Chore, Melhor Ainda se Implorar [Novel]

Após perder os pais aos 12 anos, Layla Llewellyn é passada de um parente indiferente para outro, até ser enviada para outro país. Ao chegar ao Império de Berg, ela fica sob os cuidados de Bill Remmer, um parente distante e ranzinza que parece não se importar com nada além do seu trabalho como jardineiro da renomada família Herhardt. Depois de anos de negligência, tudo o que Layla deseja é um lugar para chamar de lar, mas seus encontros com o charmoso Duque Matthias von Herhardt e o restante da alta sociedade trazem provações e tribulações para a jovem de coração terno.

Capítulo 39 - Meu Amado Filho

Capítulo 39 - Meu Amado Filho

Tradução: Amme

Capítulo 39

Meu Amado Filho

Ela realmente é uma moça inteligente.

A Senhora Ettman soltou um suspiro de alívio enquanto olhava para a porta fechada do quarto do filho. Kyle havia saído para se encontrar com Layla numa tarde de alguns dias atrás e voltara para casa completamente destruído.

Ao ver o filho encerrado no quarto sem falar com ninguém, era fácil adivinhar a conversa que havia ocorrido entre ele e Layla.

— Senhora Ettman, o Kyle não almoçou de novo hoje — informou a governanta, descendo do segundo andar com uma expressão preocupada.

— Deixa ele. É natural que o apetite diminua quando a pessoa está passando por um momento difícil.

A Senhora Becker ficou desconcertada com aquela resposta inesperadamente indiferente da Senhora Ettman, que costumava se preocupar muito quando o filho pulava até uma única refeição. Mas sabia que não adiantava perguntar, pois a Senhora Ettman provavelmente não revelaria o motivo da mudança de atitude, então apenas acenou educadamente e foi embora.

Pela primeira vez em algum tempo, a Senhora Ettman saiu para o jardim e cuidou dos canteiros de flores. O jardim dos Ettman estava cheio de rosas excelentes enviadas de Arvis. Elise von Herhardt enviava esse tipo de rosas como presente somente para as amigas mais próximas, e a Senhora Ettman havia recebido mais do que a maioria.

Era a única dama de Karlsbar sem título aristocrático que tinha amizade com as senhoras da Casa Herhardt, e muito se orgulhava disso. Confiava que, se Kyle se casasse com a jovem nobre de baixa hierarquia que a Duquesa-viúva Herhardt lhe havia apresentado na festa, isso melhoraria significativamente a posição social da família Ettman.

A Senhora Ettman havia trabalhado tão duro para conseguir essa oportunidade — e então o marido e o filho quase jogaram tudo fora, tudo por causa de Layla.

O que havia feito a Layla estava muito errado. Linda não negava isso. Mesmo assim, não se arrependia do que havia feito. Pelo bem do filho, estava disposta a fazer coisas bem piores muitas vezes. Também achava que era do melhor interesse da própria Layla buscar um parceiro matrimonial que combinasse melhor com sua posição social.

A Senhora Ettman entrou na sala de estar carregando um buquê de rosas em cores harmoniosamente variadas. Enquanto as arranjava com cuidado em um vaso, o Dr. Ettman chegou em casa.

— Como está o Kyle? Ainda a mesma coisa? — perguntou.

— Sim. Parece estar passando por alguma coisa.

— Suspeito que algo esteja acontecendo entre ele e a Layla.

— Acho que vou me encontrar com ela — disse ela com displicência enquanto pousava o vaso no centro da mesa.

— Você? — perguntou ele.

— Você esqueceu? O Kyle é meu filho também. — Levantou-se da cadeira, sorrindo. — É meu filho amado, e eu o amo muito mais do que você.



Quando a Senhora Ettman chegou, Layla estava em um canto do quintal esfregando um caldeirão grande. O jato forte de água da bomba havia respingado nela, encharcando o avental, as mangas e as pontas dos cabelos.

— Boa tarde, senhora Ettman — disse ela, sem parecer particularmente sobressaltada.

— Vamos entrar...?

— Não. Não há necessidade. — A Senhora Ettman olhou Layla de cima a baixo, depois sacudiu a cabeça enquanto estendia o saquinho de couro que havia trazido.

Layla sabia o que havia dentro do saquinho sem precisar olhar.

Por hábito, quase agradeceu à Senhora Ettman, mas se conteve e aceitou o saquinho em silêncio.

A Senhora Ettman franziu o cenho ao ver Layla encará-la fixamente.

— Você parece ter muito a dizer.

— Tenho — respondeu Layla sem hesitar.

A Senhora Ettman riu em resposta, o que fez o coração de Layla bater mais rápido. Mas, diferentemente da vez anterior no salão de chá, não sentiu nenhum impulso de baixar a cabeça.

— Sim — respondeu a Senhora Ettman —, é natural. Entendo.

Sorriu com rigidez. — Parece que você terminou de conversar com o Kyle. É isso?

— Presumo que a senhora já sabia, caso contrário não estaria devolvendo o dinheiro.

Uma centelha de desconforto apareceu no rosto da Senhora Ettman diante da atitude marcadamente mudada de Layla.

— O que disse a ele?

— Não lhe disse a coisa com que a senhora está preocupada.

— Preocupada?

— Sim. Presumo que esteja preocupada com a possibilidade de eu ter lhe contado tudo sobre o que aconteceu naquele dia.

— Nossa, não sabia que era uma garota tão ousada.

— Peço desculpas se a ofendi. Só queria que a senhora soubesse que o Kyle não sabe nada do que aconteceu. — Inclinou a cabeça em sinal de desculpa. Quando a ergueu de novo, olhou diretamente nos olhos da Senhora Ettman. — Não contei ao Kyle, e jamais contarei.

Só de pronunciar o nome de Kyle já doia. A memória daquele dia no riacho, e a imagem de Kyle enquanto ela se afastava, ainda estavam vívidas na memória. Provavelmente permaneceriam como uma lembrança dolorosa pelo resto da vida.

— Tomei essa decisão pelo Kyle, e por ninguém mais.

— Pelo Kyle? — perguntou a Senhora Ettman, em tom de escárnio.

Layla não se abalou com o tom.

— Sim. Sei que ele ama muito a mãe. Não importa o que a senhora seja para mim — para ele, a senhora é sua mãe amada, e não quero estragar isso para ele.

— Não tenho ideia de como alguém tão atrevida e mal-educada conseguiu manter por tanto tempo a fachada de uma garota gentil e inocente.

— Lamento que se sinta assim. — Layla inclinou a cabeça novamente.

Sentindo-se zombada, a Senhora Ettman começou a corar.

— Mesmo assim, falei com sinceridade — continuou Layla. — E queria dizer à senhora que não tem nada com que se preocupar.

— Bem, já que está dizendo com tanta convicção, vou confiar em você. — A Senhora Ettman semicerrou os olhos para esconder o alívio. — E já que está fazendo tudo isso pelo Kyle, também confio que vai explicar a ele por que está desistindo do casamento de uma forma que lhe cause o mínimo de dor possível.

— Sim. Vou fazer isso. Mas em troca — disse ela, erguendo devagar os olhos do saquinho —, quero que a senhora peça desculpas por uma coisa.

— O quê...? Desculpas?

— Sim. As coisas que a senhora disse sobre mim, sejam verdadeiras ou falsas, consigo aceitar. Mas quero que a senhora peça desculpas pelo que disse sobre o tio Bill. — Segurava o saquinho com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos, mas manteve a posição firme. — Estou falando de quando a senhora disse que era uma tragédia ele ter me acolhido e que guarda um rancor por isso.

A Senhora Ettman esboçou um sorriso desdenhoso, como se não entendesse o que Layla queria dizer.

Layla repetiu novamente as palavras que a Senhora Ettman havia dito sobre Bill, depois disse:

— Por favor, peça desculpas por ter dito isso.

A voz suave mas firme era carregada pela brisa fresca do entardecer.



Matthias esboçou um sorriso enquanto se recostava na parede da cabana, após ter ouvido por acaso uma conversa inesperadamente interessante.

Estava voltando à mansão depois de nadar quando, por impulso, havia se desviado em direção à cabana do jardineiro, esperando ver Layla chorando lá de novo. Havia encontrado algo ainda mais divertido do que as lágrimas dela, portanto não se arrependia da escolha.

Estava ansioso para ver a expressão no rosto da Senhora Ettman, mas decidiu ser paciente, sabendo que sua entrada encerraria aquela pequena cena maravilhosa.

Estava recostado na parede junto à janela do quarto de Layla, que dava para o quintal dos fundos. Contemplando o pombo branco pousado no parapeito, bicando a ração, aguardou a resposta de Linda Ettman.

— Dizem que a origem não mente — disse a voz de Linda, que tremia de raiva. — Pedir desculpas? Se alguém deveria sentir pena de alguém, é do Sr. Remmer por ter de criar uma criança como você.

Claro, pensou Matthias. Sentindo uma satisfação por mais uma previsão precisa, acariciou o pombo dócil.

De repente, recordou a imagem de Layla que havia visto pela janela dias atrás — encharcada de suor frio, soluçando miseravelmente. O corpo tremia, e ela tinha dificuldade de respirar. Era uma visão horrível.

Que patética, pensou, sorrindo com desprezo. Virando-se para o pombo, sussurrou: — Ela deveria simplesmente falar logo e acabar com isso, não acha?

Tendo se entediado com o entretenimento, foi embora da cabana.

Se Layla não ia entretê-lo, ele mesmo criaria seu próprio entretenimento.



O rumor teve origem na cozinheira Mona.

— Alguém já sabe por que a Layla e o Kyle cancelaram o casamento?

Sempre que se encontrava com outros funcionários da mansão, ela recontava furiosa a história incrível que havia ouvido.

— Sabe aquele dinheiro que o Sr. Remmer havia guardado para a matrícula da Layla, que foi roubado? Pois adivinhem quem roubou... A Senhora Ettman! O Sr. Berger, o carteiro, acabou de me contar. Ele diz que ela mandou alguém pegar o dinheiro e trazer para ela, tudo para que a Layla desistisse da faculdade e do casamento com o Kyle!

Enquanto falava, Mona fazia pausas dramáticas de vez em quando.

Quando retomava, era tão empolgante quanto um foguete de festa, e todos ouviam maravilhados. Mona tinha fama de fofocar muito, mas nunca espalhava boatos infundados. Tinha provas para embasar o que dizia.

— Eu sei, parece mentira. Foi assim que me senti no começo também. Mas escutem só: o homem que roubou o dinheiro para a Senhora Ettman foi preso pela polícia! O Sr. Berger o viu pessoalmente quando entregava correspondências na delegacia. Alguns policiais lhe contaram a história. Mas esperem até ouvir quem ele é. Podem me agradecer depois — vão ficar de boca aberta.

Tendo chegado à parte mais interessante da história, ela abaixou a voz intencionalmente.

— Vocês conhecem o Sr. Raynor, não é? O primo da Senhora Ettman, o empresário. Pois adivinha! O Sr. Berger diz que o Sr. Raynor é o ladrão.

— O Sr. Raynor? O tal Daniel Raynor?

— Esse mesmo! — respondeu Mona com ainda mais entusiasmo. — Então, depois de roubar o dinheiro, a Senhora Ettman marcou um encontro com a Layla e disse: "Fui eu que roubei o seu dinheiro — você ainda ousa se casar com meu filho?" Um cavalheiro que estava por perto ouviu a conversa por acaso e a relatou à polícia, o que levou à prisão do Sr. Raynor.

Aquela parte da história havia sido tão emocionante quanto um espetáculo completo de fogos de artifício. Conforme a voz indignada de Mona subia de volume, os rostos da plateia ficavam cada vez mais chocados, como se não conseguissem acreditar na maldade da Senhora Ettman ao agir de forma tão cruel com a pobre Layla. Começaram a comentar entre si.

— Eu sabia. Sabia que a Layla não teria simplesmente desistido da faculdade e do casamento à toa.

— Como a elegante Senhora Ettman poderia fazer uma coisa tão cruel com essa pobre garota?

A plateia logo se transformou em oradores tão apaixonados quanto a própria cozinheira Mona, e se dispersou para continuar espalhando a verdade sobre o incidente.

Antes de meio-dia, a notícia havia chegado a cada canto de Arvis. No fim da tarde, quando a raiva de Mona havia diminuído um pouco, ela se deparou com Bill Remmer trabalhando quietamente no jardim.

Parece que esse cabeça-dura ainda não ouviu, pensou.

Por mais que adorasse fofoca, não era algo de que gostava — ter de repetir uma história que partiria o coração de quem ouvia. Mas era Bill Remmer. Era essencialmente o pai de Layla. Precisava saber mais do que ninguém.

— É, não tenho escolha senão contar para ele.

Tomada a decisão, caminhou em direção ao jardim.