Chore, Melhor Ainda se Implorar [Novel]

Após perder os pais aos 12 anos, Layla Llewellyn é passada de um parente indiferente para outro, até ser enviada para outro país. Ao chegar ao Império de Berg, ela fica sob os cuidados de Bill Remmer, um parente distante e ranzinza que parece não se importar com nada além do seu trabalho como jardineiro da renomada família Herhardt. Depois de anos de negligência, tudo o que Layla deseja é um lugar para chamar de lar, mas seus encontros com o charmoso Duque Matthias von Herhardt e o restante da alta sociedade trazem provações e tribulações para a jovem de coração terno.

Capítulo 68 - Disposta a Fazer Qualquer Coisa

Capítulo 68 - Disposta a Fazer Qualquer Coisa

Tradução: Amme

Capítulo 68

Disposta a Fazer Qualquer Coisa


— Você está chegando agora, Layla? — perguntou a cozinheira Mona, que andava de um lado para o outro em frente à cabana de Bill. — Como foi? Você foi ao escritório do advogado? O que ele disse?

Layla apenas sacudiu levemente a cabeça em resposta a cada uma das perguntas que Mona disparava.

Vários funcionários de Arvis, com pena de Bill, haviam reunido dinheiro suficiente para que Layla fosse secretamente a um escritório de advocacia e conversasse com um advogado sobre o caso. Ela havia agradecido profusamente antes de partir com uma expressão esperançosa. Agora, porém, o rosto estava tomado de desânimo.

— Pelo que ouvi — continuou Mona —, a Duquesa-viúva Herhardt quer perdoar tudo, mas a Lady Herhardt está sendo inflexível. Não entendo... Ele não fez de propósito, então por que não perdoam?

— Você acha que eu poderia me encontrar com a Lady Herhardt?

— Não sei se seria uma boa ideia, Layla. E que tal falar com o duque? Ouvi de uma das criadas da Duquesa-viúva que ela e a Lady Herhardt concordaram em deixar a decisão com ele.

Assim que ouviu aquilo, Layla ficou tonta e começou a cambalear.

Mona correu para ampará-la antes que caísse, depois a conduziu para dentro da cabana e a sentou em uma cadeira diante da lareira. — Honestamente, acho que é uma sorte para a gente que tenham deixado a decisão com o duque. Para esse tipo de incidente, acho que ele vai ser mais condescendente com o Bill do que a mãe ou a avó. Então não percamos a esperança ainda, Layla. — Deu uns tapinhas gentis nos ombros trêmulos dela. — Meu Deus, você está definhando. Desse jeito, vai ficar em pior estado do que o Bill em breve. Precisa comer alguma coisa. Trouxe alguns dos seus pratos favoritos.

— Obrigada, Mona. Vou comer... daqui a pouco — murmurou Layla.

Olhando para ela com pena, Mona soltou alguns suspiros antes de sair da cabana. Quando ouviu a porta da frente fechar, Layla escondeu o rosto nas mãos.

O advogado havia dado uma resposta ainda mais sombria do que o policial. Disse que se Bill tivesse sorte, talvez pudesse evitar uma pena de prisão, mas o processo civil seria longo e custoso. Acrescentou que, como seria impossível evitar a obrigação de pagar indenização à família Herhardt, seria imprudente entrar em uma batalha judicial com eles.

No fim, disse que a melhor saída era tentar conseguir que a família retirasse a queixa.

Teria de pedir à família Herhardt para retirar a queixa. Ou melhor, teria de pedir ao duque. De novo.

Já havia se passado três dias desde que havia ido vê-lo na cabana. Desde então, havia se debatido com o pensamento do acordo inominável que ele havia sugerido.

Mordendo nervosamente o lábio, se levantou e foi até a cozinha.

Não tinha energia nem para fazer uma xícara de chá, então simplesmente tomou alguns goles de água fria. Depois de mal comer ou dormir nos últimos dias, o corpo inteiro parecia vazio.

Por pior que estivesse, tinha certeza de que o tio Bill estava ainda pior. Quando o havia visitado na delegacia, parecia ter envelhecido vários anos. Doía o coração só de pensar nisso.

Sentou à mesa da sala de jantar em um estado de atordoamento. Com Kyle foi embora e o tio Bill preso, sentia-se mais solitária do que jamais havia sentido.

Não posso continuar vivendo assim, pensou. Então preciso salvar o tio Bill, de uma forma ou de outra. Mas a única maneira de fazer isso é concordando com o acordo que o duque sugeriu. Virou o assunto repetidamente na cabeça, mas não havia outra saída.

Cerrou os dentes e se levantou, mas não conseguiu dar um único passo antes de desabar de volta na cadeira. Pensou no jeito com que o duque havia olhado para ela, e o corpo inteiro começou a tremer de vergonha.

Se ele a tivesse olhado com desejo, não teria se sentido tão humilhada. Em vez disso, o olhar havia sido calmo e composto, e talvez levemente divertido. Conhecia bem aquele olhar. Era o mesmo que ele tinha no rosto quando ia caçar, e quando a atormentava cruelmente.

Tentou se levantar mais algumas vezes antes de por fim deixar a parte superior do corpo desabar sobre a mesa. Os olhos permaneceram secos, mas soltou uma série de gemidos pesarosos.

Mesmo que os outros a vissem como nada, ela valorizava muito a vida que havia construído para si. Havia trabalhado muito para chegar onde estava, e pretendia continuar assim, sem vergonha. Não podia deixar que a vida fosse pisoteada pelo desejo mesquinho de um homem.

Bem quando reafirmava essa decisão, porém, pensou no tio Bill. O que seria feito dele? Só de pensar o nome dele, voltava à estaca zero.

Logo escureceu. Ficou à mesa, sem erguer a cabeça por um longo tempo.



Quando Matthias havia lido e assinado o último documento, já era bastante tarde. — Pode ir — disse ao assistente.

Mark Evers recolheu os documentos em silêncio e saiu, deixando Matthias sozinho na cabana. Sempre havia passado uma boa parte do tempo na cabana, mas passava ainda mais do que de costume agora que a mansão estava sem eletricidade. Claro que esse não era o único motivo.

Layla viria vê-lo de novo naquela noite. Era uma intuição, mas estava razoavelmente certo de que estava certo. Ela havia passado alguns dias tentando encontrar outro caminho para salvar Bill Remmer. A essa altura, teria percebido que era o único jeito.

Na noite em que Bill havia sido detido por ter causado a explosão, Matthias havia visto Layla desabando no chão, chorando.

Naquele momento, soubera que havia encontrado uma maneira de aparar as asas daquele pássaro belo e impedir que fugisse. Tendo encontrado o caminho, estava colocando-o em prática. Era simples assim.

Claro que sabia que aquilo não lhe daria a felicidade que mais desejava. Mas antes de consegui-la, precisava garantir que ela ficasse perto. No final das contas, obteria a felicidade que desejava, mesmo que isso significasse ter de virar a ordem das coisas de cabeça para baixo.

Pegando a cigarreira da mesa, retirou um cigarro e o pousou entre os lábios, mas não o acendeu.

Toc toc toc.

Naquele instante, ouviu uma batida fraca na porta. Era uma batida hesitante e relutante.

Jogou o cigarro apagado no cinzeiro e se levantou devagar do sofá. Depois de um momento para se acalmar, foi até a porta e a abriu.

Um vento forte e frio entrou imediatamente. Parada no caminho daquele vento estava exatamente a pessoa que havia esperado — Layla.

Ficaram se olhando em silêncio por um momento. Se não fosse o movimento dos cabelos e das roupas dela esvoaçando no vento, poderia ter pensado que o tempo havia parado.

Por fim, deu um passo para trás para abrir espaço para ela entrar. Era uma noite de inverno invulgarmente fria, e mesmo assim ela nem estava com casaco. Ficou parada, tremendo, por um momento, depois cruzou a soleira.

O som da porta fechando e sendo trancada ecoou pelo ar gélido.



Ela foi até o lugar onde, alguns dias antes, havia implorado que retirasse a queixa contra Bill. Ficou parada com a mesma postura, mas com uma expressão completamente diferente no rosto. A confiança ingênua e a esperança haviam sumido, substituídas por medo e resignação. Mesmo assim, Matthias continuou a simular respeito, sentando de pernas cruzadas no sofá como havia feito na vez anterior.

Depois de algumas respirações fundas, ela perguntou: — Vossa Graça, eu não sou nada para o senhor, não é?

Ele deu uma risadinha com o tom desanimado dela. — Não é. E daí?

— Bom, se o senhor está disposto a manchar a própria reputação por causa da lascívia por uma mulher que não é nada... isso não vai prejudicar o nome do senhor? Não parece um acordo favorável. — Os olhos pareceram se iluminar levemente. — Então por favor, peça outra coisa. Qualquer coisa. O que for, faço. De verdade.

— Layla — disse ele em um tom de escárnio —, minha família tem um castelo em uma estância no sul de Berg.

Aquele comentário abrupto fez os olhos dela oscilarem.

— O castelo era famoso em todo o império pela beleza, então meu avô o comprou. Para a amante dele. Ela viveu no castelo, recebendo a afeição do meu avô até que por fim faleceu.

— Vossa Graça...

— Meu pai era apaixonado por música. Por isso gostava de passar tempo com mulheres talentosas na arte. O relacionamento mais longo que teve com uma amante foi com uma soprano famosa. Até minha mãe gostava dela. Era uma cantora extraordinária. — Afundou por um momento nas lembranças, depois olhou para Layla de novo. — Agora, precisa que eu lhe fale sobre a reputação desses homens?

O tom amigável com que dizia tudo aquilo fez Layla perder o último traço do espírito de luta. Não precisava que ele lhe falasse das reputações deles. Já sabia. Como não saberia?

Mesmo após a morte, os dois duques anteriores continuavam famosos e altamente respeitados em toda a cidade.

— De qualquer forma, obrigado pela preocupação, mas não estou preocupado com a minha reputação. Bom, você decidiu? — perguntou, erguendo o olhar do peito dela, que subia e descia rapidamente com a respiração, até os olhos atordoados.

Ela olhou para trás algumas vezes, depois por fim encontrou o olhar dele. — S-só... só uma noite, certo?

Já havia resolvido aceitar a proposta no momento em que havia decidido voltar à cabana. Vinha se agarrando a um fio de esperança de que houvesse outro caminho, mas parecia que não havia. Não era nada para ele, e ainda assim era muito orgulhosa da própria vida.

Mas aparentemente nem era suficientemente significativa para manchar a reputação dele.

Ao perceber isso, sentiu-se um pouco melhor. Não precisa ser algo de grande importância, pensou. Vai ser como ter caído de uma árvore e se machucado. Só que os ferimentos, infelizmente, serão bastante fundos. Mas ferimentos acabam cicatrizando, e vou conseguir me levantar, sacudir a poeira e seguir em frente. Não importa o que aconteça.

Enquanto tentava se preparar, um sorriso se abriu no rosto de Matthias. — Eu disse, Layla. Não aceito acordos dos quais não obtenho nada. Você realmente acha que uma única noite é suficiente para compensar todo o estrago que o seu tio causou?

— Então está dizendo que... realmente pretende me tomar como amante?

Ele simplesmente continuou a sorrir para ela sem dizer nada em resposta.

Por fim ela não aguentou mais. Se virou e começou a caminhar em direção à porta. Mas depois de apenas alguns passos, parou.

Sabia que se saísse da cabana agora, a última esperança desapareceria. O tio Bill iria para a prisão, e haveria um longo e árduo processo civil. Mesmo depois de tudo acabar, nunca conseguiriam voltar à vida que levavam antes.

Cerrou os dentes e se virou de volta na direção dele. Tendo antecipado tudo aquilo, ele estava sentado no sofá, observando-a com calma.

Sim, ela pensou. É exatamente esse tipo de pessoa que ele é. Vai destruir a vida de alguém de bom grado para conseguir o que quer. E nem vai se sentir mal com isso. Vai me usar para se divertir e depois me descartar, como um dos pássaros que ele abate e deixa para morrer.

Enquanto o fulminava com os olhos cheios de lágrimas, ele deu uma risadinha e se levantou do sofá. Ela não podia fugir, e mesmo assim se horrorizava com a ideia de ficar onde estava. Por fim desabou no chão. Completamente indiferente, ele caminhou até ela e foi de joelho ao chão.

— ...!

Quando começou a desabotoar o botão de cima da blusa, ela reflexivamente cobriu os outros botões com as mãos e recuou.

— Layla — disse ele. A voz era quieta e fria, mas o hálito queimava na bochecha dela. — Você disse que estava disposta a fazer qualquer coisa. — Sorriu e roçou com delicadeza o dedo no dorso da mão com que ela segurava a blusa. Depois agarrou o queixo com força e fez a cabeça virar. — Se não quiser, ali está a porta. — Em seguida a soltou como se lhe dissesse que a escolha era inteiramente dela.

Ela odiava o que ele estava fazendo — encurralá-la a fazer o que queria enquanto fingia que lhe dava livre escolha. Sentia como se ele estivesse pisoteando o coração.

— Nunca vou te perdoar por isso — murmurou enquanto frouxamente soltava a blusa.

— Bom, isso é com você — respondeu ele, dando uma risadinha. Agarrou a blusa com as duas mãos e a rasgou aberta. Vários botões saltaram e se espalharam pelo chão.

Enquanto era empurrada para o chão, ouviu um sussurro suave.

— Estou ansioso, Layla.

Queria gritar impropérios para ele, mas não conseguia. Antes que percebesse o que estava acontecendo, os lábios dele já estavam pressionados contra os seus.

A língua se abriu caminho na boca dela e as respirações se misturaram. Tentou se afastar, mas foi inútil. O corpo dele a imobilizava com uma força avassaladora.

A experiência foi se tornando fragmentada. Ouviu os sons úmidos das mordidas e sucções. Sentiu a sensação viscosa da saliva escorrendo pelo queixo, e a força e o calor das mãos grandes enquanto puxavam a saia para cima e tiravam as meias das ligas. O som das respirações aceleradas e dos gemidos perturbou o silêncio da noite. Logo ele usou a força superior para afastar os joelhos dela. Retirou a saia e a calcinha de uma vez e as jogou de lado, depois se instalou entre as pernas dela.

— Linda — disse ele, como se estivesse admirando a própria criação.