Tradução: Amme
Capítulo 60
Não Vou Te Machucar
Quando as costas tocaram a superfície macia da cama, Layla percebeu onde estava e o que estava prestes a acontecer. — N-não! Vai embora! Para! — gritou, se debatendo, ignorando a dor pelo corpo inteiro. Os lençóis impecáveis da cama raramente usada amassaram imediatamente.
— Fique quieta — disse Matthias, agarrando o braço dela. Era o braço machucado. Ela gritou de dor. Ele franziu o cenho e a soltou.
Ela imediatamente encolheu o corpo para se afastar, quase caindo da cama no processo. Ele rapidamente a puxou de volta para impedir que caísse, ao que ela voltou a se debater.
— Me solta! Me solta! — gritou.
— Se continuar se agitando assim, a dor só vai piorar — disse ele.
— Não! Não! Não! — gritou ela, tentando empurrá-lo.
A resistência obstinada dela irritava os nervos. Percebeu então que estava descontando a raiva nela, quando a pessoa com quem realmente estava bravo era seu miserável primo, Riette von Lindman.
Fez uma pausa para se acalmar, e ela imediatamente se afastou. Enquanto a observava rastejar desesperadamente pelos lençóis amarrotados da cama para escapar dele, soltou uma risadinha que soava quase como um suspiro.
Estava apenas preocupado com o corpo machucado dela. Sentia que a conhecia bem o suficiente para saber que ela nunca contaria ao Bill Remmer sobre o acidente ou os ferimentos. Aquilo o havia preocupado, então havia trazido remédios e ataduras para a cabana.
Depois havia escrito aquele bilhete patético e amarrado à pata do pombo para atraí-la à cabana.
Riu de novo. Ela havia chegado à beira da cama. Antes que pudesse sair, porém, ele a ergueu e a colocou de volta no meio. Fez tão rápido que ela não teve tempo de gritar.
— Por favor, não faça isso — implorou ela, lutando em vão para se soltar.
Ele ficou sobre ela, imobilizando a cintura, e prendeu os braços. Ela continuou a se contorcer por um momento como uma borboleta viva presa e se debatendo na parede, antes de uma horrível sensação de impotência se apoderar dela e ela começar a soluçar. — Ai... dói... — Não estava mentindo. Mesmo paralisada de medo, a dor nas costas e no ombro continuava a aumentar. — Vossa Graça, está me machucando. — Olhando para o rosto do duque com os olhos encharcados de lágrimas, seus soluços foram crescendo.
Como se saboreasse a cena, ele simplesmente ficou olhando para ela de cima sem se mover. Inclinando levemente a cabeça, perguntou quietamente: — O Riette te tocou?
Ao falar, a franja comprida balançou, revelando os olhos azul-profundo.
Mesmo no meio do desespero dos soluços, ela reflexivamente sacudiu a cabeça. Odiava o que o Marquês Lindman havia feito, e odiava que o duque tivesse descoberto. — Ele não me tocou... Ele se aproximou e ficou me provocando... então fugi com medo... Foi só isso.
Matthias ouviu com atenção as palavras vacilantes dela. Ela foi se acalmando, depois voltou a soluçar com mais força, depois se acalmou de novo. Exausta, ficou olhando para o nada, fungando de vez em quando, o rosto coberto de lágrimas reluzindo.
Ainda segurando os braços dela, deslizou gradualmente as mãos em direção às mãos pequenas e as agarrou com delicadeza.
— Fica quieta, Layla.
Conforme os dedos dele foram lentamente entrelaçando os dela, o corpo frouxo se contraiu e ficou rígido de medo.
Baixando levemente a cabeça, ele sussurrou: — Não vou te machucar.
Ela ponderou quietamente a situação em que se encontrava. Havia um homem sobre ela. Ela estava sendo imobilizada com firmeza. Os dois estavam sozinhos em uma cabana remota à beira do rio. Considerou tentar empurrá-lo e correr até a porta, mas rapidamente percebeu que não conseguiria escapar. Aquilo só intensificou o desespero que sentia.
— É verdade...? — perguntou, mesmo sabendo que soava tola.
Naquele momento, por mais ridículo que parecesse, sua única esperança era o duque. Ele havia agora completamente soltado as mãos dela e simplesmente olhava para ela. Sua única esperança era que ele pudesse lhe mostrar alguma pequena misericórdia.
Quando ele não respondeu à pergunta, ela o olhou com um olhar sincero. Havia parado de chorar, mas as pestanas úmidas ainda tremiam.
Ele ficou contemplando o rosto dela por mais algum tempo, depois assentiu.
Ela soltou um suspiro de alívio.
Enfiou a mão no bolso do paletó e retirou o lenço.
Mesmo com os braços agora livres, ela ficou imóvel, fitando-o com atenção na esperança de que ele se lembrasse da promessa.
Começou devagar a enxugar as lágrimas do rosto dela com o lenço. Sobressaltada, ela tentou se virar, mas ele agarrou o queixo e a manteve de frente. Os olhos esmeraldinos estavam ainda mais belos assim, úmidos.
Enxugou o suor da testa e da raiz do cabelo, depois saiu de cima dela e se levantou. Depois de ficar imóvel como uma estátua enquanto ele limpava o rosto, ela agora deslocou o olhar com cautela.
Ele pegou uma caixa da mesinha de cabeceira e se virou para ela. Era um kit de primeiros socorros. — Deixa eu ver seus ferimentos — disse, sentando na beira da cama.
Ela sacudiu a cabeça. — Estou bem. Não estou ferida.
— Você disse que estava com dor.
— Foi porque... — Deixou a frase no ar e desviou o olhar.
Em vez de fazê-la se virar de novo, ele desabotoou o botão de uma das mangas da blusa e a dobrou rapidamente até o cotovelo. Ela agitou o braço tentando fazê-lo parar.
— Então não é o braço — disse ele em tom neutro. Em seguida agarrou a barra da saia, que já estava acima dos joelhos, e fez menção de levantá-la mais.
— M-minhas costas! São as costas que doem! — gritou ela urgente, com medo de que do contrário ele a despisse completamente para encontrar os ferimentos. — O ombro e as costas estão um pouco machucados. Mas o senhor não precisa —
— Tira a blusa — disse ele.
Ela se sentou assustada e sacudiu a cabeça, mas ele não ia aceitar uma recusa.
— Se não quer que eu veja, vou chamar um médico. — Ele a olhou com os olhos semicerrados enquanto tamborilava na caixa de primeiros socorros com os dedos. — O Dr. Ettman, especificamente.
Ao ouvir aquilo, ela sacudiu a cabeça com ainda mais veemência.
Preferiria se jogar no rio a deixar o pai de Kyle vê-la deitada na cama do duque naquele estado.
— Faz sua escolha, Layla — disse ele com voz gentil e amável. — Pode tirar a blusa, ou pode ver o Dr. Ettman. É você que decide.
Mesmo tendo apenas uma opção real, Layla ficou em silêncio por um longo tempo.
Matthias esperou de bom grado, apesar da monotonia.
Gostava de observar os olhos dela enquanto o observavam. Estavam úmidos de lágrimas, e ainda assim cheios de uma determinação de não chorar de novo. Eram belos e tinham um olhar suplicante que continha ao mesmo tempo confiança e dúvida temerosa.
De repente ela fechou os olhos e disse uma única palavra:
— Promessa...?
O duque faria o que quisesse para conseguir o que queria. Sabia disso bem. Já havia feito isso muitas vezes no passado, e tinha certeza de que faria agora também. Todas as tentativas de resistir só prolongariam o tempo que teria de suportar com ele, mesmo que isso significasse suportar a pior coisa que pudesse lhe fazer.
Ao sentir de novo a total impotência, mais uma vez desabou em lágrimas. Desta vez sem emitir nenhum som, chorou silenciosamente, as lágrimas escorrendo sobre a blusa. Ele continuou a se recustar e a olhar para ela.
Deve estar feliz, ela pensou, me vendo chorar de novo assim. Mordendo o lábio e tentando conter os fungos, se virou de costas para ele.
As lágrimas foram engrossando enquanto começava a desabotoar a blusa. Queria esconder as lágrimas dele, mesmo que não pudesse esconder mais nada, então baixou a cabeça ao tirar a blusa.
Não demorou muito para o tecido liso deslizar sobre a pele ainda mais lisa, mas para ele pareceu uma eternidade. Absorveu cada minúsculo detalhe — o pescoço e os ombros frágeis e esguios, a curva suave da espinha, e os hematomas manchando a pele pálida.
Ficou fitando as costas machucadas e inchadas por um longo tempo. Conseguia entender por que estava chorando e dizendo que estava com dor. Os hematomas escuros que profanavam a pele branca iam da omoplata até a cintura.
A maçã do Adão se moveu enquanto ele engolia em seco. Ficou chocado ao ponto da pena ao pensar nela se levantando do acidente naquele estado e pedalando de volta em sua bicicleta.
Você teria escondido esses hematomas e sofrido sozinha se eu tivesse deixado, ele pensou. Ao contemplar isso, uma sensação forte semelhante à raiva brotou dentro dele. Para se livrar da emoção, estendeu a mão em direção às costas cobertas de hematomas.
Ela soltou um grito no instante em que ele a tocou. — Ah...!
— Me diz se há algum ponto que dói mais do que os outros — disse ele enquanto tentava tocar cada osso e músculo para verificar os ferimentos.
Cada vez que ela gemia, ele parava e esperava. Por sorte, ela ainda conseguia mover os ombros e os braços. As costelas e a espinha também pareciam ilesas. O cenho franzido foi se desfazendo com alívio ao confirmar isso.
Pensou em dizer o nome dela, depois mudou de ideia e envolveu a mão em volta da articulação do ombro esquerdo. Ela tremia, com a cabeça ainda baixa.
Como se estivesse consolando um animal pequeno e assustado, acariciou o corpo machucado dela com gentileza. À vista, ela parecia tão esguia que se havia perguntado se estava se alimentando bem, mas ao toque o corpo parecia saudável e flexível. Dominado pelo quanto ela parecia pequena e indefesa, o nome escapou quietamente dos lábios: — Layla.
Ela se contraiu e ergueu a cabeça ao ouvir o próprio nome. Havia um grande espelho de moldura dourada pendurado na parede acima da lareira. Ao erguê-la, viu o próprio reflexo naquele espelho e foi tomada pela vergonha.
Então o duque olhou para o espelho e os olhares se cruzaram.
Eram os mesmos olhos azuis que havia visto inúmeras vezes antes, e mesmo assim agora pareciam diferentes e desconhecidos. Portanto, mesmo estremecendo de apreensão, não desviou o olhar.
Continuou a olhar nos olhos dele por um longo tempo, perguntando-se durante todo o tempo por que não sentia o impulso de desviar. Pareciam puros e inocentes.
Ele soltou uma risadinha de autoescárnio e desviou o olhar de volta para o ombro machucado dela.
O corpo estava ficando quente, e os lábios começavam a secar. Só quando ergueu o olhar e a viu de novo no espelho percebeu que havia sido ele a desviar os olhos, não ela. Era a primeira vez que aquilo acontecia em todos os anos em que a conhecia.
Droga... pensou, enquanto o corpo continuava a esquentar. Sentia vontade de suspirar, mas em vez disso baixou a cabeça em direção ao ombro dela e o beijou.
Talvez tivesse feito aquilo para se livrar das sensações estranhas que brotavam dentro dele. Talvez para suavizar os ferimentos dela. De qualquer forma, não era o tipo de coisa que normalmente faria, mas não ligou.
Enquanto ela lutava para afastar o corpo, ele sussurrou suavemente no ouvido dela: — Está tudo bem. — A voz não soava como de costume. Era mais suave e mais intensa.
Incapaz de suportar olhar mais para o espelho, ela desviou os olhos rapidamente. Viu então a mão grande dele segurando a cintura nua. Tentou se soltar do aperto, mas foi inútil. Ele agarrou a mão dela com firmeza e continuou a beijar o corpo dela com cuidado.
Ela fechou os olhos.
Os lábios e o hálito dele contra as feridas que doíam eram suaves como uma pena.
