theodore sentia dor no corpo inteiro, os nervos à beira do colapso. Num impulso desesperado, ele gritou: “Você se importa tanto com ela? Hahaha! Então você não sabe — eu acabei de dormir com ela, na minha cama, ela foi tão vadia— ah!” O homem o chutou abaixo do abdômen. Antes que ele pudesse gritar de dor, algo frio foi pressionado contra a testa dele. A respiração de Theodore quase parou quando ele olhou para cima e viu o cano de uma arma encostado no couro cabeludo. Naquele momento. Ele finalmente viu o rosto do homem com clareza e congelou, incrédulo. O homem usava aquele mesmo rosto idêntico ao da capa da revista Forbes. Os olhos escuros levemente abaixados, olhando para ele com o mesmo olhar que se lança a um morto. Toda a expressão sumiu do rosto dele enquanto se inclinava, aproximando-se do ouvido de Theodore. “Diga mais uma palavra, e eu não posso garantir que este lugar não vá… Durante a pausa, acompanhado pelo som da arma sendo engatilhada, o homem soltou um som sinistro ao lado do ouvido dele. — Bang. — Explodir.