Chore, Melhor Ainda se Implorar [Novel]

Após perder os pais aos 12 anos, Layla Llewellyn é passada de um parente indiferente para outro, até ser enviada para outro país. Ao chegar ao Império de Berg, ela fica sob os cuidados de Bill Remmer, um parente distante e ranzinza que parece não se importar com nada além do seu trabalho como jardineiro da renomada família Herhardt. Depois de anos de negligência, tudo o que Layla deseja é um lugar para chamar de lar, mas seus encontros com o charmoso Duque Matthias von Herhardt e o restante da alta sociedade trazem provações e tribulações para a jovem de coração terno.

Capítulo 10 - Você Achou que Isso Era um Pedido?

Capítulo 10 - Você Achou que Isso Era um Pedido?

Tradução: Amme

Capítulo 10

Você Achou que Era um Pedido?


— Onde está o Sr. Remmer? — perguntou o duque a Layla, que mantinha a cabeça respeitosamente baixa. Ela limpou as migalhas dos lábios e respondeu:

— Foi fazer uma compra no centro. Aconteceu alguma coisa?

O Duque Herhardt fez um leve aceno de cabeça e, desviando o olhar de Layla para Kyle, ofereceu-lhe um sorriso cortês. Ao ver a expressão amigável do duque, Kyle sentiu o peso dos ombros aliviar.

O duque pediu que Kyle transmitisse seus agradecimentos ao pai pelos cuidados dedicados à Duquesa-viúva Herhardt. Em seguida, voltou-se novamente para Layla. Deixando o sorriso fenecer nos lábios, perguntou:

— Bem, Lady Layla, já que o Sr. Remmer está fora, poderia colher algumas rosas para mim?

— Rosas? Do jardim?

— Sim, escolha uma variedade delas e as traga à minha cabana à beira do rio. — Com outro leve aceno de cabeça, puxou as rédeas e partiu sem dar tempo a Layla de responder.

Layla soltou um suspiro e olhou para a blusa e a saia cobertas de migalhas de biscoito. Sacudiu-as freneticamente, mas não havia como sacudir o embaraço que sentia.

— Acho que você já tirou todas as migalhas. Pode parar — disse Kyle, rindo.

— Por que ele teve de aparecer justamente agora?

— Qual é o problema? Você acha que o duque não belisca como todo mundo?

— Bom, claro, mas... — murmurou Layla, esfregando os lábios sem perceber.

— Por que você liga se vivo te vendo comer na minha frente?

— Com você é diferente. Você é meu amigo.

— E o Duque Herhardt é um estranho. Não faz sentido se importar mais com a aparência diante de um estranho do que diante de um amigo.

— Talvez você tenha razão... Não sei. É que fico desconfortável perto dele — disse ela, franzindo a testa. — Por quê? Aconteceu alguma coisa entre vocês dois?

— Não é isso... É que ele sempre me deixa desconfortável e tensa. Não consigo explicar, ele simplesmente faz isso. Não gosto.

— E eu? Você se sente à vontade comigo, né? — perguntou Kyle, com uma expectativa velada na voz.

Layla riu com leveza enquanto colocava o chapéu.

— Claro, Sr. Ettman.

O sorriso de Kyle se alargou. — Bom, eu sabia. Ei, quer ajuda para colher as rosas?

— Não, consigo sozinha. Vai para casa agora.

— Não, posso esperar aqui.

— Kyle, se seu pai descobrir que você ficou por aqui de novo, vai ficar furioso! Pode até me culpar. Vai para casa e estuda.

Kyle fez uma careta. Queria rebater, mas sabia que ela tinha razão. Lançou um olhar na direção para onde o duque havia partido. Por que estou tão ansioso? Tenho estado sensível demais ultimamente? Sem querer assustá-la com algum comentário desnecessário, ficou quieto.

Mas não é qualquer um — é o Duque Herhardt, o nobre perfeito cujo noivado está prestes a ser anunciado. A ansiedade logo o venceu, e ele se viu gritando:

— Layla!

Layla, que caminhava em direção ao jardim de rosas com a cesta e a tesoura de poda na mão, se virou e sorriu:

— Até amanhã, Kyle!

Não vá, quis dizer. Engolindo as palavras, apenas acenou. Está bem. É o Duque Herhardt. Não vai acontecer nada.

Repetindo esse pensamento para si mesmo, ficou observando Layla se afastar em direção ao jardim de rosas.



— Volte.

Layla estava prestes a sair da cabana quando ouviu a voz de Matthias. Depois de alguns instantes, percebeu que as palavras eram dirigidas a ela. Contendo a respiração, virou-se novamente.

Matthias estava sentado de frente para o mordomo, à mesa perto da janela, passando a vista em documentos empilhados sobre ela, como vinha fazendo há algum tempo. Sem levantar os olhos, disse:

— As que você trouxe são vistosas demais. Vá buscar outras de cores mais discretas. — Em seguida, ergueu os olhos para Layla com um sorriso de gentileza extrema no rosto.

Layla cerrou os punhos para conter a irritação antes que explodisse em raiva. Ao que parecia, havia um problema com as rosas que escolhera — as mesmas sobre as quais ele simplesmente pedira "uma variedade", sem mais especificações.

Enquanto ela fitava as rosas que havia trazido, Matthias voltou a atenção ao trabalho. O mordomo Hessen retomou o relatório, e Matthias o ouvia com atenção, intercalando breves instruções. Comportavam-se como se a mensageira já não estivesse mais ali.

Frustrada, repetiu mentalmente a frase pelo tio Bill enquanto saía em silêncio da cabana. Fazer as pessoas correrem de um lado para o outro às duas da tarde no meio do verão, e ainda assim chamam esse homem de cavalheiro perfeito?, resmungou enquanto voltava a pé para o jardim.

Em geral, Layla tinha pouco interesse na vida dos moradores da mansão, mas sabia que a cabana à beira do rio era o refúgio particular do Duque Herhardt. Raramente recebia visitas lá, e apenas um número limitado de criados o servia no local.

Supusera que ele quisesse as flores por causa de Claudine. Como o noivado estava iminente, imaginou que talvez ela tivesse começado a visitá-lo na cabana de vez em quando. Por isso escolhera as rosas de cores mais vibrantes que encontrou — sabia que Claudine gostava de tons chamativas. Mas aquilo havia sido um erro.

Atravessou a floresta e avançou com passo firme pelo jardim luminoso e sem sombra, onde colheu cuidadosamente uma nova seleção de rosas. Para atender à exigência meticulosa do duque, escolheu desta vez apenas cores suaves e discretas — que, por sinal, eram as de sua preferência também, em sua maioria.

Com a cesta cheia nas mãos, voltou a caminhar sob o calor opressivo da tarde de verão.

Se ia ser tão exigente, por que não me disse de cara as cores que queria?, pensou, descarregando a irritação chutando pedrinhas do caminho. Odeio o duque. Conforme a raiva crescia, passou a chutar também as folhas inocentes que encontrava pelo caminho.

Quando chegou de volta à cabana, já estava começando a sentir a cabeça rodar por causa do calor.

A cabana, originalmente um velho barracão de cais, havia sido reformada até se tornar um belo edifício que parecia flutuar sobre o rio. O primeiro andar abrigava o espaço de guarda das embarcações, herança do barracão original, e uma pequena cozinha onde se preparavam lanches simples. O segundo andar era o espaço privativo do duque, com sala de estar, quarto e sala de jantar.

Segurando a cesta cheia de rosas, Layla subiu a escada externa até o segundo andar. O mordomo e uma criada saíam justamente naquele momento. Cumprimentou-os e entrou apressada na sala de estar. Matthias continuava no mesmo lugar, sentado com os olhos fechados e a cabeça recostada para trás.

Devo esperar que ele acorde?, perguntou-se. Por sorte, ele logo abriu os olhos. Os cabelos levemente despenteados caíam sobre a testa.

— Trouxe as novas rosas, Vossa Graça — disse ela, erguendo a cesta. Matthias a fitou em silêncio. Com o paletó de equitação removido e os primeiros botões da camisa desabotoados, parecia muito mais vulnerável e lânguido do que antes.

— Devo... ir buscar outras de novo? — perguntou ela com cautela, a voz ligeiramente trêmula. Se ele me mandar voltar ao jardim pela terceira vez, vou atirar as rosas nele.

— Se eu dissesse que sim, você iria? — respondeu ele com uma voz levemente sonolenta.

— Se eu tivesse errado de novo, claro que teria que ir. Mas nesse caso, por favor, me diga exatamente as cores que deseja — respondeu ela. Pretendia responder com um simples "Sim, Vossa Graça", mas o que saiu da boca foi muito mais longo. Ficou paralisada, temendo ter sido indelicada.

Matthias a fitou por um momento, depois se endireitou na cadeira e disse:

— Sente-se. — Gesticulou para o lugar do outro lado da mesa.

— Não, Vossa Graça. Se o senhor estiver satisfeito com essas cores, então eu deveria...

— Já que trouxe as flores, não é seu dever colocá-las em um vaso, Lady Layla?

— Mas Vossa Graça, não tenho habilidade com arranjos florais.

— Então o senhor espera que eu faça isso? — perguntou ele, passeando o olhar pelo cômodo antes de devolvê-lo a ela. Era fácil compreender o que aquele gesto simples queria dizer: não havia mais ninguém na cabana além dos dois. Ou seja, cabia a ela colocar as flores no vaso, por mais que não tivesse jeito para isso.

Ela se aproximou com cautela. Sem coragem de sentar de frente para ele, escolheu uma cadeira perto da janela com vista para o rio.

Assim que começou a aparar os caules das rosas para arranjá-las, ele voltou ao monte de documentos sobre a mesa. O silêncio do cômodo foi aos poucos preenchido pelo som da tesoura de poda cortando os caules e das folhas de papel sendo viradas e reorganizadas.

Ao assinar o último documento, lembrou-se subitamente do pássaro no quarto da mansão. Apesar do aviso do tratador de que canários eram difíceis de domesticar, aquele em particular havia se mostrado muito obediente. Pousava prontamente no dedo de Matthias e cantava.

Com frequência, Matthias se via contemplando o passarinho minúsculo, admirado com a beleza do canto. Às vezes ele batia as asas e voava uma pequena distância, depois voltava ao dedo e recomeçava a cantar, como se conversasse com um amigo.

Enquanto ele organizava os documentos, Layla foi silenciosamente ao banheiro buscar um vaso com água. Movia-se com suavidade, como se não tivesse peso.

Quando voltou, ficou claro que não havia mentido sobre a falta de jeito com arranjos florais. As rosas pareciam ter sido enfiadas no vaso a esmo.

— Gostou, Vossa Graça? — perguntou ela, hesitante.

— É horrível — respondeu ele em um tom seco, sem soar nem chateado nem crítico.

Ela piscou, desconcertada, e as bochechas começaram a tomar cor.

— Me desculpe, Vossa Graça. Vou buscar uma criada que saiba fazer isso.

— Sente-se.

— Como?

— Sente-se, Layla — repetiu ele em uma voz mais baixa que só aumentou a pressão que ela sentia. O dedo apontava diretamente para o assento do outro lado da mesa. Ela pousou o vasto com vergonha em um aparador e sentou-se com rigidez onde ele indicava.

— Coma — disse ele, olhando agora para uma bandeja coberta por uma cúpula de prata.

Ela levantou a cúpula com certa dificuldade e encontrou um sanduíche e um copo de limonada.

Ele a observou em silêncio enquanto ela reagia com perplexidade. Sabendo que ela gostava de sanduíches, havia mandado preparar o lanche como pagamento pelo trabalho. Ainda que o resultado fosse deplorável, o fato era que ela havia prestado um serviço em lugar do jardineiro.

— Obrigada, Vossa Graça, mas estou bem — disse ela, recolocando a cúpula sobre a bandeja com a mão levemente trêmula. O rosto que sorria com tanta vivacidade ao lado do filho do médico estava agora tomado de perplexidade angustiada. — Se não precisar de mais nada, devo...

— Layla. — A voz era agora quase um sussurro.

Ela o fixou, piscando devagar.

Ele tomou um gole do drinque de uísque que tinha à frente. Gotas de condensação escorriam lentamente do copo de cristal pelos seus dedos.

— Você achou que isso era um pedido? — Os lábios úmidos esboçaram um sorriso.