Difícil de Atravessar [Novel]

Antes do exame de entrada na faculdade, Shi Sui foi forçada a se mudar para a casa da família de um amigo de seu pai, onde conheceu o filho deles, Yan Tingli. Naquele momento, o jovem estava de pé na escada com um suéter de gola alta preto, toda a sua presença fria e desolada, olhando para ela como se ela não fosse nada. Ele parecia não reconhecê-la, mas Shi Sui conhecia Yan Tingli. Ele era refinado e bonito, o famoso aluno honorário da escola, amado por inúmeras garotas. Ela nunca imaginou que, a portas fechadas, até mesmo um bom aluno pudesse descartar sua pele externa e devorar pessoas sem cuspir os ossos. “Quero te beijar.” “Eu não quero.” “Seja boazinha, abra a porta agora.” Irmã tímida e gentil × canalha refinado O protagonista masculino tem um desejo possessivo muito forte, é bastante louco e bom em se disfarçar, mas é um apaixonado. Atenção: Aqueles com altos padrões morais para o protagonista masculino não devem ler.

Capítulo 10 - Namorando, sem deixar ninguém saber...

Capítulo 10 - Namorando, sem deixar ninguém saber...

Hard to Cross Tradutora: Haru Yoru Scanlator Capítulo 10 - Namorando, sem deixar ninguém saber...

Devido às transferências de trabalho dos pais, Shi Sui havia se mudado entre o Norte e o Sul desde a infância.

Ela estava acostumada à correria dos pais, acostumada a jantar nas casas de amigos deles e acostumada a encontrar distração sozinha quando se sentia solitária.

Então, quando Shi Yue anunciou com desculpas a decisão de mandá-la ficar com velhos amigos até depois dos exames de admissão da faculdade, ela não pensou muito e concordou obedientemente.

Shi Sui achou que seria algo parecido com tios e tias conhecidos, até que Yan Zecheng a conduziu para dentro da magnífica mansão da família Yan.

Ao encontrar Yan Tingli na escadaria, aquele olhar indiferente que ele lançou em sua direção.

Isso permaneceu como um abismo intransponível no coração de Shi Sui.

As “diferenças de classe” que sempre haviam sido apenas um conceito vago nos livros nunca haviam ficado tão claramente gravadas em sua mente quanto naquele momento.

Naquele dia, Song Jie também a recebeu em casa, sua atitude tão gentil e calma quanto água pura.

Shi Sui não queria parecer constrangida.

Mas, por ser jovem, ainda demonstrava nervosismo, com medo de ver até mesmo um leve sinal de desagrado no rosto da anfitriã.

No fim, ela percebeu que estava pensando demais.

Yan Zecheng e Song Jie eram extremamente ocupados. Sua chegada na vasta casa dos Yan foi como a semente de um dente-de-leão flutuando suavemente até o chão, incapaz de causar qualquer perturbação.

E Yan Tingli, que dividia o terceiro andar com ela, era muito mais ocupado do que ela.

Durante a semana, ele estava na escola; nos fins de semana, tinha vários treinos e competições.

Na maior parte do tempo, exceto pelos empregados, muitas vezes não havia mais ninguém por ali.

Assim, os nervos tensos de Shi Sui gradualmente se acalmaram, e ela começou a se adaptar à vida na casa dos Yan.

Ocasionalmente se sentia sozinha, mas, felizmente, sabia bem como se entreter.

Embora ela e Yan Tingli se vissem constantemente, felizmente conseguiam manter o respeito mútuo.

De manhã, com o cabelo bagunçado; à noite, bocejando enquanto fazia leite; ou ocasionalmente segurando o pijama enquanto dançava por aí.

Ele sempre aparecia de repente, fazendo-a se assustar.

A única consolação era que as reações de Yan Tingli eram sempre educadas.

Normalmente, apenas lançava um olhar indiferente antes de desviar calmamente, como se estivesse vendo algo que preferia não ver.

No começo, Shi Sui ficava muito envergonhada.

Depois de um tempo, passou a não se abalar mais.

Mais tarde, por mais que tentasse entender, Shi Sui não conseguia compreender como Yan Tingli, que no início agia como se até mesmo um olhar extra fosse demais, havia se tornado tão entusiasmado em dormir com ela.

A isso, Yan Tingli mais tarde deu uma resposta que fez Shi Sui querer chamar a polícia-

“Mais um olhar e eu fico duro.”

O motivo de ela ter acabado se envolvendo com Yan Tingli basicamente se resumia ao fato de que Shi Sui havia bebido demais.

O jantar daquela noite era entre colegas da mesma turma de artes, todos já familiares uns com os outros.

"Você já tem dezoito anos, devia conhecer seu limite com bebida" , brincou uma amiga, carregando uma caixa de cerveja para a sala de karaokê. "Crie um pouco de consciência antes de entrar na vida adulta, pra não ser enganada. "

"Especialmente você, Suisui, não deixe ninguém te enganar. "

Se seria enganada depois de entrar na vida adulta, Shi Sui não sabia.

Mas naquela noite, acabou enganando a si mesma.

Depois de algumas cervejas, já estava rindo e rodopiando.

Segurando o microfone e gritando como uma banshee no KTV , acabou abraçando a amiga, chorando e chamando pela mamãe.

[N/T: “Banshee” é uma criatura do folclore irlandês que grita de forma estridente- aqui é usada de forma figurada, para dizer que ela estava cantando ou gritando de modo bem alto e desafinado. “KTV” é um karaokê.]

Nada disso foi a parte mais constrangedora.

A parte mais constrangedora foi- quando Shi Sui foi levada de volta à residência dos Yan, não foi a empregada quem abriu a porta, mas Yan Tingli.

Mesmo assim, Shi Sui estava completamente alheia ao clima tenso.

Ela o encarou com os olhos arregalados. “Uau. ”

Ele parecia um personagem bonito de anime japonês.

Sua mente, confusa pelo álcool, começou a viajar.

De algum modo, ela se confundiu toda, ficou ereta como se tivesse levado um choque e, imitando heroínas de anime, ergueu a mão em saudação: “Ohayo, onii-chan!”

A amiga que a trouxe de volta ficou surpresa. “Suisui, esse é seu irmão?”

Shi Sui ainda estava rindo. Antes que pudesse pensar, seu braço foi de repente segurado e, com força, o ar frio do ar-condicionado a atingiu quando foi puxada para dentro da porta.

Ela não sabia o que Yan Tingli disse à amiga. Quando voltou a si, a porta já estava fechada.

A casa estava escura, sem luzes acesas. Ela tropeçou enquanto ele a levava até o elevador.

Shi Sui instintivamente tentou se soltar, então lembrou-se, de forma confusa, de que a tia responsável da residência Yan havia pedido folga naquele dia, então não havia ninguém em casa.

No espaço fechado do elevador, sentiu-se segura.

Encostada na parede, não conseguiu evitar olhar novamente para Yan Tingli.

Observou sua testa, o osso da sobrancelha, o nariz e os lábios.

No ponto entre o maxilar e o pescoço, havia uma pequena pinta.

Devastadoramente atraente.

“Você é muito bonito.” Ela estendeu a mão inconscientemente para tocar o osso da sobrancelha dele.

Shi Sui não fazia ideia do que estava fazendo.

Ela apenas, de forma inexplicável, sentia que queria fazer isso há muito tempo.

Yan Tingli desviou-se ligeiramente.

Seus olhos escuros pousaram no rosto dela, examinando-a centímetro por centímetro.

Shi Sui, embriagada, estava ousadamente sem vergonha, seguindo-o sem plena consciência quando ele não se esquivou novamente.

“Seja meu modelo.” O toque frio, parecido com jade, fazia com que ela relutasse em soltá-lo. “Eu vou te pintar lindamente.”

Ele a observou, um leve curvar de lábios, inclinando-se para perguntar: “E o que eu ganho com isso?”

“Benefícios?”

Shi Sui cobriu o rosto e riu. “Se você for meu modelo, eu estaria disposta a viver em mansões e dirigir carros de luxo.”

O peito de Yan Tingli vibrou, verdadeiramente achando graça, sua voz agradável estimulava os nervos dela: “Tudo bem, eu aceito.”

“Só por hoje,” ele arqueou levemente as sobrancelhas, “não vai aproveitar o tempo que tem?”

Enquanto as portas do elevador se abriam.

Atordoada, ela conseguiu levá-lo até o quarto, montando o cavalete lentamente.

Ao se virar, viu que ele estava apoiado na parede, o braço relaxado.

E perguntou, confusa: “Por que você ainda não está tirando a roupa?”

Os longos cílios de Yan Tingli baixaram, e o olhar escuro dele atravessou a luz alaranjada: “Tirar a roupa?”

“Você não concordou em ser meu modelo?”

Ele a olhou, os lábios se curvando num sorriso muito lento: “Você quer que eu seja um modelo nu?”

“Sim.”

“Isso não vai dar certo.”

“Por que não?” , perguntou Shi Sui, insatisfeita.

“Precisamos de outras condições.” Enquanto falava, o olhar dele percorria lentamente a pele dela, o pomo-de-adão se movendo.

Se fosse agora, diante de um olhar assim, Shi Sui já teria fugido, rolando se fosse preciso. Mas bêbada, ainda insistia imprudentemente na pergunta: “Que condições?”

“Muito simples”, as pupilas escuras de Yan Tingli piscaram uma vez, como tentação, como provocação.

“Venha aqui, me beije.”

…Shi Sui sentiu que não estava embriagada de álcool, mas enfeitiçada.

Caso contrário, como poderia estar tão possuída a ponto de dar um passo à frente, ficando na ponta dos pés, como se tocasse uma obra de arte?

Suas respirações se aproximaram.

Shi Sui se chocou com os olhos escuros dele.

Nesse instante, a nuca dela ficou fria.

Um instinto pertencente a animais herbívoros subiu por seu couro cabeludo, fazendo seus movimentos congelarem, suas panturrilhas recuarem instintivamente.

Yan Tingli permaneceu imóvel o tempo todo.

Ainda cavalheiro, com sobrancelhas e olhos como neve, como se não tivesse nenhum desejo terreno.

Shi Sui suspeitava que estava exagerando. Finalmente, o desejo venceu o instinto de recuar.

Ela se inclinou lentamente contra os lábios dele, lindamente delineados.

Apenas um toque leve.

Sua parte inferior das costas foi firmemente contida, a força assustadoramente forte, fazendo-a começar a tremer.

“Isso não se chama beijar. ” Sua língua de repente se moveu, muito violentamente direto para dentro, sua maçã de adão rolando, absorvendo umidade como se ele estivesse extremamente sedento, mexendo com ela até ela ficar tonta e desorientada, “Isso que é. ”

…Naquela noite, apenas ela foi mordida por todo o corpo.

Antes do amanhecer, Shi Sui sóbria, vendo Yan Tingli dormindo ao lado dela, com tanto medo que seu cérebro travou diretamente.

Suas memórias estavam fragmentadas e confusas.

Fragmentadas pois ela não conseguia recordar como, exatamente, haviam acabado juntos, apenas o prazer durante o calor do momento, as palavras lamentosas de Yan Tingli dizendo que não poderiam ir até o fim sem camisinha, e a decepção que ela sentiu.

Tudo cristalinamente claro.

O couro cabeludo de Shi Sui formigou.

Sem saber como encarar a situação, ela apenas levou as mãos à cabeça e fugiu.

Antes do amanhecer, ela correu escada abaixo, vagando pelo complexo da mansão.

Até o sol nascer, ela não havia levado o celular e não podia ir a lugar algum, e como não suportava o calor, só pôde voltar de fininho.

Naquele momento, Shi Sui se sentia culpada por ter forçado Yan Tingli e nunca pensou em uma “próxima vez” .

Mas, ao voltar, foi casualmente seduzida por uma única frase dele e acabou enfeitiçada novamente, beijando-o.

Aquela noite ainda podia ser considerada um acidente, mas cada encontro seguinte já não tinha desculpa.

Shi Sui não pôde deixar de admitir isso.

Ela cobiçava Yan Tingli e era viciada no prazer que ele lhe proporcionava.

O limite final que Shi Sui impôs para essa relação era- não se apaixonar, absolutamente não se apaixonar.

E não deixar ninguém saber.

Nos dois últimos anos, ela fechou os olhos e tampou os ouvidos.

Evitando o máximo possível qualquer dica que Yan Tingli lhe desse.

Às vezes, até desejava urgentemente se separar.

Pelo menos a separação não a prenderia mais nesse tipo de enredo.

“Suisui” , a voz de Yan Tingli a despertou de seu torpor, com um leve toque de riso frio. “Da próxima vez que fingir não ouvir, tente fazer uma expressão mais natural, vai ser mais convincente. ”

Os cílios de Shi Sui tremeram.

Com apenas algumas palavras, ele a colocou em uma posição da qual ela não podia escapar.

“Nós não podemos… ” Shi Sui só conseguiu baixar a cabeça e, com esforço, dizer aquelas quatro palavras: “namorar. ”

“Motivo. ”

“Incompatíveis. ”

“De tamanho? Somos bastante compatíveis.”

Shi Sui o ignorou, dizendo em tom suplicante: “Não podemos simplesmente continuar assim?”

A voz dela estava ligeiramente tensa, o coração pesado e acelerado.

Ela sabia que isso deixaria Yan Tingli infeliz.

Mas essa já era a coisa mais apropriada que conseguia pensar em dizer.

A expressão de Yan Tingli era neutra, ele até abaixou a cabeça para arrumar cuidadosamente a barra da saia dela.

“Como agora?” , ele fez uma pausa e confirmou com ela em voz baixa, “Um caso escondido comigo dentro da escola?”

Ele propositalmente fez soar de um jeito feio.

Shi Sui cerrou os dentes e disse, desafiadora: “Sim, eu gosto assim. ”

Yan Tingli zombou: “Bom, como desejar.”

“Então, de agora em diante, vou te beijar e te tocar onde eu quiser, na escola. ” O olhar dele percorreu as roupas desarrumadas dela. “Contanto que...

ninguém saiba, certo?”

Shi Sui sentiu um arrepio percorrer todo o corpo diante daquele olhar abertamente invasivo. “Não... é claro que não-”

Ela foi virada de repente e pressionada contra a janela do carro.

Yan Tingli a cobriu por trás, erguendo o queixo dela. “Suisui, olhe lá fora. ”

Shi Sui foi forçada contra o vidro da janela, e sua expressão mudou de cor imediatamente.

Ela viu Su Ye.

Su Ye está saindo do trabalho, carregando uma pasta, parado diagonalmente à frente, falando ao telefone enquanto abre a porta do carro.

“Me solta!” Ela começou a lutar violentamente. “Yan Tingli, seu idiota…!”

Yan Tingli tapou a boca dela por trás.

“Shh. ” Um beijo caiu em seu pescoço e ele murmurou: “Não podemos deixar ninguém ver. ”

“Caso contrário, amanhã isso estará no mural do campus, e a escola inteira vai saber que nós estamos… ” — ele fez uma pausa — “tendo um caso dentro do carro. ”

Shi Sui não ousava imaginar. Lutou com todas as forças, mas tudo que tocava era o corpo sólido de Yan Tingli.

Imóvel.

O carro começou a balançar, e Su Ye, lá fora, percebeu o movimento e olhou na direção deles.

Será que Su Ye já os viu?

Shi Sui ficou tão assustada que esqueceu de respirar.

“Se mexer de novo, ” Yan Tingli sussurrou no ouvido dela, “o Professor Su vai pensar que estamos transando no carro.”

Shi Sui conteve a voz e engoliu o grito.

Felizmente, Su Ye apenas olhou uma vez, entrou no carro.

Logo, o carro foi embora.

No silêncio que se seguiu, Yan Tingli perdeu o interesse, reclinando-se no assento: “Esqueci de te dizer, este carro tem película de privacidade. ”

Shi Sui ainda estava em choque, rígida ali, prestes a se mover quando finalmente recuperou os sentidos. Ela desabou e deu um tapa no queixo dele, deixando uma marca vermelha em sua pele pálida. “Y an Tingli, você pode parar de me forçar assim?!”

Yan Tingli não desviou nem recuou.

Apenas baixou as pálpebras, projetando uma sombra pesada sobre o rosto.

Os dedos de Shi Sui recuaram, e seu coração batia descompassado.

Só restou o silêncio.

Depois de muito tempo, Yan Tingli finalmente reagiu lentamente.

“Forçar?” Ele limpou a marca que ela havia deixado em seu queixo, sem expressão no rosto. “Se eu estivesse te forçando, desde o momento em que você entrou no carro, já deveria estar pressionada em cima de mim e se movendo. ”

“Ou, desde dois anos atrás, você já deveria estar trancada em uma casa que ninguém conhece, nunca mais vestindo roupas. ”

“Em vez de como agora. ” Um deboche frio dançava em seus olhos, de repente, ele não continuou.

Sempre como um cachorro, desesperado por um pouco de amor ilusório.

Shi Sui ficou atônita, esperando que ele dissesse mais, mas Yan Tingli parou ali.

Quando o carro de Su Ye se afastou, Yan Tingli abriu a porta do carro, sem expressão: “Sua missão está completa. ”

Uma atitude de quem despede um convidado.

Eles se separaram em maus termos.

Shi Sui não disse nada, abaixando a cabeça para arrumar as roupas desarrumadas, pegando a bolsa para sair: “Então é isso. ”

Ela não queria lidar mais com Yan Tingli.

De jeito nenhum.

Antes que sua perna pudesse cruzar a porta, foi subitamente puxada por trás, e a porta do carro se fechou com um estalo.

O rosto de Yan Tingli estava próximo.

Ele tinha emoções transbordando, algo entre contenção e ressentimento.

Olhou para ela por alguns segundos antes de forçar algumas palavras entre os dentes: “Eu não vou deixar ninguém saber. ”

Shi Sui não entendeu de imediato: “ …O quê?”

“Sobre o namoro. ” A mão apertando o ombro dela estava muito firme. “Eu não vou deixar ninguém saber. ”