Difícil de Atravessar [Novel]

Antes do exame de entrada na faculdade, Shi Sui foi forçada a se mudar para a casa da família de um amigo de seu pai, onde conheceu o filho deles, Yan Tingli. Naquele momento, o jovem estava de pé na escada com um suéter de gola alta preto, toda a sua presença fria e desolada, olhando para ela como se ela não fosse nada. Ele parecia não reconhecê-la, mas Shi Sui conhecia Yan Tingli. Ele era refinado e bonito, o famoso aluno honorário da escola, amado por inúmeras garotas. Ela nunca imaginou que, a portas fechadas, até mesmo um bom aluno pudesse descartar sua pele externa e devorar pessoas sem cuspir os ossos. “Quero te beijar.” “Eu não quero.” “Seja boazinha, abra a porta agora.” Irmã tímida e gentil × canalha refinado O protagonista masculino tem um desejo possessivo muito forte, é bastante louco e bom em se disfarçar, mas é um apaixonado. Atenção: Aqueles com altos padrões morais para o protagonista masculino não devem ler.

Capítulo 24 - Suisui, Você Tem Medo de Mim…

Capítulo 24 - Suisui, Você Tem Medo de Mim…

Hard to Cross Tradutora: Haru Yoru Scanlator Capítulo 24 – Suisui, Você Tem Medo de Mim…

As palavras de Zhou Xuyan deixaram Shi Sui em silêncio por muito tempo.

Ela mexia distraidamente o suco na frente dela com o dedo.

“Eu… ”

“A minha aparição. ”

Shi Sui abaixou a cabeça, a voz se dispersando no ar, leve: “Pra ele, talvez tenha sido mais como um erro. ”

Enquanto falava, a memória dela voltou ao primeiro encontro com Yan Tingli.

Não na casa dos Yan.

Mas antes disso.

Primeiro ano do ensino médio, Shi Sui seguiu seus pais para Pequim pra estudar.

Pra colocá-la numa escola boa e aproveitar os recursos de ensino de Pequim, Shi Yue tinha se esforçado demais.

Ele não só gastou todas as economias da família pra comprar uma casa em Pequim e transferir o registro domiciliar dela, mas também procurou colegas da faculdade que trabalhavam na área da educação, deu presentes, chamou pra jantar. Só assim Shi Sui conseguiu entrar no Colégio Afiliado.

As notas dos alunos eram apenas o requisito básico de excelência.

Eles também precisavam participar de várias competições e treinamentos. Alguns nomes de competições eram coisas que Shi Sui nunca tinha ouvido falar , mostrando o nível da disputa.

Shi Sui agradecia muitas vezes por ser estudante de artes. Caso contrário, com as notas dela, mesmo que o pai Shi Yue gastasse dinheiro e fizesse contatos, ela provavelmente nem encostaria no portão do Colégio Afiliado.

Carregando a prancheta, no primeiro dia, o professor responsável pelo registro mandou ela primeiro pra sala de treinamento intensivo.

O Colégio Afiliado era forte em ciências. Vários prédios eram cheios de turmas de exatas de diferentes anos, enquanto as turmas de humanas, artes e educação física ficavam nos cantos.

Shi Sui andou por muito tempo e não conseguia achar onde era a sala de artes.

O calor do verão ainda não tinha ido embora.

Depois de caminhar tanto, Shi Sui sentiu sede e entrou por uma porta lateral no prédio atrás dela.

Comprou uma garrafa de água gelada na máquina, tomou vários goles rápidos e soltou um longo suspiro, sentindo que tinha voltado à vida.

Aquele lugar era fresco. Shi Sui não queria sair, então ficou ali por mais um tempo.

Observando melhor, percebeu que parecia ser o auditório principal da escola.

Como era início das aulas e todos estavam ocupados com matrícula e material, aquele lugar estava bem vazio.

Shi Sui bebeu mais uns goles de água.

De repente, ouviu algumas notas de piano, não formando melodia, como se alguém estivesse tocando aleatoriamente com os dedos.

Alguém estava tocando piano?

Meio curiosa, ela entrou sem pensar.

Pela janela que não era limpa há muito tempo e estava embaçada.

Shi Sui se abaixou, olhando lá dentro com um olho só.

Ela viu no palco, em um piano não tão novo, um gato malhado em pé orgulhosamente com o rabo erguido.

As patinhas do gatinho pulavam no teclado.

Criando notas aleatórias.

E ao lado do piano.

Um garoto usando o uniforme de verão do Colégio Afiliado, o rosto iluminado pela luz, a mão esquerda no teclado. O osso do pulso era pálido e frio, os dedos longos e elegantes.

Quando o gatinho pisava numa nota aleatória à direita.

Ele pressionava uma tecla à esquerda pra harmonizar.

Ida e volta, criavam melodias estranhas e fofas.

Bem satisfeitos consigo mesmos.

Até que o gatinho parecia ter percebido Shi Sui na janela.

O rabo se mexeu alerta, ele pulou e escapou por outra fresta da janela, sumindo rapidinho.

Os movimentos do garoto pararam, a sobrancelha franzindo.

Como se tivesse sentido algo, ele virou o rosto na direção dela.

Shi Sui também conseguiu ver o rosto dele claramente.

A respiração dela travou, o coração pulou fora do ritmo.

“Você assustou meu gato. ” O olhar dele estava frio, o tom nada contente.

Pelo ângulo, ele só deveria ver uma sombra na janela.

Mesmo sabendo que ele não conseguia ver ela, a vergonha inexplicável fez Shi Sui entrar em pânico como nunca.

Ela pensou na testa suada — será que a franja estava grudada, oleosa?

Shi Sui apertou a garrafa de água gelada.

Sem pensar, fugiu em desespero.

Depois, no discurso de abertura dos calouros.

Shi Sui descobriu o nome dele.

Yan Tingli.

Um nome tão bonito.

Ela pensou.

Num lugar cheio de gênios e gente talentosa.

O nome dele ainda era como um trovão nos ouvidos de todos.

Mas pra alguém como ele, além de admiração, Shi Sui nunca pensou em nada.

Ela era uma pessoa tranquila, que odiava se cansar.

Ter um crush em alguém tão distante seria desgastante demais.

Melhor ser uma plantinha verde quieta absorvendo sol, guardando a própria energia.

Então, no ensino médio inteiro, Shi Sui se misturou entre os alunos, ouvindo às vezes falar que ele ganhou algum prêmio ou tirou alguma nota absurda, suspirando junto com os outros.

Aos olhos dela, Yan Tingli nunca foi alguém do mesmo mundo.

Nenhum adjetivo exagerado seria demais pra ele.

Até o dia em que Shi Sui entrou na mansão luxuosa dos Yan.

A memória parou abruptamente.

Zhou Xuyan ficou chocada ao ver uma lágrima escorrer do olho de Shi Sui sem ela perceber.

“Suisui?” Ela correu, abraçou os ombros dela, “O que houve? Por que você tá chorando do nada?”

Shi Sui balançou a cabeça: “Eu tô bem. ” Mas as emoções estavam tão no limite que a voz dela saiu rouca, irreconhecível.

Zhou Xuyan ficou angustiada, xingando Yan Tingli: “Aquele pervertido maldito, o que exatamente ele fez?”

Shi Sui limpou o rosto com a mão, só então percebendo que estava chorando de novo.

“ …Não é isso. ” Ela disse baixo, “Eu só estou. ”

Shi Sui parou e disse: “Muito cansada. ”

Ela sabia disso desde sempre.

Ficar com alguém tão distante era exaustivo.

Ela era tão tímida.

Por que tinha se deixado cair nesse jogo que nunca teria final feliz?

“Como foi que eu e ele chegamos a esse ponto?”

Limpando as lágrimas, ela murmurou: “Será que fui eu que deixei ele assim?”

Na memória dela, o Yan Tingli que tocava piano com o gatinho ficou borrado.

“Não foi você. ” Zhou Xuyan deu tapinhas nas costas dela, gentil. Ela não entendia o surto repentino de Shi Sui, mas o sentimento triste era tão forte que também a afetava. “A personalidade dele é assim. O que isso tem a ver com você?”

Shi Sui enterrou o rosto no peito de Zhou Xuyan.

Toda a opressão e angústia acumuladas por dois anos finalmente acharam saída no momento em que ela decidiu ir embora de verdade.

A voz dela estava trêmula.

Ela disse no ouvido de Zhou Xuyan: “Yanyan, eu gosto dele. ”

Zhou Xuyan ficou chocada. “Você ainda gosta dele agora?”

Shi Sui fechou os olhos.

Disse baixinho: “Eu gosto. ”

Ela simplesmente não conseguia mais mentir pra si mesma.

Uma pessoa tão tímida.

Podia gostar de alguém tanto assim.

Mesmo sabendo que seria exaustivo.

E ainda assim continuou gostando até ficar totalmente drenada, só então disposta a ir embora.

Na segunda sexta-feira de abril.

Naquela tarde, Shi Sui pediu dispensa ao professor de “História da Arte Ocidental” e foi com Su Han participar da Final Nacional de Design de Animação Universitária.

O local da competição era no centro de convenções da cidade.

Os competidores precisavam apresentar e explicar seus trabalhos por três a cinco minutos.

Ao meio-dia, Shi Sui recebeu uma mensagem de Yan Tingli.

Ele queria matar aula de novo, dizendo que queria assistir ela ganhar prêmio.

Shi Sui só respondeu que Su Han também estava lá.

Depois de um tempo, Yan Tingli enviou: [Quero te ver] Depois: [Faz tanto tempo que não te vejo] Desde que ela saiu do apartamento no Dia de Qingming.

Eles não tinham se encontrado.

Yan Tingli também não mandou mensagens chamando ela pra ir até ele, e Shi Sui, claro, jamais iria por conta própria.

Ou melhor.

A menos que Yan Tingli sequestrasse ela.

Ela nunca mais iria por vontade própria.

O tom dele não estava tão mandão quanto sempre.

Shi Sui olhou a tela, lembrando das vezes em que ele ocasionalmente mostrava fraqueza, abaixando os cílios, falando baixinho no ouvido dela.

Como se soubesse que ela não resistia.

Mas quando ela confiava e caía na armadilha gentil dele, vinha rodada após rodada de pressão e coerção.

Shi Sui endureceu o coração: [Não venha, a Su Han tá aqui] Algumas coisas a Su Han também precisava saber.

Por causa deles, ela tinha sofrido tantas mágoas inexplicáveis.

“Suisui, eu vi seu trabalho dessa vez. ” Enquanto ela estava perdida nos próprios pensamentos, Su Han puxou o braço dela, sorrindo largo, “Eu gosto do seu estilo de arte. ”

Shi Sui ficou meio lisonjeada. Em habilidade profissional, Su Han era melhor do que ela.

Ela sorriu gentilmente: “Obrigada, eu gosto do seu também. ”

Su Han balançou a cabeça com orgulho: “Obrigada. Ganhar o prêmio vai depender da nossa habilidade. ”

As duas se olharam e sorriram.

A atmosfera da competição não era relaxada. As apresentações de três a cinco minutos eram rápidas, e passar do tempo tirava ponto.

Shi Sui estava um pouco nervosa. Antes de subir no palco, ela respirou fundo várias vezes pra aliviar a tensão.

Felizmente, ela tinha ensaiado bastante. O desempenho foi bom, e ela ficou satisfeita ao concluir tudo direitinho.

Quando saiu do palco, viu uma mensagem de Yan Tingli: [Muito bom] Shi Sui olhou ao redor na hora, mas tinha tanta gente que não dava pra achar ninguém.

Ela respondeu dura: [Você veio mesmo assim?] Do outro lado ficou silêncio por um longo tempo.

Depois veio: [Tô indo embora agora] Shi Sui ficou encarando a tela.

Tudo era o teatro dele de mostrar fraqueza — não cai na dele.

Ela forçou a si mesma a ser firme, digitando: [Então vai agora, não deixa a Su Han te ver] Quando a competição terminou, já eram 17h30.

Su Han falava sem parar enquanto puxava o braço de Shi Sui, comentando os trabalhos das outras faculdades que viram naquele dia.

“Comparando tudo, os nossos ainda são os melhores. ” Ela disse com os olhos brilhando.

Shi Sui olhou o sorriso dela e apertou os lábios.

Mas, pensando no que precisava confessar em seguida, o sorriso dela desapareceu enquanto puxava levemente a manga de Su Han: “Hanhan. ”

O coração de Su Han amoleceu com o chamado: “Que foi?”

Shi Sui: “Tenho uma coisa pra te contar. ”

As luzes do restaurante eram claras, deixando os pratos da mesa coloridos e apetitosos.

Mas a mesa estava completamente silenciosa.

Sob o olhar de Su Han, a cabeça de Shi Sui baixava cada vez mais.

“Desculpa. ” Ela disse baixinho.

“Não. ” Su Han levantou a mão, interrompendo, “Eu não quero ouvir desculpa nenhuma. ”

Quando Su Han não sorria, sua expressão e postura ficavam frias, totalmente inacessíveis.

As duas ficaram em silêncio por um tempo.

Su Han: “Por que você só tá me contando agora? Foi engraçado pra você me ver correndo atrás do Yan Tingli esse tempo todo?”

“Não foi. Eu nunca ri de você. ” Shi Sui estendeu a mão pra segurar a dela, mas Su Han desviou. Ela tentou de novo.

Su Han hesitou, mas não tirou a mão.

“Tá com inveja de quê? Inveja porque eu não consigo conquistar um cara?

Por que não me contou antes?”

Shi Sui escolheu bem as palavras, tentando explicar direitinho.

“Chega, ” os olhos de Su Han ficaram vermelhos enquanto ela levantava de repente, “depois de tudo, você só nunca me considerou amiga. ”

Ela fez biquinho, virando o rosto: “Não saio mais com você. Não somos mais amigas!”

Depois disso, Su Han virou pra ir embora.

Shi Sui correu atrás e segurou a mão dela pra acalmar.

“Para de me puxar. ” Su Han falou com o nariz entupido, “Eu disse que não saio mais com você. ”

Shi Sui segurou a mão dela com firmeza: “Desculpa. Eu nunca deixei de te considerar amiga. ”

“Então me diz, como exatamente você me considera amiga?”

“Eu acho você muito corajosa. ” Shi Sui lambeu os lábios, falando com dificuldade, “ …Na verdade, eu sempre tive inveja de você. ”

A expressão de Su Han congelou.

Ela piscou devagar, olhando pra ela.

“Eu não sou boa em me expressar, ” Shi Sui disse. “Você pode me ouvir explicar com calma?”

Naquela noite.

Su Han ouviu uma história muito longa. Pra ela, Shi Sui sempre foi quietinha, e raramente falava tanto assim.

A voz dela era muito limpa, como uma brisa leve no rosto, sem agressividade, mas cheia de força.

Su Han nunca imaginou que um relacionamento pudesse ser tão difícil quanto o de Shi Sui.

Ela perguntou por que Shi Sui não tinha terminado, não tinha ido embora.

Shi Sui balançou a cabeça devagar, escolhendo as palavras: “Y an Tingli tem uma personalidade bem obsessiva. ”

Se até Shi Sui chamou ele de “obsessivo” , Su Han nem queria imaginar o quão doentio isso tinha ficado.

Lembrando dos poucos encontros que teve com ele, especialmente da última vez na casa dos Yan, daquela personalidade terrível exposta…

A raiva de Su Han sumiu completamente.

Ela bateu na mesa: “Ele te forçou?”

Shi Sui não respondeu.

Su Han pegou o braço fino dela e a puxou pra fora: “Vamos. ”

“Pra onde?”

“Pra delegacia. ”

Shi Sui puxou de volta, hesitando: “ …Você não tá mais brava comigo?”

“Brava com o quê?” Su Han já estava ficando sem paciência, apertando o rosto dela, “Eu devia é te agradecer. Além de você, quem mais aguentaria ficar com ele?”

“Rápido, ” Su Han disse, “vem comigo denunciar ele. ”

Shi Sui riu, achando graça.

“Tá rindo do quê?” Su Han ainda estava perdida.

No segundo seguinte, a mão dela foi segurada com força por Shi Sui, que disse baixinho: “Eu tenho outra forma. Eu quero ir para o exterior. ”

“Eu não quero que ele me encontre nunca mais. ”

Shi Sui: “Hanhan, eu quero que você me ajude. ”

Ela pensou um pouco, organizando as palavras devagar: “Eu vou te recompensar pra sempre. ”

Su Han ficou chocada no lugar.

Depois de alguns segundos, ela sentou de novo.

Lambeu os lábios, meio animada, baixou a voz e inclinou o rosto: “Como você quer que eu te ajude?”

Esse plano era algo que Shi Sui tinha pensado usando todos os neurônios junto com Zhou Xuyan.

A troca de informações na escola era aberta e transparente. Embora você pudesse pedir anonimato, Yan Tingli não tinha escrúpulos e podia invadir o sistema pra ver tudo a qualquer hora.

A menos que as informações preenchidas desde o início estivessem erradas e confundissem ele.

O que Shi Sui queria era ir para o Instituto de Artes da California.

Ela planejava colocar no formulário — aquele que a escola precisava divulgar — que iria para o Faculdade Real de Arte, na Inglaterra. Se conseguisse o consentimento de Su Ye, com a influência dele, ajudar a contatar pessoas e manter isso em segredo seria fácil.

Além disso, o chip do celular e os cartões bancários que ela usava no país não poderiam mais ser usados. Ela precisaria abrir novos cartões nos EUA.

“Quando você estiver lá fora, pelo menos no primeiro ano eu não vou poder falar com você abertamente, ” Zhou Xuyan disse triste, “senão aquele pervertidinho do Yan Tingli rastreia você pelo IP . ”

Ao ouvir isso, Shi Sui sentiu um frio pelo corpo inteiro, percebendo devagar que essa fuga não era só pra que Yan Tingli não a encontrasse.

Também significava se separar de todos os amigos e familiares que tinha no país.

“E meus pais?” Shi Sui falou com a voz embargada, “Eu não posso ficar sem contato com eles. Eles vão se preocupar. ”

Zhou Xuyan também ficou travada: “Vai ter que perguntar pra Su Han. O pai dela tem contatos fortes. Talvez ele consiga alguma proteção tecnológica pra você. ”

“Que horror, ” ela suspirou, “se envolver com um cara inteligente e pervertidamente perigoso como o Yan Tingli. ”

Quando saíram do restaurante, já passava das nove. A lua brilhava, com poucas estrelas.

Parecendo achar tudo muito emocionante, Su Han estava super animada com o plano de “fuga” . Ela deu um tapinha no ombro de Shi Sui: “Vou perguntar para o meu pai assim que chegar em casa. Só de imaginar o Yan Tingli procurando e não achando ninguém, e vendo ele frustrado, já me dá até emoção. ”

Shi Sui respondeu com um sorriso fraco.

Até naquele momento, ela não conseguia ter muita esperança.

Su Han foi pra casa de táxi.

Shi Sui ficou parada no vento da noite, olhando o trânsito passando, o olhar cheio de confusão.

A ligação de Yan Tingli.

Chegou naquele momento.

Ela não sabia desde quando, mas atender uma ligação dele sempre dava arrepios na espinha.

Depois de muito tempo.

Ela respirou bem leve e atendeu.

Do outro lado estava tudo muito quieto.

A primeira coisa que ele disse foi: “Se divertiu conversando com a Su Han?”

Na hora, o rosto de Shi Sui quase perdeu toda a cor.

Até que alguém abraçou ela suavemente por trás.

O corpo dele estava gelado, como se tivesse ficado muito tempo no vento.

Shi Sui mordeu o lábio, juntando toda a energia: “Como você tá aqui?”

“Eu estive aqui o tempo todo. ”

O rosto dela ficou ainda mais pálido: “Você ouviu minha conversa com a Su Han?”

“Eu não te segui lá pra dentro. ” A voz dele era baixa, levada pelo vento.

Com medo de ser um teste, Shi Sui ainda não acreditou na hora.

Ela prendeu a respiração esperando um pouco, não sentindo nenhuma mudança estranha no comportamento dele.

O humor dele parecia baixo, só enterrando a cabeça sem continuar falando.

Só segurando ela.

Os nervos tensos de Shi Sui foram afrouxando devagar, percebendo tarde demais — ela tinha ficado parecida demais com um passarinho assustado.

Acalmando as emoções, ela virou no abraço dele, a voz ficando mais suave: “Você não jantou ainda?”

Yan Tingli: “Não quero comer. ”

“Tá sentindo alguma coisa?” Shi Sui levantou a mão pra tocar a testa dele e depois a própria testa, “Você não tá com febre. ”

Yan Tingli só encarou ela.

As pupilas escuras refletiam a imagem dela, com uma insistência silenciosa.

“Eu queria te ver. ”

Shi Sui desviou o olhar, desconfortável: “Bom, você já me viu. ”

“Eu também quero te beijar. ”

Shi Sui virou de costas: “Eu tô indo embora. ”

Passos soaram atrás dela.

Yan Tingli seguiu.

“Eu não vou voltar para o apartamento. ” Os olhos de Shi Sui, claros, olharam direto pra ele.

Yan Tingli puxou ela de volta: “Então não vamos lá.”

“Também não quero ir pra nenhuma das suas outras casas. ” Shi Sui deixou claro.

Depois de falar, abaixou o olhar, sem muita esperança.

Sentindo o olhar dele no rosto dela, um frio passou por sua pele.

Ela esperou quieta ele ficar irritado.

Mas só sentiu sua mão ser segurada com mais força enquanto Yan Tingli dizia suave: “Vamos pra um hotel, tá?”

Shi Sui puxou a mão: “Eu não quero dormir com você. ”

A frase “se não derruba, não dá pra construir nada novo” sempre fez sentido.

Ela tinha sido fácil demais de intimidar antes.

“Se você não quiser, ” ele pausou, dizendo, “então não vamos. ”

Os cílios de Shi Sui tremeram devagar quando ela finalmente olhou pra ele.

Yan Tingli disse bem baixinho: “Eu quero ver desenho animado com você. ”

“ … ”

Às vezes, Shi Sui também odiava o quão fácil ela cedia.

Mais ainda, odiava o fato de ser naturalmente mole quando se tratava de Yan Tingli.

No final, ela escolheu ir para o hotel com ele.

Yan Tingli encontrou um hotel cinco estrelas por perto, com tudo que precisava.

Eles já tinham visto aqueles desenhos um milhão de vezes.

Estavam só como música de fundo.

No meio da musiquinha alegre.

Nenhum dos dois falou primeiro.

Até ela sentir o braço dele envolvendo sua cintura por trás, Shi Sui ficou rígida, sentindo a respiração dele se aproximar, o ar quente batendo no pescoço.

“Suisui. ” Ele chamou, “O que você tem medo é de mim. ”

Depois de uma longa pausa: “Não é?”

O tom dele era leve.

Shi Sui apertou os lábios, lembrando daquele dia em que ele perguntou se ela tinha medo da Song Jie.

Ela tinha dito que não.

Depois de mais um tempo.

“Eu posso mudar. ” Ela ouviu ele falar baixinho.

“Não fica com medo de mim. ”

“E não me odeia. ”

Shi Sui manteve os olhos fechados.

Não virou pra olhar ele.

Mas várias lágrimas já tinham molhado o travesseiro.

Por que agora?

Justo quando ela tinha decidido ir embora.