Difícil de Atravessar [Novel]

Antes do exame de entrada na faculdade, Shi Sui foi forçada a se mudar para a casa da família de um amigo de seu pai, onde conheceu o filho deles, Yan Tingli. Naquele momento, o jovem estava de pé na escada com um suéter de gola alta preto, toda a sua presença fria e desolada, olhando para ela como se ela não fosse nada. Ele parecia não reconhecê-la, mas Shi Sui conhecia Yan Tingli. Ele era refinado e bonito, o famoso aluno honorário da escola, amado por inúmeras garotas. Ela nunca imaginou que, a portas fechadas, até mesmo um bom aluno pudesse descartar sua pele externa e devorar pessoas sem cuspir os ossos. “Quero te beijar.” “Eu não quero.” “Seja boazinha, abra a porta agora.” Irmã tímida e gentil × canalha refinado O protagonista masculino tem um desejo possessivo muito forte, é bastante louco e bom em se disfarçar, mas é um apaixonado. Atenção: Aqueles com altos padrões morais para o protagonista masculino não devem ler.

Capítulo 23 - O ódio dura mais que o amor…

Capítulo 23 - O ódio dura mais que o amor…

Hard to Cross Tradutora: Haru Yoru Scanlator Capítulo 23 – O ódio dura mais que o amor…

AVISO DE GATILHO: Este capítulo contém cenas de abuso psicológico e sexual, coerção, violência e controle. Pode ser sensível ou perturbador. Leia com cautela.

Antes desse momento, Shi Sui sempre sentiu que a palavra “terminar”

pesavam mais de mil quilos pra ela.

Ela era muito covarde.

Tão covarde que preferia fugir sozinha pra bem longe do que ter coragem de dizer essa palavra pra Yan Tingli.

Mas no instante em que ela falou.

Foi como se algumas correntes tivessem caído do corpo dela e desaparecido, e a névoa pesada diante dos olhos também tivesse se dissipado.

Sim.

O que qualquer coisa disso tinha a ver com ela?

Por que ela tinha que se esconder nesse canto igual um rato?

Ela não estava feliz.

Por que não podia terminar?

Yan Tingli agiu como se não tivesse ouvido ela dizer “terminar” , falando baixinho: “Eu já disse que não vai acontecer de novo. ”

Shi Sui já não conseguia mais ouvir o que ele dizia.

Ela estava presa no próprio mundo, suas pupilas antes acinzentadas começando a ganhar brilho.

Só de pensar em terminar com Yan Tingli, ela sentia como se o mundo inteiro tivesse se iluminado.

“Vamos terminar. ” Ela agarrou a manga de Yan Tingli, como se estivesse segurando sua última esperança, repetindo várias vezes: “Yan Tingli, vamos terminar. ”

“Eu não quero continuar assim. Por favor, vamos terminar. ”

“Ok?”

Shi Sui pensou.

Talvez ela tivesse enlouquecido um passo antes de Yan Tingli.

Tanto que, quando Yan Tingli ficou com a expressão vazia, olhando pra ela com aquele olhar gelado até os ossos, dizendo devagar pra ela “tomar de volta essas palavras” .

Ela ainda não sentiu nada.

Continuou repetindo sem parar: “Eu disse, vamos terminar. Eu quero terminar com você. ”

Shi Sui foi jogada na cadeira macia do escritório. Yan Tingli se inclinou sobre ela, seus dedos gelados agarrando o pescoço dela.

Seus ossos longos dos dedos mostravam veias saltadas, afrouxando e apertando.

Ele disse rouco: “Cala a boca. ”

Shi Sui: “Eu quero terminar. ”

“Diz isso de novo e eu te estrangulo. ”

Ele não estava usando força nenhuma, nem deixaria marca.

Yan Tingli era um covarde.

Ele não tinha coragem de usar força.

Shi Sui empurrou o pescoço contra a palma dele, olhando nos olhos dele, dizendo devagar palavra por palavra: “Mesmo que você me estrangule, eu ainda quero terminar. ”

A luz nos olhos de Yan Tingli piscou algumas vezes, até finalmente ficar parada como água estagnada.

Ele se levantou.

Bem na frente dela, ele tirou a camisa, seu olhar vindo de cima, caindo no rosto dela sem nenhum sentimento.

Ao ver o que ele fazia, Shi Sui se encolheu, rangendo os dentes e encarando: “Yan Tingli, você só sabe me forçar!”

Yan Tingli inclinou a cabeça, sorrindo pra ela.

Seus dedos gelados subiram pelas pernas brancas dela como uma cobra.

Shi Sui ficou inquieta, mas não queria demonstrar fraqueza.

A determinação dela de terminar superava tudo: “Faz o que quiser.

Considere isso um sexo de término. ”

A cabeça de Yan Tingli estava enterrada debaixo da saia dela.

Ao ouvir isso, ele não reagiu. Foi beijando as pernas dela de baixo pra cima. Shi Sui ficou arrepiada com as ações estranhas dele e quis chutá-lo, mas Yan Tingli de repente aumentou a força.

Prendendo ela firmemente.

“Forçar você?” A respiração dele roçou de leve enquanto ele ria, mas o tom não tinha nenhum calor: “Se é forçar, por que você fica tão molhada?”

Shi Sui mordeu forte o lábio inferior.

“É natural?” ele perguntou num tom curioso.

O cabelo dele roçou a pele das pernas dela.

A voz dele estava abafada.

Sons de água, sons de engolir.

Cada pequeno barulho parecia maior.

Ele sempre tinha mil maneiras de torturar ela.

Os dedos pálidos de Shi Sui fecharam e abriram, teimando em não fazer som.

“Eu tô perguntando. ” O tom de Yan Tingli de repente ficou frio.

Acompanhado pelo peso forte dos dedos dele, fazendo o corpo dela inteiro tremer: “É natural?”

Shi Sui estava coberta de suor.

A garganta também seca pela sensação insuportável. Sabendo da maldade proposital dele, ela admitiu: “Sim, natural. Depois de terminar com você, eu posso fazer isso com qualquer um—mmm. ”

Ela não conseguiu terminar o resto.

Porque o olhar de Yan Tingli quando levantou a cabeça só podia ser descrito como aterrorizante, cheio de intenção assassina.

Quando ele decidia punir ela, Shi Sui não tinha chance.

Por anos segurando canetas.

Os dedos de Yan Tingli tinham uma camada de calos.

Seus ossos também eram extremamente longos.

Ele sabia cada ponto sensível dela.

Quando ele apertava e esfregava com força.

Shi Sui sentia até os espaços entre os ossos formigarem.

Yan Tingli observava sem cuidado nenhum, vendo os olhos dela se encherem de lágrimas, uma camada de névoa cobrindo a visão.

Então, de repente parou.

Deixando Shi Sui no limbo.

Nem indo, nem voltando.

As mãos dela agarraram os ombros dele.

Como urgência, como necessidade insuportável.

Yan Tingli disse frio: “Você não tem permissão de gozar. ”

Shi Sui respirou leve.

Envergonhada e desconfortável.

Ela resistia em silêncio, suas unhas arranhando as costas dele.

“Você quer?” ele perguntou sem emoção.

Shi Sui rangeu os dentes e ficou quieta.

“Parece que ainda não é o suficiente. ”

Várias rodadas dele fazendo ela chegar quase lá e parar.

O suor no corpo dela vinha em camadas.

A consciência dela também estava turva.

“Se abre pra mim. ”

Ela ouviu ele ordenar.

No momento em que ela gozou.

Shi Sui agarrou os lençóis com força, os nós dos dedos brancos, um suspiro escapando da garganta.

“O que você faria sem mim?” Os dedos enrugados de Yan Tingli, de tanto ficarem molhados, pareciam acariciar o rosto dela com pena, “Quem mais conseguiria fazer a Suisui se sentir assim tão bem?”

Shi Sui quase mordeu o lábio até sangrar.

Ela sentia que já tinha perdido a razão.

Reprimida por tempo demais, ela quase disse com a mentalidade de destruição mútua com Yan Tingli: “Como eu vou saber sem tentar com outros?”

Yan Tingli ficou tão irritado que acabou rindo.

A risada gelada dele era mais fria que qualquer tempestade.

Os dedos dele tocaram calmamente a pele mais sensível da parte interna das coxas dela.

A testa dele encostou na dela, usando um tom como se estivesse discutindo com ela, dizendo suavemente: “Que tal eu tatuar algumas palavras aqui pra Suisui?”

“O que eu deveria tatuar?”

“Que tal meu nome?”

“Ou meu sobrenome. ”

Como se um vento frio sinistro tivesse passado.

O corpo inteiro de Shi Sui foi ficando rígido, o suor que ela tinha produzido secando e grudando nela.

“Não precisa ter medo. ” Yan Tingli beijou a testa dela, falando baixinho, “Eu vou aprender agora mesmo e tatuar eu mesmo. Com certeza não vai doer. ”

Shi Sui sentiu como se até o couro cabeludo fosse explodir.

Ela de repente empurrou ele com força, o peito subindo e descendo, olhando pra ele com terror extremo: “Não! Eu não quero! Sai de perto de mim!”

Yan Tingli olhou pra ela e sorriu, os lábios se curvando com satisfação.

Ele puxou ela de volta para os braços dele, a palma da mão acariciando suavemente o cabelo dela, dizendo com calor: “Claro. ”

“Desde que a gente não termine, qualquer coisa tá valendo. ”

“Se não, ” ele puxou um fio do cabelo dela, se aproximando pra olhar de perto, “vai que algum lixo que eu nem conheço chega perto de você. ”

Yan Tingli pensou por um momento, falando meio incomodado: “Matar ele daria um pouco de trabalho. ”

A própria Shi Sui nem sabia que, de tanto medo, o corpo inteiro dela já estava tremendo sem ela perceber.

Mesmo usando toda a força que tinha, ela não tinha pra onde fugir.

Ela enterrou a cabeça e desabou, gritando.

“Eu quero terminar. ”

“Eu quero terminar. ”

O último nervo dela também foi esmagado. Ela estava sem saída, chorando como uma criança que não consegue um doce.

Ela não viu os cílios de Yan Tingli baixarem, os cantos dos olhos ficando vermelhos.

Ele a pressionou contra a cabeceira da cama, a voz também tremendo de leve: “Semana passada, você disse que queria ficar comigo pra sempre. ”

“Você mentiu pra mim de novo. ” Ele repetiu, “Shi Sui, você mentiu pra mim de novo. ”

Shi Sui cobriu os ouvidos e balançou a cabeça, chorando e gritando: “Isso foi coisa que você me obrigou a concordar!”

“Eu só quero terminar com você, eu quero isso faz tanto tempo!”

Yan Tingli ficou em silêncio por muito tempo.

Só então ele levantou os olhos devagar: “Você não estava assim semana passada. ”

Como se tivesse lembrado de algo, ele de repente chegou mais perto, segurando os ombros dela com força: “É porque o Song Jie te deixou com medo?”

“Com certeza é. ”

Yan Tingli parecia aliviado. Ele puxou ela de volta para os braços dele, enterrando a cabeça, a bochecha encostada no pescoço dela, expondo o próprio pescoço vulnerável pra ela.

Como se estivesse escolhendo as palavras com cuidado, ele falou bem devagar.

“Eu tenho um jeito de fazer eles aceitarem. ”

“Só me dá um tempinho. ”

“São eles que te deixam com medo, só pode ser. ”

Shi Sui estava com o rosto manchado de lágrimas, balançando a cabeça sem parar.

Ela disse fraco: “Não, não são eles. ”

“Vamos terminar, ” ela implorou, “por favor, Irmão Tingli. A gente não é do mesmo tipo. A gente não combina—”

Antes que pudesse terminar, o queixo de Shi Sui foi segurado e levantado.

O rosto de Yan Tingli estava pálido como neve, sem nenhum brilho nos olhos. Ele inclinou levemente a cabeça, esculpindo cada palavra na mente dela:

“Não existe esse negócio de combinar ou não. ”

“Só existe se eu te quero ou não. ”

“Vou te dar uma última chance. ”

“Fala: sem término. ”

“Pra sempre comigo. ”

Sob uma pressão enorme, Shi Sui ainda encarou ele teimosamente: “Eu quero terminar. ”

“Ótimo. ” Yan Tingli quase quis aplaudir, “Nossa Suisui tem fibra. ”

Puxando ela e pressionando-a sob ele, ele disse num tom sem nenhuma emoção: “Então me dá um filho. Com um filho, pra onde você iria fugir?”

Nesse momento, até o córtex cerebral de Shi Sui explodiu.

Cada célula do corpo dela estava gritando de terror.

“Você é louco, ” ela gritou, usando toda a força pra socar e chutar, “Você é um lunático!!!”

Yan Tingli ignorou totalmente, apenas dizendo no ouvido dela: “Perfeito.

Se eu tiver um, meu pai não vai precisar. Dois coelhos com uma cajadada. ”

“Quando a criança nascer, a gente pode casar na hora certa. ”

“Assim, vamos ficar juntos pra sempre. ”

Como se achasse essa ideia particularmente genial.

Ele riu baixinho no ouvido dela.

Não importava o quanto Shi Sui empurrava ou lutava, Yan Tingli não se movia.

Ao lado do ouvido dela, ele falava do “filho deles” .

Parecia incansável.

Shi Sui só conseguia sentir escuridão e terror sem fim.

As lágrimas escorriam pelo travesseiro inteiro.

Shi Sui disse indiferente: “Yan Tingli, eu te odeio. ”

Os movimentos dele pararam.

Depois de muito tempo, ele abaixou a cabeça pra lamber e beijar as lágrimas dela, dizendo: “Isso também serve. ”

A voz dele se dissipou como névoa: “O ódio dura mais que o amor. ”

*** Quando ela acordou de novo, já estava escuro lá fora, e ela não sabia que horas eram.

Não tinha ninguém ao lado dela, frio e vazio.

Mas os lençóis e as roupas dela tinham sido trocados, e ela não sentia desconforto nenhum.

Shi Sui se apoiou na cama e pegou o celular pra ver a hora.

5:30 da manhã.

Ela saiu do quarto descalça.

Ninguém estava em casa também.

Shi Sui ficou parada por um tempo, depois voltou rápido para o quarto pra trocar de roupa.

Ela tinha que sair dali imediatamente.

Indo até a porta.

Ela apertou a maçaneta, mas não conseguiu abrir de jeito nenhum. A porta estava trancada pelo lado de fora.

O coração de Shi Sui afundou, quase sem acreditar.

Ela rapidamente tentou uma solução, chamando pelo Caracolzinho: “Abre a porta. ”

Caracolzinho só emitiu uma voz mecânica fria: “Comando incorreto. ”

Entendendo aos poucos o que estava acontecendo, Shi Sui ficou parada, o rosto ficando pálido.

Ela continuou e pegou o celular, imediatamente prestes a pedir entrega de anticoncepcional de emergência.

Mas a página carregou por um bom tempo, sem sinal nenhum.

Num instante.

Shi Sui sentiu um frio no corpo inteiro.

“Caracolzinho!” ela gritou, “Conecta na internet! Eu preciso de internet!”

“Comando incorreto. ”

“Ah!”

Shi Sui de repente segurou a cabeça, colapsando e gritando histérica.

Todos os adultos que a tinham visto desde pequena.

A elogiavam por ser bem-comportada, quieta e de bom temperamento.

Shi Sui nunca imaginou.

Que um dia ela agiria como uma louca, quebrando tudo que pudesse ser quebrado ou jogado.

Na estante de exposição tinha um par de bonecos de cerâmica muito feios.

Eles eram do primeiro ano dela na faculdade, trazidos da aula de artesanato. Ela tinha que entregar o trabalho na semana seguinte, mas Shi Sui era desajeitada com as mãos.

Os desenhos do projeto eram lindos, mas na hora de fazer, ela travava.

Yan Tingli ria enquanto fazia comentários sarcásticos.

Shi Sui empurrou o barro pra ele irritada: “Se você é tão bom, faz você. ”

Então os dois passaram um domingo inteiro fazendo.

Cada um fazendo um boneco feio, formando um par de “menino dourado e menina de jade” .

Depois, quando entregou o trabalho, Shi Sui ainda recebeu um “Prêmio de Trabalho Mais Especial” do professor substituto.

Mas os bonecos não foram confiscados e foram devolvidos, continuando sentados na estante do apartamento.

*** A mão de Shi Sui ficou parada nos bonecos por muito tempo.

Várias vezes, ela teve o impulso de quebrá-los, mas no fim, ela fechou os olhos e, chorando, colocou eles de volta.

Até ficar exausta, Shi Sui correu de volta pro peitoril da janela no quarto, abraçando os joelhos e se encolhendo.

*** Ela não sabia quanto tempo tinha passado.

O sol nasceu, com alguns raios de luz caindo no rosto de Shi Sui.

Ela abriu as pálpebras pesadas.

A primeira coisa que entrou em sua visão foram várias plantas verdes que ela tinha comprado para esse lugar.

As folhas verdes esticavam seus galhos preguiçosamente sob a luz do sol.

Shi Sui encarou elas por um tempo, depois virou a cabeça e viu Yan Tingli encostado na parede, sem saber há quanto tempo ele estava observando ela.

Ao ser visto por ela.

Ele primeiro congelou, depois baixou os olhos.

Shi Sui olhou pra ele calmamente.

Lambeu os lábios rachados: “Me deixa sair. ”

Ele não respondeu: “Vem comer. ”

“Eu disse, ” Shi Sui repetiu, “eu quero sair. ”

Os passos de Yan Tingli pararam por um instante.

“Então responde primeiro, ” virando-se pra olhar pra ela, “ainda quer terminar?”

Shi Sui mordeu os lábios e não disse nada.

Yan Tingli zombou: “Então continua aqui. ”

“Isso é sequestro. ”

Ele rebateu: “Então chama a polícia?”

Shi Sui rangeu os dentes.

“Ainda quer terminar?” ele perguntou pela segunda vez.

Shi Sui encarou ele, mas não abriu a boca.

Yan Tingli deu dois passos à frente, segurou o queixo dela e disse frio:

“Então fica aqui. Você pode sair quando engravidar. ”

Essas palavras jogaram Shi Sui diretamente de volta à beira do colapso.

Os longos cílios dela tremeram, as emoções explodindo, o estômago embrulhando, cobrindo a boca, querendo vomitar.

Mas o estômago estava vazio, então Shi Sui não conseguiu vomitar nada.

O rosto de Yan Tingli ficou ainda mais pálido, carregando ela no colo.

O peso em seus braços era leve como pena, sua voz muito baixa: “Vai comer algo. ”

Shi Sui de repente agarrou a manga dele.

Ele parou.

“Eu concordo com você. ” Ela disse calma, então a segunda parte: “Sem término. ”

“Agora, compra anticoncepcional pra mim. ”

Yan Tingli não respondeu. Continuou carregando ela e a colocou à mesa.

Shi Sui percebeu.

Toda a bagunça que ela tinha feito agora estava limpa e arrumada.

Yan Tingli colocou na frente dela o mingau de abóbora recém-aquecido.

Shi Sui jogou a colher: “Eu disse, eu quero anticoncepcional. ”

Yan Tingli pegou a colher de novo e levou o mingau à boca dela: “Bebe. ”

Shi Sui queimava de raiva.

Mas ela ainda aguentou e abriu a boca, terminando a tigela.

Seu estômago vazio finalmente se sentiu um pouco melhor. Vendo Yan Tingli prestes a virar e pegar a tigela.

Shi Sui gritou: “Eu disse, eu quero anticoncepcional!”

Yan Tingli ignorou: “Não precisa. ”

Shi Sui avançou nele, atacando igual um touro pequeno: “Eu não quero engravidar, eu quero anticoncepcional!”

“Você não vai engravidar. ” Yan Tingli virou pra olhar pra ela.

Shi Sui ficou paralisada.

A mente dela analisando o significado das palavras dele.

Por quê? Ele era impotente?

Esperma fraco? Ou outra coisa…

A expressão dela mudou várias vezes até que sua cabeça foi empurrada pela mão sem expressão de Yan Tingli.

“Eu fiz vasectomia. ”

Shi Sui ficou chocada no lugar.

Olhando pra costas dele, ainda desconfiada: “Quando?”

Yan Tingli manteve o rosto fechado, sem falar.

“Você tá mentindo pra mim?” Shi Sui ainda não tinha coragem de acreditar, “E se eu ainda engravidar?”

Afinal, Yan Tingli era cheio de esquemas.

Esse assunto não podia ter falhas.

Yan Tingli colocou a tigela na lava-louças.

Usando olhos frios como gelo pra olhar pra ela: “Se você ainda engravidar, eu castro o homem. ”

Shi Sui: “ … ”

A coisa que ela mais temia foi resolvida.

Além disso, com o estômago cheio, o estado mental de Shi Sui foi voltando ao normal.

Virando-se pra observar a expressão de Yan Tingli.

Desde que admitiu a “vasectomia” , ele estava silencioso.

Shi Sui ficou curiosa: “Então quando exatamente você—”

Yan Tingli interrompeu: “Quando foi o período mais longo que ficamos sem nos ver?”

Shi Sui lembrou.

Será que tinha sido durante a viagem de desenho?

Naquele tempo, eles ficaram quase um mês inteiro sem se ver.

Ela perguntou baixinho: “Por que você pensou em fazer aquilo…”

Pausando, Shi Sui usou “aquilo” pra substituir vasectomia.

“Eu não gosto de crianças. ” Ele disse frio, “Camisinha não é 100% eficaz. ”

Shi Sui lentamente: “ …Ah. ”

As pessoas são assim.

Depois de escapar do maior desespero, todas as outras dificuldades parecem menos assustadoras.

Shi Sui se acalmou, perguntando hesitante: “ …Quando eu posso sair?”

“Hoje. ”

O olhar frio de Yan Tingli se fixou no Caracolzinho.

Esse lugar ainda não era seguro o bastante.

O feriado de Qingming acabou.

Voltando pra escola, Shi Sui até sentia que estava vivendo outra vida.

Na terça à noite, Shi Sui encontrou Zhou Xuyan pra jantar num restaurante de hotpot na Cidade Universitária.

N/T: Hotpot é um estilo de refeição asiática muito comum, especialmente na China, onde há uma panela com caldo quente no centro da mesa. As pessoas cozinham ali, na hora, carnes, legumes, macarrão, cogumelos, tofu etc.

“Depois que saírem os resultados dessa competição, eu vou enviar a inscrição final. ” Ela disse pra Zhou Xuyan.

Zhou Xuyan ficou chocada: “Por que você decidiu isso de repente?”

Shi Sui abaixou os cílios, mexendo na comida, contando pra Zhou Xuyan o que aconteceu no Dia de Qingming.

Incluindo Song Jie invadindo o apartamento do nada.

E Yan Tingli enlouquecendo depois que ela sugeriu terminar.

Shi Sui não entrou em detalhes da segunda parte.

Mas mesmo com essa explicação breve, seu rosto ainda estava um pouco pálido.

Zhou Xuyan olhou a expressão dela e apertou os hashis com força: “Ele fez alguma coisa horrível?”

Shi Sui pressionou os lábios.

Sem responder diretamente, apenas assentiu de leve: “Pra mim, foi bem assustador. ”

Zhou Xuyan respirou fundo, acariciando o rosto dela em conforto.

Juntando toda a situação bagunçada, ela suspirou: “Um caos desses, é difícil pra você, bem no meio disso tudo. ”

“Yan Tingli virar esse tipo de pervertidinho tem relação com os pais dele. A família inteira é meio louca. ”

Shi Sui abaixou a cabeça, sem comentar.

Mas ela ouviu Zhou Xuyan mencionar algo: “Você nunca ficou curiosa por que os pais da família Yan, com esse jeito super interesseiro, deixaram você morar na casa deles? Porque seu pai e o pai dele tinham uma boa relação? Por melhor que fosse, com tantos imóveis que eles têm, eles não deixariam você morar na residência principal, ainda por cima do lado do quarto do Yan Tingli, considerando a diferença entre homem e mulher. ”

Shi Sui ficou chocada, olhando pra ela.

“Embora ricos não liguem pra mais um par de hashis na mesa, ” Zhou Xuyan disse, “quanto mais ricos, mais utilitaristas. Eles nunca fazem nada sem benefício, nem as pequenas coisas. ”

Shi Sui não conseguiu evitar perguntar: “Então por quê?”

“Pobres buscam essa vida, ricos buscam a próxima. Yan Zecheng e Song Jie são super budistas, jogam dezenas de milhões em dinheiro de incenso por ano no Templo Daguan. ”

“Isso é super confidencial, ” Zhou Xuyan disse no tom mais baixo, “eu só ouvi porque estava ouvindo minha avó e minha mãe conversando. ”

“Quando Yan Tingli nasceu, eles fizeram o mapa astral dele. O resultado foi que inteligência extrema leva a ferimentos, personalidade facilmente vai a extremos, e ele traz azar pra parentes próximos. Tipo estrela solitária de filme e série. ”

A memória de Shi Sui voltou de repente praquele dia, para as palavras que escaparam da boca de Song Jie.

Enquanto entendia tudo, ela também sentiu um aperto pesado e amargo no peito.

Zhou Xuyan continuou: “Bem antes de você chegar, eles tinham voltado do templo. O abade disse pra acumularem mérito fazendo boas ações pelo Yan Congjin. ”

“E também, seu mapa astral pode neutralizar o mapa extremamente ruim do Yan Tingli, talvez até trazer um milagre. ”

“Eles são super supersticiosos. Quando voltaram, decidiram te acolher. ”