Difícil de Atravessar [Novel]

Antes do exame de entrada na faculdade, Shi Sui foi forçada a se mudar para a casa da família de um amigo de seu pai, onde conheceu o filho deles, Yan Tingli. Naquele momento, o jovem estava de pé na escada com um suéter de gola alta preto, toda a sua presença fria e desolada, olhando para ela como se ela não fosse nada. Ele parecia não reconhecê-la, mas Shi Sui conhecia Yan Tingli. Ele era refinado e bonito, o famoso aluno honorário da escola, amado por inúmeras garotas. Ela nunca imaginou que, a portas fechadas, até mesmo um bom aluno pudesse descartar sua pele externa e devorar pessoas sem cuspir os ossos. “Quero te beijar.” “Eu não quero.” “Seja boazinha, abra a porta agora.” Irmã tímida e gentil × canalha refinado O protagonista masculino tem um desejo possessivo muito forte, é bastante louco e bom em se disfarçar, mas é um apaixonado. Atenção: Aqueles com altos padrões morais para o protagonista masculino não devem ler.

Capítulo 20 - Mesmo Que Quebre as Asas, Não Deixaria…

Capítulo 20 - Mesmo Que Quebre as Asas, Não Deixaria…

Hard to Cross Tradutora: Haru Yoru Scanlator Capítulo 20 – Mesmo Que Quebre as Asas, Não Deixaria…

Tique-taque, tique-taque.

O quarto estava tão silencioso que só o som do relógio permanecia.

Shi Sui olhava para ele.

Cada célula do corpo dela, do cérebro até a ponta dos pés, gritava uma palavra— Medo.

Nesse momento de tensão tão extrema.

Através dos olhos de Yan Tingli, a memória dela voltou para aquele verão distante, quando eles tinham acabado de começar a ficar juntos.

Naquela época.

Apesar de achar ele surpreendentemente feroz na cama, o que a assustava um pouco, Shi Sui atribuía isso ao instinto biológico, achando que talvez ela fosse tímida demais.

Em outros momentos, Yan Tingli ajudava ela a preencher o formulário do vestibular e ensinava piano.

Ele até demonstrou interesse no esmalte que Zhou Xuyan tinha dado pra ela, deitando na espreguiçadeira pra pintar as unhas dos pés dela.

Naquele dia, no terceiro andar da casa dos Yan, as plantas do quartinho dela estavam florescendo lindamente.

Naquela manhã de verão, a luz do sol entrava pela janela, iluminando as sobrancelhas abaixadas de Yan Tingli como em um sonho.

Ele parecia ao mesmo tempo distante e perto dela.

Mesmo sabendo que definitivamente não teriam futuro, ela não conseguia impedir o coração adolescente de acelerar.

Naquele momento, o coração de Shi Sui parecia ter criado um fruto verde, ainda imaturo.

Doce e azedo.

Depois de mudar a inscrição para a Universidade A, Shi Sui deu quatro anos aos dois, dentro do próprio coração.

Se nada inesperado acontecesse, eles poderiam ficar juntos por quatro anos.

Mas agora, Yan Tingli estava forçando-a a falar de casamento.

Ela já não conseguia sentir nem metade daquela sensação adolescente que teve naquele dia.

Em vez disso, uma melancolia sem fim tomou conta dela, uma emoção que fez Shi Sui, sem explicação, começar a lacrimejar, chorando silenciosamente.

Como exatamente eles tinham chegado a esse ponto?

Pontas de dedos frias passaram pelo canto do olho dela, Yan Tingli abaixando o olhar para ver a gota cristalina presa na ponta de seu dedo.

Ele parecia confuso: “Por que você tá chorando?”

Os cílios dele se ergueram, o olhar pousando levemente na bochecha dela.

Os lábios se curvaram devagar: “Só por eu falar uma frase dessas você já fica tão mal assim?”

Shi Sui não sabia como descrever aquele monte de emoções.

“ …Não. ”

Ela levantou o rosto.

O quarto estava sem luz alguma, só com a iluminação fraca e irregular da tela da TV . Os lábios de Yan Tingli estavam firmemente cerrados, o rosto parecendo pálido.

Shi Sui ainda pensava no que dizer quando Yan Tingli se moveu de repente.

Segurando o rosto dela, ele a beijou com força, ao contrário da facilidade de sempre, como uma fera presa, completamente caótico.

“Então o que foi?”

A respiração dele estava pesada, forçando-a a falar, “Hmm? Fala alguma coisa. ”

Shi Sui não tinha mais desculpa nenhuma; a corda na cabeça dela estava prestes a arrebentar. No segundo antes de desmoronar, ela não conseguiu se segurar e, chorando, abraçou ele, implorando: “Irmão Tingli, vamos namorar, vamos só namorar primeiro, tá bom?”

Shi Sui estava realmente no limite.

Enterrando o rosto no peito dele, segurando-o com força, ela chorou abafado: “Agora há pouco eu fiquei muito assustada, eu não quero que você seja daquele jeito. ”

O abraço dessa pessoa sempre a deixava com medo, mas ao mesmo tempo dava uma sensação de segurança.

Pelo menos, não importava o quanto ele ficasse bravo… Ele não a machucava.

Yan Tingli não disse sim nem não.

Só passou a palma da mão dos ombros finos dela até a nuca, a ponta dos dedos deslizando para a frente, apertando devagar.

Sem conseguir ver a expressão dele, ela só ouviu a voz rouca e clara, cada palavra dita com força:

“Às vezes eu penso. ”

“Que seria bom te transformar num robô com programação pré-definida.

Uma que só falasse coisas que me deixam feliz. ”

Um arrepio percorreu as costas de Shi Sui, e ela fechou os olhos.

“ …Não fala essas coisas. ”

“Eu fico com medo. ”

Ele ficou em silêncio por muito tempo, até finalmente abaixar a mão. As ondas turbulentas de antes desapareceram, e de repente ele parecia esgotado.

Depois de um tempo, disse: “Então tenta me mimar mais umas vezes. ”

Shi Sui ficou calada.

Ela naturalmente não era boa de falar doce, muito menos de prometer coisas que não conseguia cumprir.

Yan Tingli parecia ter se acalmado de repente, se retirado de qualquer emoção. Quando falou, o tom era plano e sem sentimento: “Você geralmente mente tão bem. ”

Shi Sui não ousou responder.

Quando ela mentia, ele enxergava na mesma hora.

“Eu tô infeliz, você me ama, não deveria me consolar?” ele continuou.

Shi Sui foi pega imediatamente.

Yan Tingli usava palavras extremamente diretas para descrever sentimentos.

Por exemplo:

Feliz, infeliz.

Shi Sui até sentia que… Ele parecia só saber identificar essas duas palavras — incapaz de sentir outras emoções.

Quando desconfortável… Era só “infeliz. ”

Então— Shi Sui disse, tentando: “ …Eu tô disposta a casar com você. ”

“Falso demais. ”

“ … ”

A mão de Yan Tingli passou pelo cabelo dela: “Mas tudo bem, eu tô muito feliz. ”

Só por causa dessa frase… ele ficou feliz?

Shi Sui não conseguia acreditar.

Até ouvir ele dizer no ouvido dela, respirando cada palavra: “O que eu quero, eu nunca falhei em conseguir. ”

As emoções de Yan Tingli tinham se acalmado.

Mas Shi Sui ficou com o corpo inteiro arrepiado por causa dessas palavras.

Por mais lenta que ela fosse.

Ela finalmente entendeu, aos poucos, o significado.

Yan Tingli fazia escândalo porque ela tinha mentido sobre o Fang Huaijing.

Porque ele só queria forçar a verdade.

Mas hoje.

Ele só queria ouvir o que ele queria ouvir. Mentir não importava, desde que ele ficasse feliz.

Quanto às verdadeiras intenções dela.

Isso não era importante.

Porque o que ele queria, ele conseguiria de qualquer jeito.

Yan Tingli apoiou o queixo no topo da cabeça dela, passando a palma da mão repetidas vezes pelas costas dela.

Uma distância tão quente e íntima.

Mas Shi Sui sentiu frio no corpo inteiro, sentindo que ele estava mais distante do que antes.

O coração dela parecia cair num abismo, impossível de alcançar o fundo.

No final de março, Shi Sui finalmente enviou sua inscrição para o concurso antes do prazo.

Era uma animação 3D de dez minutos, com enredo e roteiro escritos por ela. No começo, ela até tinha discutido a ideia com Yan Tingli.

Shi Sui escreveu uma historinha em estilo conto de fadas.

A elfa da floresta Wendy desejava o luxo da cidade grande. Ela entrou na cidade, conheceu o príncipe, viu toda a prosperidade, mas se perdeu na decadência. Quando percebeu tudo, Wendy voltou para a floresta, escolhendo a liberdade.

Depois que Yan Tingli leu o enredo por cima, só puxou os lábios num sorriso desdenhoso.

Ver isso fez o coração de Shi Sui apertar: “O que foi? Tem algo sem sentido?”

Yan Tingli comentou: “O príncipe é inútil. ”

O foco dele era inexplicável. Shi Sui ficou confusa: “Por quê?”

“Por que deixá-la ir embora?” ele perguntou, como se não fizesse sentido algum.

Shi Sui piscou, explicando: “Porque o príncipe ama a Wendy. ”

“Ama?” ele zombou, claramente incapaz de entender.

Shi Sui acrescentou: “E Wendy é uma elfa com asas, o príncipe não poderia prender ela. ”

Yan Tingli apoiou o queixo na mão, falando com descaso: “Pra um príncipe, quebrar as asas de uma elfa… é difícil?”

Escuro demais!

Shi Sui sentiu que era completamente impossível conversar com ele: “Aí não seria mais um conto de fadas!”

Ele deu de ombros, zombando: “Isso só poderia ser um conto de fadas. ”

“ … ”

Ao apertar o botão de envio no site oficial e ver a página mudar, Shi Sui também despertou da lembrança.

Pensando nas palavras de Yan Tingli agora, ela inevitavelmente sentiu um frio nas costas.

Reações involuntárias eram as mais sinceras.

No conceito de Yan Tingli, o que ele queria, ele conseguiria por qualquer meio.

Shi Sui sentiu uma tontura, enterrando o rosto nos braços para aliviar a pressão no peito.

Bem nesse momento, o celular ao lado dela tocou.

Ao ver o identificador, Shi Sui ficou assustada e se levantou imediatamente da cadeira do dormitório, indo para o corredor.

Depois de alguns segundos de preparação psicológica, ela atendeu com uma expressão séria: “Tia Song. ”

Do outro lado, houve um “hum”, indo direto ao ponto: “Sui Sui, você está ocupada neste fim de semana?”

O coração de Shi Sui apertou: “Não. ”

“Então venha jantar na casa da tia. Faz tempo que não te vejo. ” Song Jie disse num tom neutro, “Coincidentemente, a pulseira de coral que eu disse que ia te dar chegou, eu te darei.”

Antes, Song Jie ocasionalmente a chamava para jantar.

Mas geralmente era porque queria ver Yan Tingli, perguntar sobre os estudos e o trabalho dele — chamar Shi Sui era algo secundário.

Shi Sui respondeu: “ …Tá bom. Obrigada, tia. ”

“Ah, certo. ” Song Jie parecia de repente ter lembrado de algo, sorrindo: “A tia também convidou outra garota, a filha de uma amiga minha, chamada Su Han. ”

“Que coincidência, eu descobri com ela que vocês duas até são colegas de classe. ”

Shi Sui sentiu uma má premonição no coração, respondendo devagar:

“…Sim.”

“Esse fim de semana, traga ela como convidada também, tá? Se o Tingli perguntar, diga que ela é uma colega com quem você se dá bem. ”

A sugestão de Song Jie já era muito óbvia.

Provavelmente com medo de que obrigar Su Han a ir causasse rebeldia em Yan Tingli.

Então ela deu essa enorme volta, fazendo Shi Sui de intermediária.

Como uma pedra pesada, pressionando o peito de Shi Sui.

Ela abriu a boca, mas não conseguiu responder por muito tempo.

“Sui Sui, está ouvindo?” Song Jie chamou o nome dela.

Talvez nem o próprio Yan Tingli percebesse que o seu modo autoritário, inegociável, era exatamente igual ao de Song Jie.

Shi Sui tinha muito medo dos dois.

“Estou ouvindo, ” Shi Sui ficou em silêncio por um momento, dizendo gentilmente, “é só que a Su Han e eu não somos muito próximas… ”

“Não importa. ” Song Jie a interrompeu, “Vocês ficam próximas quanto mais convivem, não é?”

Quando Shi Sui ia tentar dizer mais alguma coisa, Song Jie mudou de assunto: “Ah, aliás, a sua mãe recebeu o pagamento restante?”

“ …O quê?” Shi Sui ficou atônita.

Song Jie sorriu: “Pelo visto sua mãe não teve tempo de te contar. A Xinshuo estava enrolando no pagamento final, então eu pedi para o Tingli ajudar com um favorzinho. ”

Então era isso.

Shi Sui lembrou daquela quarta-feira mágica.

Ela se sentiu totalmente esvaziada: “Entendi, obrigada, tia. ”

Após uma pausa, ela disse: “Eu falo com a Su Han amanhã, peço pra ela ir comigo. ”

“Ótimo. ” Song Jie disse satisfeita, “Eu mando o motorista buscar vocês duas. ”

Ela nunca gostou de conversa fiada. Depois de tratar do assunto e trocar algumas formalidades, desligou.

Shi Sui encostou na parede, olhando para o nada.

Ela não ousava nem imaginar qual seria a reação de Yan Tingli quando descobrisse que ela levou Su Han para lá.

Se eles fossem descobertos.

O que aconteceria.

Só de pensar nisso, uma dor de cabeça forte a atingiu de repente.

Ela se agachou devagar, fraca, enterrando o rosto nos joelhos.

No dia seguinte, depois da aula.

Shi Sui pediu especialmente para Su Han ficar um pouco.

Quando tocou nesse assunto, Su Han pareceu especialmente surpresa, arregalando os olhos e olhando ela de cima a baixo: “Você morou na casa do Yan Tingli esse tempo todo?”

Era a sala depois que todo mundo tinha saído, e provavelmente ainda havia colegas que não tinham ido muito longe. A voz alta de Su Han assustou Shi Sui na hora.

Ela rapidamente esticou a mão para tampar a boca da outra: “Shh, fala baixo. ”

Ao ver a expressão culpada de Shi Sui, Su Han quase riu, os olhos puxados se curvando quando ela perguntou: “Então por que você age como se não conhecesse ele?”

Apesar de Shi Sui andar sempre com Xue Jing, que era justamente com quem Su Han menos se dava, a impressão que Su Han sempre teve de Shi Sui era muito boa — comportada, suave, com emoções estáveis como uma capivara.

Diante da pergunta de Su Han, Shi Sui travou um pouco antes de responder: “Eu não quero chamar atenção. ”

Su Han ergueu a sobrancelha: “Coincidentemente, eu quero. ”

“Então… ” Sentindo que Su Han não era tão difícil quanto os boatos diziam, Shi Sui relaxou um pouco. “Você topa ir comigo nesse fim de semana?”

“Claro, ” Su Han balançou o cabelo cacheado, dizendo sinceramente, “por que eu não iria? Eu quero conquistar o Yan Tingli. ”

Shi Sui olhou para ela, pensou um pouco, e ainda perguntou: “Você gosta dele?”

“Nem tanto. ” Ela deu de ombros.

“Então por que… ” Shi Sui hesitou.

“Porque eu sou bem vaidosa, ” Su Han apoiou o queixo na mão, dizendo séria, “ficar com Yan Tingli seria muito valorizador. ”

Shi Sui: “ … ”

Ouvindo esse motivo, ela não sentiu nenhum peso na consciência.

Vendo a expressão dela, Su Han perguntou diretamente: “Você tem alguma relação com Yan Tingli?”

“Eu só tô morando na casa dele. ” Shi Sui desviou o olhar, respondendo de forma apagada, “Não somos muito próximos. ”

“Pode não contar isso pros outros?” Ela olhou para Su Han com um pedido.

“Fica tranquila, eu não tenho boca grande. ” Su Han se levantou com os livros, acenando, “Então nos vemos no fim de semana. ”

A conversa com Su Han foi inesperadamente tranquila.

Shi Sui observou a silhueta dela se afastando, o pensamento flutuando longe.

Depois de alguns segundos… Ela percebeu um sentimento chamado inveja.

Shi Sui ficou um pouco surpresa.

Inveja de quê?

Inveja de Su Han poder seguir o próprio coração e ser livre?

Ou inveja de ela poder ficar com Yan Tingli de forma aberta?

Shi Sui sacudiu a cabeça com força, respirou fundo e espantou os pensamentos dispersos.

Song Jie já tinha avisado dias antes que no sábado, às nove da manhã, mandaria um carro buscar ela e Su Han.

Então na sexta, Shi Sui avisou Yan Tingli que não iria para o apartamento.

Ele não disse não, só fez um “tsk” , parecendo muito impaciente com a ideia de voltar para a casa dos Yan.

Shi Sui então disse: “Então você não precisa voltar. ”

Se ele insistisse em não voltar, talvez Song Jie nem chamasse ela.

E aí não haveria tantas complicações agora.

Havia som de teclado do outro lado da linha — Yan Tingli devia estar ocupado. Ao ouvir isso, ele perguntou friamente: “Ela te chama, você recusaria?”

Shi Sui naturalmente não recusaria.

“Então eu concordei em voltar, ” ele disse.

Shi Sui entendeu.

Era por causa dela que ele tinha concordado em voltar.

Shi Sui abaixou o olhar e não disse mais nada.

Ela não ousava imaginar qual seria a reação dele se visse ela levando Su Han no dia seguinte.

Ela suspirou baixinho.

“Eu volto, e você suspira?”

Shi Sui testou: “Você pode concordar com uma condição?”

“O quê?”

“Amanhã, na sua casa, não me beija. ”

Shi Sui decidiu tentar um ato desesperado.

Pelo menos ele não poderia perder o controle em casa.

O som do teclado parou.

“Então vamos direto ao ato?”

Shi Sui ficou brava: “Claro que não! Amanhã, na sua casa, a gente tem que fingir que não é próximo. ”

Ele riu com desprezo: “Eu geralmente ajo como se fosse próximo de você?”

“Aja como antes. ”

Yan Tingli bateu duas vezes no teclado: “Tem alguma coisa diferente amanhã do que antes?”

A pergunta era quase uma armadilha.

O coração de Shi Sui pulou, quase caindo no truque dele de novo.

Pensando rápido: “O nosso relacionamento é diferente agora. ”

Yan Tingli riu de repente, parecendo muito satisfeito com as palavras dela.

“Então você concorda?” ela perguntou com cuidado.

“Você também concorda com uma condição minha. ”

Shi Sui ficou alerta: “ …Qual?”

“Eu te falo quando eu pensar. ”

Injusto demais.

Mas, considerando a urgência do dia seguinte, Shi Sui ainda cerrou os dentes e concordou.

No dia seguinte, às nove horas.

Shi Sui viu Su Han esperando embaixo do dormitório, vestindo uma saia curta, cabelo cacheado e maquiagem impecável.

Su Han era alguns centímetros mais alta que ela, provavelmente uns 1,68m, mais um par de sapatos de couro com salto de oito centímetros.

Shi Sui estava de moletom, ao lado dela.

Parecia uma aluna do fundamental indo em excursão.

Ela olhou pra cima e soltou um “uau” baixinho: “Você tá tão bonita. ”

Su Han levantou o queixo com orgulho: “Obrigada. ”

Caminhando do dormitório até o portão da escola, Shi Sui descobriu que Su Han, que normalmente parecia fria e quieta, era na verdade bem fácil de lidar.

Bastava elogiar que ela já ficava feliz.

Só nesse trecho, Su Han já tinha passado de cruzar os braços friamente para enlaçar o braço dela com carinho: “Eu declaro, Shi Sui, a partir de hoje você é minha amiga íntima.”

Shi Sui sorriu, entendendo também que seus supostos “conflitos irreconciliáveis” com Xue Jing eram apenas besteiras.

Duas garotas excelentes e afiadas terem atrito era normal. O problema era que ambas tinham personalidade orgulhosa e nenhuma queria ceder primeiro.

Assim que ficaram próximas, Su Han não conseguiu guardar nada. Ela despejou para Shi Sui tudo sobre a relação com a família Yan, com orgulho: “Meu pai, Su Ye, é mentor do Yan Tingli e conhece o Tio Yan e os outros.”

Shi Sui só pôde fazer uma expressão de quem estava ouvindo isso pela primeira vez e reagir de modo solidário: “Eu já ouvi falar dele, seu pai é incrível. ”

“Claro, ” Su Han sorriu, “você é minha primeira amiga desde que voltei para a China, vou te apresentar meu pai da próxima vez. ”

Depois de dizer isso.

Su Han pensou um pouco. Como tinha estudado no exterior desde criança, não sabia direito qual era o “procedimento” de fazer amizade na China.

Depois de refletir, ela ainda disse com lealdade: “Se você tiver qualquer dificuldade, pode me contar. Se eu não conseguir ajudar, meu pai ajuda. ”

Shi Sui só sorriu.

No segundo seguinte, seus passos pararam de repente.

Ela a encarou em choque.

Su Han piscou: “O que foi, você não acredita em mim?”

Shi Sui balançou a cabeça depressa: “Não, não, eu acredito. ”

Em um instante, um pensamento passou por sua mente, o coração acelerando.

Respirando fundo, ela o reprimiu à força.

Não se precipite.

Ela repetiu para si mesma: vá devagar, não se apresse.

Da escola até a casa dos Yan era uma boa distância, cerca de meia hora de carro. Pelo caminho, Su Han segurava sua mão e contava experiências escolares da época em que estudou em Boston, nos EUA.

Shi Sui manteve uma expressão séria, ouvindo tudo atentamente.

“Você é a primeira pessoa desde que voltei à China que me escuta tão seriamente. ” Os olhos de Su Han brilhavam. “Quando eu conto pros outros, acham que tô me exibindo. ”

Shi Sui voltou a si, dizendo baixinho: “Eu acho muito interessante. ”

Educação americana completamente diferente da chinesa, uma vida no campus livre e apaixonada.

Era algo que ela nunca tinha vivido.

Su Han apoiou o queixo: “Você também pode ir. ”

“Se for possível. ” Shi Sui respondeu devagar.

“Chegamos, chegamos. ” Ao ver o carro entrar na área da mansão da família Yan, Su Han aproximou-se da orelha de Shi Sui: “É a primeira vez que venho na casa do Yan Tingli, fiquei chocada. É luxuosa assim mesmo?”

Até Su Han ficou chocada. Quanto mais Shi Sui.

Ela sorriu: “Eu fiquei chocada três vezes. ”

“Pft hahaha você é tão engraçada. ”

Su Han caiu na risada.

Enquanto conversavam, o Mestre Li saiu do carro e abriu a porta para elas:

“Chegamos, por favor entrem, senhoritas. ”

Ao descer, Shi Sui viu Song Jie parada na porta. Dava para perceber que ela levava esse encontro muito a sério.

Shi Sui abaixou o olhar, empurrando Su Han para frente: “Vai primeiro. ”

Song Jie recebeu as duas. A mesa estava cheia de doces delicados, e ela entregou presentes para cada uma.

Shi Sui lembrou da pulseira de coral.

Agradeceu e aceitou.

“Parece que vocês duas se dão muito bem. ” Song Jie comentou sorrindo.

Su Han passou o braço pelos ombros de Shi Sui: “Sim, já somos amigas. ”

Song Jie disse: “Sui Sui tem uma personalidade muito boa, vocês combinam para serem amigas. ”

A conversa então começou a se concentrar em Su Han. Song Jie perguntou sobre a situação recente de Su Ye e pediu para mandar lembranças.

Su Han estava radiante: “Claro, digo a ele quando chegar. ”

Song Jie parecia satisfeita.

Depois de esperar bastante sem ver ninguém voltar, Song Jie olhou o horário e franziu o cenho: “Já está quase meio-dia, por que ele ainda não voltou?”

Shi Sui olhou para o horário, nada surpresa. A essa hora, ele provavelmente tinha acordado há menos de uma hora.

Chegar ali levaria pelo menos mais meia hora.

Mas a espera era inevitavelmente tortuosa. Sem perceber, ela ficou tensa, bebendo água distraidamente.

Até que não aguentou e correu ao banheiro.

Foi quando ouviu movimento do lado de fora.

Shi Sui estava lavando as mãos no banheiro, encarando o espelho, respirando fundo repetidas vezes.

Depois de se preparar psicologicamente, ela segurou a maçaneta e abriu a porta.

E viu, na entrada da sala… Yan Tingli parado ereto, a testa franzida, o olhar percorrendo todo o ambiente.

Sua expressão não era boa.

Song Jie ao lado disse: “Realmente não esperava isso. A Sui Sui me contou que a Xiao Han é amiga dela, que coincidência! Então eu chamei as duas para serem minhas convidadas.”

“Não é, Sui Sui?” O olhar de Song Jie voltou-se para ela.

Ao mesmo tempo, o olhar pesado de Yan Tingli caiu sobre ela do meio do cômodo.

Os dedos de Shi Sui, escondidos nas mangas, se apertaram com força.

Ela abriu a boca.

Ouviu a própria voz dizer: “Sim, tia. ”

Desviou o olhar, sem coragem de encontrar os olhos de Yan Tingli.

Mas ela podia sentir.

Frio até os ossos.