Chore, Melhor Ainda se Implorar [Novel]

Após perder os pais aos 12 anos, Layla Llewellyn é passada de um parente indiferente para outro, até ser enviada para outro país. Ao chegar ao Império de Berg, ela fica sob os cuidados de Bill Remmer, um parente distante e ranzinza que parece não se importar com nada além do seu trabalho como jardineiro da renomada família Herhardt. Depois de anos de negligência, tudo o que Layla deseja é um lugar para chamar de lar, mas seus encontros com o charmoso Duque Matthias von Herhardt e o restante da alta sociedade trazem provações e tribulações para a jovem de coração terno.

Capítulo 45 - A Professora Princesa

Capítulo 45 - A Professora Princesa

Tradução: Amme

Capítulo 45

A Professora Princesa

— Aq-aquele é o pai da senhorita Llewellyn? — perguntou um menino com voz nervosa.

— Claro que não! Não se parecem em nada! — respondeu uma menina ainda menor, chorosa.

As outras crianças reunidas atrás de Layla reagiram de forma semelhante, recuando assustadas ao ver Bill e logo se escondendo atrás da professora.

Bill estava acostumado com aquela reação e não ligou. Achava crianças bagunceiras irritantes, mas havia concordado em passar o dia com elas a pedido de Layla e em guiá-las pela floresta para a excursão especial. Já podia perceber que não seria um trabalho fácil.

— Bom, crianças, este é o tio Bill, e ele é um homem muito gentil — disse Layla, tentando acalmar o medo dos alunos.

Bill soltou um sorriso de dentes. A menina chorosa explodiu em prantos ao ver aquilo.

— Droga! O que eu fiz para —

— Tio Bill! — sussurrou Layla, cortando as palavras de Bill antes que xingasse. Em seguida, se agachou diante da menina que chorava e a abraçou.

Bill, preocupado que sorrir ou franzir a testa pudesse assustar ainda mais as crianças, as encarava com uma expressão ambígua.

Quando a menina parou de chorar, Layla continuou a falar com o grupo. — O tio Bill é um homem muito gentil, e vai nos mostrar a floresta. Ela está cheia de flores e árvores diferentes, e vamos aprender sobre elas com ele. Parece divertido, não é?

Os rostos das crianças pareciam céticos, mas assentiam obedientemente.

Que bando de pestinhas chatas, pensou Bill. Sacudindo a cabeça, tomou a frente e começou a caminhar pela trilha da floresta.

Layla e as crianças o seguiram logo atrás.

— Olhando assim, você tinha mais ou menos a idade delas quando chegou aqui pela primeira vez — disse Bill, sorrindo com carinho ao lhe ocorrer o pensamento.

— Não, tio Bill. Essas crianças têm todas menos de dez anos — respondeu Layla, levemente carrancuda. — Eu tinha onze quando cheguei, e doze logo depois. — As palavras soavam despreocupadas, mas o rosto e o tom eram sérios. Muito parecido com quando era pequena e ficava na ponta dos pés para dizer a idade.

Bill deu uma risadinha calorosa, igualzinho àquela época. Aquecia o coração olhar para a Layla adulta e ver traços da menininha que tanto odiava ser chamada de baixinha.



Matthias voltou à propriedade por volta de uma da tarde. O carro passou pela mansão e tomou o caminho que levava à cabana à beira do rio. O assistente e o motorista ficaram surpresos com o comando incomum, mas quando se lembraram de que as crianças da escola da aldeia estavam tendo a excursão naquele dia, fez mais sentido. Esse tipo de evento beneficente era principalmente da alçada da mãe e da avó, mas não havia razão para o duque não aparecer também.

Emergindo da floresta, o carro foi recebido pela luz brilhante do sol quando chegou à beira do rio. Seguiu pelo caminho às margens, com as cores magníficas das folhas de outono de um lado e a superfície cintilante do rio do outro. Arvis ostentava cenários magníficos nas quatro estações, mas todos reconheciam que era mais belo no outono.

A vista pela janela do carro parecia estranha a Matthias, embora fosse sua própria propriedade. Estava acostumado a ver Arvis coberta de folhagem verde e exuberante no verão ou de neve no inverno. Quando tinha doze anos, o pai havia morrido e ele o sucedeu como duque. No fim daquele verão, começou a frequentar um internato na capital. A partir de então, passara as primaveras e os outonos em Ratse e os verões e os invernos em Karlsbar. A vida havia se dividido entre duas cidades.

— Faz muito tempo que o senhor não está em Karlsbar no outono, não é mesmo, Vossa Graça? — perguntou o motorista, ao notar que ele olhava com tanta atenção pela janela.

— Faz, sim — respondeu com um sorriso que lembrava o sol de outono.

Recordou o último outono que havia passado em Arvis, quando tinha onze anos. Muito tempo havia se passado desde então, mas a vida não parecia especialmente diferente agora.

Havia sido criado desde o nascimento como herdeiro da família. Por isso, havia se tornado o Duque Herhardt. Acontecera mais cedo do que o esperado, mas ainda era um dos degraus predestinados da sua vida.

O futuro provavelmente continuaria a se desdobrar de maneira previsível. Ele e Claudine teriam um filho que levaria uma vida semelhante como o futuro Duque Herhardt, assim como a vida de Matthias havia se parecido com a do pai.

Por fim, desviou o olhar da paisagem outonal desconhecida, e o carro parou no cais onde ficava a cabana. Assim que o motorista abriu a porta traseira, o som das crianças rindo e brincando invadiu o carro.

Matthias saiu do carro e olhou na direção de onde vinha o som. As crianças que havia visto pela manhã caminhavam pela margem do rio.

O olhar passou pelo jardineiro que vinha atrás delas e pousou em Layla, que sorria tão radiante quanto a luz do sol naquela tarde de outono. Logo ela também o notou. Usava uma blusa de gola larga e rendada e uma saia cor de bordo. Era um conjunto perfeito para uma professora. Claro que o porte era um pouco desajeitado, excetuando o conjunto.

Abotoando o paletó, Matthias avançou a passos largos pela luz de outono.



— Nossa! Aquele é o Duque Herhardt, não é? — perguntou a senhora Graeber, olhando para Matthias que se aproximava. Era a professora titular da escola da aldeia, também mãe de dois filhos. Antes que Layla pudesse responder, a senhora Graeber sussurrou animada: — É a primeira vez que o vejo de tão perto! É muito mais bonito pessoalmente do que nas fotos do jornal.

A reação da senhora Graeber fez Layla tomar consciência de como o Duque Herhardt era famoso. Para os moradores de Karlsbar, ele era o ilustre e respeitado Duque de Arvis, cuja foto aparecia com frequência no jornal. Era essa a visão que todos tinham dele — mesmo que para Layla ele não fosse nada mais do que um lunático.

— Mas, senhorita Llewellyn... — começou a senhora Graeber.

Naquele instante, o duque parou na frente delas.

Bill, que havia estado discutindo com as crianças, correu para cumprimentá-lo. — Boa tarde, Vossa Graça.

A senhora Graeber também o cumprimentou. Layla, que ainda estava amarga pela humilhação que havia sofrido no fim de semana anterior, inclinou a cabeça com um leve atraso.

Devia ter atirado os bulbos nele!, havia pensado no caminho de volta da estufa. Claro que, mesmo se pudesse voltar no tempo, não teria coragem de fazer algo tão atrevido — mas fantasiar sobre isso ajudava a aplacar a frustração.

— Você se importaria de me apresentar a esta senhora, senhorita Llewellyn? — perguntou Matthias com educação assim que Layla ergueu a cabeça.

Layla ficou desconcertada com o modo digno e cortês dele. Era como se estivesse olhando para um total estranho. Percebeu com espanto que era provavelmente assim que todos o viam o tempo todo.

— Layla? — disse Bill, dando-lhe uma festinha no ombro.

— O quê? Ah... sim. Vossa Graça. — Saindo do transe, colocou as mãos educadamente entrelaçadas abaixo do umbigo. Resolveu não se deixar dominar pela amargura de não ter conseguido atirar os bulbos nele na estufa. Precisava mostrar ao duque que era uma adulta respeitável agora, não uma criança brincando na floresta que ele podia atormentar como bem entendesse.

Mantendo um semblante e um tom de voz muito maduros, apresentou a senhora Graeber a ele. Também explicou com gentileza às crianças, cuja curiosidade era evidente, que tipo de pessoa era o Duque Herhardt.

Em vez de dizer o que realmente sentia sobre ele, simplesmente o descreveu em termos da persona pública consolidada. Dizer a verdade teria exigido usar palavrões que crianças não deveriam ouvir.

— Muito obrigada por nos permitir realizar esta excursão de outono, Vossa Graça — disse ela, se orgulhando de como estava se saindo bem. Erguendo levemente o queixo e endireitando os ombros, acrescentou: — Os alunos estão se divertindo muito, graças ao senhor. — Enfatizou a palavra alunos para lembrá-lo de que era professora.

— É mesmo? — perguntou Matthias, esboçando um sorriso irônico. — Parece que quem está se divertindo mais é você.

— Como assim...? — perguntou ela, completamente confusa com a resposta.

Matthias não respondeu, apenas deu uma risadinha breve. Em seguida, se despediu da senhora Graeber e das crianças, ainda escondendo a personalidade tortuosa por baixo de um verniz de elegância cavalheiresca.

Quando começou a se afastar, o assistente e o motorista o seguiram. Layla fitava intensamente os três homens que caminhavam em direção à cabana à beira do rio.

O significado do comentário enigmático dele foi finalmente revelado pela senhora Graeber.

— Hum, senhorita Llewellyn?

— Sim?

— Sua cabeça...

— O quê...?

A senhora Graeber olhava para o topo da cabeça de Layla com uma expressão levemente constrangida.

— Minha cabeça? O que tem na minha... — Pôs a mão no alto da cabeça, e o rosto afundou de repente ao reconhecer a textura macia de várias pétalas de flores. Compreendeu com um choque que havia passado o tempo todo com uma coroa de flores na cabeça.

Monica, a aluna mais nova de Layla, que sempre andava atrás dela, havia colhido algumas das flores silvestres que Bill havia apontado e as trançado em uma coroa que havia colocado na cabeça da professora.

— Ia te avisar, mas aí o duque apareceu de repente, então... — explicou a senhora Graeber apologeticamente.

Layla ficou olhando para o vazio, mortificada. Fiquei tentando agir como adulta enquanto tinha essa coisa infantil na cabeça? Sentiu vontade de gritar alguns dos palavrões que Bill costumava usar, mas se conteve por causa das crianças.

— Não tem nada, senhorita Llewellyn — disse Monica, sorrindo contente. — Você está linda! Parece uma princesa!

As outras crianças concordaram balançando a cabeça.

Bill explodiu em gargalhadas enquanto assistia.

Layla estava acostumada com a gargalhada dele nos momentos em que ficava frustrada. Se fosse possível morrer de vergonha, ela estava pronta para se deitar para seu descanso eterno naquela linda tarde de outono.

— Não tem nada com que se envergonhar — disse Bill, rindo gostosamente enquanto lhe dava uma festinha nas costas. — É um pouquinho constrangedor, mas não é como se tivesse cometido um crime ou algo assim.

Achando as palavras dele nem um pouco reconfortantes, Layla tinha as bochechas tão vermelhas quanto maçãs maduras. Então aconteceu algo ainda pior.

— Sr. Remmer! Senhorita Llewellyn! — gritou Mark Evers, o assistente do duque, sorrindo radiante ao voltar da cabana. — Sua Graça gostaria de convidar as crianças para tomar chá na cabana. Os três adultos também estão convidados, claro.

Imediatamente o grupo de alunos irrompeu em um clamor de entusiasmo.

A senhora Graeber sorria de orelha a orelha, e até Bill parecia satisfeito.

Em meio à alegria de todos, Layla olhou para o céu, agarrando a coroa de flores na cabeça. Mesmo que a vergonha não pudesse matar, ela esperava que ao menos a derrubasse por um tempo. Enquanto se concentrava nessa esperança, a mente estava tão clara quanto o céu azul de outono.