Chore, Melhor Ainda se Implorar [Novel]

Após perder os pais aos 12 anos, Layla Llewellyn é passada de um parente indiferente para outro, até ser enviada para outro país. Ao chegar ao Império de Berg, ela fica sob os cuidados de Bill Remmer, um parente distante e ranzinza que parece não se importar com nada além do seu trabalho como jardineiro da renomada família Herhardt. Depois de anos de negligência, tudo o que Layla deseja é um lugar para chamar de lar, mas seus encontros com o charmoso Duque Matthias von Herhardt e o restante da alta sociedade trazem provações e tribulações para a jovem de coração terno.

Capítulo 58 - Brinque Comigo

Capítulo 58 - Brinque Comigo

Tradução: Amme

Capítulo 58

Brinque Comigo

Uma risada oca escapou dos lábios finos da diretora. Layla estava sentada do outro lado, olhando para ela com uma expressão educada mas confiante.

— Está falando sério, senhorita Llewellyn?

— Sim. É o que quero fazer.

A seriedade da resposta sugeria que o pedido era mais do que um pensamento passageiro. Afinal, estava se voluntariando para ser transferida para uma escola em um lugar distante. Não era do tipo que tomava tal decisão de forma impulsiva.

— Não entendo — disse a diretora. — Esta escola não é a mais próxima da sua casa?

Layla, a jovem professora que pedalava a bicicleta para a escola todos os dias, ainda era novata, mas se esforçava muito e melhorava rapidamente. Mesmo que a diretora ocasionalmente encontrasse falhas no trabalho dela, de modo geral estava satisfeita com o desempenho.

E considerando as circunstâncias, parecia que a escola em que ensinava atualmente era a melhor para ela em vários aspectos.

— Não há vagas para novas professoras nas outras escolas de Karlsbar — disse a diretora. — Isso significa que teria de se deslocar até outra cidade se quiser mudar de escola. Entende isso, não é?

— Sim.

— Se tiver algum problema com esta escola, por favor me diga. Se for algo que pode ser resolvido, ficaria feliz em fazê-lo.

— Não, não é nada disso. Todos aqui me trataram bem, e adoro meus alunos. Só...

— Só o quê?

Ela hesitou por um momento, depois deu a resposta que havia preparado. — Só quero ampliar horizontes e ter a experiência de uma cidade maior.

A diretora deu uma risadinha novamente. Era natural que o fizesse. Afinal, entre as cidades do Império de Berg, Karlsbar era uma das maiores e mais prósperas — tão desenvolvida quanto a capital. Layla, porém, não havia conseguido pensar em uma desculpa melhor.

Por sorte, a diretora não questionou mais. Assentindo, disse: — Há muitas professoras procurando vagas em Karlsbar, então não será difícil encontrar uma substituta. Mesmo assim, aconselho a pensar bem antes de decidir. Tem até o próximo semestre para mudar de ideia.

Layla já havia pensado bem e estava bastante certa de que a ideia não mudaria, mas aceitou o conselho da diretora com graça. Depois de sair do escritório e voltar para a sala de aula, soltou um longo suspiro.

Os alunos já haviam ido para casa, então a sala estava vazia.

Recostou-se na parede ao lado da janela. O carvalho lá fora havia perdido quase todas as folhas. A sombra dos galhos esguios se estendia pela janela e caía sobre a testa dela.

Depois de vários dias em que estivera muito distraída e cometido muitos erros tolos no trabalho, mal conseguindo dormir, havia finalmente tomado uma decisão: Devo deixar Arvis.

Por mais que prezasse a vida com o tio Bill, perder Kyle lhe havia ensinado uma lição. Havia aprendido que às vezes tentar segurar algo podia causar mais dano do que valia a pena.

Portanto, havia decidido voltar ao plano original.

Se conseguisse uma vaga de professora em uma cidade vizinha, ainda poderia ver Bill nos fins de semana. Ficar em uma pensão custaria dinheiro, o que poderia significar esperar ainda mais antes de poder ir para a faculdade. Isso ela aceitava, porém, se significasse poder sair de Arvis e se livrar do duque.

— Vai ficar tudo bem — murmurou com um sorriso melancólico enquanto caminhava até a escrivaninha.

Pensando na infância remota, quando havia perdido os pais e sido passada de casa em casa entre os parentes, sentiu-se confiante de que agora podia suportar qualquer coisa. Era adulta e tinha o amado tio Bill, então tudo ficaria bem. Sim, vai ficar tudo bem.

Sem pensar, começou a esfregar os lábios com o dorso da mão. Depois colocou o casaco e pegou a bolsa.

Olhando dentro da bolsa, franziu a testa ao ver o lenço do duque, que estava lá havia vários dias. Sacudiu a cabeça para se livrar da má sensação, e saiu. Lá fora, montou na bicicleta e começou a pedalar no ritmo vivo de sempre.

Riette a avistou ao dobrar na estrada que levava a Arvis.

Ela estava parada com as mãos atrás das costas ao lado da bicicleta encostada em uma árvore. Parecia estar esperando alguém. Quem poderia ser esse alguém?

Com a sensação de que sabia a resposta, Riette sorriu e encostou o carro no lado da estrada. Layla, que havia estado batendo o pé enquanto esperava, virou a cabeça na direção dele. Ao ver um rosto diferente do que esperava, recuou desconfortavelmente.

— Olá, senhorita Llewellyn — disse Riette, recostando-se na porta do carro com um sorriso.

Layla olhou ao redor freneticamente, depois deu mais um passo para trás. Depois de uma longa pausa, respondeu nervosa: — Olá, Marquês Lindman.

— O que está fazendo aqui?

Ela franziu a testa, tentando pensar em uma resposta, mas acabou ficando em silêncio.

Tomando o silêncio como confirmação de seu palpite anterior, Riette riu de novo. — Não pode ser o filho do médico, já que não mora mais por aqui. Seria o Duque Herhardt, então?

Layla ergueu a cabeça e o olhou. O embaraço e a vergonha que sentia eram visíveis nos olhos franzidos e nas bochechas cada vez mais vermelhas.

— Estou falando do homem que está esperando, senhorita Llewellyn. É o Matthias, não é? — Aproximou-se e ficou diretamente na frente dela com as mãos atrás das costas.

A mão suada de Layla apertou com força a alça da bolsa. Estava ali para devolver o lenço do duque. Sentia como se estivesse carregando uma bomba prestes a explodir. Não havia querido visitar o duque na mansão, então havia decidido esperar por ele naquele ponto da estrada.

— Por que não responde? — perguntou Riette. — Ah. Deve ser porque acertei em cheio.

— Por favor, se afaste, Marquês Lindman — disse ela, colocando a bolsa atrás das costas para escondê-la enquanto começava a se afastar.

No entanto, Riette rapidamente se pôs na frente dela de novo, bloqueando o caminho. — Indo embora tão cedo? Mas ainda não se encontrou com o Matthias.

— Por favor, saia da minha frente!

— Sabe para onde foi o duque que estava esperando com tanta paciência? — Riette estralou a língua com pesar enquanto pousava a mão no ombro dela. — Lamento ter de lhe dizer isso, senhorita Llewellyn, mas o Duque Herhardt foi buscar a noiva.

Riette havia inicialmente pretendido apenas provocar Layla levemente, mas ela estava começando a irritá-lo. Conseguia perceber que ela não fazia ideia de onde ele estava e estava esperando na beira da estrada na esperança de que passasse por ali eventualmente. Aquilo lhe parecia ao mesmo tempo irritante e patético, mas logo começou a sentir pena dela ao perceber que a situação dela era semelhante à sua.

Quando soubera que Claudine visitaria Arvis e Matthias iria buscá-la, havia acenado um tchau e depois tomado emprestado um dos carros dos Herhardt para dirigir sem rumo. Perguntou-se se ela sentia a mesma solidão que ele. Aquilo lhe deu uma espécie de afinidade com ela.

Conforme ela tentava virar e passar por ele, ele se pôs na frente de novo e agarrou o guidão da bicicleta. — Você não acha o Matthias um pouco... entediante? — perguntou. — Basicamente está te tratando como se você fosse a amante dele.

— Q-que...?

— A amante. O quê? É um termo rude demais? — perguntou ele, sorrindo ao observar a expressão chocada dela. — Me desculpe se a ofendi, senhorita Llewellyn.

— Larga minha bicicleta!

— Devo dizer, porém, que também me sinto um pouco ofendido. Já que gosta tanto do filho do médico e do Duque Herhardt, não posso deixar de ficar um pouco magoado por não gostar de mim. — Soltou o guidão e, enquanto Layla estava distraída, agarrou a bolsa dela.

O rosto empalideceu e ela veio na direção dele tentando recuperar a bolsa.

— Não entendo. O que há de errado comigo? — Ergueu a bolsa acima da cabeça. — Não sei quanto ao filho do médico, mas tenho certeza de que sou mais divertido do que o Matthias.

— Me devolve minha bolsa!

— E o Matthias e eu nos parecemos bastante. Não acha? E embora não tenha a riqueza da Casa Herhardt por trás de mim, sou bem-sucedido o suficiente para a deixar feliz, senhorita Llewellyn.

Determinada a recuperar a bolsa, Layla ousadamente começou a tentar alcançar os braços dele. Os lábios cerrados tremiam.

— Deveria deixar o duque entediante passar o tempo com a igualmente entediante noiva e brincar comigo, senhorita Llewellyn.

Ela continuou a tentar freneticamente recuperar a bolsa, como se houvesse algum tesouro valioso dentro.

Ele por fim a devolveu, rindo. Ela abraçou a bolsa protetoramente, depois subiu rapidamente na bicicleta e começou a pedalar para longe sem perceber que ia na direção errada, para o lado oposto a Arvis. Também não percebeu, ou não quis reconhecer, que um dos sapatos havia caído.

— Me desculpa, senhorita Llewellyn. Vou ser bonzinho! — gritou ele.

Apesar do apelo, ela não parou de pedalar. Pelo contrário, começou a pedalar ainda mais rápido.

Riette soltou um suspiro, depois pegou o sapato do chão e começou a correr atrás dela. Ela dobrou uma esquina, e logo em seguida ouviu um rangido metálico, seguido pelo baque surdo de uma colisão.

Correu em direção ao som e encontrou uma jovem encolhida no chão, na frente de um carro preto parado. A jovem, claro, era Layla.

Enquanto Riette ficava parado olhando, as pessoas começaram a sair do carro. Primeiro o motorista e Mark Evers correram para ver como Layla estava depois do impacto. Depois Matthias e Claudine saíram dos bancos traseiros.

— Meu Deus! Layla! — gritou Claudine.

Matthias olhou para Layla, que ainda apertava a bolsa contra o peito enquanto estava no chão, depois deslocou o olhar para Riette, que estava a alguns passos, iluminado pelos faróis do carro.

Por sorte, não foi um acidente sério. Apesar de ter sofrido um impacto considerável e caído no chão, Layla conseguiu se levantar sozinha. Quando perguntaram se queria ser levada ao hospital, sacudiu a cabeça obstinadamente.

Depois de confirmar que estava em boas condições para pedalar, Matthias encerrou o alvoroço. — Devemos ir também — disse com calma ao restante do grupo, que olhava preocupado na direção em que Layla havia ido. Parecia completamente indiferente ao motivo de Layla estar pedalando ali na estrada, ou ao motivo de Riette estar atrás dela.

— Sim, vamos — respondeu Claudine, lançando um olhar rápido a Riette.

E foi só isso. Matthias e Claudine voltaram para o carro, enquanto o Riette com ar envergonhado voltou para o carro, estacionado no começo da Estrada Platanus. Os dois carros logo ultrapassaram Layla e passaram pelo portão de Arvis.

— Parece que ela levou um baque considerável. Foi muita sorte não ter se machucado — disse Claudine, suspirando enquanto olhava pela janela.

Normalmente era bastante calma, mas havia se assustado muito quando Layla apareceu do nada, parecendo um animal fugindo de um predador antes de ser atingida pelo carro.

Quando então viu Riette aparecer com um dos sapatos de Layla na mão, havia lutado para não deixar as emoções transparecerem no rosto. Nunca havia achado que Riette pudesse ser tão impulsivo e precipitado.

Virou-se para examinar o rosto de Matthias em busca de alguma reação.

Porém, ele não demonstrava nenhuma emoção. Não demonstrava nenhuma preocupação com Layla, nem com o homem que a havia feito se machucar.

Tinha no rosto a mesma expressão neutra de sempre.

Refletindo sobre aquilo, Claudine começou a sentir pena de Layla. Naquele instante, o carro parou na frente da mansão.