Chore, Melhor Ainda se Implorar [Novel]

Após perder os pais aos 12 anos, Layla Llewellyn é passada de um parente indiferente para outro, até ser enviada para outro país. Ao chegar ao Império de Berg, ela fica sob os cuidados de Bill Remmer, um parente distante e ranzinza que parece não se importar com nada além do seu trabalho como jardineiro da renomada família Herhardt. Depois de anos de negligência, tudo o que Layla deseja é um lugar para chamar de lar, mas seus encontros com o charmoso Duque Matthias von Herhardt e o restante da alta sociedade trazem provações e tribulações para a jovem de coração terno.

Capítulo 4 - Depois de Todo Esse Tempo

Capítulo 4 - Depois de Todo Esse Tempo

Tradução: Amme

Capítulo 04

Depois de Todo Esse Tempo


Conforme o céu a oeste começava a se tingir de um tom rosado profundo, Layla saiu da mansão. Ao atravessar a porta dos fundos que dava acesso ao jardim de rosas, foi recebida por uma brisa revigorante.

Apertando a moeda de ouro na mão direita, caminhava com passos confiantes. Seu ânimo, porém, não durou muito. Claudine estava ali, sentada sob a pérgula coberta de roseiras trepadeiras em plena floração, conversando alegremente com os primos. Assim que viu Layla, o mesmo sorriso sutil de antes voltou ao seu rosto, e ela disse:

— Tchau, Layla.

Alguns dos jovens ao redor também voltaram os olhos para Layla.

Felizmente, o Duque Herhardt não estava à vista. Em vez de responder com palavras, Layla apenas se inclinou. Claudine não a repreendeu por isso, o que sugeria que aquele gesto não ia contra a etiqueta.

Layla caminhou com passos curtos e rápidos até sair do campo de visão deles, e então começou a correr. Não aguentava mais esperar para deixar aquele mundo estranho e desconhecido e voltar para a cabana do tio Bill.

No entanto, bem no último instante, sofreu o pior infortúnio daquele dia.

Ao atravessar o trecho de pedras que marcava a fronteira entre o jardim e a trilha da floresta, tropeçou e caiu. A moeda de ouro escapou de sua mão e rolou pelo chão de pedra, até bater na ponta do sapato de um homem, alguns passos adiante. Ela observou, boquiaberta, a moeda girando no lugar. O homem ergueu casualmente a ponta do sapato e pisou sobre a moeda, fazendo-a parar.

O olhar de Layla subiu dos sapatos impecavelmente polidos do homem, passando pelas pernas longas, até finalmente alcançar seu rosto, que a observava de cima.

Era o Duque Herhardt.

Assustada, Layla se levantou instintivamente. Seu vestido branco agora estava sujo de terra e manchado de sangue, por causa do joelho ralado. O duque a observava com calma. Um sorriso parecia querer escapar no canto de seus lábios. Mantendo os próprios lábios firmemente fechados, Layla começou a limpar a sujeira do vestido.

Enquanto fazia isso, o Duque Herhardt deu um passo tranquilo para trás. A moeda que estivera sob seu sapato brilhava, refletindo a luz do entardecer. Layla teve vontade de fugir correndo, mas antes queria recuperar a moeda, então se aproximou do duque. Ao se inclinar para pegá-la, lembrou-se repentinamente do que Claudine dissera ao se despedir.

— Ela não é melhor do que um cachorrinho.

Aquelas palavras a haviam ferido profundamente. Ela recolheu a moeda e, apertando-a com firmeza na mão, fez uma reverência educada ao Duque Herhardt. Uma vez que começara a se inclinar, não ousou erguer a cabeça de novo. Contendo a respiração, manteve-a baixa o quanto conseguiu.

De repente, percebeu que já não sentia a dor que tomara seu corpo todo após a queda. Era muito estranho.

Voltou a correr, deixando o Duque Herhardt atrás de si.

Por causa da dor no joelho, não conseguia correr tão rápido quanto antes, mas não parou. Sentia algo se acumulando dentro de si. Só percebeu o que era depois de atravessar a trilha da floresta e avistar a luz que escapava pelas janelas da cabana.

Era tristeza.

— Pode ficar com isto, tio — disse Layla, contendo a tristeza enquanto estendia a moeda de ouro.

As sobrancelhas grossas de Bill se enrugaram lentamente.

— O que é isso?

— Uma moeda de ouro.

— Isso eu sei. De onde você tirou isso?

— A senhorita Claudine me deu.

— Claudine? Ah, sim, aquela garotinha nobre — respondeu ele, assentindo.

Nos dois dias desde que Layla entrara na mansão, ela andava com o ânimo abatido.

Não tivera vontade de conversar, nem mesmo de andar pela floresta ou pelo jardim. Aqueles dois dias haviam feito Bill perceber o quanto já se acostumara com a rotina ao lado da menina. Agora que ela ficara quieta, sua vida também ficara quieta. E ele não gostava muito dessa vida silenciosa.

Inclinando-se para a mesa onde ela estava sentada, ele perguntou:

— Mas por que está me dando esse dinheiro?

Endireitando a postura, ela olhou diretamente para o rosto dele e respondeu:

— Porque acho que vale muito.

— Nisso você está certa.

— Pois é, então pensei que não devia jogar fora, mesmo que recebê-la tenha me feito sentir mal. Mas pensei que, se eu desse a você, seria um jeitinho de retribuir tudo o que você fez por mim.

— Droga — murmurou ele, impulsivamente. Layla se encolheu, mas não se incomodou.

No instante em que vira Layla voltando correndo da mansão, toda desalinhada, ele já suspeitara que algo lhe acontecera, algo que a ferira bem no fundo. Ele sabia muito bem como os nobres eram. Não perguntara nada, com medo de que ela chorasse se o fizesse. Mas agora estava ficando difícil se conter.

— Layla?

Ao ouvi-lo dizer seu nome, a expressão madura que ela vinha mantendo deu lugar, de novo, a um olhar infantil.

— Você ganhou esse dinheiro com seu próprio trabalho. Devia ficar com ele.

— É meu?

— Isso mesmo. Você ganhou trabalhando. Enfrentou uma garota nobre entediada até a morte. É um trabalho péssimo, mas você se saiu muito bem, então devia aceitar seu pagamento com orgulho. É só justo.

Layla franziu a testa, perplexa. Bill bebeu um gole de cerveja enquanto a observava mergulhar em pensamentos. Depois de alguns instantes, ela inclinou a cabeça e, batendo de leve na moeda, perguntou:

— De verdade?

— Pode apostar — respondeu ele, limpando a espuma da barba com a manga.

Eu ganhei. Trabalhando. Conforme o pensamento ecoava repetidamente em sua mente, seu rosto se iluminou visivelmente.

— Bem-vinda ao mundo dos adultos, Layla — disse Bill, colocando um pedaço generoso de carne no prato dela.

— Adulta? Eu?

— Quem consegue ganhar o próprio sustento pelo próprio trabalho é um adulto. E foi exatamente isso que você fez.

— Mas eu só ganhei uma moeda de ouro...

— Há gente neste mundo com várias vezes a sua idade que não consegue nem isso. Você está começando muito bem. Tenho certeza de que vai se sair bem como adulta.

Ele encheu o restante do prato dela com pão e legumes assados.

Os olhos dela se arregalaram.

— Tio, isso é demais.

— Você andou comendo como um passarinho nos últimos dias. Hoje precisa comer bastante.

— Mas...

— Não se lembra? Eu gosto de crianças que comem como uma vaca.

Ela explodiu em risadas.

— Tio, se eu comer bem, vou crescer bastante, né?

— Claro. Por que pergunta? Alguém te chamou de baixinha?

— Não, é que eu acho que pareço jovem demais. Isso me incomoda.

Isso porque você é jovem, Bill quase respondeu, mas se conteve. Layla começou a cortar a carne com confiança.

Observando-a, Bill percebeu o quanto ela havia crescido nos poucos meses em que estivera ali. Já não era mais tão magrela quanto antes.

Estava com boa aparência. Sua estrutura natural era pequena e esguia, como a de um pássaro, então era pouco provável que um dia ficasse grande e alta. Ainda assim, ele não tinha dúvidas de que se tornaria uma bela mulher. Esse pensamento, de repente, o deixou inquieto.

Para mulheres pobres, a boa aparência era algo perigoso, capaz de atrair facilmente problemas. Ele sabia que precisava encaminhá-la a algum lugar de confiança — mas seria possível confiar em um orfanato?

Orfanatos pareciam o lugar perfeito para mandar uma criança, se a intenção fosse arruinar a vida dela.

Maldito seja este mundo e toda essa gente horrível que o povoa, pensou. Em seguida, terminou a cerveja enquanto maldizia mentalmente todos aqueles que haviam abandonado a menina e a deixado em suas mãos.

Lembrou-se de sua vida de antes, na qual tudo o que lhe importava era garantir que as flores florescessem belamente e os frutos amadurecessem com sabor. Como sua vida acabara repleta de tantas preocupações e ansiedades?

— Tio, já que o dinheiro é meu, posso gastar como eu quiser, né? — perguntou Layla, entre uma mordida e outra.

— Claro. Tem alguma coisa que você quer?

— Sim. Já terminei de preencher meu caderno. Quero comprar um novo.

— Então vá em frente.

— Você acha que eu também poderia comprar lápis de cor?

— Sem dúvida.

— Você precisa de alguma coisa, tio?

— Por quê? Quer me comprar algo?

— Sim.

— E se eu pedisse algo muito caro?

— Então eu juntaria bastante dinheiro e compraria para você — respondeu ela, com uma expressão séria no rosto. Quando ficava séria, seus olhos pareciam brilhar em um tom mais escuro de verde, o que lhe dava um ar inteligente e adorável ao mesmo tempo.

Bill riu alto, depois se serviu de outra dose. Em seguida, colocou um copo de suco de maçã na frente de Layla. Ela levantou o copo e fez um gesto para que ele brindasse com o seu. Ele atendeu, satisfeito. Sorrindo radiante, ela então bebeu o suco de uma vez só.

De repente, ele ficou preocupado de que aquele hábito pudesse transformá-la em uma bêbada no futuro. Logo, porém, sacudiu a cabeça, pensando: Ela só está aqui temporariamente. Em seguida, esvaziou o próprio copo.



Ao longo de muitos dias, Bill refletiu sobre uma série de coisas.

Pensou nas razões pelas quais não poderia continuar cuidando de Layla. Pensou em qual seria o melhor lugar para enviá-la — aquela menina fofa, porém trabalhosa, que um dia surgira de repente em sua vida.

Enquanto ele se perdia nesses pensamentos, Layla crescia bastante. Logo seus vestidos novos ficaram pequenos demais, deixando à mostra suas pernas esguias.

O depósito que ele lhe oferecera como moradia temporária foi, pouco a pouco, se transformando em um quarto aconchegante, digno de uma dama. A imagem da menininha saltitante que brincava pela trilha da floresta ainda estava fresca em sua memória, mas a pessoa que via agora voltando pelo mesmo caminho era uma jovem já crescida, que caminhava com passos suaves, como se deslizasse sobre a água.

Sentado em uma cadeira na varanda, Bill observava, intrigado e enternecido, Layla se aproximar. A jovem, carregando uma cesta de vime repleta de framboesas, agitava a mão para ele.

— Tio! Você chegou cedo hoje.

Ela correu até ele com passos ágeis e quase dançantes.

Seus belos cabelos dourados estavam trançados em uma trança francesa que balançava sob a aba larga do chapéu de palha. Suas bochechas levemente rosadas pareciam tão frescas quanto as rosas de melhor qualidade que ele cultivava.

— Foi à floresta de novo, pelo visto — disse ele.

— Sim! Olha só o tamanho dessa colheita! — respondeu ela, erguendo a cesta. — Vou colher ainda mais amanhã. Vou fazer um montão de geleia de framboesa!

— Está pensando em abrir um negócio de geleias ou algo assim?

— Não é uma má ideia.

Sorrindo com doçura, ela se sentou na cadeira ao lado da dele.

Ocorreu-lhe, então, que agora havia duas cadeiras em sua varanda. E não eram apenas as cadeiras. Embora ainda não houvesse decidido o que fazer quanto a Layla, tudo em sua cabana já estava organizado para duas pessoas.

Layla pousou a cesta no piso da varanda e começou a procurar algo dentro dela. Por fim, tirou um pêssego e o entregou a Bill.

Ele imediatamente cortou o pêssego em duas partes e deu uma metade a ela. Sentaram-se lado a lado, contemplando a floresta enquanto dividiam a fruta.

O som das folhas sussurrando ao vento fazia coceira nos ouvidos. O canto distante dos pássaros era tão suave quanto a voz de Layla.

— É verão outra vez — murmurou Bill.

Sorrindo serenamente, Layla tirou o chapéu e espreguiçou os braços, lânguida. Bill soltou uma gargalhada profunda ao notar a velha bolsa de ferramentas pendurada abaixo dos joelhos dela. Fora ele quem a dera, no ano em que ela chegara.

— Vai usar essa porcaria velha até ela se desfazer em pedaços, não é? — perguntou.

— Eu gosto porque é confortável no ombro. Ainda está perfeitamente utilizável.

Ela riu junto com ele. Sem nem precisar se esforçar, Bill já sabia identificar todos os objetos dentro da bolsa só pelo som que faziam ao chacoalhar quando ela ria. Um estojo de lápis de lata. Um canivete. Um caderno velho. Algumas penas e pétalas de flores bonitas. Em certos aspectos, ela não havia mudado nem um pouco.

Foi uma noite comum. Bill cortava lenha enquanto Layla dobrava e organizava as roupas lavadas. Bill alimentava as galinhas e as cabras enquanto Layla preparava o jantar com habilidade. Quando, por fim, se sentaram um diante do outro à mesa, o sol já havia se posto.

— O Kyle vem amanhã. Vamos estudar juntos, e depois ele fica para o jantar. Pode ser? — perguntou Layla, enquanto colocava na mesa um prato de cheiro delicioso.

— Por que esse rapaz sempre vem comer toda a minha comida, se o pai dele é um médico rico?

— Eu sei que você gosta dele, mesmo falando assim.

Ele bufou.

— Talvez um pouco.

Com um sorriso tranquilo, ela colocou diante dele um copo de cerveja apenas até a metade.

— O que é isso? Por que está só na metade?

— Pelo bem da sua saúde, devia beber menos.

— Foi aquele vadiozinho da família Ettman que te disse isso?

— Tio!

— Ele não vale nada — murmurou Bill, resignando-se ao copo só pela metade.



A noite avançava conforme terminavam o jantar aconchegante. Layla lavou a louça, tomou um banho tranquilo e voltou para o quarto.

Mesmo sentindo-se com sono, acendeu a lamparina e sentou-se à escrivaninha. Tinha uma prova se aproximando, e sabia que só conseguiria aproveitar aquele verão em paz se tirasse uma boa nota.

A brisa noturna trazia até o quarto o canto dos passarinhos, misturando-se ao som do lápis arranhando o papel. Depois de um bom tempo em profunda concentração, foi tomada pelo cansaço nos olhos e uma leve dor de cabeça, e precisou deixar o lápis de lado. Sua visão, que nunca fora muito boa, havia piorado bastante nos últimos tempos. Desde pequena, às vezes precisava forçar os olhos para ver com nitidez. Agora, estava sempre fazendo isso.

Apagou a lamparina e se deitou na cama. Se eu juntar só um pouco mais de dinheiro, vou poder comprar óculos. Só mais vinte potes de geleia de framboesa. Ou talvez trinta? De qualquer forma, já estou quase lá.

Sabia que, se contasse a Bill sobre sua visão, ele compraria óculos para ela imediatamente. Mas, de alguma forma, saber disso tornava ainda mais difícil dizer qualquer coisa a ele. Ela já recebera tanto dele, e não tinha nenhum jeito real de retribuir.

Quando ele dissera que iria mandar Layla para a escola, a maioria das pessoas zombara da ideia. Diziam que não havia sentido em educar uma órfã, já que, ao crescer, ela poderia simplesmente se tornar criada da família Herhardt. Mas Bill estava determinado.

Ele lhe dizia, todos os dias, que ela se tornaria uma adulta extraordinária.

Ao fechar os olhos, a dor de cabeça diminuiu um pouco. Quanto mais se esforçava para dormir, mais desperta se sentia. Em noites como aquela, pensamentos soltos sempre começavam a invadir sua mente: o retorno dos pássaros. Seus planos para o verão. O culpado do romance de mistério publicado em capítulos no jornal diário. E o Duque Herhardt.

Quando o nome dele lhe veio à mente, seus olhos se abriram. Já acostumados à escuridão, conseguiam distinguir a paisagem noturna do lado de fora da janela: os ramos das árvores balançando suavemente ao vento e, além deles, o céu noturno, repleto de estrelas e da luz da lua.

Ao contemplar aquela luz pálida, percebeu que estava contendo a respiração.

Depois de se formar na universidade, o duque ingressara na Academia Militar Real e, em seguida, fora nomeado oficial do exército, seguindo a tradição da família. Fora destacado quase de imediato para um posto em uma frente de guerra no exterior, de modo que não visitara a propriedade nem uma única vez no ano anterior. Por isso, fora um período de paz tanto para os pássaros da floresta quanto para Layla. No entanto, ele estaria de volta naquele verão...

O senhor de Arvis. O Duque Herhardt.