Chore, Melhor Ainda se Implorar [Novel]

Após perder os pais aos 12 anos, Layla Llewellyn é passada de um parente indiferente para outro, até ser enviada para outro país. Ao chegar ao Império de Berg, ela fica sob os cuidados de Bill Remmer, um parente distante e ranzinza que parece não se importar com nada além do seu trabalho como jardineiro da renomada família Herhardt. Depois de anos de negligência, tudo o que Layla deseja é um lugar para chamar de lar, mas seus encontros com o charmoso Duque Matthias von Herhardt e o restante da alta sociedade trazem provações e tribulações para a jovem de coração terno.

Capítulo 40 - De Volta ao Caminho Certo

Capítulo 40 - De Volta ao Caminho Certo

Tradução: Amme

Capítulo 40

De Volta ao Caminho Certo

O barulho alto chegou até o quarto de Kyle. Isso porque, embora a porta estivesse bem fechada, a janela estava aberta.

Ele se sentou na cama sonolento.

— Ei, senhora Ettman! Sai aí agora mesmo! Agora!

A voz do homem que gritava lá fora era familiar.

É... o Sr. Remmer? Kyle saltou da cama e correu para a janela. Olhando para baixo, viu Bill Remmer em confronto com a governanta.

— Que barulhada é essa? — gritou fria a Senhora Ettman enquanto saía.

— Então foi a senhora a ladrona miserável, senhora Ettman? — gritou Bill. — Como pôde fazer isso? Por mais que odeie a Layla, como pôde fazer uma coisa tão horrível?!

Kyle estava prestes a descer correndo para impedir uma briga, mas parou no lugar ao ouvir o que Bill havia dito. Ladrona? Por que ele está falando sobre o ladrão aqui, para a minha mãe? Ficou parado, muito confuso, enquanto Bill continuava a gritar com raiva. Logo começou a compreender o que Bill estava sugerindo.

— Não, não, isso é impossível... — murmurou para si mesmo enquanto saía cambaleando do quarto.

Descendo os degraus para o primeiro andar, estava tão distraído que quase caiu. Não importa que seja o Sr. Remmer, não vou deixar ninguém falar assim com a minha mãe. Sei que está com raiva do roubo, mas como pode dizer uma coisa dessas —

— A Layla te contou? — perguntou a Senhora Ettman assim que Bill parou de gritar. — Meu Deus. Que ousadia dela, me caluniando desse je —

— Você acha que a Layla diria uma coisa dessas? — gritou Bill, com a voz embargada.

Enquanto isso, Kyle havia chegado à porta da frente. Em vez de sair, ficou ouvindo Bill continuar.

— Se tivesse sido a Layla a me contar o que a senhora fez, meu coração não teria se partido assim!

— Se vai continuar com esse absurdo e fazer cena, pode ir embora agora mesmo! Antes que eu chame a polícia!

— A informação veio da polícia! O carteiro viu o seu distinto primo preso na delegacia. A senhora ainda vai fingir que não sabe de nada?

— O q-que disse...? — gaguejou a Senhora Ettman, recuando um passo.

Por favor, implorou Kyle mentalmente enquanto olhava para a mãe. Por favor, diga que não foi a senhora. Diga que é calúnia. Mas a Senhora Ettman ficou parada, sem dizer nada, respirando de forma irregular. Apertava o corrimão com tanta força que a mão estava completamente branca, e logo começou a tremer.

Kyle avançou cambaleando em direção a ela.

— Mãe.

Só quando ouviu o tom pesaroso da voz do filho ela percebeu que ele estava bem atrás dela.

— Não é verdade, né? — perguntou ele, tocando o braço dela. — O Sr. Remmer está enganado, né? Né? — Tentou sorrir, mas os lábios não obedeceram. Era evidente que o que estava vivendo era a realidade, mas a mente parecia envolta em uma névoa espessa.

Os últimos dias haviam sido um inferno. Havia visitado Layla algumas vezes e implorado, mas ela não mudava de ideia. O tempo parecia escorrer.

Mesmo assim, guardava uma esperança vaga. O Dr. Ettman havia ido a Ratse e pago a matrícula de Layla antes do prazo. Portanto, se conseguisse persuadi-la a abandonar as ideias tolas, tudo ficaria bem. Tinha fé nisso.

Naquela tarde, havia dito a ela que se o casamento parecia muito assustador, poderiam só se novar, sem pressa para o casamento. Noivados, poderiam ir juntos para a faculdade.

Aquilo seria suficiente para ele. Com o tempo suficiente, ela começaria a amá-lo romanticamente, e viveriam felizes para sempre.

Era o que havia dito a ela mais cedo naquele dia. Mas agora...

— Mãe! — gritou com a voz embargada.

A Senhora Ettman, pálida como papel, olhava fixamente para o corrimão e não ousava dizer nada. Naquele instante, o Dr. Ettman chegou em casa.

Dois policiais saíram do carro junto com ele. Quando a Senhora Ettman viu os oficiais, as pernas cederam e ela caiu no chão.

O Dr. Ettman pediu desculpas ao oficial, depois caminhou sozinho em direção à esposa. Antes de falar com ela, tirou o chapéu e falou com Bill:

— Sinto muito, Sr. Remmer. Realmente não sei o que dizer. Me desculpe muito.

Os olhos de Kyle se encheram de desespero enquanto ouvia o pai se desculpar repetidamente.

— Como podem ver, as coisas estão um pouco agitadas hoje, então será difícil ter uma conversa adequada agora. Quando as coisas se acalmarem, posso ir visitá-lo e me desculpar novamente?

— Claro, tudo bem — respondeu Bill, esfregando os olhos grosseiramente.

Quando Bill se afastou, os policiais deram alguns passos a mais.

— Por que você fez isso, minha bem? — perguntou o Dr. Ettman, olhando friamente para a esposa no chão.

— Não. Não é o que você está pensando...

— O Daniel está na delegacia. Ele confessou tudo. Disse que você o mandou fazer isso.

A Senhora Ettman havia ficado murmurando desculpas, mas ao ouvir o marido dizer o nome do primo, ficou em silêncio.

— Então não pense em mentir para mim, Linda.

— Querido!

— Primeiro você faz de conta que aceitou a Layla, e depois planeja um esquema desses? Não consigo acreditar que você, minha esposa, a mãe do Kyle, fez isso! — O Dr. Ettman havia tentado conter as emoções, mas não conseguiu impedir que a raiva distorcesse o rosto.

— Ah! É tudo culpa sua! — gritou a Senhora Ettman. — Por quê?! Por que você aprovou a Layla e me fez fazer uma coisa horrível dessas?

— Você está me culpando pelo ato imperdoável que você cometeu?

— Sim. É tudo sua culpa! Eu disse desde o começo que a odiava! Se você tivesse me ouvido naquela época, não teria chegado a isso! Se não fosse por você, eu, eu teria... — O grito acriminador deu lugar a soluços.

Ela cobriu o rosto, e logo as lágrimas começaram a escorrer entre os dedos.

O Dr. Ettman soltou alguns suspiros fundos, depois ajudou a esposa a se levantar. Os policiais demonstraram respeito pelo renomado médico, permitindo que ele mesmo levasse a esposa até o carro.

Kyle ficou parado atordoado, olhando para o pesadelo que se desenrolava à sua frente. Por fim, caiu o crepúsculo sombrio. Mesmo o entardecer melancólico era brilhante demais para ele, então fechou os olhos.

Naquele momento, seu único desejo era que todo o mundo fosse envolto em escuridão.



— Não chora, tio Bill. Por favor. — Layla pousou o lenço sobre a mesa.

Bill, que havia ficado encarando o copo de cerveja como se fosse um inimigo, ergueu os olhos surpreso.

— Chorando?! Quem está chorando? — Apesar das negativas veementes, pegou o lenço dela e deu tapinhas nos cantos dos olhos.

A comida intocada nos pratos esfriava. Mas nenhum dos dois pressionou o outro a comer. Enquanto ele esvaziava o copo de cerveja, ela fitava a borda da mesa com olhos cansados.

Havia ficado inconsciente do que havia acontecido até que alguns funcionários de Arvis vieram à cabana oferecer palavras de consolo.

Sabia que a Senhora Ettman não contaria nada a ninguém, e ela mesma havia ficado em silêncio — e mesmo assim, de alguma forma, tudo sobre o incidente havia vazado.

Não fazia ideia de quem poderia ter ouvido a conversa e falado com a polícia. Naquele dia, as únicas pessoas no salão de chá eram ela, a Senhora Ettman e um desconhecido.

Então foi aquele homem? Quem diabos será ele?

Forçou a memória, mas não chegou a nenhuma conclusão. Uma coisa, porém, estava clara. Havia causado a Kyle uma ferida irreparável. Havia querido proteger o coração dele, mas ele havia acabado partido. Soube que os policiais que vieram com o Dr. Ettman levaram a Senhora Ettman para a delegacia e que Kyle havia assistido a tudo.

— Não chora, Layla. — Pousando o copo, Bill devolveu a ela o lenço.

— Chorando? Quem está chorando? — respondeu ela, repetindo a negação anterior dele enquanto enxugava as lágrimas.

— Me desculpa — disse ele. — Entendo tão pouco do mundo, e mesmo assim te empurrei para aventurá-la nele. E olha no que deu.

— Se continuar falando assim, vou ficar brava, tio Bill.

— Quanto ao casamento... é verdade. Provavelmente foi melhor que você tenha desistido desse. Foi a decisão certa. Você tinha que cancelar.

Ela assentiu. Uma lágrima caiu na borda dos lábios levemente sorridentes e cintilou na luz.

— Mas você ainda deveria ir para a faculdade, Layla. O Dr. Ettman já pagou a sua matrícula. Vou devolver a ele o dinheiro roubado que recuperamos, e aí vai ser como se eu tivesse pago a matrícula. A faculdade não tem nada a ver com o Kyle.

— Não.

— Se você ficar em uma pensão eu posso pagar a hospedagem. Vai ser apertado, mas deve dar para me virar...

— Vou para a faculdade, tio Bill. Não desisti. Só não agora. — Estendeu a mão e agarrou a dele. — Vou me tornar professora. Depois que juntar dinheiro suficiente, vou à capital e refaço o vestibular. Esse era o meu plano e sonho originais. Me desviei um pouco do caminho pensando que havia encontrado um atalho. Mas agora estou de volta ao caminho certo.

— Mas como você pode se retirar da faculdade depois de já ter passado no vestibular?

— Você não tem confiança em mim? — Agora ela sorria com naturalidade. — Tenho certeza de que vou passar de novo na próxima vez. Na verdade, vou passar com uma nota tão alta que vou conseguir uma bolsa de estudos. Pode esperar e vai ver.

— Ah, Layla...

— Você sempre disse que sabia que eu me tornaria uma adulta extraordinária. Então, tenha fé em mim mais uma vez.

Que garota maravilhosa, pensou Bill. Preferia que ela estivesse chorando. O sorriso bonito dela está me despedaçando. O que faço com ela?

E o que vai acontecer com o Kyle? Os ombros começaram a tremer enquanto as emoções o dominavam. Baixou a cabeça rapidamente para esconder o rosto, e as lágrimas começaram a pingar sobre a mesa.

— Está tudo bem, tio Bill — disse ela, levantando da cadeira para se aproximar. — Estou realmente bem. — Envolve-o com os braços esguios. — De verdade. Então, vamos dizer à polícia que não queremos abrir processo contra a senhora Ettman. Podemos dizer que recuperamos o dinheiro e que não é necessário fazer mais nada. — Deu tapinhas suaves nas costas dele enquanto falava com uma voz surpreendentemente calma.

O que faço com você?, pensou ele, enquanto as lágrimas continuavam a escorrer. Enxugando-as, assentiu.

Havia considerado o que a Senhora Ettman havia feito como imperduável. Mas quando a viu cair bem na frente dele, com Kyle assistindo horrorizado, sentiu uma dor. Por mais horrível que fosse o ato de Linda Ettman, ela era a mãe de Kyle, e Kyle era como um irmão para Layla.

— Vamos fazer isso. Se é o que você sente, então estou com você, Layla.