Chore, Melhor Ainda se Implorar [Novel]

Após perder os pais aos 12 anos, Layla Llewellyn é passada de um parente indiferente para outro, até ser enviada para outro país. Ao chegar ao Império de Berg, ela fica sob os cuidados de Bill Remmer, um parente distante e ranzinza que parece não se importar com nada além do seu trabalho como jardineiro da renomada família Herhardt. Depois de anos de negligência, tudo o que Layla deseja é um lugar para chamar de lar, mas seus encontros com o charmoso Duque Matthias von Herhardt e o restante da alta sociedade trazem provações e tribulações para a jovem de coração terno.

Capítulo 9 - Aquela Garota Humilde e Bela

Capítulo 9 - Aquela Garota Humilde e Bela

Tradução: Amme

Capítulo 09

Aquela Garota Humilde e Bela


— Será que é mesmo ela? A órfã de quem o jardineiro estava cuidando? — perguntou a Condessa Brandt, franzindo o cenho enquanto olhava pela janela para o jardim onde uma jovem de óculos ajudava o jardineiro a cuidar do canteiro de rosas.

— Sim, mãe. É a Layla, aquela menina — respondeu Claudine com displicência, concentrada em seu bordado. Era tão habilidosa quanto sempre fora. Enquanto a mãe andava de um lado para o outro perto da janela, ela fazia ponto após ponto com paciência. Sob seus dedos, rosas de várias cores pareciam brotar. — É uma moça bonita. Não acha, mãe? Acho que vai ficar ainda mais bonita conforme for crescendo.

— E isso não te preocupa? — perguntou a Condessa Brandt.

— Entendo sua preocupação, mãe — respondeu Claudine, pousando a bastilha com um sorriso sereno.

Os olhos da Condessa Brandt estavam arregalados de inquietação. Sempre tivera uma constituição delicada e sofreram vários abortos antes de finalmente dar à luz um filho saudável — a única filha da família Brandt, Claudine.

Desde então, a condessa vivera com o temor constante de que o marido a abandonasse pela falta de um herdeiro homem. A amante do marido também não lhe dera um filho, mas isso pouco a consolava. Sempre temeu que algum dia uma jovem bonita surgisse, lhe desse um filho e roubasse o amor do marido.

Claudine compreendia tudo isso na mãe e, embora sentisse pena dela, também se irritava com aquela preocupação constante.

— Mas não gosto de ficar ruminando essas coisas, mãe — declarou com solenidade.

A condessa soltou um suspiro de exasperação.

— Você ainda é jovem demais para entender os homens, Claudine. Se eu fosse você...

— Mandaria embora todas as mulheres bonitas do mundo para que o Duque Herhardt não fosse tentado por elas, não é? — interrompeu Claudine com um sorriso, soltando um suspiro exagerado. — Como a senhora diz, ainda sou jovem e sei pouco sobre os homens. Mas até eu sei que homens em posições elevadas na sociedade costumam ter uma amante ou duas.

— Meu Deus, Claudine!

— Naturalmente, preferiria que não tivesse nenhuma amante. Mas, se tiver, não me chocaria tanto assim — respondeu ela, dando de ombros.

Apesar da compostura, Claudine havia levado um susto ao se deparar com Layla. Era natural que uma menina bonita se tornasse uma jovem bonita. Mas o quanto ela havia florescido a surpreendeu genuinamente.

Tinha o porte característico das mulheres de Lovita — miúda e delicada como uma ninfa, com fisionomia fina e graciosa. Os olhos verdes e misteriosos e a pele de porcelana impecável só reforçavam essa impressão.

Fora exatamente por isso que Claudine a convidara para o chá. Queria observar como o duque reagiria diante de uma jovem assim.

E a reação dele foi exatamente o que esperava: demonstrou o equilíbrio adequado entre interesse e indiferença, mantendo a dignidade e o autocontrole perfeitos. Para Claudine, isso era suficiente.

— Mas Claudine, nada de bom pode vir de deixar uma jovem assim por perto de Matthias — insistiu a Condessa Brandt, ainda com expressão preocupada. — Talvez eu deva falar com a mãe ou a avó dele. O que você acha?

— Mãe... — murmurou Claudine, contrariada. Incomodava-a ver a mãe se afligir com questões de amor mesmo tendo à disposição todo o conforto e luxo do mundo. Havia tomado a firme resolução de não seguir o mesmo caminho.

Era uma das razões pelas quais havia concordado em se noivas com Matthias. Sabia que era ingenuidade esperar que um homem só tivesse sentimentos pela esposa de um casamento arranjado. Só alguém que acreditasse em finais felizes de conto de fadas seria tolo o suficiente para acreditar nisso.

Por tudo que sabia, Matthias poderia um dia se deixar levar pela atração por mulheres bonitas, como o pai dela fizera. Como incontáveis homens faziam. Do seu ponto de vista, não havia perigo real em um marido ter uma amante, desde que a tratasse como amante. O problema eram os homens que tratavam amantes como esposas. Tudo que conhecia de Matthias sugeria que ele era do primeiro tipo.

Será que o amo?, perguntou a si mesma, com um sorriso. Bem... talvez sim, talvez não. No fundo, tanto faz. E ele sabe disso muito bem.

O que realmente importava era se o Duque Herhardt cumpriria seu papel de marido e pai com a mesma fidelidade e dedicação que demonstrava em todos os outros deveres. Era isso que Claudine queria. Um casamento que lhe preservasse a dignidade.

— Que problema haveria se o Duque Herhardt se interessasse por aquela garota humilde e bela? — perguntou com calma à mãe.

A Condessa Brandt ficou boquiaberta.

— Meu Deus, Claudine! Ouça o que está dizendo!

— Na pior das hipóteses, ela se tornaria a amante dele — disse Claudine, com uma risinha discreta. — Como amantes vão, ela não seria das piores. Não representa nenhuma ameaça real para mim. Eu a tenho domesticada como a um cachorrinho.

— Ah, Claudine. Você realmente... não sabe nada sobre amor — lamentou a Condessa Brandt.

Contemplando os olhos da mãe — sempre marejados de lágrimas exatamente por causa do amor —, Claudine esboçou um sorriso tênue e virou a cabeça para a janela. Lá fora, via Layla segurando a própria cintura enquanto ria de algo.



A cabana estava vazia quando Kyle chegou. Layla e Bill pareciam ter saído para o jardim. Pensou em ir procurá-los, mas mudou de ideia e se sentou em uma cadeira da varanda.

A imagem de Layla com seus óculos novos lhe veio à mente e arrancou um sorriso involuntário. A futura senhora Ettman era bonita mesmo de óculos. Havia levado um tempo para se acostumar com a nova aparência, mas agora o coração disparava só de pensar nela, exatamente como sempre acontecera.

Ao perceber que estava começando a corar, limpou a garganta para se recompor.

Nesse instante, Layla e Bill voltaram para a cabana.

— O que é isso? — perguntou Kyle, franzindo a testa ao ver o chapéu simples e sem graça que bloqueava o rosto de Layla. — Você parece uma caipira. Não me diga que pagou dinheiro por esse negócio — provocou. Layla e Bill responderam simultaneamente com um olhar reprovador.

— Foi o tio Bill quem me deu! — exclamou Layla, carrancuda. Bill, em silêncio, tirou a pá do carrinho de mão que acabara de trazer do jardim.

— Olhando de novo, é bonito sim. É muito estiloso! O Bill tem um gosto excelente! — recuou Kyle rapidamente.

— Não faz graça com ele. Ele é muito especial para mim — disse Layla, ainda emburrada, ao tirar o extravagante chapéu de palha coberto de laços e flores artificiais.

Enquanto Bill guardava o carrinho, Layla começou a preparar o almoço. Havia deixado o chapéu com cuidado em uma ponta da mesa. Kyle se sentou de frente para ele e lançou um olhar na direção de Layla.

— Layla, você está com raiva de mim?

— Estou — respondeu ela secamente, largando o prato na frente dele.

Ao menos ainda está me servindo, pensou ele, um pouco aliviado.

— Me desculpa. Você acha que eu teria dito aquilo se soubesse que foi seu tio que deu?

— Sinceramente, não sei.

— Por que ele te comprou um chapéu do nada, aliás?

— Porque eu pedi um.

— Você pediu? Você sabe pedir as coisas? — disse Kyle, genuinamente surpreso. Mal se lembrava de alguma vez ter visto Layla pedir algo.

— Ele ficou muito chateado com a história dos óculos — disse ela, baixando a voz.

— Ah, ficou chateado porque sua visão havia piorado tanto?

— Não, não era isso. Ficou chateado porque eu juntei dinheiro para comprar esses óculos caros sem falar nada para ele. — Tendo terminado de pôr a mesa, sentou-se de frente para Kyle.

No dia em que Layla voltara para a cabana com os óculos novos, Bill reagiu como se tivesse levado uma facada pelas costas. Depois de ouvir ela explicar como havia conseguido comprá-los, a encarou com uma expressão fria. Era a primeira vez que ela o via chateado daquela maneira.

Layla, você realmente confia tão pouco em mim? — perguntara ele com tristeza, soltando um suspiro.

Aquilo a perturbara profundamente. Tentou tranquilizá-lo, explicando que não era falta de confiança, mas sim vergonha diante de tudo que ele já havia feito por ela, e por isso queria comprar os óculos ela mesma. Isso só o deixou ainda mais triste.

Depois daquele dia, instalou-se um certo constrangimento entre os dois. Bill ficou calado e ranzinza, enquanto Layla se sentia tensa, sem saber o que dizer ou fazer.

A solução que finalmente encontrou foi o chapéu. — Tio Bill, você me compra um chapéu? — perguntara de repente na mesa do jantar, alguns dias antes. — Eu adoraria tanto se o senhor me comprasse um chapéu bonito.

Bill dera uma risadinha ao tom solene dela. Mas na tarde seguinte, ao voltar da cidade depois de comprar uma tesoura de poda, trouxe para ela um chapéu de palha coberto de flores e laços. Estendeu-o a ela e disse com naturalidade:

Comprei na Lind's, então, se não gostar, pode ir lá trocar por outro.

O senhor mesmo escolheu?

Claro que eu mesmo escolhi.

É muito bonito. — Ela sorriu radiante e experimentou o chapéu.

Bill havia comprado muitas coisas para Layla ao longo dos anos, mas, em vez de escolher ele mesmo, costumava levá-la à loja junto ou pedir à cozinheira Mona que se encarregasse disso.

Por isso Layla sentiu com toda a força o peso daquele gesto: ele havia escolhido sozinho um chapéu feminino para ela. Sentiu-se amada.

Flores eram a coisa mais bonita do mundo para ele. Portanto, um chapéu coberto de flores tinha de ser o chapéu mais bonito do mundo. Era a lógica simples que usara para escolhê-lo.

— Ei! Você devia ter me contado tudo isso antes! — exclamou Kyle, sentindo-se muito envergonhado depois de ouvir a história por trás do chapéu. — Agora me sinto uma minhoca por ter zoado aquele presente!

— Quando eu te contaria? Você falou mal assim que viu.

— Tudo bem, mas...

— Seu vagabundo insolente! — vociferou Bill ao entrar pela porta a passos largos. — Está comendo toda a minha comida de novo! Um dia desses vou cobrar o Dr. Ettman por tudo isso!

O tom ameaçador assustou Kyle, mas ao ver a expressão do rosto de Bill — amigável e de brincadeira —, ficou aliviado.

Ao notar o chapéu sobre a mesa, Bill deu uma risada acanhada. Ao ver Layla sorrir com carinho para ele, Kyle sentiu quase uma pontada de ciúme.

Qualquer homem que amasse Layla Llewellyn teria de se contentar com o segundo lugar no coração dela. O primeiro sempre seria reservado ao tio Bill.

Confortando-se com esse pensamento, Kyle pegou o garfo e começou a comer. As provocações de Bill jamais o incomodavam de verdade. A cozinha de Layla era boa o suficiente para suportar qualquer coisa.



Depois do almoço, Bill voltou ao trabalho, deixando Kyle e Layla a sós na cabana. Layla sentou-se na varanda como de costume, lendo. Kyle fingia ler enquanto, na verdade, não tirava os olhos dela. Os dela permaneciam colados na página, a não ser quando de vez em quando pegava um biscoito para morder.

Não devia ter emprestado esse romance para ela, pensou Kyle, sorrindo amargamente para si mesmo. Mas meu Deus, ela nem faz ideia de como fica bonita assim concentrada no livro, ou mastigando esse biscoito... Será que devo confessar o que sinto hoje?

Pousou o livro no chão e a fitou com uma expressão séria. Havia planejado esperar um pouco mais, mas agora começava a duvidar de si mesmo.

O mais leve toque da mão dela em seu braço bastava para fazer o coração quase explodir. O corpo todo esquentava quando ela estava perto. Às vezes tinha sonhos com ela que o deixavam com a consciência pesada.

Além disso, havia uma angústia constante de que alguém aparecesse um dia e a roubasse dele. Por isso cogitava abandonar toda a cautela e confessar seus sentimentos ali mesmo, naquele instante.

Mas justamente quando estava prestes a fazê-lo, foram interrompidos pelo som de um cavalo se aproximando em passo lento. Ao virar a cabeça, viu o Duque Herhardt com traje completo de equitação, montado no cavalo. Layla, que estava prestes a dar uma mordida no biscoito, olhou para ele, surpresa.

O duque deteve o cavalo em frente à grade da varanda. Seu olhar pousou brevemente em Kyle antes de se fixar no rosto perplexo e levemente corado de Layla.