Chore, Melhor Ainda se Implorar [Novel]

Após perder os pais aos 12 anos, Layla Llewellyn é passada de um parente indiferente para outro, até ser enviada para outro país. Ao chegar ao Império de Berg, ela fica sob os cuidados de Bill Remmer, um parente distante e ranzinza que parece não se importar com nada além do seu trabalho como jardineiro da renomada família Herhardt. Depois de anos de negligência, tudo o que Layla deseja é um lugar para chamar de lar, mas seus encontros com o charmoso Duque Matthias von Herhardt e o restante da alta sociedade trazem provações e tribulações para a jovem de coração terno.

Capítulo 34 - Uma Desculpa para Partir o Coração Dela

Capítulo 34 - Uma Desculpa para Partir o Coração Dela

Tradução: Amme

Capítulo 34

Uma Desculpa para Partir o Coração Dela

Quando Kyle viu Layla descendo pela trilha da floresta em sua direção, um sorriso tão caloroso quanto o pôr do sol se abriu em seu rosto.

— Layla!

Ela andava olhando para os próprios pés, mas ao ouvir ele gritar seu nome, ergueu a cabeça imediatamente. Os olhos se arregalaram ao vê-lo. Ele sentiu um amor sem limites por ela ao ver que acelerava o passo enquanto sorria para ele.

— Quando você chegou? — perguntou ela.

— Faz um pouco. Fui à cabana, e o Bill disse que você havia sido chamada à mansão, então pensei em vir te resgatar.

— Me resgatar?

— É óbvio por que a Lady Claudine te mandou chamar, não é?

— Não foi ela hoje. — Sorriu enquanto voltava a caminhar.

Ajustando o passo ao dela, ele começou a caminhar ao lado dela.

— E não foi a Lady Claudine que me mandou chamar. Foi a Duquesa-viúva Herhardt.

— A Duquesa-viúva Herhardt? Ela que te chamou?

— Sim. Me parabenizou por entrar na faculdade e perguntou se havia algum presente que eu quisesse.

— O que você disse?

— Que não queria nada, que só era grata por terem me deixado ficar aqui.

— Muito da Layla como resposta — disse ele, dando uma risadinha com a resposta previsível.

Furtivamente, estendeu a mão para segurar a dela. Ao contrário de antes, ela não pareceu nervosa ao aceitar a mão dele. Aquela pequena mudança de comportamento o deixou muito feliz.

Caminharam de mãos dadas pela trilha conhecida, conversando sobre as coisas de sempre — o que haviam feito no dia, o novo capítulo do romance policial do jornal e os planos para o verão.

Logo anoiteceu. A floresta escureceu rapidamente, e Kyle aproveitou a escuridão para reunir mais coragem.

Apertou a mão dela e puxou o braço. Ela perdeu o equilíbrio por um instante, mas se estabilizou apoiando as costas no tronco de uma árvore grande à beira da trilha. Ele ficou parado de frente para ela.

Todo o movimento aconteceu num piscar de olhos, mas para ele pareceu uma eternidade.

— Kyle? — disse ela em uma voz fraca e trêmula. O vermelho dos lábios era visível mesmo no crepúsculo.

Fechou os olhos com força e, reunindo toda a coragem, inclinou-se em direção a ela. Imediatamente sentiu a pele quente dela contra os lábios. Mas estranhamente, a sensação era diferente do que havia esperado.

Abriu os olhos e explodiu em risadas ao ver o que havia acontecido. Havia beijado o dorso da mão dela. Ela o olhava com a mão firmemente pousada sobre a própria boca, corada.

— Esse tipo de coisa me parece estranha, Kyle — murmurou ela. — Quando a gente faz esse tipo de coisa, parece que estamos fazendo algo errado, e eu não... — Deixando a frase no ar, baixou os olhos. As pestanas longas e louras apontavam para baixo.

Você não acha que o que está fazendo é ainda pior?, quis perguntar, mas se conteve e limpou a garganta. As bochechas estavam tão vermelhas quanto as dela.

— Senhorita Llewellyn, se não sabe como beijar, o que sabe?

— Hein?

— No trem, você estava agindo como se fosse especialista em tudo.

— O que isso tem a ver com... ah. — Depois de um instante, recordou a conversa em que ele havia dito que pularia do trem em movimento se ela continuasse falando sobre comportamento reprodutivo. — Bem, aquilo é...

Procurou as palavras certas por um momento, depois desistiu e murmurou a frase que sempre usava quando não conseguia dar uma boa resposta:

— Não sei nada sobre isso.

Ele afundou numa postura resignada e soltou um suspiro suave. Achava lamentável não ter nem ao menos beijado a mulher com quem iria se casar, mas não estava excessivamente chateado com isso. Mais do que um beijo, o que realmente queria era conquistar o coração dela. Não ia se deixar levar pela paixão se isso a magoasse.

Colocou as mãos nas bochechas dela e as acariciou com gentileza, depois pousou os lábios quentes na testa suave dela. Resolveu não ser exigente demais com ela quando se tratasse de demonstrações de afeto.

Respirou fundo, e o cheiro adocicado de rosas preencheu os pulmões. Era o perfume de Layla.



Depois do banho, Matthias caminhou despreocupadamente até a janela no lado oeste do quarto. Tinha uma rotina diária organizada. Por mais tarde que fosse dormir, geralmente acordava cedo pela manhã. Logo após acordar, ia ao banheiro para um banho rápido, e então começava o dia. Depois de repetir essa rotina tantas vezes, havia se tornado um hábito arraigado.

Incluindo o que estava fazendo agora.

Contemplou o jardim de rosas exuberante lá embaixo.

Naturalmente, Layla estava lá. Parecia acompanhar o jardineiro mais do que de costume, talvez porque o dia de sua partida estava se aproximando. Ela e o jardineiro ficavam próximos durante o trabalho, conversando o tempo todo.

Certa vez havia pensado que ela era uma garota de muito poucas palavras. Quando estava perto dele ou de Claudine, geralmente mantinha os lábios bem fechados.

Quando chegou o horário marcado, ouviu uma batida familiar à porta.

— Vossa Graça, sou eu, Hessen.

— Entre — respondeu, de pé com as costas voltadas para a janela ainda aberta.

Uma brisa fez as cortinas finas balançarem.

Enquanto Hessen o informava sobre a agenda do dia, Matthias lia o jornal que havia trazido. Não havia nada programado até o almoço.

— Devo admitir, Vossa Graça, que Arvis ficou um pouco vazia até que o senhor voltasse — comentou Hessen, em vez de ficar em silêncio como de costume.

Matthias pousou a xícara de chá e olhou para ele.

— Minha avó e minha mãe ficariam aborrecidas de ouvir isso.

— Perdão? Ah, não, Vossa Graça. Não foi isso que quis dizer. É só que —

— Eu sei — disse Matthias. — Sei o que quis dizer. — Um sorriso breve passou pelo rosto. Mesmo depois de o sorriso desaparecer, continuou a olhar para o mordomo de meia-idade com um olhar tão tranquilo quanto água parada.

Aliviado por o senhor não estar irritado, Hessen logo saiu.

Mesmo depois que a porta do quarto foi fechada, Matthias continuou recostado na moldura da janela, lendo o jornal. A luz do sol incidia nos olhos, fazendo-os parecer mais claros do que de costume por entre os cabelos que caíam frouxamente sobre a testa.

Pousou o jornal depois de ler um artigo sobre uma empresa do Conde Klein, com quem almoçaria. Virou-se devagar e viu Layla, que agora estava em um canteiro de flores bem perto da mansão. Por baixo do chapéu de palha — que, como se lembrava, havia sido salvo do rio por pouco —, a trança balançava a cada movimento.

O jardineiro disse algo, e ela respondeu animada. Estava rindo. Dava para perceber isso mesmo com o rosto sombreado pela aba do chapéu. Ria alto.

Estreitou os olhos e passou os dedos lentamente pelo cabelo.

Talvez não devesse ter voltado... havia pensado logo no momento em que pisara na propriedade.

A vida havia sido meticulosamente planejada. Era como se houvesse uma escadaria levando à vida perfeita, e tudo que precisava fazer era subi-la devagar.

Mas agora havia chegado a um degrau torto. Ainda não conseguia entender por que havia tomado aquela decisão que ia contra o plano de vida.

Ou talvez o primeiro passo em falso tivesse acontecido antes daquela noite em que havia rasgado o pedido de prorrogação do serviço militar.

Talvez fosse no dia em que havia adiado o casamento, dizendo que queria prorrogar o serviço mais um ano, quando na verdade estava cego pelo desejo. Talvez fosse no dia em que foi até ela depois de ela cair da bicicleta. Talvez fosse em algum dia ainda mais remoto que já não se lembrava.

Ainda a desejava. Estava bem consciente disso. Portanto, queria que ela desaparecesse. Estava bem consciente disso também.

Aquela situação confusa havia criado uma fenda entre as emoções acaloradas e o desejo ardente. Não sabia qual era a solução, mas confiava que o tempo resolveria as coisas.

Fechou a janela e se vestiu. Enquanto avançava pelo corredor a passos largos, o rosto era alternadamente coberto pela sombra e iluminado pela luz que entrava pelas janelas.

Deixando os assistentes para trás, saiu da mansão sozinho e tomou a trilha da floresta que levava ao rio. As sombras dentro da mata pareciam especialmente escuras por causa do sol que brilhava tão forte lá fora.

Parou e ficou parado no meio daquelas sombras por um momento, pensativo.

Nunca antes havia experimentado o desejo, por isso não compreendia a saudade que sentia agora. De repente, percebeu que havia ainda uma sensação mais estranha — a de não poder ter o que desejava.



Quanto mais Daniel Raynor se aproximava da cabana do jardineiro, mais pálido ficava de apreensão. Ainda não era o horário mais quente do dia, mas a testa estava molhada de suor.

— Isso é uma loucura — murmurou para si mesmo quando divisou ao longe o telhado da cabana.

A Senhora Ettman havia lhe dito que queria que Daniel pegasse o dinheiro da matrícula que o jardineiro havia juntado e ficasse com ele por algum tempo. Em palavras diretas, queria que ele o roubasse.

A elegante e altiva Linda Ettman havia persuadido o primo a cometer um furto, movida pelo desejo de separar o filho daquela pobre garota.

Quando chegou ao quintal da frente da cabana, Daniel tirou o lenço do bolso e limpou o rosto. A outra mão apertava com força uma maleta.

Também sentia pena do Kyle, que havia se apaixonado e decidido se casar com uma garota que não lhe convinha. Todos haviam esperado que a nora dos Ettman viesse pelo menos de uma família nobre de baixa hierarquia.

Mas Kyle queria sinceramente se casar com Layla, e o Dr. Ettman apoiava a escolha, considerando-a uma boa pessoa apesar da origem humilde. A Senhora Ettman havia concordado nesse ponto. Quem poderia imaginar a adaga escondida por trás do sorriso gentil dela?

— O dinheiro é o inimigo — murmurou Daniel.

Sacudindo o desânimo, caminhou em direção à cabana. Linda havia dito que estaria vazia durante a manhã. Se por acaso Layla estivesse em casa, ele deveria dizer que havia passado pela casa dos Ettman e estava fazendo uma visita rápida para parabenizá-la pela aprovação na faculdade. Ele e Layla já haviam se encontrado antes, portanto era uma desculpa plausível.

Ao se aproximar da porta da frente, começou a torcer para que ela estivesse em casa, para que pudesse abandonar o plano inteiro. Bateu e esperou, mas não havia nenhum som vindo de dentro da cabana.

Entregando-se ao desespero, testou a maçaneta. Exatamente como a prima havia prometido, estava destrancada.

— Mas Linda, mesmo que o dinheiro da matrícula seja roubado, outra pessoa pode se adiantar e cobrir a despesa. Até o seu marido disse que estava disposto a pagar a matrícula dela — havia dito a ela.

Ela sorriu amargamente em resposta e disse:

— Confie em mim, conheço meu marido melhor do que você, Daniel.

— Mas por que...

— O dinheiro da matrícula sumido é só uma desculpa.

— Como?

— Uma desculpa para partir o coração daquela garota — havia respondido Linda com um suspiro.

Daniel não havia feito mais perguntas. Se aquela era a última esperança, não queria saber mais detalhes, pois provavelmente só o fariam se sentir ainda mais culpado e envergonhado.

Estou só ajudando minha prima a pegar emprestado o dinheiro do jardineiro. Continuou repetindo aquela justificativa na mente enquanto entrava na cabana.

Não demorou muito para terminar. Ao sair da cabana com a maleta cheia de dinheiro na mão, sentiu um alívio. A parte que lhe cabia naquele esquema estava concluída. Só restava entregar o dinheiro a Linda, receber a sua parte — o que salvaria a casa da penhora — e ir para casa.

Para evitar se cruzar com o jardineiro, escolheu uma rota alternativa, caminhando ao lado do rio. Porém, aquela decisão cautelosa o colocou em uma situação ainda pior. Percebeu isso ao ver um jovem naquele mesmo caminho.

O jovem diminuiu o passo devagar ao ver Daniel. Sem parecer particularmente assustado ou alarmado, simplesmente o fitou.

Será um criado de Arvis?, perguntou Daniel, sentindo um leve alívio.

O alívio, porém, não durou. Logo começou a sentir um pavor profundo ao perceber que não havia como um criado estar passeando à beira do rio durante a movimentada manhã de trabalho. A vestimenta também não parecia a de um criado.

E além disso, o rosto lhe parecia muito familiar.

Foi então que caiu a ficha — havia visto aquele rosto incontáveis vezes no jornal, e até o havia visto pessoalmente algumas vezes à distância. Era o Duque Herhardt.